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A pontaria do EX5 EM-i

Tiro certeiro

Geely EX5 EM-i traz versatilidade com autonomia e escala rápido nas vendas

por Eduardo Rocha

Auto Press

O crescimento da Geely no mercado tem sido meteórico. A marca chinesa, associada à Renault no Brasil, chegou em agosto do ano passado de maneira até discreta, com a versão 100% elétrica do SUV médio EX5. Na sequência, vieram o compacto elétrico EX2, em novembro, e o EX5 EM-i, a versão híbrida plug-in do SUV médio, em abril. E todos vão bem. O EX5, com 1.343 unidades em 2026, é o SUV médio elétrico mais vendido do mercado enquanto o EX2 emplacou 4.383 unidades em junho e vem se aproximando dos líderes do segmento Dolphin e Dolphin Mini. Já o EX5 EM-i foi mais rápido. Em menos de três meses de mercado, assumiu um lugar entre os cinco plug-ins mais vendidos do mercado brasileiro.

O aumento nas vendas do EX5 EM-i vem sendo geométrico: foram 242 unidades em abril, 606 em maio e 1.117 em junho. E a tendência é que esse crescimento se acentue ainda mais com a montagem do modelo na fábrica conjunta com a Renault no Paraná. O modelo atualmente é oferecido em três configurações: Pro a R$ 189.990, Max a R$ 209.990 e a Ultra por R$ 234.990. Em relação à Max, a Ultra traz bateria e autonomia maiores, melhor capacidade de recarga e a possibilidade de ter o interior em bege, exatamente como a unidade avaliada.

Além da motorização, a versão híbrida plug-in traz algumas diferenças em relação ao EX5 elétrico. A parte frontal recebe uma assinatura luminosa composta por uma faixa em led na linha do capô e dois grupos de leds tracejados com setas e luz de posição. O farol fica em um cluster logo abaixo, com um friso em C na sequência. Essas alterações, que dão personalidade própria à versão, se justificam pela necessidade de ampliar o espaço sob o capô para acomodar o motor a combustão.

No final das contas, o EM-i ficou 12 centímetros maior, com 4,74 m de comprimento. As demais medidas são semelhantes: 1,91 m de largura, 1,69 m de altura e 2,78 m de entre-eixos. O porta-malas comporta 428 litros, que podem ultrapassar 2 mil litros, até o teto com bancos traseiros rebatidos.

De série, o modelo traz revestimento em couro sintético e um conjunto de telas com painel de 10,2 polegadas e central multimídia de 15,4 polegadas, além de head up display de 13,8 polegadas. O sistema de áudio é da Flyme com 16 alto-falantes e a central espelha celulares através de Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

Em relação a equipamentos, a versão Ultra traz iluminação em led, iluminação interna configurável, rodas aro 19, ar automático, teto solar panorâmico, bancos dianteiros com ajuste elétrico e ventilados, chave presencial para travas e ignição, carregador por indução e tampa do porta-malas com movimentação elétrica, entre outros.

O pacote de recursos ADAS inclui radar dianteiro que projeta no painel o entorno do veículo, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal e traseiro com frenagem autônoma, monitoramento e manutenção de faixa, câmera 540º, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, alerta de ponto cego e espelho eletrocrômico.

A vantagem da versão Ultra em relação à Max – e que justifica a diferença de R$ 30 mil no preço – é a capacidade da bateria. Ela armazena 29,8 kWh, contra os 18,4 kWh da Max. Isso se reflete fortemente na autonomia elétrica, que pula de 66 para 112 km. A Geely promete uma autonomia total de até 1.300 km. Na hora da recarga, a Ultra também aceita uma potência duas vezes maior em corrente contínua, de até 60 kW (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto

Desempenho – A potência combinada de 262 cv e, principalmente, o torque de 38,8 kgfm lidam com os pouco mais de 1.800 kg com certa facilidade. A relação peso/potência de 7 kg/cv poderia até render um desempenho mais esportivo, mas a marca optou por um comportamento mais elegante, com a liberação de potência feita de forma controlada. Até porque sem esse filtro, a tração dianteira faria a frente empinar, prejudicaria o controle da direção e o consumo de pneus seria dramático. Por isso, não há aquela sensação de ter o corpo comprimido contra o encosto. Ainda assim, o zero a 100 km/h feito em 7,8 segundos é para lá de respeitável. Nota 9.

