Além do requinte
Cadillac Lyriq cumpre a promessa da GM de promover uma revolução elétrica com a plataforma Ultium
Há alguns anos, a General Motors anunciou a plataforma Ultium, um programa ambicioso para desenvolver do zero, sem vícios, novos conceitos de arquitetura, baterias, motores e sistemas de controle para veículos 100% elétricos. De acordo com a marca estadunidense, foi o projeto mais importante da empresa em muitas décadas. A nova plataforma permitiria a chegada ao mercado de inúmeros modelos 100% elétricos, capaz de mudar aumentar rapidamente a proporção de produção de carros movidos a eletricidade. Na Ultium, a GM ganha capacidade de fabricar uma ampla gama de veículos, do imenso GMC Hummer EV até modelos médios, como o próximo Equinox EV. O recém-lançado Cadillac Lyriq é do segmento D, que fica exatamente entre esses dois SUVs, e é definitivamente o Cadillac mais significativo desde que o Escalade foi lançado, em 1999.

O primeiro Cadillac montado na arquitetura Ultium foi mostrado em Utah, nos Estados Unidos, e tem a missão de tornar a nova plataforma mais conhecida e massificá-la – na proporção de uma marca de luxo. Uma das características da bateria da plataforma Ultium é ter uma densidade de energia 20% maior em comparação com a geração anterior, usada no Bolt EV e EUV, e consequentemente oferece uma maior autonomia. A aliada estratégica da GM na fabricação de baterias é a sul-coreana LG Chem e elas são projetadas sob um conceito modular que permite ser embaladas em diferentes pacotes.

O conceito da arquitetura Ultium usa o conjunto da bateria na estrutura, para dar rigidez a veículo e permitir a montagem dos componentes de suspensão, motores e também a carroceria. São inúmeros recursos que fazem a Ultium oferecer vantagens competitivas, tanto que a Honda fez parceria com a GM para utilizar a plataforma em seus futuros modelos elétricos médios e de luxo. Um bom exemplo disso é o gerenciamento térmico. O pacote de baterias tem uma bomba que é capaz de transferir ou captar calor da cabine para melhorar a eficiência. Outra vantagem é que todo o monitoramento dos sistemas é feito sem conexão física, sem fio. Isso permite que informações criptografadas possam ser enviadas para a central do carro ou até mesmo para a nuvem, o que deixa o veículo completamente conectado.

O Cadillac Lyriq chega ao mercado na versão de um motor com tração traseira com 345 cv de potência e 45 kgfm de torque. O pacote de baterias soma 100 kWh, o que permite uma autonomia de 500 km para o modelo de mais de 2.545 kg. Mais tarde, vai haver uma configuração com dois motores, tração integral e aproximadamente 508 cv e 60 kgfm. Desde o lançamento, o modelo tem feito um enorme sucesso, a ponto de as reservas para a produção de 2023 ter se esgotado rapidamente. A Cadillac agora decidiu abrir a lista de reservas para os modelos com produção prevista para 2024.

Visualmente, o Lyriq é praticamente idêntico ao protótipo apresentado em 2020. A maior diferença fica com os espelhos laterais, que eram muito estilizados e minimalistas e foram substituídos por outros mais funcionais, de tamanhos normal. O modelo tem traços bem definidos, mas harmoniosos, com linha de cintura alta e paralela ao chão com a o vidro traseiro bem inclinado, como em um modelo fastback, contornado por linhas de led que compõe a lanterna traseira. O aerofólio avança sobre o vidro traseiro faz uma composição aerodinâmico com o spoiler na base do vidro e forma um fluxo de ar que permitiu eliminar o limpador traseiro.

