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Exclusivo: Como anda o Renault Duster 1.3 turbo

Além da expectativa

Versão turbo do Renault Duster entrega um desempenho brilhante, mas faltam recursos de segurança

Já faz quase uma década que a Renault causou uma revolução na categoria de SUVs compactos, Foi em 2012 que o Renault Duster estreou, sendo um dos catalisadores para o boom de um dos segmentos que cresceu mais intensamente nos últimos anos e que aparentemente não vai arrefecer o ritmo tão cedo. No entanto, nove anos na indústria automotiva é uma eternidade e a Renault está bem ciente disso.

E é por isso que a renovação da Duster foi uma verdadeira urgência. Para dizer a verdade, um ligeira renovação deste modelo ocorreu em meados do ano passado, quando recebeu melhorias consideráveis que o tornam mais rígido e, consequentemente, mais refinado. Mas uma parte fundamental dessa evolução ficou apenas para este ano: a estreia do motor TCe 1.3 Turbo.

O novo motor é produzido na França e montado em modelos que saem da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, por enquanto apenas na versão a gasolina. Por conta disso, já oferecido em países como Colômbio e México. No Brasil, a estreia deste propulsor será com versão flex, junto com a remodelação do Captur, que deve ocorrer ainda em maio.

No Duster, ele aparece apenas no segundo semestre. Em ambos os modelos, ele vai ocupar as versões de topo, enquanto o atual 1.6 litro com câmbio CVT fica nas configurações de entrada. Com a chegada de um motor mais potente como o TCe – que tem 156 cv com gasolina ‑, a Renault pode voltar a oferecer o Duster numa versão com tração 4X4, opção que saiu de catálogo no Brasil no ano passado, mas na Argentina ainda existe em versões, com antigo motor 2.0 litros.

O motor TCe 1.3 Turbo tem quatro cilindros em linha e foi desenvolvido juntamente com a Mercedes-Benz, que o utiliza em modelos de entrada, como Classe A200 sedan e GLA200. Ele rende 156 cv com 25,5 kgfm – são 7 cv a menos e o mesmo torque que nos Mercedes, mas o Duster pesa 144 kg a menos. A transmissão continua sendo a CVT X-Tronic, de origem Nissan, que envia a força para as rodas dianteiras. A má notícia é que a Renault insiste em oferecer apenas dois airbags, mesmo que embora certamente a estrutura mais rígida ofereça maior segurança.

Mesmo sob um aspecto puramente lógico, é incongruente que modelos mais baratos da marca, como Kwid e Stepway, ofereçam quatro airbags e que o modelo maior e mais sofisticado incorpore apenas itens obrigatórios, caso também do ABS e do ESP de tração. Já a câmera de 360º graus, presente na versão Iconic, é incluída como um item de luxo e mesmo assim não oferece uma perspectiva zenital conjugada. É preciso selecionar a câmera a ser vista: dianteira, traseira ou de cada lado.

Antes da chegada da motorização 1.3 Turbo, o SUV da Renault já era uma opção atraente pela excelente relação preço-espaço. Equação que agora adiciona um excelente desempenho e melhor dirigibilidade. Nesse ponto, ele se coloca em vantagem em relação a modelos que contam com motores atmosféricos, caso do Nissan Kicks, do Hyundai Creta, do Honda HR-V e Jeep Renegade – que deve ganhar o motor T270 ainda no primeiro semestre deste ano.

A lamentar apenas que a marca não tenha conseguido configurá-lo com as seis bolsas. Mas esse é um problema da origem do modelo. No Brasil, a marca não se interessou em entender as necessidades dos destinos da exportação e não oferecem nada além do que as regulamentações internas exigem, mesmo que outros mercados exijam (por Ruben Hoyo, do Autocosmos.com/México, exclusivo no Brasil para Auto Press)

Impressões ao dirigir

Rápido e ágil

O novo Duster se mantém fiel ao conceito original dos utilitários esportivos, de ser um modelo robusto e pouco pretensioso. Ou seja: preserva as virtudes que o tornaram um sucesso, como excelente espaço interno, design exterior áspero, acabamentos simples e preço acessível. No entanto, o reforço estrutural que recebeu há pouco mais de um ano trouxe grandes benefícios em termos de condução.

Ele agora é percebido como mais forte e elimina todos os ruídos parasitas que o interior mostrava. Além disso, o isolamento tanto dos ruídos de rolagem quanto do trabalho mecânico é substancialmente melhor. Por outro lado, parte da vibração do motor é transmitida para o volante, o que causa algum desconforto.

A suspensão tem um longo curso, o que permite um acerto com uma fase inicial mais para o macio, o que gera conforto em estradas mais lisas, mas é robusta e tem bom apoio no manuseio em estradas de terra de baixa dificuldade. Não é um veículo focado no 4X4, mas dada a boa altura e ângulos, não tem dificuldade ao enfrentar trechos mais irregulares, desde que não tenha uma aderência baixa demais.

A responsividade do motor 1.3 litro turbo é um dos pontos altos do Duster, com pouquíssimo turbo lag em qualquer situação. Há até um pouco de lentidão nas arrancadas mais calmas, mas isso tem mais a ver com o CVT. No entanto, é entre 2 mil e 4 mil rpm que o motor se sente mais confortável. E é aí que a operação se torna brilhante: as acelerações são vigorosas e o SUV se move surpreendentemente bem. Fora desse intervalo de rotações, a força cai de forma notável.

No modo manual, a caixa tem oito marchas simuladas e se pode facilmente manter o regime de rotação na faixa desejada, o que permite manter um ritmo bem esportivo. O Duster com motor turbo virou uma excelente opção de viagem. A evolução é dramática em relação ao binômio anterior, com motor de 2.0 litros com caixa automática de quatro trocas. Mas embora tenha uma boa capacidade de resposta e muita agilidade, não se poderia dizer que o carro se tornou uma nova referência de desempenho na sua categoria, mas pelo menos se alinhou aos melhores.