Hyundai mostra ousadia com nova linha HB20

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por Eduardo Rocha

Auto Press

A troca de geração de um modelo é o momento mais crítico na vida de um automóvel. O objetivo do fabricante, claro, é sempre aproveitar a mudança para melhorar o desempenho nas vendas, mas sempre existe o risco de perder o mercado que já estava consolidado pela antiga geração. É uma situação que costuma assusta os executivos. Por isso mesmo, a maior parte das marcas faz uma sucessão paulatina. Apresenta o novo modelo, mas mantém o antigo em produção para o caso de ocorrer uma catástrofe. Só que a Hyundai não fez nada disso. A fabricante sul-coreana assumiu todos os riscos na troca de geração de sua linha de grande sucesso no Brasil, HB20 – em sete anos, foram mais de 1,1 milhão de unidades produzidas em Piracibaca, interior de São Paulo. Os novos HB20, HB20S e HB20X chegam nas concessionárias a partir deste mês de setembro totalmente reformulados. E vão apresentar um corte conceitual abrupto. O design, inclusive, é o segundo modelo da marca no mundo a adotar o novo estilo da marca, chamado de Esportividade Sensual. E como na primeira geração, o HB20 é feito especificamente para o mercado brasileiro.

Com exceção dos nomes dos modelos e dos motores 1.0 e 1.6, os novos HB20 não trazem nada da antiga geração. E mesmo no caso dos motores, a maior aposta da marca agora é no inédito 1.0 Turbo GDI flex, que anima os modelos mais caros e completos. Este motor 1.0 é de uma geração diferente do 1.0 atual, mas também tem três cilindros. A diferença é que tem turbo e conta com injeção direta de combustível, válvulas variáveis na admissão e no escape e trabalha sempre com câmbio automático de seis marchas. O resultado é 120 cv de potência e 17,5 kgfm de torque e claramente se sobrepõe ao motor 1.6, que agora rende 2 cv a mais e chega a 130 cv, com torque de 16,5 kgfm. A troca dos propulsores em toda a linha só não foi feita porque os executivos enxergam uma certa resistência no mercado brasileiro a motores de baixa cilindrada, mesmo que o turbo equalize as potências. De novo, o motor 1.0 aspirado perdeu, assim como o 1.6, o tanque auxiliar de gasolina para a partida. No mais, ficou igual, com 80 cv e 10,2 kgfm e trabalha sempre com câmbio manual.

 

             As três motorizações se espalham pela linha de acordo com as versões. Na configuração hatch, elas começam com a básica Sense 1.0 e a Vision, 1.0, 1.6 e 1.6 automática. A Evolution pode receber tanto o motor 1.0 aspirado quanto o TGDI enquanto a Diamont recebe sempre o motor 1.0 TGDI. Já o HB20X é animado exclusivamente pelo motor 1.6, com câmbio manual ou automático. Na configuração sedã, as versões começam na Vision com motor 1.0 ou 1.6 manual ou automática. A Evolution, como no modelo hatch, pode receber tanto o motor 1.0 aspirado quanto o turbinado. Já a Diamont recebe sempre o motor TGDI.

               Cada uma dessas versões corresponde a um pacote de equipamentos, o que faz a tabela de preços da nova linha HB20 a ser bastante ampla. O hatch começa em R$ 46.490 na Sense e de série tem de itens relevantes apenas ar, rádio com Bluetooth, vidros dianteiros e volante com comandos de som. A versão Vision 1.0 sai a R$ 48.990 e acrescenta retrovisores elétricos, vidros elétricos para as portas traseiras e alarme. O sistema multimídia pode ser incluído e eleva o preço para R$ 50.990. Na versão Vision 1.6, a central está sempre incluída e o preço vai a R$ 57.990 com câmbio manual e R$ 62.790 com automático – que chega acompanhado de controle de cruzeiro, controle de tração e estabilidade e assistente de partida em rampa.

               A versão Evolution começa em R$ 53.790 com motor 1.0 e acrescenta, em relação à Vision 1.0, rodas de liga leve, controle de estabilidade, assistente de partida, sensor traseiro, painel parcialmente digital, central multimídia e ar-condicionado analógico com controle digital. Esta é a versão com o melhor custo/benefício da linha HB20. Com o motor TGDI, a versão Evolution acrescenta faróis de neblina e custa R$ 67.190. Ou seja: a motorização com turbo acrescenta cerca de R$ 13 mil ao preço. Por fim, a versão Diamont adiciona à Evolution TGDI airbags laterais, câmera de ré, chave presencial para travas e ignição, faróis com projetores, retrovisor retrátil eletricamente, acendimento automático dos faróis, sistema start/stop e paddle shifts no volante. Ela custa R$ 73.590 e chega a R$ 77.990 na Diamont Plus, que ganha bancos de couro, sistema de frenagem de emergência, alerta de mudança de faixa e monitor de pressão dos pneus.

