Um passo à frente

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Toyota mostra na Europa o Yaris que só vai chegar no Brasil em 2025

por Cosimo Curatola

Infomotori.com/Itália

Exclusivo no Brasil para Auto Press

   O compacto Yaris está para a Europa como o médio Corolla está para o Brasil. Foram os modelos que criaram a base de crescimento da Toyota em cada um desses mercados, no final da década de 1990. E os dois automóveis passam a dividir a mesma plataforma a partir desta quarta geração do Yaris, apresentada em Bruxelas nesta última semana de julho. O hatch compacto é produzido da fábrica francesa da marca em Onnaing, na região de Lille, próxima à fronteira com a Bélgica, e chega ao mercado europeu em setembro, mas já pode ser encomendado online. A ideia da marca é que o novo modelo promova um crescimento de 10% no segmento para a marca.

                O novo Toyota Yaris é um modelo verdadeiramente novo. A começa pela a adoção da plataforma modular Toyota New Global Architecture (TNGA), que neste formato compacto ganha a designação GA-B – a do Corolla e do Prius é GA-C, para médios. As linhas são totalmente novas, seguindo o conceito batizado de Condensado e Ágil, e op modelo foi recheado com diversas tecnologias de referência. A mais importante, com certeza, é a nova motorização híbrida, mais potente e eficiente que a anterior, com 116 cv e 12,3 kgfm. Com motorização convencional, o modelo dispõe de dois propulsores de três cilindros aspirados. O de 1.0 litro tem 70 cv e 9,4 kgfm e trabalha com uma caixa manual de cinco marchas, enquanto o de 1.5 litro rende 120 cv e 14,8 kgfm, com transmissão manual de seis velocidades. Na parte estética, as novas linhas do Yaris 2020 mudam a percepção do carro de diferentes formas: em alguns aspectos são mais suaves, em outros, mais contundentes.

               A grade, de tamanho bem mais generoso que antes, está bem integrada com os faróis de neblina, que se assemelham às tomadas de ar de um carro esportivo. O design chama a atenção para os conjuntos óticos full led – apenas a versão de entrada Active tem faróis halógenos –, sublinhado pela assinatura em led, que faz também as funções de luz diurna e de pisca. De perfil, os arcos das rodas estão bem protuberantes, o que reforça o visual musculoso, mas mantendo as linhas gerais orgânicas. A linha de cintura, que finaliza em um arco ascendente, dá um aspecto de velocidade ao modelo. Na parte traseira, a lanterna tem um design que valoriza o efeito tridimensional. Na parte inferior do para-choque, o farol de neblina fica centralizado em um aplique com feixes, como se fosse um extrator de ar. Nas versões superiores, Estilo e Première, a peça recebe um acabamento em preto brilhante e o teto é pintado em preto. No alto da tampa traseira, um spoiler embutido destaca ainda mais os traços esportivos do modelo.

                A intenção da marca ao salientar uma personalidade mais marcada para o compacto tem a ver com o projeto de expansão não só da gama Yaris, com a chegada das versões GR e Cross, mas também do uso da plataforma TNGA. A Toyota estima de 92% de seus veículos utilização esta plataforma até 2022. No Toyota Yaris, o uso desta plataforma permitiu um aumento da largura de 5 cm em relação à terceira geração, com 1,75 metro. O comprimento permaneceu nos mesmos 3,94 m, enquanto a altura perdeu 1 cm, com 1,50 m redondos. Apesar de continuar mais curto que seus concorrentes, o Yaris oferece uma boa habitabilidade pelo entre entre-eixos de 2,55 m, 5 cm a mais que na geração anterior. O porta-malas, com 286 litros, ganhou 7 litros de capacidade.

                Em relação à motorização, o sistema híbrido foi atualizado – também está em sua quarta geração ‑ e emprega dois motores elétricos: um para trabalhar em conjunto com o endotérmico, garantindo mais potência e torque, e outro para as partidas e recarga do primeiro. Também mudam o sistema de sincronização e as baterias, que agora são de lítio e não mais níquel como nas versões antigas. Desta forma, o carro pode navegar em modo puramente elétrico até 130 km/h, com autonomia de até 35 km. Para a movimentação, o novo conjunto é composto por um motor de 1.5 litro de 91 cv, de ciclo Atkinson com de três cilindros, e um motor elétrico de 80 cv, com potência combinada de 116 cv e 12,3 kgfm – a antiga unidade de potência tinha um motor térmico 1.5, de quatro cilindros e 54 cv, e gerava 100 cv e 11,3 kgfm. O câmbio é o mesmo: automático e-CVT.

              No Brasil, a nova geração do Yaris deve ser produzida somente a partir de 2025, quando finalizar o ciclo de vida do atual Yaris fabricado em Indaiatuba, interior de São Paulo. Modelo que, a não ser pelas dimensões externas, nada tem a ver com o Yaris europeu ou japonês. Trata-se, na verdade, do Etios com uma roupagem diferente. O Etios é projeto pensado para mercados mais pobres, como o da Índia e do Brasil, e usa a plataforma EFC – Entry Family Car – mais antiga, simples e barata que a TNGA. O Yaris “brasileiro” até vai apresentar novidades visuais para a linha 2021, com um face-lift que o deixará com o mesmo aspecto adotado pela terceira geração do Yaris em 2017 na Europa. Exatamente o modelo que está sendo descontinuado agora para a chegada dessa quarta geração.

 

Impressões ao dirigir

Dinâmica híbrida

Durante o teste, experimentação do carro se dava nas três situações mais clássicas: em regime urbano, em uma cidade lotada como Bruxelas, na estrada em torno da cidade e numa combinação das duas coisas. A evolução do modelo com o uso da plataforma GA-B fica evidente no comportamento dinâmico, onde o novo Yaris melhora tanto pela resposta da suspensão quanto na dinâmica da estrada – ajudado pelas rodas de 17 polegadas da versão de topo. Na rodovia, no entanto, se destacam a capacidade do motor de rodar em baixos giros, bem como a excelente impermeabilização sonora aos 130 km/h.

              A condução na cidade, inclusive com as melhorias óbvias feitas ao sistema híbrido, continua sendo o verdadeiro habitat do Yaris e fica difícil encontrar pontos negativos no carro. A mudança contínua e o câmbio e-CVT tornam a condução suave e despreocupada, enquanto o uso do motor elétrico reduz sensivelmente o consumo de combustível. A versão conta com recursos ADAS – de assistência à condução – que garantem uma experiência extremamente relaxada. Os sistemas também são muito úteis na rodovia, onde se pode contar tanto com controle de cruzeiro adaptativo como também com correção ativa de faixa.

              A caixa de câmbio costuma ser o Calcanhar de Aquiles dos híbridos mais antigos, e por isso mesmo foi o que mais surpreendeu. A progressão do motor é extremamente harmoniosa e fluida, relegando essa sensação de arrasto – ou o “efeito scooter” – apenas para os momentos em que o acelerador é pressionado completamente por longos períodos de tempo. Isso porque a interação entre o motor térmico e os dois elétricos foi significativamente melhorada. Por outro lado, o Toyota Yaris não tem pretensões esportivas. O consumo, após várias horas de condução sem economizar nas acelerações, terminou com uma média de 27 km/l de gasolina. Bem próximo dos 30 km/h apregoados nos testes de homologação do modelo.

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