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Fiat Toro ganha motor Turbo flex e continua sem rivais

Fiat Toro Volcano foca em segmentos superiores com equipamentos sofisticados e o novo motor flex T270

As fabricantes de automóveis às vezes têm um comportamento curioso. Em qualquer negócio, o fato de haver apenas um fornecedor de um determinado produto costuma ser visto pelas outras empresas do setor como uma oportunidade. Até porque é quase certo que pelo menos uma pequena parte dos consumidores podem migrar para o novo rival, mesmo que apenas para experimentar. No caso da indústria automotiva, não é bem assim. Os investimentos são altos e um fracasso – não conseguir reaver o investimento – pode manchar de forma indelével o currículo do executivo que se arriscou. Foi esse o motivo de o Ford EcoSport ficar nada menos que sete anos sozinho no segmento de SUVs compactos – desde 2003 até o surgimento do Renault Duster, em 2010. E coisa semelhante acontece com a picape Toro. O modelo, que tem um tamanho intermediário entre as picapes compactas e as agigantadas picapes médias, já tem cinco anos de mercado, mas até agora não ganhou um rival direto.

Nos Estados Unidos, a Ford pensa em um modelo conceitualmente semelhante com a picape Maverick, enquanto no Mercosul a Volkswagen até ameaçou criar a picape Tarok, mas os executivos da marca já admitem que o projeto “subiu no telhado”. Resultado: a Toro acaba de atingir 300 mil unidades vendidas no Brasil e não parece correr qualquer risco de ver suas vendas arrefecerem. Ao contrário: o modelo acaba de passar por um processo de rejuvenescimento, em que recebeu um pequeno face-lift e uma grande injeção de tecnologia. E isso fica bem explícito na versão Volcano, que é a porta de entrada para o luxo na gama da picape e a topo de linha com motorização flex. O modelo ampliou os recursos de conectividade, passa a contar com novos sistemas de auxílio à condução – alguns opcionais – e, principalmente, ganha a nova motorização turbo flex T270, que realmente muda o patamar da picape no mercado. A Volcano flex começa em R$ 144.990 e, no caso da versão testada, com pintura perolizada e o Pacote Tecnológico, o preço chega a R$ 151.490, na cotação de Brasília.

A estrela dessa Toro renovada é, sem dúvida, o motor T270, que pertence à nova linha de propulsores da Stellantis GSE – Global Small Engine. Trata-se da versão turbo do moderno Firefly 1.33, de quatro cilindros. Ele é capaz de gerar 180/185 cv a 5.750 rpm, com gasolina/etanol, sempre com 27,5 kgfm (ou 270 Nm) de torque a 1.750 giros. O propulsor vem com o comando no cabeçote com o sistema Multiair, composto por atuadores eletro-hidráulicos que atuam individualmente em cada válvula de admissão. O motor conta ainda com injeção direta de combustível e uma válvula para recirculação após a queima – EGR na sigla em inglês –, para melhorar o controle de emissões.

Como ocorre com todas as novas versões flex da Toro, o câmbio é automático de seis velocidades – nem mesmo a versão Endurance com o antigo motor 1.8 aspirado tem opção de transmissão manual. A tração é sempre 4X2 dianteira, mas agora ela conta com um controle de estabilidade e tração que limita o escorregamento do diferencial. Uma vez acionado, o sistema freia a roda que perdeu a aderência e transfere o torque para a outra roda.

No visual, a Toro traz alguns elementos frontais redesenhados. Caso do novo capô, com quatro vincos bem marcados em “V”, com uma depressão longitudinal na parte central. Na versão Volcano, há um friso cromado na divisória entre a moldura superior da grade e o capô, conectando as linhas da assinatura em led na cor laranja. Dois frisos horizontais, também cromados, integram os conjuntos óticos, também em led, e “sustentam” o novo logotipo para Fiat, instalado no centro da grade. Na parte inferior do para-choque, duas molduras em “C” envolvem os faróis de neblina, novamente em led.

