Share on facebook
Share on twitter
Share on email

A Frontier mais bruta

Mais que aparência

Versão Attack da picape da Nissan tem desempenho e robustez para justificar o visual aventureiro, com pitadas de conforto e tecnologia

por Eduardo Rocha

Auto Press

O modo capitalista de consumo, os produtos até têm um valor intrínseco, mas o que dá o preço é mesmo o valor atribuído. As picapes com pegada off-road, como a Nissan Frontier Attack, servem de exemplo. Atualmente, a atitude aventureira foi alçada aos segmentos mais luxuosos. Na Nissan, esse nicho mais alto passou a ser atendido pela configuração Pro 4X, que ocupa o topo da gama da picape – R$ 323.790 reitera claramente esta condição. Só que a Attack não nasceu com esta proposta. Quando surgiu no Brasil em 2006, ainda na primeira geração do modelo, produzido em São José dos Pinhais, a ideia era reforçar o caráter despojado e robusta da picape. E a Attack dessa segunda fase da segunda geração se mantém fiel à proposta mais raiz.

Esse conceito coloca a versão na faixa intermediária da linha, a R$ 274.890. Os detalhes de diferenciação estética também repetem a lógica das antecessoras, mas agora conjugada com o novo visual do modelo, que foi bastante renovado. Estão lá as faixas no capô e na base das portas, a identificação “Attack 4X4” nas laterais da caçamba, estribos, retrovisores, santantônio, rodas, maçanetas e rack de teto pintados de preto, faróis de neblina com moldura em preto, a nova grade em preto tem sua grossa moldura na cor cinza escuro fosco e protetor do motor no para-choque dianteiro em preto. A carroceria mais encorpada da nova Frontier reforça o ar mais esportivo e malvado do modelo.

                O motor é o mesmo dos modelos superiores. Trata-se do propulsor 2.3 litros diesel biturbo gerenciado por um câmbio automático de sete marchas com quatro modos de condução nas versões de topo. Ele rende 190 cv de potência, com 45,9 kgfm de torque e a força é direcionada para as rodas traseiras no modo 4X2. Além de tração 4X4 e reduzida, a Frontier conta com diferencial traseiro com escorregamento limitado e eixo dianteiro com escorregamento limitado através do ABS.

                Esse conjunto, mesmo sem diferencial central, dá recursos para que o modelo encare com propriedade situações de baixa aderência. O modelo ainda conta com controle de estabilidade e tração, assistência para partida em rampa e controle automático em descida. A picape é montada sobre uma estrutura de chassi em longarina e tem suspensão dianteira com triângulos sobrepostos e traseira multilink com barra de torção.

                Apesar de estar melhor equipada, ter ganho um visual mais atraente e um um custo/benefício favorável, a mudança de fase nesta segunda não alterou o desempenho de vendas da Frontier no mercado brasileiro. A média se mantém em torno de 700 unidades mensais, deixando a picape média japonesa como a quinta mais vendida do país. De qualquer maneira, não é pouco para um veículo que custa entre R$ 244 mil e R$ 324 mil (Texto e fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

 

Ponto a ponto

Desempenho – A Nissan Frontier Attack ganhou itens de tecnologia, conforto e luxo, mas também incrementou a pegada de picape robusta e resistente. O conjunto mecânico é praticamente o mesmo. O motor 2.3 biturbo tem 190 cv de potência e 45,9 kgfm de torque, gerenciado por um câmbio automático de sete marchas. Ela tem tração 4X2, 4X4 e reduzida e diferencial traseiro de escorregamento limitado. A Frontier se credencia a encarar um off-road pesado por conta da excelente suspensão e do reforço estrutural, que aumentou a rigidez torcional sem comprometer a leitura do piso em terrenos mais acidentados. É uma picape viril, mas o câmbio automático tem reações lentas e o motor pouco elástico. Em compensação, disponibiliza toda a força já a 1.500 giros. Nota 8.