Estabilidade – Mesmo não sendo um SUV especialmente pesado, a engenharia adotou uma suspensão mais firme. Assim, o EX5 tem bom controle de carroceria para encarar curvas com pouca rolagem lateral – no que os 225 kg de bateria entre os eixos ajudam bastante. O conjunto tem boa capacidade de absorver pequenas irregularidades, mesmo com rodas grandes de aro 19, mas já não é tão eficiente em desníveis mais acentuados. Apesar da designação oficial de SUV, a pegada é mais de crossover. Nota 8.

Interatividade – Todas as informações ficam disponíveis nas duas enormes telas integradas, no console frontal, com 10,2 e 15,4 polegadas, e no head up display de 13,8 polegadas. O radar de monitoramento projeta no painel carros, motos e pedestres que circulam no entorno do EX5. Um ponto positivo é que há botões para espelhos, vidros e climatização, além dos comandos no volante multifuncional e do enorme botão coringa no console, que muda de função de acordo com a função que está sendo operada. A central multimídia é rápida e se conecta facilmente com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Nota 9.

Consumo – Pelos dados do InMetro, o EX5 híbrido plug-in é capaz de rodar 14,8 km/l na cidade e 13,1 km/l na estrada. A equivalência de consumo com um carro a combustão é de 37,1 e 31,6 km/l na cidade e na estrada. É cerca de 20% mais econômico que o BYD Song Plus Premium – 0,59 Mj/km contra 0,72 Mj/km. A rigor, com um carregador disponível, é bem possível utilizá-lo como um 100% elétrico em ambiente urbano. A autonomia prometida é de até 1.300 km, no ciclo chinês NEDC. As notas no PBEV foram A no geral e na categoria. Nota 10.

Conforto – É um dos pontos altos do EX5 EM-i. O isolamento acústico é de estúdio, a suspensão faz o carro flutuar em asfalto liso e é preciso um desnível mais acentuado para incomodar os ocupantes. O espaço interno é generoso e os bancos são confortáveis e dão bom suporte ao corpo. As acelerações progressivas também contribuem para uma vida a bordo de melhor qualidade. Nota 9.

Tecnologia – A plataforma do EX5 é a GEA, sigla para Arquitetura Global Elétrica, e foi lançada há apenas dois anos. Ela é uma evolução voltada para a eletrificação da plataforma CMA, usada pelo Volvo XC40, entre outros modelos do Grupo Geely. Ela traz a bateria integrada à estrutura, o que aumenta enormemente a rigidez torcional, que chega a 31 kN/grau – aproximadamente a mesma de um Audi R8. O sistema de controle híbrido também é bastante moderno. Tanto o motor a explosão quanto o motor elétrico podem movimentar diretamente as rodas dianteiras individualmente ou somando forças. O pacote ADAS, as telas e a central multimídia são completos e eficientes. Nota 9.

Habitabilidade – A combinação de entre-eixos de 2,78 m e altura de 1,69 m otimiza o espaço interno do EX5, graças à posição mais verticalizada dos ocupantes. Tanto que sobram bons 428 litros de porta-malas. O console central de duas alturas traz conforto para os ocupantes da frente com a base elevada, onde estão alguns controles, carregador de celular, porta-copos e apoio de braços com porta-objetos. O andar inferior, onde estão as saídas USB, é pouco acessível. A boa largura da cabine e o teto solar panorâmico ainda incrementam mais a sensação de espaço. Nota 8.

Acabamento – O EX5 traz bons materiais, superfícies de toque em revestimento macio, forração em couro sintético de boa aparência, mas com uma textura muito plástica. A unidade avaliada, da versão Ultra, trazia o interior em um bege-rosado, que empresta um certo requinte, mas pode cansar a médio prazo. A tela central de 15,4 polegadas é um tanto exagerada. Nota 8.

Design – As linhas orgânicas do EX5 EM-i são suaves, os volumes são equilibrados e há uma combinação de elementos que dão um toque de modernidade sem ousar muito. O conjunto, embora simpático, tem personalidade pouco marcante. Para um modelo que pretende alcançar altos volumes de venda, evitar a rejeição pode ser mais importante do que provocar a criação de um fã-clube. Nota 7.

Custo/benefício – Esse é outro ponto forte do EX5 EM-i. Com versões a partir de R$ 189.990, o SUV híbrido plug-in invade a seara de SUVs médios a combustão e se posiciona muito bem diante de rivais diretos – todos chineses. Embora seja menos potente que rivais de topo das linhas Song e Haval H6, a versão de topo Ultra, a R$ 234.990, custa até R$ 60 mil a menos. Não por acaso, as vendas do modelo vêm aumentando com força desde seu lançamento. Nota 8.