A Volcano ainda traz ainda o reforço frontal do para-choque e rack de teto em prata, maçanetas externas cromadas e frisos cromados na linha das janelas, na parte inferior da capa do retrovisor e na moldura de proteção da base das portas. Por dentro, a nova Toro traz alterações importantes. Para começar, o painel totalmente digital tem uma tela configurável de 7 polegadas no centro do cluster, ladeada por mostradores de temperatura do líquido de arrefecimento e mostrador de combustível. A partir da versão Volcano, a central multimídia é composta por uma tela vertical com generosos 10,1 polegadas, que mais parece um tablet, e oferece uma série de novos recursos tecnológicos. Caso do sistema Connetc Me, que utiliza uma rede 4G, para se comunicar com o carro através do aplicativo My Uconnect, usado a partir de celular, de computador ou mesmo da Alexa, assistente virtual da Amazon. A partir do aplicativo, pode-se ligar, desligar, localizar, abrir ou fechar o carro. E ainda acessar informações do computador de bordo, como quilometragem, consumo, agenda de revisões etc.

Nessa atualização, a Volcano agregou como item de série sensor de estacionamento dianteiro, carregador de celular por indução. Isso além do grande número de recursos que já dispunha, como sete airbags, leitor de pressão dos pneus, volante multifuncional, chave presencial para travas e ignição, controle de cruzeiro, limitador de velocidade, câmera e sensores traseiros, ar-condicionado duplo, rodas de 18 polegadas, sensor de luz e chuva, ajuste elétrico do banco do motorista e revestimento em couro. A central multimídia faz conexão com celulares sem cabo, via Bluetooth, e tem navegador interno. Além da pintura metálica ou perolizada, o Pacote Tecnológico é o único opcional disponível. Ele traz alerta de colisão com frenagem autônoma de emergência, monitor de faixa com esterçamento indutivo do volante e farol alto automático. (Texto e fotos de Eduardo Rocha/Auto Press)

 

Ponto a ponto

Desempenho –A Toro sofreu uma verdadeira transformação mecânica. O novo motor T270 está em torque máximo de 27,5 kgfm já aos 1.750 giros, o que faz com que o motor fique “cheio” em praticamente todas as faixas de rotações úteis. O acoplamento com o câmbio automático de seis velocidades foi feito com bastante refinamento, a ponto de ser difícil perceber as mudanças de marcha – a não ser nas reduções, que são rápidas, mas também podem ser bruscas. O torque quase 50% maior que o fornecido pelo motor 1.8 deixou a picape bem mais ágil e responsiva. Com gasolina, o zero a 100 km/h caiu de 14,4/12,9 segundos com motor 1.8 para 11,2/11 s com o T270, com gasolina e etanol. Bons números para uma picape com 1.705 kg. A nova máxima reflete os 180/185 cv de potência: subiu de 178/179 km/h para 195,5/197,5 km/h. Nota 9.

Estabilidade – A Toro manteve o bom sistema suspensivo, que controla bem a carroceria – é independente nas quatro rodas com McPherson na frente e multilink na traseira, ambos os eixos com barra estabilizadora. O chassi bastante reforçado – é o mesmo do Jeep Compass – torce de forma adequada nas curvas e os pneus 225/60 R18, com flanco de 13,5 cm, ajuda a filtrar as irregularidades e não tende a dobrar nas curvas, embora o modelo role um pouco. Usada de forma civilizada, a Toro se comporta como um carro de passeio, mas aceita até uma condução mais agressiva, desde que se respeite os limites da Física. Nota 7.

Interatividade – O modelo traz um volante multifuncional completo, que concentra boa parte dos comandos de uso mais imediato e ainda tem uma infinidade de recursos que podem ser configurados a partir da ótima tela vertical de 10,1 polegadas no console central – como os auxílios à condução, opções de travamento e desligamento de faróis, etc. No painel, entre as diversas opções gráficas, agora há a possibilidade de monitorar aceleração G e percentual de potência e torque aplicados etc. O aplicativo My Connect oferece várias funções, como ligar ou desligar o motor, travar ou destravar o carro e monitorar a localização. Nota 10.

Consumo – O motor T270 responde bem e acelera forte, mas não cobra um preço tão alto por isso. Segundo a Fiat, esta Toro faz 6,5/9,4 km/l no ciclo urbano e 8/10,8 km/l no ciclo rodoviário, com etanol/gasolina. Em comparação com a versão 1.8 Flex, a nova é ligeiramente mais econômica com etanol e ligeiramente mais gastadora com gasolina. Apesar de o InMetro não estar mais atualizando a tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem de veículos, a nova Toro teria notas A no segmento e C no geral. Nota 8.

