Nissan Frontier mergulha no Brasil profundo

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Pedaço de mau caminho

Nissan põe a picape Frontier à prova numa expedição que se embrenha pelo interior do Brasil

por Eduardo Rocha

Auto Press

             A Nissan precisava de um bom pretexto para colocar a picape Frontier nas estradas e também fora delas. A partir de um tema bastante aberto, “Na Rota dos Patrimônios Brasileiros”, a fabricante desenhou caminhos e trilhas rumo a riquezas culturais e naturais. Foi uma maneira prática de confirmar que a 12ª geração da picape foi bem adaptada às necessidades do consumidor brasileiro quando passou a ser produzida em Córdoba, na Argentina, há cerca de um ano. Na expedição, entre as 16 unidades da Frontier 2020 havia representantes de todas as quatro versões do modelo, que só é produzido com tração 4X4.

                Desde a chegada da nova geração produzida na Argentina, as vendas do modelo tiveram um incremento de quase 30%, passando da média mensal de 520 para 675 unidades. Nos dois primeiros meses de 2020, a média subiu para 720 emplacamentos por mês. A versão 2020 usada na expedição traz até algumas diferenças sutis em relação à do ano passado. A versão de entrada S vem agora com rodas de liga leve de série, a Attack passa a ter rodas pretas, a XE ganha rodas aro 18 e a configuração de topo LE traz um emblema no para-lama dianteiro com a identificação “Biturbo”, um enorme adesivo escrito “4X4” na lateral traseira, protetor de caçamba de série e molduras laterais. Toda a linha 2020 passa a contar com um serviço gratuito por 12 meses do sistema Sem Parar para pagamento automático de estacionamentos e pedágios.

                Toda a linha utiliza o motor diesel de quatro cilindros e 2.3 litros. Na versão de entrada S, ele recebe um turbo único e é gerenciado por um câmbio manual de seis marchas. Ele rende 160 cv de potência, com 41 kgfm de torque. As demais versões trabalham com este mesmo propulsor equipado com dois turbos e câmbio automático de sete marchas. Ele tem 190 cv de potência, com 45,9 kgfm de torque. Todos possuem diferencial traseiro com escorregamento limitado e eixo dianteiro com escorregamento limitado por freios. Ou seja: apenas de não ter um diferencial central, o destracionamento de qualquer uma das rodas é rapidamente compensado.

                A Frontier 2020 teve acréscimo no preço em relação à versão 2019. A versão básica S, direcionada ao trabalho, parte agora de R$ 143.850 e ela vem de série com ar, direção, travas, vidros e espelhos elétricos, controle de estabilidade e tração e assistente de partida em rampa. A Attack tem um perfil mais aventureiro e custa R$ 160.850. Ela recebe itens exclusivos como adesivos, pneus A/T, All Terrain – as demais versões vêm com H/T, de Highway Terrain ‑, santantônio, rack, estribo e rodas em preto. Ainda conta com sistema multimídia, câmera de ré, faróis de neblina e volante multifuncional.

 

               A versão imediatamente superior é a HE, que começa a introduzir itens de luxo na gama. Ela custa R$ 181.850 e tem recursos como acabamento em couro, banco do motorista com regulagem elétrica, faróis em led, luz diurna em led, ar-condicionado de duas zonas, chave presencial para ignição e travas, sensor traseiro e navegador. A versão de topo, LE, adiciona um sistema de quatro câmeras conjugadas que simulam uma visão aérea em 360º do entorno do veículo para manobras. Recebe ainda teto solar elétrico, quatro airbags adicionais – lateral e de cortina ‑, além dos frontais, e sai por R$ 201.850.

Ponto a ponto

Desempenho – Mesmo com sete marchas e diversos recursos típicos de carros de passeio, a Frontier mantém uma pegada “truck”, como ficou claro nas travessias de rio e lamaçais que enfrentou na expedição. O câmbio automático tem reações lentas, mas se entende muito bem com o motor nas situações off-road. O propulsor tem muito torque, mas é pouco elástico: os giros sobem de forma quase preguiçosa. Na estrada, depois que pega o embalo, aceita velocidades de cruzeiro bem generosas e boas retomadas, proporcionadas pelos dois turbos compressores. Por outro lado, o veículo tem uma força brutal em baixos giros e se mostra capaz de enfrentar obstáculos com facilidade. Coerente com a proposta de uma picape. Nota 9.