Estabilidade ‑ A Frontier Attack traz rodas de 17 polegadas e pneus 255/65 AT, com flanco de 16,6 cm, bem robusto. Essa configuração é bem indicada para o off-road, mas acentua o efeito balão. Por outro lado, o conjunto suspensivo consegue controlar bem os movimentos laterais da carroceria e, embora sejam ligeiramente imprecisos no asfalto, oferecem bastante conforto na rodagem. Nota 8.

Interatividade – A Frontier Attack é realmente despojada. Não conta com recursos avançados de assistência à condução, reservados às versões de topo. O painel traz instrumentos analógicos com uma pequena tela de TFT de 7 polegadas ao centro, com os dados do computador de bordo. O volante multifuncional tem os comandos nos lugares tradicionais e é fácil de operar. O modelo conta com câmera de ré, mas não com sensores de obstáculos, bastante desejáveis em um veículo com 5,26 metros de comprimento. Nota 7.

Consumo – Em função das exigências do Proconve L7, o motor da Frontier adotou o sistema de redução catalítica, que usa Arla 32. No fim, segundo o InMetro, o modelo reduziu o consumo em 3% e agora percorre 9,1 km/l na cidade e 11 km/l na estrada. Ficou com os índices C na categoria e D no geral. Nota 6.

Conforto – A Frontier recebeu reforços no chassi que aumentaram a rigidez torcional e permitiram uma maior precisão no acerto de suspensão. Isso acabou favorecendo tanto o conforto quanto o controle dinâmico. O modelo conta com um motor que vibra pouco e tem ainda um bom isolamento acústico. Praticamente não se ouve o propulsor trabalhando. O espaço na frente é sempre generoso e para quem vai atrás ficou mais razoável, com uma inclinação maior do encosto. Nota 9.

Tecnologia – A Frontier é uma picape moderna, principalmente no que diz respeito ao sistema suspensivo, o mais sofisticado da categoria, e à estrutura, que é de 2014 – 8 anos não é muito para um utilitário. Na versão Attack, itens mais luxuosos e tecnológicos ficaram de fora, mas o carro traz todos os recursos essenciais de forma bem racional. Conta ainda com computador de bordo no painel em tela de TFT de 7 polegadas e central multimídia com tela de 8 polegadas. Nota 7.

Habitabilidade – A Frontier recebe bem os passageiros no banco e trás e muito bem os ocupantes da frente, com diversos nichos no interior para organizar a casa. Um problema comum às picapes médias é o acesso por conta da altura e aqui falta uma alça para o motorista escalar a cabine. No fim, o condutor acaba usando o volante como alça, função para a qual não foi desenhado. O modelo carrega 1.054 litros na caçamba e a tampa traseira ganhou um sistema de molas para ficar mais fácil de manejar. Nota 8.

Acabamento – A Attack segue o conceito de usar materiais que privilegiam a resistência. Ainda assim, o modelo ficou mais requintado. Na versão, no entanto, o revestimento é em tecido e, por mais resistentes que sejam, são bem menos práticos para a limpeza que os de couro sintético. O ar-condicionado analógico com botões que parecem retrô destoa das linhas mais modernas adotadas nessa nova Frontier. Nota 8.

Design – Foi um grande ganho dessa nova fase da Frontier e também da nova Attack. Os designers da marca elevaram a frente e a traseira do modelo – a caçamba ficou com a borda 4,8 cm mais alta –, o que criou a impressão de que a picape ficou mais parruda e parecendo menor do que é. Ficou meio rechonchuda, muito simpática e atraente. Os detalhes da versão Attack são elegantes, sem excessos, ao mesmo tempo que acentuam a esportividade do modelo. Nota 8.

Custo/benefício – No conceito, a Nissan Frontier Attack rivaliza diretamente com a Ford Ranger FX4 e Chevrolet Z71, que seguem o estilo off-road. E é um pouco mais cara que a primeira, mais barata que a segunda que melhor equipada que ambas. Nota 7.