Total – O Geely EX5 EM-i somou 85 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Fórmula de sucesso

O Geely EX5 EM-i é especialmente leve e ágil para um modelo híbrido plug-in com uma bateria de 29,8 kWh (que sozinha pesa 225 kg). Mas como hoje os carros são cada vez mais computadorizados e tudo pode ser definido eletronicamente, mesmo com 262 cv e 38,8 kgfm, a escolha da marca foi configurá-lo com um comportamento mais calmo e elegante. Não é exagero afirmar que é um modelo com porte de SUV, mas alma de crossover. O que o torna, inclusive, muito mais adequado ao uso no asfalto, como fazem praticamente todos os usuários de SUVs médios.

Mas o que torna esses modelos – SUVs médios híbridos plug-in – tão desejáveis é a enorme versatilidade de uso. Têm porte imponente, bom espaço interno, boa potência, espaço para bagagem, grande autonomia e grande eficiência energética. E o desempenho é bem convincente. Normalmente, são mais potentes que SUVs a combustão do mesmo tamanho. Por isso, não é surpreendente que em menos de três meses a versão híbrida do EX5 já tenha acumulado praticamente o mesmo total de emplacamentos que a versão elétrica teve em quase um ano.

Em movimento, o EX5 EM-i é responsivo e vigoroso, sem ser agressivo. A suspensão, acertada pela engenharia da Lotus (outra marca da Geely), lida muito bem com os 1.844 kg da versão Ultra, conseguindo um ótimo controle de carroceria nas curvas e muita suavidade nas retas, sem flutuações. O conjunto, com McPherson na frente e multilink atrás, filtra muito bem as irregularidades. Faltou, no entanto, um batente hidráulico, para evitar o baque nos momentos que enfrenta um desnível mais acentuado – como quando se passa muito rápido em um quebra-molas.

Por dentro, a Geely segue a fórmula adotada pelas marcas chinesas nos mercados ocidentais. Embora o couro sintético do revestimento ainda tenha um toque muito plástico, os materiais são vistosos e emprestam um certo requinte ao modelo. Há um toque tecnológico dado pelas telas, inclusive a projetada pelo head up display, mas a central, com 15,4 polegadas, ficou um tanto exagerada. Chega a ofuscar a atenção do condutor.

 

Ficha Técnica

Geely EX5 EM-i Ultra

Motor térmico: Gasolina, dianteiro, transversal, aspirado de Ciclo Atkinson com 1.499 cm³ e quatro cilindros em linha. Duplo comando de válvulas no cabeçote acionado por corrente variável na admissão e no escape. Acelerador eletrônico e injeção indireta de combustível.

Diâmetro e curso: 73,4 mm X 88,6 mm. Taxa de compressão: 13,5:1.

Potência: 100 cv a 6 mil rpm.

Torque: 12,7 kgfm a 4 mil rpm.

Motor elétrico: Dianteiro, síncrono de ímã permanente. Alimentado por bateria de Lítio Ferro Fosfato com 29,8 kWh de capacidade.

Potência: 218 cv.

Torque: 26,7 kgfm.

Transmissão: Transmissão híbrida dedicada eletrificada, E-DHT, automática de marcha única dotada de uma coroa no diferencial que se liga diretamente ao motor elétrico de tração e, em paralelo, ao motor a combustão por meio de embreagem multidisco. Modos de condução Eletric, Hybrid e Sport e tração dianteira.

Potência combinada: 262 cv.

Torque máximo combinado: 38,8 kgfm.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira independente multilink com amortecedores hidráulicos e molas helicoidais.

Pneus: 235/50 R19.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e frenagem automática de emergência. Sistema regenerativo de energia.

Aceleração 0-100 km/h: 7,8 segundos.

Velocidade máxima: 175 km/h

Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,74 metros com 1,91 m de largura, 1,69 m de altura e 2,78 m de entre-eixos. Altura livre para o solo de 17,2 cm. Possui airbags frontais, laterais e de cabeça de série.

Peso: 1.844 kg.

Capacidade do porta-malas: 428 litros.

Autonomia elétrica: 112 km (InMetro).

Autonomia total: 1.300 km (NEDC).

Lançamento no Brasil: abril de 2026.

Produção: Guizhou, China.

Preços: R$ 234.990.