Câmbio de interesse
Tera TSI com transmissão manual explora melhor o motor 1.0 turbo
Eduardo Rocha
Auto Press
Há um grupo de consumidores que ainda prefere a transmissão manual. Nos modelos de entrada, 1.0 aspirados, o câmbio mecânico é um equipamento padrão, mas com motorizações mais fortes, há cada vez menos opções. Entre os modelos compactos, apenas o Chevrolet Onix, o Renault Kardian Evolution e o Volkswagen Tera TSI oferecem a combinação de motor turbo com câmbio manual. O Tera TSI, inclusive, entrou na linha da marca alemã para cobrir o espaço deixado pelo Polo TSI manual, que saiu de linha em abril do ano passado. Mesmo sendo uma configuração pouco demandada no mercado, atualmente responde por 11% das vendas do modelo – ou cerca de 700 dos 6.300 emplacamentos médios mensais da linha.

É uma participação considerável, ainda mais se for levado em conta o valor pedido pela marca alemã. O preço de R$ 123.190 o deixa aproximadamente 10% mais caro que seus dois rivais diretos. Por outro lado, o Tera TSI é a versão mais barata classificada como SUV pelos parâmetros do InMetro, pois a versão 1.0 MPI, com motor aspirado, é considerada hatch. Isso acontece porque a versão é equipada com rodas de 15 polegadas, o que o deixa a altura livre em relação ao solo de 14,8 cm, enquanto o mínimo aceitável é de 17 cm. A versão 170 TSI tem rodas de 16 polegadas e altura livre de 17,8 cm.

A versão imediatamente acima, Comfortline, custa exatos R$ 10 mil a mais e vem não só com o câmbio automático de seis marchas, como também rodas de liga leve, controle de cruzeiro adaptativo, chave presencial para travas e ignição, serviços remotos no celular e itens de acabamento. Do outro lado da linha, a versão 1.0 MPI perde o motor turbo e as rodas 16, com pneus 205/60, e detalhes como revestimento parcial em tecido nas portas, iluminação interna mais despojada e revestimento no volante.

Isso faz com que a atração do Tera 170 TSI seja realmente a transmissão manual de cinco marchas no comando do motor 1.0 de três cilindros, que rende 109/115 cv de potência e 16,8 kgfm de torque. Segundo a marca, ele faz de zero a 100 km/h em 10,3 segundos e chega a 183 km/h (1,1 segundo mais rápido e 4 km/h mais veloz que o automático). Em relação ao consumo, o modelo manual faz 9,0 e 10,3 km/l com etanol e 12,9 e 15,0 km/l com gasolina, na cidade e na estrada. Em média, é 4% mais econômico que a versão automática.

Mesmo sendo a versão menos vendida da linha, a 170 TSI manual ajuda a formar o bolo que torna o Tera o 5º automóvel de passeio mais vendido do mercado nacional nesse ano (À frente dele estão Polo, Onix, Argo e T-Cross). Mesmo que tenha lutas ferozes dentro tanto na gama do modelo quanto no showroom da concessionária, principalmente com Polo e Nivus (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto
Desempenho – A interface direta entre motorista e máquina proporcionada pela transmissão manual torna a condução do Tera bem prazerosa e dá ao modelo uma ótima personalidade. O câmbio segue a antiga tradição da Volkswagen de engates curtos e suaves, bem encaixados, com embreagem macia e fácil de modular. Obviamente, a conversa com o motor depende da peça entre o volante e o banco, mas o escalonamento é muito bem dosado para o uso urbano, com relações da 1ª até a 4ª bem progressivas e uma 5ª mais aberta para economizar combustível. Nota 9.

Estabilidade – O Tera traz a suspensão clássica para modelos compactos, com McPherson na frente e barra de torsão atrás. É o mesmo conjunto de Polo, Nivus e T-Cross, com quem compartilha a plataforma, com a vantagem de pesar menos, o que facilita a sintonia entre conforto e estabilidade. A rolagem lateral é bem controlada e a filtragem de irregularidades é eficiente. Nota 8.
Interatividade – A central multimídia da unidade testada era a VW Play Connect, opcional na versão – que vem de série o equipamento sem os recursos remotos. Ela é rápida e fácil de conectar, mas a navegação pelos menus tem uma lógica pouco ortodoxa que exige um tempo de familiarização. Além disso, segue o padrão de restringir os comandos físicos ao volante multifuncional e eliminar botões físicos para o manuseio no próprio equipamento. Felizmente, este conceito vem sendo revisto por muitas marcas. Nota 8.

Consumo – O câmbio manual aproxima o desempenho energético do Tera 170TSI ao da versão MPI, com um consumo apenas 2% maior, mesmo com uma potência 38% superior. Segundo o InMetro, o modelo percorre 9,0 e 12,9 km/l na cidade e de 10,3 e 15,0 km/l na estrada, respectivamente com etanol e gasolina. No Inmetro, isso equivale às notas A na categoria e C no geral. Nota 8.
Conforto – A suspensão é firme, mas filtra melhor as irregularidades do que a versão Highline testada. A diferença está no conjunto de rodas e pneus: 205/60 R16 aqui e 205/55 R17 lá, com 1 cm a menos de borracha no flanco. A configuração de carroceria fica entre o hatch de teto alto e o SUV compacto, o que gera um espaço interno melhor que o do Nivus, por exemplo, principalmente para quem vai atrás. Os bancos também são firmes, mas bem moldados. O modelo tem ainda um isolamento acústico razoável, bem de acordo com o segmento. Nota 7.