Esta distribuição de equipamentos segue a mesma lógica nas versões disponíveis para o HB20S, sendo que o valor é acrescido, em média, em R$ 4.500 – vai de R$ 53.390 na Vision 1.0, passa pelos R$ 67. 390 na Vision 1.6 automática e vai a R$ 81.290 na Diamont Plus. No caso do HB20X, a motorização é sempre 1.6 e as versões disponíveis se resumem à Vision, manual ou automática, à Evolution automática e à Diamond e Diamont Plus, ambas automáticas. Os preços são R$ 62.990 para a Vision manual, R$ 67.890 na automática, R$ 69.890 na Evolution, R$ 75.190 na Diamont e R$ 79.590 na Diamont Plus. Os preços não são exatamente atraentes, mas também não afastam a linha HB20 do miolo do segmento. Na verdade, a maior amplitude de versões e equipamentos credencia os compactos da Hyundai a rivalizar tanto com modelos de entrada quanto com os mais equipados e tecnológicos.

Ponto a ponto

 

Desempenho – O novo motor 1.0 TGDI impulsiona o novo HB20 com bastante facilidade e deixa tanto o sedã quanto o hatch muito ágeis. Seus 120 cv geram uma relação peso/potência abaixo de 10 kg/cv, o que se traduz em ganhos de velocidade muito rápidos. O torque de 17,5 kgfm fica a pleno entre 1.500 e 3.500 giros. Ou seja: em praticamente toda a faixa útil de rotação durante o uso normal na cidade ou na estrada – a 120 km/h em sexta marcha, o motor está a cerca de 3 mil rpm. O câmbio automático conversa bem com o motor e as trocas de marcha são quase imperceptíveis numa condução tranquila. Numa tocada mais esportiva, as reações são bem rápidas e vigorosas. Nota 9.

Estabilidade – O comportamento dinâmico do HB20 evoluiu bastante neste ponto com a mudança de geração. O acerto de suspensão ficou mais refinado e consegue filtrar as irregularidades e manter o controle da carroceria ao mesmo tempo de forma eficiente. Nas retas, o compacto se mostrou bastante firme, sem exigir pequenas correções. Nas curvas, o hatch não apresenta rolagem de carroceria, mas o sedã sente um pouco a presença do balanço traseiro maior. A única versão disponível, a top Diamont Plus, dispunha de controles de estabilidade e tração, que se mostraram discretos e pouco invasivos. Nota 8.

Interatividade – A capacidade de interagir do HB20 muda bastante de acordo com a versão. O sistema multimídia BlueMédia, por exemplo, é de série a partir da versão Evolution, opcional na Vision e indisponível na básica Sense, que tem apenas um rádio com Bluetooth. Com ela, o HB20 mostra boa conectividade e dispõe de aplicativos como Android Auto e Apple CarPlay. A tela “touch” é de oito polegadas e fica em uma posição privilegiada, acima do console central, com ótima visualização. No console logo abaixo, há duas tomadas USB: uma de 1 ampère, que faz a conexão com a central de infoentretenimento, e outra de 2,1 A, para carregamento rápido. Também a partir da configuração Evolution, há sensor traseiro, enquanto a câmera de ré ficou reservada apenas para a top Diamont, que tem sempre câmbio automático e conta também com outros recursos, como retrovisores rebatíveis eletricamente, faróis de acionamento automático, frenagem automática de emergência, chave presencial e espátulas para mudanças de marcha no volante. Neste ponto, a tabela já aponta para valores acima de R$ 70 mil. Nota 7.

Consumo – O HB20 nunca se destacou pela economia. As notas da geração anterior no InMetro sempre ficaram entre B e C na categoria, tanto com motor 1.0 aspirado quanto com o 1.6. A Hyundai afirma que pequenas mexidas nos motores e a perda de peso da nova carroceria vão melhorar seus índices. O 1.0 ficou 7% mais econômico, o 1.6 com câmbio manual consome 8% a menos e o automático, 16%. Sempre com etanol/gasolina, na ordem cidade e estrada, os números fornecidos pela Hyuundai ficaram em 9,1/12,8 km/l e 10,1/14,6 km/l para o 1.0, 8,6/12,5 km/l e 12,5/14,7 km/l para o 1.6 manual, 7,8/11,5 km/h e 9,8/13,9 km/l para o 1.6 automático e no caso do movo motor TGDI, que vem sempre com câmbio automático, os números ficaram em 8,2/11,8 km/l e 10,2/14,2 km/l, sem start/stop. Nota 7.