A frente fica marcada pelos faróis instalados em duas linhas de led verticais. Como não é necessária tanta ventilação, no lugar da grade há um painel de policarbonato em preto brilhante com padrão risca de giz no lugar da grade, emoldurado por filetes gravados a laser que se ilumina. Em relação às dimensões, o Lyriq é um típico SUV do segmento D, ou médio-grande, com 5,00 metros de comprimento, 1,98 m de largura, 1,62 m de altura e 3,10 m de entre-eixos. As rodas podem ser de 20 ou 21 polegadas trazem um design pensado para melhorar a aerodinâmica. As laterais, que por sinal são muito limpas, se destacam grandes botões no formato de maçanetas em alumínio, que liberam a porta quando pressionados.

Por dentro, o Lyriq é impressionante. A qualidade da montagem, os materiais e a atenção aos detalhes são impecáveis, além de ter inúmeros elementos, que cria uma aparência de tecnológica. Alavancas e botões foram renovados e são específicos para a marca – não serão usadas pelos modelos Chevrolet ou GMC. O maior destaque cica para a grande tela curva Oled com 30 polegadas. Ao contrário das soluções do Mercedes MBUX ou da tela curva da BMW, que são duas telas unidas, aqui é uma única unidade grande e que aproveita ao máximo o formato da moldura. De acordo com a Cadillac, a alta resolução e a capacidade de projetar bilhões de cores faz com que seja algo como uma resolução 9 K.

O volante multifuncional com controles de toque, botões de metal usinados, couro de alta qualidade e um excelente sistema de áudio AKG 18+1. Nos assentos traseiros, mesmo com o decaimento do teto por conta uma silhueta esportiva, dois passageiros adultos viajam com um alto nível de conforto. Mas faltou controle de temperatura para os passageiros traseiros. Coisa sem justificativa para um modelo que tem preços iniciais em US$ 60 mil – aproximadamente R$ 325 mil. (Texto de Ruben Hoyo, do Autocosmos México, exclusivo no Brasil para Auto Press. Fotos de divulgação).

Impressões ao dirigir
Delicadeza dinâmica
O Cadillac Lyriq não acelera com a força excessiva típica de outros elétricos. Talvez porque era a versão de um único motor, mas não é algo que incomoda. Na verdade, com um zero a 100 km/h pouco acima de 6 segundos, não se pode dizer que é lento, mas as acelerações são percebidas mais como progressivas do que agressivas. Combinado com o fato de ser muito silencioso, a impressão de refinamento é extraordinária – apenas o som da rolagem dos pneus é notado, mas de forma sutil.

Suspensão têm um ajuste acentuado para o conforto. Por isso, o Lyriq é mais apreciável na rodovia em velocidades de cruzeiro, mas mostrou capacidade de absorver perfeitamente as irregularidades da estrada e de mover-se com facilidade no trânsito pela leveza da direção. Mas definitivamente não é feito para o manuseio esportivo. Até porque a direção é desmultiplicada, com uma proporção de esterçamento entre volante e rodas pequena – as rodas giram pouco em relação ao ângulo do volante. Mas isso faz parte da natureza da Cadillac. Não é um carro que busca entregar sensações radicais, mas oferecer uma experiência luxuosa e confortável.

Existem modos de condução, que a rigor não mudam muito o comportamento dinâmico do Lyriq. Nem mesmo no modo Sport há uma resposta mais forte ao movimento do pedal do acelerador. Há também a função One Pedal, que aumenta a capacidade de regeneração e praticamente dispensa o uso pedal de freio ao parar o carro. A função é muito bem calibrada e tem funcionamento progressivo, seguindo o conceito elegante do modelo.

No fim da avaliação, o Cadillac Lyriq é um produto que pode ser comparado, sem qualquer favor, a modelos como Audi E-tron e BMW iX – e se mostrou até superior em determinados aspectos. Em relação aos modelos da Tesla, no entanto, não há comparação: perto do Lyriq, os carros de Elon Musk são até meio toscos. Não à toa, a Cadillac decidiu voltar para vender na Europa para brigar diretamente com as alemãs no território delas, mas apenas com modelos elétricos.





