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Como anda o Duster 1.3 Turbo

Além da expectativa

Versão turbo do Renault Duster tem desempenho brilhante, mas chega apenas na versão de topo

                 Nove meses depois de apresentado depois de ser apresentado na Argentina, a Renault do Brasil finalmente apresenta o Duster com a motorização TCe Turbo 1.3 Flex  no Brasil. Na linha 2023 do modelo, ele passa a dispor na versão de topo, Iconic,  do mesmo motor já usado pelo SUV Captur desde meados do ano passado. No Duster, ele render os mesmos 170 cv e 27,5 kgfm de torque e também é gerenciado por um  câmbio automático CVT Xtronic de oito marchas. Com esse conjunto, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos, atingindo a velocidade máxima de 190 km/h.  As demais versões do Duster mantiveram o motor SCe 1.6 Flex aspirado, com 118/120 cv e 16,2 kgfm, gerenciado por um câmbio manual de cinco marchas, na versão Zen, e CVT de seis marchas nas demais. O Duster Iconic com moto 1.3 turbo tem um acréscimo de R$ 13.500 em relação à mesma configuração com motor 1.6 aspirado e está chegando às concessionárias por R$ 135.590. A seguir, o teste de avaliação da versão turbo, publicada por MotorDream em maio de 2021.

                Já faz uma década que a Renault causou uma revolução na categoria de SUVs compactos, Foi em 2012 que o Renault Duster estreou, sendo um dos catalisadores para o boom de um dos segmentos que cresceu mais intensamente nos últimos anos e que aparentemente não vai arrefecer o ritmo tão cedo. No entanto, dez anos na indústria automotiva é uma eternidade e a Renault está bem ciente disso.

                 E é por isso que a renovação da Duster foi uma verdadeira urgência. Para dizer a verdade, um ligeira renovação deste modelo ocorreu em meados do ano passado, quando recebeu melhorias consideráveis que o tornam mais rígido e, consequentemente, mais refinado. Mas uma parte fundamental dessa evolução ficou apenas para este ano: a estreia do motor TCe 1.3 Turbo.

                      O novo motor é produzido na França e montado em modelos que saem da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, por enquanto apenas na versão a gasolina. Por conta disso, já oferecido em países como Colômbio e México. No Brasil, a estreia deste propulsor será com versão flex, junto com a remodelação do Captur, que deve ocorrer ainda em maio.

                      No Duster, ele aparece apenas agora, em 2022. Em ambos os modelos, ele vai ocupar as versões de topo, enquanto o atual 1.6 litro com câmbio manual ou CVT fica nas configurações de entrada. Com a chegada de um motor mais potente como o TCe – que tem 156 cv com gasolina ‑, a Renault pode voltar a oferecer o Duster numa versão com tração 4X4, opção que saiu de catálogo no Brasil no ano passado, mas na Argentina ainda existe em versões, com antigo motor 2.0 litros. No Brasil, o propulsor 1.3 Turbo flex foi configurado para 170 cv e 27,5 cv.

                    O motor TCe 1.3 Turbo tem quatro cilindros em linha e foi desenvolvido juntamente com a Mercedes-Benz, que o utiliza em modelos de entrada, como Classe A200 sedan e GLA200. Ele rende 156 cv com 25,5 kgfm – são 7 cv a menos e o mesmo torque que nos Mercedes, mas o Duster pesa 144 kg a menos. A transmissão continua sendo a CVT X-Tronic, de origem Nissan, que envia a força para as rodas dianteiras. A má notícia é que a Renault insiste em oferecer apenas dois airbags, mesmo que embora certamente a estrutura mais rígida ofereça maior segurança.

                      Mesmo sob um aspecto puramente lógico, é incongruente que modelos mais baratos da marca, como Kwid e Stepway, ofereçam quatro airbags e que o modelo maior e mais sofisticado incorpore apenas itens obrigatórios, caso também do ABS e do ESP de tração. Já a câmera de 360º graus, presente na versão Iconic, é incluída como um item de luxo e mesmo assim não oferece uma perspectiva zenital conjugada. É preciso selecionar a câmera a ser vista: dianteira, traseira ou de cada lado.

                     Antes da chegada da motorização 1.3 Turbo, o SUV da Renault já era uma opção atraente pela excelente relação preço-espaço. Equação que agora adiciona um excelente desempenho e melhor dirigibilidade. Nesse ponto, ele se coloca em vantagem em relação a modelos que contam com motores atmosféricos, caso do Nissan Kicks, do Hyundai Creta, do Honda HR-V e Jeep Renegade – que deve ganhar o motor T270 ainda no primeiro trimestre de 2022.

                     A lamentar apenas que a marca não tenha conseguido configurá-lo com as seis bolsas. Mas esse é um problema da origem do modelo. No Brasil, a marca não se interessou em entender as necessidades dos destinos da exportação e não oferecem nada além do que as regulamentações internas exigem, mesmo que outros mercados exijam (por Ruben Hoyo, do Autocosmos.com/México, exclusivo no Brasil para Auto Press)

Impressões ao dirigir

Rápido e ágil

                O novo Duster se mantém fiel ao conceito original dos utilitários esportivos, de ser um modelo robusto e pouco pretensioso. Ou seja: preserva as virtudes que o tornaram um sucesso, como excelente espaço interno, design exterior áspero, acabamentos simples e preço acessível. No entanto, o reforço estrutural que recebeu há pouco mais de um ano trouxe grandes benefícios em termos de condução.

                Ele agora é percebido como mais forte e elimina todos os ruídos parasitas que o interior mostrava. Além disso, o isolamento tanto dos ruídos de rolagem quanto do trabalho mecânico é substancialmente melhor. Por outro lado, parte da vibração do motor é transmitida para o volante, o que causa algum desconforto.

                   A suspensão tem um longo curso, o que permite um acerto com uma fase inicial mais para o macio, o que gera conforto em estradas mais lisas, mas é robusta e tem bom apoio no manuseio em estradas de terra de baixa dificuldade. Não é um veículo focado no 4X4, mas dada a boa altura e ângulos, não tem dificuldade ao enfrentar trechos mais irregulares, desde que não tenha uma aderência baixa demais.

                  A responsividade do motor 1.3 litro turbo é um dos pontos altos do Duster, com pouquíssimo turbo lag em qualquer situação. Há até um pouco de lentidão nas arrancadas mais calmas, mas isso tem mais a ver com o CVT. No entanto, é entre 2 mil e 4 mil rpm que o motor se sente mais confortável. E é aí que a operação se torna brilhante: as acelerações são vigorosas e o SUV se move surpreendentemente bem. Fora desse intervalo de rotações, a força cai de forma notável.

                      No modo manual, a caixa tem oito marchas simuladas e se pode facilmente manter o regime de rotação na faixa desejada, o que permite manter um ritmo bem esportivo. O Duster com motor turbo virou uma excelente opção de viagem. A evolução é dramática em relação ao binômio anterior, com motor de 2.0 litros com caixa automática de quatro trocas. Mas embora tenha uma boa capacidade de resposta e muita agilidade, não se poderia dizer que o carro se tornou uma nova referência de desempenho na sua categoria, mas pelo menos se alinhou aos melhores.