O sofisticado e refinado Audi e-tron, que chega ao Brasil em maio, não impõe restrições por ser um modelo elétrico

por Ruben Hoyo

AutoCosmos.com/México

Exclusivo no Brasil para Auto Press

O Audi e-tron foi apenas a ponta de lança em uma ofensiva agressiva de produtos elétricos desenhada pela marca alemã. Ele foi seguido pelo e-tron Sportback, que é basicamente o mesmo SUV, mas com as formas muito mais marcadas de cupê, e que, portanto, dão uma aparência mais esportiva. O próximo passo é o cupê de quatro portas e-tron GT, que vai usar a arquitetura do Porsche Taycan. O conceito do modelo foi mostrado no cinema como o carro do personagem Tony Stark, alter ego do Homem de Ferro, no filme “Os Vingadores: Ultimato”, de 2019, e já está em fase final para ser lançado no final deste ano. Voltando ao Audi e-tron, o modelo foi o SUV elétrico mais vendido do planeta no ano passado, com mais de 20 mil unidades mundialmente. No mercado de luxo, ficou atrás apenas da Tesla, que passou das 25 mil unidades.

                Em relação ao tamanho, o e-tron tem um tamanho intermediário em relação ao Q5 e ao Q7. Ele usa uma bateria de 95 kWh localizada no chão do veículo, resfriada por líquido, capaz de oferecer uma autonomia de até 400 quilômetros com uma única carga em testes oficiais. Na vida real. Os números são ligeiramente menores. Durante a avaliação, quando foi usado tanto na cidade quanto em pequenas viagens, sendo conduzido de forma normal, a autonomia ficou entre 350 e 370 km. Ou seja: isso permite que o e-tron seja usado praticamente como se fosse um carro movido a motor térmico, a gasolina ou diesel.

              O SUV é animado por dois motores elétricos, montados um em cada eixo – na dianteira, são 168 cv, enquanto na traseira são 188 cv. Eles trabalham conjuntamente através de um sistema de gerenciamento eletrônico, que sempre entrega a melhor distribuição de tração em qualquer circunstância. Isso significa que, dinamicamente, o e-tron funciona como um modelo com o sistema quattro da marca, embora não haja conexão mecânica entre os eixos. A vantagem é que o sistema totalmente eletrônico é mais rápido na ação e mais eficiente, pois não há perdas com atritos entre as peças do conjunto. A potência total do sistema é de 355 cv de potência e 36,2 kgfm de torque, elevados a 408 cv e 66,7 kgfm no modo Boost. O zero a 100 km/h é de 6,6 segundos no modo normal, que pode ser reduzido até 5,7 segundos com a potência máxima liberada. Em compensação, a autonomia cai em 20% no modo Boost, e vai de 417 para 330 km.

            A suspensão a ar é adaptável e ajustável na altura, de forma que comportamento muda de acordo com a ocasião. Pode ser suave e confortável para um passeio ou mais rígida quando se trata de extrair toda a potência do trem do motor. Além disso, ao ativar o modo Off Road, a carroceria pode ser elevada para superar os obstáculos mais complicados. Como é comum em carros elétricos, o sistema de freio merece uma menção à parte. O controle é totalmente eletrônico, por fio, sem conexão física entre as pinças de freio e o pedal. Através da gestão eletrônica, os motores elétricos retardam o veículo e quando sua capacidade é excedida, os freios entram em ação através de um conjunto de válvulas, tudo sem que o motorista perceba qualquer alteração no pedal do freio.

Por dentro, o SUV elétrico se parece muito com os maiores modelos da marca, como A6, A7, A8 e Q8, o que confirma que o e-tron é um Audi “high-end”. A qualidade dos materiais e montagem é simplesmente impecável e supera o Tesla Model X com facilidade. Apesar de se nivelar aos melhores Audi do mercado, o modelo elétrico tem sua própria personalidade. As formas são ligeiramente distintas, mais suaves, e o console central é bem mais alto – até porque sob o assoalho há as baterias. Finalmente, a alavanca de engrenagem tem um desenho ultramoderno, como o de uma nave espacial de filme de ficção científica.

  Em relação à funcionalidade, três telas dominam a cena. A maior, no alto do console central, é do sistema multimídia MMI Touch, a segunda, abaixo dessa, também “touch” é a que controla o ar-condicionado, seleciona o modo de condução, ativa o aquecimento dos bancos, etc. A terceira é o chamado Virtual Cockpit, que fica atrás do volante. Ela é configurável e traz velocímetro e monitora consumo, autonomia e estado da bateria. Todas são de alta definição. O sistema de infoentretenimento da Audi é um dos melhores do mercado: fácil de usar, tem inúmeros recursos e conta com uma integração com o Google Earth, o que dá um ar ainda mais moderno. Também é compatível com Carplay e Android Auto, caso seja essencial. O som é assinado pela Bang & Olufsen, a climatização tem quatro zonas e o teto solar panorâmico enriquece bastante o ambiente. O espaço no banco de trás é imenso, dois grandes adultos têm total conforto e podem usufruir de uma experiência similar à dos ocupantes da frente. A única limitação, de fato, é o preço, que faz do e-tron um carro para poucos. No Brasil, onde está previsto para chegar em maio, está sendo oferecido para reservas pela Audi por R$ 459.990, sem opcionais.

Impressões ao dirigir

Fonte de prazer

               Dirigir o Audi e-tron é simplesmente delicioso. É extremamente silencioso pela ausência de um motor ou caixa que gere vibrações. Além disso, há a solidez da construção, o uso maciço de materiais isolantes e a sofisticada suspensão pneumática adaptativa. Tudo isso torna a cabine um oásis de tranquilidade, mesmo que se esteja em meio a uma metrópole caótica. Com um zero a 100 km/h em 5,7 segundos, com o uso do Booster, o e-tron está longe de acelerar como um Modelo X P-100D – que cumpre a tarefa em 3,1 segundos –, mas ainda é muito rápido. Há muita energia em qualquer circunstância e o acelerador é extremamente reativo.

               No modo Dynamic, o e-tron muda completamente para o que parece ser um verdadeiro carro esportivo. A suspensão endurece, a direção fica mais direta e rápida e os motores elétricos reagem mais violentamente a qualquer insinuação do pedal. A dinâmica do modelo da Audi é completada por uma agilidade em curvas incomum em modelos elétricos. O e-tron transmite confiança absoluta, mesmo que seja um SUV. Até mesmo o sistema de regeneração que pode se tornar divertido. As espátulas atrás do volante configuram a quantidade de energia o carro vai recuperar e funcionam como se fosse um controle de freio motor – quanto maior a resistência do motor, maior a recuperação de energia e maior a autonomia.

Para ser usado normalmente, como carro do dia a dia, o e-tron é perfeito. A autonomia, que na pior das hipóteses fica acima de 300 km – mais que muitos carros usando etanol percorrem com um tanque cheio. Com um mínimo de disciplina, para conectá-lo a tomadas sempre que está estacionado, a única limitação será em relação a viagens maiores.

            O ao fim do teste, dá para afirmar que o Audi e-tron é o melhor SUV elétrico do mercado. A experiência a bordo é completamente requintada, a qualidade do passeio é impecável e funciona perfeitamente como carro de família. Talvez seja menos teatral do que um Tesla, mas não exige sacrifícios de qualquer tipo para o fato de ser elétrico. No entanto, seu preço coloca-o como um capricho reservado para muito poucos.