Total – A Nissan Frontier Attack somou 76 de 100 pontos possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Vida moderna

         A cada geração, as picapes médias ficam mais encorpadas. E isso tem criado uma certa inadequação desses modelos à vida urbana. A dificuldade de circular em ruas apertadas e estacionar as empurraram para fora do perímetro urbano. Por outro lado, as atuais picapes médias, mais potentes e estáveis, se saem bem melhor na estrada que as antigas, também por conta das suspensões mais bem projetadas. A Nissan Frontier, aliás, é o melhor exemplo disso, com um conjunto suspensivo eficiente, que combina estabilidade e conforto como nenhuma outra no mercado. Por conta dos pneus All Terrain de perfil 65, aro 17 e flanco de 16,6 cm, a Attack apresenta maior capacidade para enfrentar buracos e maior conforto, mas perde um pouco em precisão da direção, se comparada à versão Platinum, que tem aro 18.  suspensão é um bom exemplo dessa picape média moderna. E na versão Attack, tem ainda uma melhor capacidade de encarar piso de menor aderência, por conta dos pneus All Terrain.

                Sob o capô, a Attack traz o mesmo propulsor biturbo diesel 2.3 litros de 190 cv e abundantes 45,9 kgfm de torque. O que muda nesta nova fase do modelo é que o câmbio automático de sete marchas agora atua em quatro modos de condução, que muda a resposta ao acelerador. Este conjunto move as mais de 2 toneladas do veículo sem demonstrar esforço. Acelerações e retomadas são feitas com absoluta segurança. As curvas também são encaradas com total tranquilidade. Apesar dos pneus perfil alto flutuarem um pouco, a sensação de segurança prevalece. Nas retas, esta característica acaba exigindo pequena correções na trajetória.

                A vida a bordo da Frontier Attack é agradável. Há diversos nichos para acomodar objetos e todos os comandos são óbvios e práticos, sem qualquer invencionice. Os bancos são bastante ergonômicos e o espaço para pernas, cabeças e ombros é bem generoso, principalmente para quatro passageiros. O trabalho de insonorização feito pela Nissan foi bastante eficiente. O barulho do motor só adentra a cabine quando os giros ultrapassam os 3 mil giros, o que só ocorre em situações de arrancadas e retomadas. E mesmo aí, não chega a ser muito invasivo. Por dentro, a versão traz apenas o essencial: ar, direção, trio elétrico e sistema multimídia com bom nível de conexão. O acabamento em tecido, porém, é pouco adequado para a proposta “off-road” do carro, que deveria ter um revestimento mais resistente e fácil de limpar.

Ficha técnica

Nissan Frontier Attack

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, biturbo, 2.298 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando duplo de válvulas. Injeção direta de combustível. Acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático com sete velocidades à frente e uma a ré. Tração 4X2 com função 4X4 e 4X4 reduzida com diferencial traseiro com escorregamento limitado e eixo dianteiro com escorregamento limitado por atuação do ABS . Oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 190 cv a 3.750 rpm.

Torque máximo: 45,9 kgfm entre 1.500 e 2.500 rpm.

Diâmetro e curso: 85,0 mm X 101,3 mm. Taxa de compressão de 15,4:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo Double Wishbone, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido e múltiplos braços de controle com molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS e EBD de série e sistema Active Brake Limited Slip – escorregamento limitado por freio ativo. Controle de descida e assistente de partida em rampa.

Carroceria: Picape média cabine dupla sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. Com 5,26 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,86 metro de altura e 3,15 metros de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal, lateral e de cortina de série na versão.

Pneus: 255/65 R 17 All Terrain.

Peso: 2.180 kg em ordem de marcha. 1.029 kg de carga útil.

Capacidade do tanque de combustível: 73 litros.

Capacidade off-road: Ângulo de ataque de 31,4º, ângulo de saída de 25,8, ângulo de inclinação máxima em subida de 22,2º e altura livre do solo de 24,9 cm.

Produção: Córdoba, Argentina.

Lançamento da geração no Brasil: 2017.

Atualização: 2022.

Preço da versão Attack: R$ 274.890.