Tecnologia – O Tera usa eficiente plataforma MQB A0 e tem uma rigidez torcional alta para o segmento, com 18,5 kNm/grau, superior à dos rivais diretos (o Kardian tem 18 kNm/grau e o Onix, 17,5 kNm/grau). Traz também uma arquitetura eletrônica que aceita diversos recursos ADAS, embora nem todos sejam oferecidos no Tera. O motor 170TSI combina dinâmica com economia. Nota 8.
Habitabilidade – O habitáculo do Tera traz uma boa área de ocupação, tanto pelo entre-eixos de 2,57 m, igual ao do Polo, quanto pela altura do teto, com 1,49 m. A largura interna, de 1,43 m, também é igual, mas como os assentos são mais altos, o aproveitamento é melhor. Ainda assim, ele só recebe bem quatro ocupantes adultos para um trajeto mais longo. O porta-malas é coerente com o segmento, com 350 litros. Nota 7.
Acabamento – A Volkswagen vem até dando mais atenção aos materiais e texturas dos revestimentos, mas como o Tera TSI ocupa a faixa inicial da gama, sofre com a síndrome do excesso de plástico rígido no interior. Ganhou detalhes como revestimento em couro sintético no volante e apliques de tecido no console frontal e na porta, mas não chega a resgatá-lo da imagem de simplicidade. Nota 7.
Design – As linhas do Tera trazem elementos visuais que o conectam de forma harmônica às características dos modelos da marca, sem ser uma cópia de nenhum. Ou seja: não será confundido na rua com Polo ou Nivus, que têm portes próximos. Nas laterais, o Tera ganha personalidade, com o vinco sinuoso que percorre toda a lateral e valoriza os para-lamas projetados. A traseira não se parece com a de nenhum modelo da Volkswagen, mas harmoniza bem com o restante do carro. Nota 9.

Custo/benefício – O Tera 170TSI custa iniciais R$ 123.190. A unidade avaliada, porém, trazia como opcionais a versão Connect do VW Play e rodas de liga leve, o que elevou o preço para R$ 126.860. Isso torna o SUV da Volks, mesmo sendo menos equipado, mais caro que o Kardian em 10% e que o Onix em 15%. É uma diferença bastante perceptível nessa faixa de mercado. Nota 6.
Total – O Tera 170TSI somou 77 pontos de 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
A dinâmica do prazer
O Tera 170 TSI é bem talhado para um consumidor que pretende arrancar um comportamento mais agressivo de seu carro. Para isso, deve se dispor a pagar um pouco mais para ter uma motorização mais forte com um câmbio manual, com o qual possa manipular melhor o carro. A versão manual e turbinada do SUV de entrada da Volkswagen acelera de zero a 100 km/h em 10,2 segundos e é 1,1 segundo mais rápida que a versão automática.

Mais que o tempo de aceleração, é a possibilidade de interação entre condutor e carro que define a personalidade do modelo. É mais trabalhoso, mas bem mais divertido. Até porque trata-se de um propulsor ágil e elástico, que se vale da menor inércia interna – tanto da turbina menor quanto o fato de o câmbio manual deixá-lo 26 kg mais leve – para mostrar um comportamento bem semelhante ao do Polo 170TSI e Nivus 200 TSI.

Em movimento, a suspensão completa bem o conjunto. Tem uma boa capacidade de encarar curvas de médias e altas velocidades sem dar sinais de rolagem lateral. Nas retas, é também bastante neutro, sem exigir correções de trajetória – mérito também da excelente plataforma MQB A0. Se não fossem os ruídos aerodinâmicos a partir de 100 km/h, mal daria para perceber a velocidade.

Por dentro, o Tera avaliado trazia recursos como telas digitais para painel e central multimídia com funções remotas. Em relação ao acabamento, não há como evitar apontar que se trata de um SUV de entrada. Mesmo com texturas mais modernas e agradáveis, com uma composição estética interessante, falta um pouco de generosidade da marca na hora de escolher os materiais. Há um excesso de plástico rígido, sem revestimento, o que torna o ambiente um tanto árido. Mas se o caso é explorar a esportividade do modelo, isso não é tão relevante assim.

Ficha técnica
Volkswagen Tera 170TSI
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, com três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e turbocompressor. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração e bloqueio automático do diferencial.
Potência máxima: 109/116 cv a 5 mil rpm com gasolina/etanol.
Aceleração 0 a 100 km/h: 10,2/10,5 segundos (etanol/gasolina).
Velocidade máxima: 183 km/h (etanol/gasolina).
Torque máximo: 16,8 kgfm a 1.750 rpm.
Diâmetro e curso: 74,5 mm X 76,4 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira.
Pneus: 205/60 R16.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,15 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,48 m de altura e 2,57 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cabeça de série.
Peso: 1.142 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 350 litros.
Tanque de combustível: 49 litros.
Produção: Taubaté, São Paulo.
Preço da versão 170 TSI manual: R$ 123.190.
Preço da versão avaliada: R$ 126.860.