Conforto – O novo HB20 ganhou 3 cm no entre-eixos, que foram plenamente aproveitados para melhorar o espaço do banco traseiro – a marca dimensiona em quase 5 cm o ganho para os joelhos atrás. Ainda assim, a sensação no habitáculo não é de amplitude. O teto de curva acentuada não é tão alto e deixou a área para a cabeça mais crítica. Na frente, a solução foi criar uma pequena depressão no forro do teto, enquanto na traseira a providência foi deixar o assento baixo. Em compensação, o trabalho de isolamento acústico o deixa entre os melhores do segmento e a suspensão, apesar de firme, filtra muito bem as irregularidades. Nota 8.

Tecnologia – A Hyundai tem uma boa oferta de tecnologia eletrônica no novo HB20, mas apenas nas versões superiores. Na linha em geral, os motores são bem eficientes, a plataforma ganhou17% em rigidez e ficou mais leve – em média, 30 kg nas configurações mais equipadas. É um modelo que chegou agora e deve ter de encarar os próximos sete anos no mercado, no entanto a estratégia da marca reservou alguns itens que hoje já começam a ser comuns em compactos apenas às versões mais caras, como controles dinâmicos, airbags adicionais, etc. E alguns recursos não aparecem nem nestas, como luz de led diurna e sensor de chuva. O recurso mais importante que o HB20 oferece, na versão de topo, que é pouco comum na categoria é o sistema de frenagem de emergência. Nota 8.

Habitabilidade – A cabine é amigável e tem porta-objetos e porta-copos no console central, sob o apoio de braço – na versão Diamont – e espaço para garrafas de água nas portas. O porta-malas do HB20S leva 475 litros, 25 a mais que a geração anterior. A altura interna é limitada, mas o espaço longitudinal é bom. Os bancos são muito finos e embora sejam confortáveis, dão uma sustentação apenas razoável. Os comandos são ergonômicos, mas o botão da trava das portas está no lugar errado, no console, quando deveria estar na própria porta. Nota 8.

Acabamento – Os acabamentos usados no interior não chegam a ser requintados, mesmo na versão de topo, mas os materiais aparentam ter boa qualidade. O design interno é simples e alguns recursos, como o aplique de plástico brilhante no tablier, funciona melhor quando é discreto, como no sedã, onde ele é preto – no hatch, em azul, ele destoa da decoração geral. Na versão testada, os bancos eram de couro, o que melhora a ambientação geral. Está dentro da proposta do segmento. Nota 7.

Design – Esse é o ponto que vai dividir opiniões. O desenho do HB20 não tem nenhum elemento que o deixe realmente original ou ousado, mas reúne e organiza diversos detalhes de forma inusitada. E é esta a ousadia. As proporções entre os volumes do hatch seriam mais comuns em um modelo maior, como a curvatura do teto acentuada, apesar de não ser alto – o que acabou sacrificando o espaço para a cabeça. As linhas em geral tendem mais para o geométrico que para o orgânico. A frente baixa e o capô em curva dão um aspecto aerodinâmico e o teto flutuante também ajuda na ideia de velocidade. O sedã tem um pouco mais de esportividade, com o caimento do teto bem alongado, como em um cupê, e praticamente elimina visualmente o terceiro volume. Já o HB20X perdeu um pouco do aspecto de robustez por conta da frente baixa, mas ganhou molduras de rodas assimétricas, que dão um ar bem moderno ao modelo. De acordo com a configuração de carroceria e versão, há um modelo tem detalhes na grade específicos. Mas todos, em suma: têm muita personalidade. E como tudo que tem muita personalidade, pode agradar ou causar rejeição. Nota 9.

Custo/benefício – Os preços do HB20 e HB20S estão bem de acordo com os praticados no mercado hoje, na faixa que vai dos R$ 45 mil e vai a R$ 75 mil – de R$ 50 mil a R$ 80 mil, no caso do sedã. Mas isso pode ser um problema, uma vez que a briga no segmento de compactos ficou mais encarniçada com a chegada do novo Chevrolet Onix projetado na China, que o deixou com preço bem agressivo. Em relação aos demais rivais, o compacto da Hyundai consegue se defender bem. O preço, certamente, não será o maior motivo para o desempenho que o modelo vai ter nas vendas. Nota 7.

