Essência compartilhada
Nova geração do Mitsubishi Outlander, que chega ao Brasil em 2023, recorre aos recursos da Nissan e fica mais refinado e tecnológico
A quarta geração do Outlander tem uma função crucial para a Mitsubishi. Isso porque o modelo marca o início da recuperação industrial e comercial da marca japonesa no mundo. A partir dela, a fabricante pode realmente voltar a ser um competidor respeitável e até ameaçador para os rivais mais diretos. Graças à conterrânea Nissan, a marca dos três diamantes passa a ter acesso a novos motores, melhores plataformas e mais ferramentas para se tornar relevante no mercado novamente. E este Outlander é o fiel reflexo disso, trazendo muitos componentes da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e chegar a um patamar bem mais elevado que seu antecessor ao ficar maior, mais refinado, mais tecnológico e, claro, mais competitivo.

Este novo Outlander foi apresentado mundialmente em 2021 e deve substituir o atual modelo vendido no Brasil, de terceira geração, em 2023. O modelo passou a compartilhar muitos componentes com a terceira geração do Nissan X-Trail, chamado nos Estados Unidos de Rogue, lançado no final de 2020. Tudo é originado na Nissan. Tanto plataforma e componentes do chassi quanto powertrain e tecnologias de segurança e conectividade. O importante é que, apesar disso, tem sua própria identidade. Nada visível é compartilhado.

O design, aliás, é bem característico da Mitsubishi. Ele é extraído do conceito Engelberg Tourer, nome dado em homenagem a uma famosa estação de esqui na Suíça. Estas linhas vêm dominando os novos produtos da marca desde o final da década passada e se caracteriza pela frente chamada Dynamic Shields, com faróis em diferentes níveis (três neste caso) e uma grade enorme projetada em suportes cromados em formato de C. As formas gerais do Outlander são bastante angulosas e musculares, com muito caráter, destacando o capô alto e plano, arcos de roda marcados, cintura alta e colunas escurecidas para dar uma sensação de teto flutuante. Mais importante que as linhas, porém, foi o uso de materiais de acabamento melhores aos que a marca costumava usar e que denotam maior qualidade.

Vale dizer que o uso desta plataforma permitiu que a Mitsubishi ampliasse o Outlander, a fim de deixar mais espaço abaixo para o ASX, que no Brasil é chamado de Outlander Sport, e oferecer uma melhor terceira fileira de assentos e sete lugares. O modelo mede agora 4,71 metros de comprimento, 1,86 m de largura e tem 2,70 m entre os eixos. São medidas ligeiramente maiores do que antes, e que dão maior imponência ao modelo.

Por dentro, além de mais elegante, o modelo se destaca por sua funcionalidade. Tudo é extremamente fácil de operar. Boa parte dos materiais é agradável ao toque e no visual, com boa combinação de texturas, cores e elementos. Por outro lado, alguns deslizes, remetem à antiga falta de qualidade da marca no acabamento. Casos dos botões, que são de origem Nissan, mas que foram alterados para darem a impressão de exclusividade. A central multimídia, que não tem uso muito intuitivo, traz telas de 8 ou 9 polegadas, dependendo da versão, e o cluster de instrumentos, totalmente digital e configurável, tem 12,3 polegadas, aparece nas versões superiores. Há conectividade com Apple e Android, carregador por indução e portas USB tipos A e C.

Os bancos são muito confortáveis, com bom suporte corporal, outra herança dos modelos Nissan. A posição de condução é fácil de ser alcançada e o condutor conta com com boa visibilidade para todos os lados. O novo Outlander oferece sete lugares em três fileiras de assentos, no conceito típico de modelos que oferecem sete lugares: a terceira fila é apertada e só é viável mesmo para pequenos adultos ou crianças. Não há espaço suficientes para a cabeça ou pernas e devem ser encarados como lugares de uso em curto período ou emergência. Mesmo ruins, estes lugares ainda são mais espaçosos que no modelo da terceira geração.

Na segunda fila, por outro lado, há ajuste longitudinal para os bancos e algumas comodidades, como cortinas nas janelas laterais, bancos aquecidos e portas de conexão. O ponto negativo aqui é que o assento ficou muito elevado, o que aproxima a cabeça do ocupante ao teto. Caso a terceira fileira esteja em uso, o banco deve ser deslizado para a frente, o que vai espremer os joelhos no banco da frente. A mala também depende do uso dos assentos. Com três fileiras em uso, ele recebe apenas 150 litros, mas com apenas duas fileiras, sobram 470 litros para as bagagens.

O pacote de equipamentos é muito bom, especialmente na versão topo de gama. Ela conta até navegador GPS e áudio da Bose. E traz ainda sete airbags, sensores e câmera 360°. Além disso, há assistências de condução MI Pilot, incluindo alerta de colisão frontal com frenagem autônoma e detecção de pedestres, aviso de saída de faixa, alerta de ponto cego com assistente de mudança de faixa, alerta de tráfego cruzado traseiro, alerta de atenção ao motorista e faróis adaptativos com comutação de luz alta automática. Este conjunto de recursos é o mesmo usado nos modelos da Nissan.

A parte mecânica é outro ponto em que o Outlander busca as soluções da Nissan. O modelo passa a usar um novo quatro cilindros aspirado de 2.5 litros com injeção direta, que produz 183 cv de potência e 25 kgfm de torque, acoplado a uma transmissão automática CVT X-Tronic, com oito marchas simuladas. A marca homologa um consumo de 9,5 km/l na cidade e 14,7 km/l na rodovia, com média de 12,3 km/l. Em um futuro próximo, a marca pretende lançar uma versão híbrida plug-in do Outlander dessa nova geração. Por enquanto, o Outlander de terceira geração, que ainda é vendido, conta com essa opção (Texto de Marcelo Palomino, do Autocosmos Chile, exclusivo no Brasil para Auto Press. Fotos de divulgação).
Impressões ao dirigir
Evolução óbvia
O novo motor do Mitsubishi Outlander funciona perfeitamente quase todas as situações. Tem uma boa curva de torque, com uma saída correta e um comportamento em médios giros convincente, com ótimas respostas em quase todas as condições. Com carga máxima e diante de um aclive, ele fica até um pouco preguiçoso, mas em uso normal na cidade e na rodovia, o conjunto é mais do que suficiente. O CVT da Nissan trabalha associado ao sistema Invecs-III, da próprio Mitsubishi, que assimila a forma de utilização e reprograma as reações. Rapidamente, o carro assume a personalidade do condutor e fica cada mais agradável de conduzir.

As versões de tração integral 4WD também usam o sistema S-AWC (Super All Wheel Control) da Mitsubishi, mais eficaz que os sistemas 4X4 da Nissan. Os modos de terreno são selecionados através de um botão giratório no console central e rapidamente configuram acelerador, direção, câmbio e motor para aquela situação específica. O chassi é muito bom e conta com uma suspensão independente nas quatro rodas. As reações são um pouco secas, mas filtra muito bem as imperfeições do piso, além de oferecer muita estabilidade. A direção é precisa, mas um pouco leve demais e um tanto anestesiada, sem comunicar muito ao condutor. A melhor coisa é a impermeabilização da cabine, que não deixa vazar nenhum som.

Graças à mudança de plataforma e ao uso de tecnologia mais moderna, o novo Mitsubishi Outlander se torna mais competitivo. É mais refinado, traz um design mais atraente, ficou maior e tem melhor acabamento interno. A parte mecânica é boa, o conjunto tem um bom manuseio, confortável, seguro, algo seco, mas confortável. Nada a ver com a geração anterior, que parecia um carro mais barato e pior construído.






