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A energia do Cayenne

Fúria elétrica

Nova versão do SUV é o Porsche feito em série mais potente da história

por Eduardo Rocha

Auto Press

No Brasil, a Porsche conseguiu uma fatia importante do segmento de superluxo por conta de uma política de mercado incomum. E é por conta dela que consegue deter pouco mais de 10% do segmento de luxo nacional, enquanto na Europa tem uma participação entre 1,5 e 2%. Isso é reflexo direto da diferença de preços. Na Europa, um Porsche custa cerca de 30% a mais que um modelo semelhante de BMW, Volvo, Mercedes-Benz, Audi ou Land Rover. No Brasil, essa diferença cai para algo entre 8 e 12%.

No caso do novo Cayenne Coupé Electric, no entanto, a diferença para os rivais seria de aproximadamente 20%, mas as rivais deixaram de trazer seus modelos, acossadas pela invasão chinesa no segmento, com marcas de luxo como Zeekr, Wey e Denza. Os preços do SUV da Porsche vão dos R$ 900 mil da versão Coupé, passa pelos R$ 1.130 mil da S Coupé e chega aos R$ 1.460 mil da Turbo Coupé. A marca justifica essa quase pela presença de novas tecnologias implementadas no SUV elétrico que encareceram a produção. Entre as novidades tecnológicas, destaca-se a arquitetura elétrica de 800 volts, que permite recarga ultrarrápida de até 400 kW e usa uma bateria de 113 kWh (108 kWh líquidos) para alimentar os dois motores – sendo que o dianteiro tem um sistema de desacoplamento para não provocar arrasto quanto não é necessário. Outra evolução é o sistema Porsche Active Aerodynamics, com aletas móveis e asa traseira adaptativa, que melhora a eficiência e aumenta a autonomia, que fica entre 577 e 653 km no ciclo WLTP – nos critérios do InMetro, ficaria entre 420 e 480 km.

O design segue a tendência atual dos SUVs da marca, com a Flyline inspirada no 911 – a curvatura suave do teto desde o para-brisa até a traseira. A silhueta inclinada reduz o coeficiente aerodinâmico para 0,23 Cx (os rivais têm em torno de 0,27). Para chegar nisso, a engenharia da marca teve de criar um rebaixo para encaixar os pés dos passageiros de trás, para evitar a elevação do teto por conta da presença da bateria no piso. Os bancos traseiros estão disponíveis em configuração de dois lugares ou 2+1 e possuem ajuste elétrico de dois eixos.

A integração do vidro traseiro e o uso de menos junções reforçam a estética limpa e moderna, alinhada ao mercado de luxo que privilegia linhas fluidas e esportivas. Nas dimensões, o Cayenne Coupé Electric mede 4,99 m de comprimento, 1,98 m de largura e 1,65 m de altura, sendo ligeiramente mais baixo que o SUV tradicional. O porta-malas oferece entre 534 e 1.347 litros, além de 90 litros extras no compartimento dianteiro.

No interior, o Cayenne Coupé Electric adota o conceito Porsche Driver Experience, com painel totalmente digital, um display central contínuo, que ocupa todo o console frontal, e head-up display com realidade aumentada. Há ainda teto panorâmico com controle de luz variável. O acabamento inclui guarnições em carbono e revestimento Race-Tex no Padrão Pepita (um tecido com a trama quadriculada criada pela marca nos anos 1960), reforçando a identidade esportiva.

E a dinâmica do modelo justifica essa imagem. A versão de entrada, Coupé, entrega 408 cv (442 cv em overboost), acelera de zero a 100 km/h em 4,8 s e atinge 230 km/h. A versão S Coupé sobe para 544 cv (666 cv em overboost), com 3,8 s no zero a 100 km/h e 250 km/h de máxima. Já a Turbo alcança 857 cv (1.156 cv em overboost), acelera em 2,5 s e chega a 260 km/h. Nessa versão, esse é o Porsche com produção em série mais potente da história.

A suspensão pneumática adaptativa com PASM é de série, enquanto o sistema Porsche Active Ride e a direção no eixo traseiro estão disponíveis como opcionais. Essa configuração garante comportamento dinâmico comparável ao de esportivos colados no chão. Em síntese, o Cayenne Coupé Electric não apenas reforça a posição da Porsche no mercado de SUVs elétricos de luxo, mas também estabelece novos padrões de desempenho e tecnologia e entrega potência, autonomia e sofisticação que justificam seu desempenho mercadológico.