Conforto – Apesar do funcionamento do novo motor T270 ser suave e silencioso e a carroceria não provoca ruídos aerodinâmicos na estrada, mas o isolamento acústico da Toro deixa que ruídos do trânsito entrem na cabine sem muita cerimônia. E esse é o único ponto de incômodo do modelo. As suspensões filtram as irregularidades e suavizam os buracos maiores, os bancos são confortáveis, o espaço interno no sentido longitudinal é generoso. Nota 8.

Tecnologia – A Toro Volcano é a entrada da gama nos conteúdos mais luxuosos e tecnológicos. Tem sete airbags, um central multimídia sofisticada e bem completa, com GPS interno e conexão sem fio com smartphones. Recursos ADAS mais evoluídos, como frenagem autônoma, monitor de faixa e farol alto automático, ficam restritos a um pacote opcional que funciona claramente como estratégia de aumentar o preço final (custa R$ 3 mil, ou cerca de 2% do valor). Mas o ponto alto é mesmo os novos recursos de conectividade via rede 4G, que permite monitorar e interferir no veículo à distância. Nota 9.

Habitabilidade – A Toro é bem solucionada por dentro, com diversos nichos para o uso cotidiano. A versão Volcano ainda conta com um “compartimento secreto” sob o banco do passageiro – que é prático para esconder objetos maiores. Ainda tem um porta-objetos sob o apoio de braços central, dois porta-copos, bolsa nas costas do encosto e bom espaço nas portas. O acesso ao interior é facilitado por alças nas colunas dianteiras, inclusive para o motorista, que não precisa se apoiar no volante para “subir” na picape. Os ajustes do banco do motorista são elétricos e a direção tem regulagem de altura e profundidade. A área de carga, com a tampa dividida, é prática para o transporte de objetos pequenos, mas um divisor de caçamba, vendido como acessório, torna bem mais prático o uso urbano do modelo. Nota 8.

Acabamento – A versão Volcano traz materiais de boa qualidade, em um conceito que une praticidade e algum luxo. O console frontal, com guarnições em alumínio, acabamentos em plástico preto brilhante e detalhes cromados, tão uma sensação de capricho e fazem uma combinação de bom gosto. A grande tela da central multimídia domina o ambiente e dá um ar tecnológico ao interior. Nota 8.

Design – A atualização do design da Toro não alterou em nada o conceito do modelo e mesmo depois de cinco anos, não mostra sinais de fadiga. Os traços trazem uma dose de originalidade e de bom gosto que denunciam a origem italiana do modelo. Os conjuntos óticos dianteiro e traseiro são marcantes e tornam o modelo inconfundível, com uma certa robustez, mas sem ser abrutalhada. Nota 9.

Custo/benefício – A Toro não tem rivais diretos, mas está se posicionando mais próxima às picapes médias que às compactas. Tem sentido pelo que o carro oferece – ainda mais com o novo motor T270 ‑, mas acaba atuando em uma faixa de preços congestionada no mercado brasileiro e ainda assim se sai bem. Nota 8.

Total – A Fiat Toro Volcano T270 somou 84 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Nova ordem

                Com o novo motor T270 flex, a Toro soma uma dinâmica convincente a todas as qualidades intrínsecas do modelo, como acabamento, design, versatilidade. E nessa motorização, a versão Volcano ocupa o topo da gama – a diferença para as versões Ranch e Ultra, além da motorização turbo diesel 4X4, são adereços externos, como santantônio, estribo etc. Ou seja: oferece recursos requintados e tecnológicos capazes de atrair potenciais compradores de SUVs médios, que são ligeiramente mais caros, e até promover uma migração de consumidores de versões diesel da própria Toro. Se até aqui, a Toro detinha uma fórmula de sucesso, com uma versão flex mais atraente, a tendência é ganhar ainda mais mercado.

