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Teste: Volkswagen Taos mostra que menos é mais

Volkswagen Taos traz motor de 150 cv e acabamento simples para ocupar a faixa de entrada dos SUVs médios, abaixo do Tiguan

Parece inexorável a tendência do mercado e na preferência dos consumidores em relação a veículos com características se aproximam de um utilitário esportivo, em detrimento do hatchback tradicional. É emblemático, nesse caso, que o SUV médio Taos ocupe na fábrica de Puebla exatamente a mesma linha de produção de onde saía o hatch médio Golf de sétima geração, que saiu de catálogo tanto no México quanto no Brasil. Por aqui, o modelo era oferecido na versão híbrida GTE, que não figura mais no site comercial da fabricante. Taos é uma grande aposta da Volkswagen, tanto que é fabricado nas fábricas do México e da Argentina, que serão responsáveis pelo abastecimento das Américas, e busca ocupar exatamente a faixa de preço que o Golf trafegava, abaixo do outro SUV média da marca, o Tiguan, que é mais sofisticado. No Brasil, o foco é fazer o Taos brigar com as versões flex do Jeep Compass e deixar o Tiguan com sete lugares encarar o novo Jeep, chamado provisoriamente de DUV, mas que deve receber o nome de Commander.

Apesar de ser mais simples, o Taos é construído sobre a mesma plataforma do Tiguan, a MQB, uma arquitetura modular específica para modelos com motores transversais. O modelo tem linhas de retas e a aparência não nega o parentesco com os outros modelos da marca – sejam eles menores ou maiores. O Taos tem 4,47 metros de comprimento, com 1,84 m de largura, 1,64 m de altura e 2,69 m de entre eixos. O peso, de 1.486 kg, é alto para um modelo recente e explicita a necessidade de modernização da plataforma.

O trem de força também não oferece nenhuma novidade mecânica. Ele recorre ao binômio confiável, que consiste em um motor de baixa cilindrada, mas auxiliado com um turbocompressor e acoplado a uma transmissão automática tradicional. A suspensão também é tradicional e simplificada, com um esquema McPherson no eixo dianteiro e uma barra de torção no eixo traseiro. Os freios, por outro lado, são a disco nos quatro cantos. O motor é o tradicional 250 TFSI, um 1.4 litro turbo que rende 150 cv a 5 mil rpm e 25,5 kgfm a 1.400 giros. O câmbio é automático de seis marchas e o modelo dispõe apenas de tração dianteira.

Por dentro, os estofados são revestidos com couro sintético de bom toque, os plásticos nas superfícies de toque são agradáveis, mas em outras áreas, como na parte superior do console frontal, são rígidas e parecem abaixo do exigido no segmento. O sistema de ar-condicionado é de duas zonas, com controles tradicionais no console central. A segunda fileira de assentos se destaca por sua boa amplitude, tanto na altura quanto na largura.

Outra coisa positiva sobre Taos é que o porta-malas é plano e oferece um espaço de 500 litros de armazenamento realmente útil. Com o banco traseiro rebatido, essa capacidade triplica, para 1.591 litros. Mas há desvantagens também. O sistema de abertura remota é complicado: primeiro é preciso pressionar o botão no controle e depois abrir na maçaneta da tampa. Outro detalhe negativo é o estepe temporário, que até permite aumentar a área do porta-malas, mas é muito frágil, ainda mais em um SUV.

A interface no Taos é toda digital, através de duas telas. A primeira de 10,3 polegadas está no painel de instrumentos e é completamente virtual e configurável. Para a parte de infoentretenimento, no console central há um display de 10,1 polegadas operado por toque onde se pode selecionar várias funções. O sistema é o VW Play, que tem conectividade e manuseio intuitivos, especialmente para usuários do sistema iOS, já que a conexão sem fio é apenas para o protocolo Apple CarPlay – por enquanto, não funciona para Android Auto. O VW Play inclui aplicativos de telefone para estacionamento, pedágio, delivery, além de Waze, Spotify e Whatsapp. O console há ainda um painel de indução para carregamento sem fio.

O Taos segue o conceito mais recente da Volkswagen e vem equipado com um bom nível de equipamentos de segurança. Ele oferece seis airbags aliados a itens obrigatórios no Brasil como controle de estabilidade e tração e sistema de freios ABS. Também oferece alerta de colisão com frenagem automática de emergência, monitor de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo e alerta de tráfego cruzado traseiro. Elementos que permitem que o coloca nivelado com os principais concorrentes do segmento (por Alejandro Konstantonis, do Autocosmos.com/México, exclusivo no Brasil para Auto Press).

Impressões ao dirigir

Sem surpresas

O manuseio de Taos é exatamente o que se pode esperar. Este trem de força é eficiente e tem uma boa resposta graças ao turbocompressor. O comportamento é bom e embora no início das acelerações exista um incômodo turgo lag na resposta, assim que a barreira das 1.400 rpm é superada, há uma resposta constante. A aceleração também é constante e permite uma condução tranquila em ritmo rodoviário, mas não mostra grande vigor – o peso de quase 1.500 kg limita o ímpeto do motor de 150 cv e 25,5 kgfm. O câmbio nos oferece um modo de acionamento manual sequencial que até melhora a sensação de controle em acelerações, mas é preciso trabalhar intensamente nas trocas de marchas, pois não é difícil cair na faixa de giros onde há o turbo lag. É muito mais eficiente deixar que Taos fazer o trabalho por conta própria.

O isolamento acústico é eficiente, como costuma ser nos modelos Volkswagen, sem muito ruído em médias velocidades. Já em rodovias, acima de 100 km/h, é preciso aumentar o rádio – que peca pela falta de botões físicos para volume e sintonia, pelo menos. Se for usado em regimes de giro mais altos, o pequeno motor de 1.4 litro tende a responder melhor, mas fica com bastante sede. Já o trabalho da suspensão é correto, mas não tem muito refinamento, e o sistema de freio também é bom mesmo após um pouco de abuso, não mostrou sinais de fadiga. No fim das contas, o Taos se mostra um produto consistente e parece sob medida para os consumidores que querem um carro ligeiramente maior que o T-Cross, sem exigir o espaço ou o melhor acabamento do Tiguan.