Estabilidade – A picape da Nissan impressiona neste ponto. Ela é macia, extremamente controlável, absorve bem os buracos e neutraliza as ondulações da pista. Na estrada, a impressão é de se estar em uma velocidade menor da que o velocímetro marca, tamanho o equilíbrio do modelo. É também capaz de enfrentar curvas com alguma elegância, desde que não sofra abuso. A suspensão traseira multilink equilibra as ações entre os momentos que está carregada e vazia. Nota 8.

Interatividade – Dependendo da versão, a picape da Nissan é mais ou menos amigável com o motorista. A central multimídia da Frontier, disponível a partir da versão Attack, tem um bom nível de conectividade. O volante multifuncional, que aparece na versão XE, tem os comandos nos lugares tradicionais e é fácil de operar. Já o câmbio de sete marchas, no modo sequencial, se mostra pouco prático ‑ há rivais com paddle shifts. A câmera 360º que vem na versão de topo LE é bem-vinda em manobras e no off-road, em conjunto com o sensor de proximidade, facilita bem o manejo dos 5,25 metros do modelo. Nota 9.

Consumo – O tanque de 80 litros é realmente necessário na Frontier. Na versão com 190 cv, a única testada no InMetro, ela cumpriu médias apenas aceitáveis de consumo: 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada. São índices melhores que os obtidos em 2019, por isso recebeu índice C na categoria – mas manteve nota D no geral. A versão S, com motor menos potente e câmbio manual, tem os mesmos índices, mas é um pouco mais econômica na cidade, com 9,3 km/l, e mais gastadora na estrada com 10,2 km/l. Entre as picapes médias, a Frontier não fica tão mal. Nota 6.

Conforto – Esta é uma das principais qualidades da Frontier. A suspensão é macia, mas mantém um bom controle da carroceria em pisos irregulares, esburacados ou com ondulações. A cabine é razoavelmente silenciosa – apenas em velocidades muito altas há ruídos aerodinâmicos. Outro aspecto positivo é a ergonomia do banco traseiro, que tem o encosto com uma leve inclinação que o deixa mais confortável. Há um bom número de porta-objetos e os apoios de copo escamoteáveis nas extremidades do tablier são práticos. Nota 8.

Nissan apresenta nova geração da picape Frontier no 29º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo 2016

Tecnologia – A Frontier tem estrutura e sistema suspensivo modernos. O motor também vem sendo atualizado e tem bastante torque disponível. Mas não traz sistemas de assistência à condução presentes em rivais como Ford Ranger e Chevrolet S10, como alerta de colisão, monitoramento de faixa de rolamento e sensor de ponto cego. Conta apenas com controle de estabilidade e tração, alguns recursos de conectividade e o sistema de câmera 360º. Pelo preço que ostenta na tabela, principalmente na versão LE, é muito pouco. Nota 7.

Habitabilidade – A Frontier manteve a boa receptividade aos ocupantes dianteiros e melhorou a vida dos passageiros de trás. Para uma viagem confortável, no entanto, o ideal é que sejam apenas quatro pessoas. Um problema, comum às picapes médias, é a altura, que dificulta o acesso à cabine. Falta uma alça para o motorista, que acaba se apoiando no volante quando vai entrar no carro. Nota 9.

Acabamento – A Frontier segue a filosofia japonesa em relação ao acabamento. Os matérias são simples, resistentes, de bom aspecto, mas sem luxo ou requinte. O interior com combinações mais discretas são as mais agradáveis de conviver. Todas as superfícies de toque são acolchoadas. Nota 8.

Design – Para uma picape, é muito difícil fugir do aspecto de caminhãozinho. A Frontier tenta ganhar alguma personalidade com a lanterna traseira que invade a lateral e os vincos em “V” na tampa da caçamba, que tenta fazer um link com a grade frontal. Nota 7.

Custo/benefício – Em geral, a Nissan Frontier segue a batida do mercado e oferece recursos semelhantes ao de rivais do mesmo nível. Leva uma vantagem nas versões mais baratas, por oferecer melhor desempenho off-road. Mas nas versões superiores, faltam alguns equipamentos mais simples, como capota marítima, santantônio e até o rack. Nota 6.

Total – A Nissan Frontier somou 77 de 100 pontos possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Conforto interior

                A atual geração da Nissan Frontier tinha como principal marca o conforto. Até que a fabricante decidiu colocar o modelo para “ralar” pelos rincões brasileiros. A edição realizada no Centro-Oeste, realizada entre Brasília e a região do Alto Paraíso de Goiás, no Norte do estado, apresentou boas oportunidades de colocar a Frontier à prova. No primeiro dia, logo após uma visita ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a missão foi fazer uma expedição urbana, passando pelos principais pontos arquitetônicos da Capital, para terminar no Catetinho, edificação em madeira levantada na época para construção de Brasília, de forma meio improvisada, para acomodar o Presidente Juscelino Kubitschek e seus assessores diretos. Na sequência, a expedição partiu diretamente para Alto Paraíso de Goiás. Os quase 200 km de estrada estavam em boas condições de rodagem, o que favoreceu para que a Frontier mostrasse seu bom nível de conforto e ótima estabilidade, mesmo em velocidades mais altas.