A versão Volcano tem ainda outro atrativo importante: a nova central multimídia, com recursos de conectividade de primeira linha, com o sistema Connetc Me, que permite acesso a funções e dados do carro por celular ou por computador funcional. A tela vertical de 10,1 polegadas, que ocupa metade da altura do console central, domina o ambiente da cabine. O modelo ainda traz uma finalização de ótimo nível, com revestimentos em couro nos bancos e nos painéis das portas, combinação de materiais nas superfícies, como guarnições com acabamento em preto brilhante, em alumínio e em plásticos de texturas agradáveis.

Os recursos tecnológicos opcionais alteram um pouco a relação entre condutor e carro. Caso do alerta de colisão frontal, que pode ser configurado em três níveis, que “puxa a orelha” do motorista quando se aproxima demais do carro à frente. O monitor de faixa chega a esterçar levemente o volante nas curvas de raio mais longo ou para devolver a picape para o centro da faixa. Esta intervenção, porém, é discreta e não tem capacidade de desviar de um obstáculo, por exemplo. Há pequenos conforto inteligentes, como o fato de os espelhos externos, quando rebatidos, retornarem à posição funcional quando o carro atinge 20 km/h.

Além disso, a Toro Volcano proporciona uma vida a bordo agradável, graças à ergonomia interna, aos bancos dianteiros que são quase poltronas e às suspensões bem calibradas, com McPherson na frente e multilink atrás. Juntamente com a estrutura em monobloco, a picape tem uma dinâmica muito equilibrada, sem alterações na trajetória, mesmo em velocidades maiores. Mesmo em, trechos mais sinuosos, a carroceria joga pouco.

Mas foi mesmo na parte mecânica que a Toro flex se renovou de forma intensa. O propulsor T270, de 180/185 cv, foi muito bem afinado com o câmbio automático de seis marchas e consegue oferecer acelerações e retomadas que dão bastante agilidade à picape. A ponto de a aceleração de zero a 100 km/h ter sido abreviado em 1,9 e 3,2 segundos, dependendo do combustível. O desempenho evoluiu mais com o uso de gasolina, pois a Fiat priorizou o consumo no caso do etanol, a ponto de a Toro T270 consumir um pouco menos com o combustível vegetal do que a antecessora 1.8 flex, apesar de ter potência 33% maior e mais 43% de torque.

Na prática, o comportamento dinâmico da Toro se aproximou bastante dos oferecidos pelo motor turbodiesel, que tem torque 25% maior, mas acrescenta exatos 203 kg de peso. Na relação peso/torque, na Toro Vulcano T270, cada kgfm responde por 62 kg, enquanto na TD350, são 53,4 kg. Ainda assim, pela maior elasticidade e até pelo câmbio, a T270 tem uma aceleração mais ágil de zero a 100 km/h, com 11,0 contra 12,4 segundos.

 

Ficha técnica

Fiat Toro Volcano T270

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.332 cm³, sobrealimentado por turbocompressor, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com sistema Multiair de temporização de abertura der válvulas, comando simples no cabeçote. Sistema de injeção eletrônica direta e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira com sistema eletrônico de limitação de escorregamento do diferencial. Oferece controle de tração e modo Sport.

Potência: 180 cv com gasolina e 185 cv com etanol a 5.750 rpm.

Torque máximo: 27,5 kgfm com gasolina e etanol a 1.750 rpm.

Diâmetro e curso: 70 mm X 85 mm.

Taxa de compressão: 10,5:1.

Aceleração 0-100 km/h: 11/11/2 segundos, com gasolina/etanol.

Velocidade máxima: 195,5/197/5/km/h com gasolina/etanol.

Suspensão: Independente nas quatro rodas. Dianteira do tipo McPherson com braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais. Traseira do tipo multilink, links transversais e laterais, barra estabilizadora, amortecedores de duplo efeito e molas progressivas. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 225/60 R18.

Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Picape em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,95 metros com 1,85 m de largura, 1,74 m de altura e 2,99 m de entre-eixos. Ângulo de entrada de 25,7º, de as~ida de 28,4º, de rampa de 21,7º, com altura livre para o solo de 26 cm entre os eixos. Possui airbags frontais, laterais, de cortina e para joelho de motorista.

Peso: de 1.705 kg.

Capacidade da caçamba: 937 litros.

Capacidade de carga: 670 kg.

Tanque de combustível: 60 litros.

Lançamento no Brasil: 2016.

Face-lift: 2021.

Produção: Goiana, Pernambuco.