Total – A linha Hyundai HB20 somou 78 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Equilíbrio de forças

Comandatuda/Bahia – Tanto o hatch HB20 quanto o sedã HBS ficaram irreconhecíveis. A mudança de gerações representou uma mudança visual, no aproveitamento do espaço interno e também dinâmica. O novo motor 1.0 TGDI, turbo de injeção direta, representa uma evolução óbvia nos compactos. Mas outro ganho veio do novo acerto de suspensão, um pouco mais rígida, mas ainda confortável, e que apresenta um excelente controle de carroceria, principalmente na configuração hatch – o sedã sente um pouco o balanço traseiro nas curvas mais longa, como as de estrada. Nas curvas de raio menor, a tendência, no limite, seria sair de frente, caso o modelo não estivesse equipado com controle de estabilidade e tração.

Embora não tenha ficado maiores lembranças da primeira geração do modelo, o HB20 não chega a mudar de patamar. Ele continua rivalizando com todos os rivais compactos do mercado. De acordo com o conteúdo, briga com os modelos de entrada ou com os de topo. Em relação ao andar debaixo, leva vantagem de ter uma nova estrutura e um visual renovado e cheio de personalidade – com um toque de esportividade bastante atraente no caso do sedã. Ficaram faltando, no entanto, alguns itens que já começam a povoar o segmento de compactos, como ar-condicionado automático – o HB20 tem visor digital, mas o controle é analógico ‑ e airbags de cabeça. Outros só são simples, mas só estão disponíveis em versões muito caras, como câmara de ré e controle de estabilidade e tração. Em compensação, na versão mais cara, a única disponíveis na apresentação, tem monitor de faixa de rolagem e frenagem de emergência automática, que é eficiente para parar totalmente o carro em velocidades de até 50 km/h. Acima disso, o sistema só consegue mitigar as consequências da colisão.

Na versão de topo avaliada, a vida é amaciada por uma série de pequenos confortos, com apoio de braços central, acabamento em couro, câmbio automático e motor 1.0 turbo GDI. Apesar de os 10,7 segundos apontados pela Hyundai para a aceleração de zero a 100 km/h não impressionarem, durante o teste o modelo mostrou muito vigor e disposição. E melhor: em faixas de giro intermediárias, as mais usadas, ele consegue injetar vigor quase instantaneamente, a partir da pisada no acelerador. Nas frenagens ele mostrou também bastante equilíbrio. Já o espaço interno não é dos mais generosos, ainda mais se comparado a compactos que têm praticamente tamanho de médio, mas está dentro da proposta da categoria. O novo painel, que nas versões superiores combina mostrador analógico do conta-giros com velocímetro digital, ficou limpo e de fácil leitura, mas ficou um tanto tímido para um modelo que se pretende ousado.

Ficha técnica

HB20/HB20S Diamont Plus 1.0i Turbo GDI

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, em alumínio, 998 cm³, com três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e comando variável na admissão e escape. Turbocompressor com intercooler, acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.

Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré com paddle shifts no volante. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração (na versão Diamont).

Potência máxima: 120 cv cv a 6 mil rpm com etanol/gasolina.

Aceleração zero a 100 km/h: 10,7 segundos.

Velocidade máxima: 190 km/h (191 km/h).

Torque máximo: 17,5 kgfm entre 1.500 e 3.500 rpm.

Diâmetro e curso: 71 mm X 84 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade na versão Diamont.

Freios: Discos ventilados na frente e tambor na traseira.

Pneus: 185/60 R15.

Carroceria: HB20 (HB20S) ‑ Hatch (Sedã) em monobloco com quatro portas e cinco lugares, com 3,94 (4,26) metros de comprimento, 1,72 m de largura, 1,47 m de altura e 2,53 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais e laterais de série na versão Diamont.

Peso: 1.091 (1.120) kg em ordem de marcha.

Capacidade do porta-malas: 300 (475) litros. Hatch com 900 litros com o banco rebatido.

Tanque de combustível: 50 litros.

Produção: Piracicaba, São Paulo.

Preços: HB20 – de R$ 46.490 a R$ 77.990. HB20S ‑ de R$ 55.390 e R$ 81.290. HB20X – de R$ 62.990 a R$ 79.590.

 

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