 

               O segundo dia de expedição foi marcado por uma visita ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a cerca de 140 km do local em que a expedição pernoitou. O trajeto não apresentou maiores desafios para a picape. Já os participantes tiveram de encarar, a pé, a parte final da Trilha dos Cânions ‑ considerada moderada pelos frequentadores, mas de razoável dificuldade para os leigos. Na sequência, a expedição se dirigiu à Fazenda São Bento, onde havia a Tirolesa Voo do Gavião, com 850 metros de extensão e a uma altura de 100 metros em seu ponto mais alto. O percurso é feito a cerca de 55 km/h e leva um minuto e meio. A volta, também por estradas asfaltadas, não representou qualquer desafio para a picape da Nissan

                Foi no terceiro dia que a Frontier foi realmente posta à prova. O trajeto era entre Alto Paraíso de Goiás e a Cachoeira do Label, em São João D’Aliança, 100 km ao Sul. Para chegar à cachoeira, com 187 metros de queda d’água, foi preciso enfrentar uma outra trilha em floresta, essa ainda mais difícil, que consumiu cerca de três horas de caminhada. Pareceu como um rito de passagem para que os membros da expedição ganhassem o direito de se divertir ao volante da Frontier. E foi isso mesmo que aconteceu.

                Na sequência, a região de São João D’Aliança ficou para trás e o grupo se embrenhou pelo Cerrado, em estradas de terra bem-preparada por chuvas generosas, que açoitaram o terreno argiloso e injetaram um bom volume de água nos riachos. Foi nessa hora que a Frontier se mostrou uma excelente companheira de viagem. O engate da tração 4X4 ocorre em um simples girar de botão. A reduzida exigiria que o carro estivesse a menos de 7 km/h, mas a força do motor com a relação normal foi suficiente durante todo o trajeto. Afinal, a Frontier apenas atravessou córregos, alguns com a linha d’água acima do para-choque, e encarou lamaçais e poças hiperbólicas. Tudo sem qualquer problema. A lentidão de reação do câmbio automático entre primeira e segunda marchas aqui se mostra uma das grandes virtudes do modelo. Talvez não se faça mais aventureiros como antigamente, mas o fato é que a versão automática dá uma surra na versão manual durante a dinâmica do off-road. No quarto dia, já pressionada pela pandemia do Covid-19, a expedição tomou o rumo de Brasília no final da manhã, a cerca de 200 km de distância, em busca do Aeroporto Juscelino Kubitschek, onde tudo começou.

 

Ficha técnica

Nissan Frontier

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, biturbo (turbo na S), 2.298 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando duplo de válvulas. Injeção direta de combustível. Acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático com sete velocidades à frente e uma a ré (Na S, manual de seis marchas). Tração 4X2 com função 4X4 e 4X4 reduzida com diferencial traseiro com escorregamento limitado. Oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 190 cv a 3.750 rpm (160 cv a 3.750 rpm na S).

Torque máximo: 45,9 kgfm entre 1.500 e 2.500 rpm (41 kgfm entre 1.500 e 2.500 rpm na S).

Diâmetro e curso: 85,0 mm X 101,3 mm. Taxa de compressão de 15,4:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo Double Wishbone, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido e múltiplos braços de controle com molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS e EBD de série e sistema Active Brake Limited Slip – escorregamento limitado por freio ativo).

Carroceria: Picape média cabine dupla sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. Com 5,25 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,85 metro de altura e 3,15 metros de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal, lateral e de cortina de série na versão.

Peso: 2.115 kg em ordem de marcha. 1.000 kg de carga útil.

Capacidade do tanque de combustível: 80 litros.

Capacidade off-road: Ângulo de ataque de 30,6º, ângulo de saída de 27,7, ângulo de inclinação máxima em subida de 23,5º e altura livre do solo de 24,1 cm.

Produção: Córdoba, Argentina.

Lançamento da geração no Brasil: 2017.

Atualização: 2019.

Preços: das versões: S a R$ 143.850, Attack a R$ 160.850, XE a R$ 181.850 e LE a R$ 201.850.

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