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A fúria virtual do AMG GT

Vontade própria

Mercedes-AMG GT Coupé ganha em tecnologia de assistência para dispensar maiores habilidades do piloto

por Eduardo Rocha

Auto Press

Os recursos eletrônicos têm uma função especial em modelos superesportivos: igualar os bons pilotos e os braços-duros. Em um bólido tecnológico, o sujeito pode até fazer besteira, pois os sistemas de auxílio à condução estão de prontidão para evitar uma catástrofe maior – ou, pelo menos, a maior parte delas. Essa equivalência entre condutores mais e menos habilidosos representa um ganho importante de mercado, pois credencia até os ricaços barbeiros a instalarem orgulhosamente um desses carros caríssimos na garagem. Foi por isso que a Mercedes tratou de ampliar ainda mais a presença de controles eletrônicos na segunda geração do Mercedes-AMG GT Coupé, que acaba de ser apresentado na Europa, para chegar ao mercado no ano que vem. Além disso, a marca alemã está tronando o modelo mais palatável para o uso no dia a dia, com o aumento do espaço no habitáculo e até a opção de uma configuração 2+2.

Na parte de tecnologia, o novo GT Coupé passa a contar de série com tração integral variável, aerodinâmica ativa, suspensão ativa, barra estabilizadora ativa e direção ativa do eixo traseiro de série. Segundo a marca, esses recursos adaptativos proporcionam uma condução mais dinâmica e uma capacidade maior de adequar o carro ao uso diário – pode ser muito controlado em uma tocada esportiva e muito confortável em uma condução mais calma. Desses sistemas, a maior novidade é mesmo o sistema de tração AMG Performance 4Matic+

O sistema combina uma distribuição de torque totalmente variável entre os eixos. A transição da tração traseira para a tração integral e vice-versa ocorre de forma contínua, através de uma embreagem controlada eletromecanicamente. É ela que conecta o eixo dianteiro quando há qualquer destracionamento do eixo traseiro, que é permanente. O novo coupé pode ser conduzido de forma continuamente variável, desde a distribuição de potência de 0-100, com tração traseira pura, até 50-50. Não chega a ser um sistema revolucionário. Vários modelos, desde o saudoso EcoSport 4X4 dos anos 2012, tinham recursos com estes parâmetros. A diferença aqui é a rapidez e a precisão na reação, que permite até uma transferência mais eficiência da potência do motor para o asfalto.

Sob o capô, o GT Coupé traz um propulsor de 4.0 litros de oito cilindros em V sobrealimentados com dois turbos. Este V8 evoluiu em relação ao antecessor, principalmente em relação ao sistema de lubrificação, e apesar de manter o mesmo bloco, terá dois níveis de desempenho. Na versão GT 55, ele rende 476 cv e 71,4 kgfm, enquanto no GT 63, a potência sobre para 585 cv e o torque vai para 81,6 kgfm. O motor mais fraco empurra o esportivo de zero a 100 km/h em 3,9 segundos e até 295 km/h, enquanto no mais forte o tempo cai para 3,2 segundos e a máxima é de 315 km/h.

O motor segue uma antiga tradição da fábrica de Affalterbach, no estado de Baden-Württemberg, próximo a Stuttgart, onde são montados os modelos AMG. Lá, cada unidade de motor recebe um engenheiro designado, que acompanha a montagem de cabo a rabo e ao final assina o trabalho em uma plaqueta instalada no cabeçote. O propulsor é gerenciado por uma transmissão de múltipla embreagem com nove marchas, MCT 9G, que tem tempos de mudança extremamente curtos. Uma embreagem de partida úmida substitui o conversor de torque, o que ajuda a reduzir o peso do conjunto.

A arquitetura do AMG Coupé incluiu uma estrutura em alumínio composto, que aumentou a rigidez e permitiu um alongamento do entre-eixos – tem agora 2,70 metros – para a criar a configuração 2+2. Isso representa um aumento de espaço para os ocupantes e um porta-malas maior. Esse incremento no tamanho não chegou a afetar o perfil das linhas, que ainda se mantiveram fiéis ao conceito original do GT Coupé. Os balanços foram encurtados e o para-brisa ganhou uma inclinação mais acentuada passam a impressão de que o modelo tem menos que seus 4,73 metros de comprimento – com 1,94 m de largura e 1,34 m de altura.

O GT Coupé traz em ambos os eixos um sistema suspensivo multilink. Para cada ponta de eixo há cinco braços alinhados com o aro das rodas. Os elementos de controle das rodas e da suspensão das rodas, são independentes entre si para aumentar o controle sobre a rolagem. Para reduzir as massas não-suspensas, todos os elos de suspensão, manoplas de direção e suportes de rodas nos eixos dianteiro e traseiro são em alumínio forjado. O sistema conta ainda com o AMG Active Ride Control, que se trata de uma barra estabilizadora ativa, com um motor elétrico que torce a barra para compensar a rolagem lateral da carroceria em frações de segundo. Os amortecedores também são adaptativos e possuem duas conexões hidráulicas, uma para a compressão outro para a distensão.

Em relação ao design, a Mercedes-AMG foi um tanto conservadora e manteve diversas referências ao modelo de primeira geração. De frente, o modelo tem vincos e músculos que convergem em direção à dominante grade em formato trapezoidal com barras verticais. De perfil, as linhas são suaves e sinuosas, sem quaisquer pontos que possa criar turbulência – até as maçanetas são embutidas. As rodas de liga leve de 20 polegadas são quase niveladas com a carroceria e spoiler traseiro ativo é bem discreto. Por trás, as lanternas são afiladas em forma de gota. Elas são conectadas por um friso em preto brilhante e alargam visualmente o esportivo. Nada de muito ousado, mas bem de acordo com a vocação do modelo.

Por dentro, a ideia foi combinar um aspecto mais analógico, para dar a impressão que se trata de um esportivo raiz, com recursos digitais. A não ser pelo painel e pela enorme tela vertical da central multimídia de 11,9 polegadas, todos os detalhes poderiam muito bem ter saído de um carro de 30 anos atrás: saídas de ar em forma de turbina de avião, frisos de luz de led circundando o habitáculo, revestimento em couro preto com pespontos em branco etc. A central multimídia MBUX dá acesso a todos os recursos do modelo em cinco estilos de exibição, de acordo com o modelo de condução escolhido. No menu AMG Performance, traz dados como potência, torque, aceleração lateral, distribuição da tração e ângulo das rodas nos eixos dianteiro e traseiro, além de informações mais prosaicas pressão dos pneus, condições dos fluidos ou pressão do óleo.

O novo AMG GT Coupé ainda conta com um sistema de serviços Mercedes me connect que pode cruzar informações de trânsito em tempo real e Car-to-X – comunicação com outros carros da marca ‑ que podem ser usadas mesmo em movimento. Já que é um modelo que pretende atender até famílias pequenas ou jovens, nada melhor que usar estes recursos para evitar o tráfego mais pesado. Até porque ficar engarrafado em um carro tão baixo em um trânsito repleto de SUVs provavelmente vai causar a sensação encaixotamento (Texto de Eduardo Rocha, Auto Press. Fotos de divulgação).

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