Ford aposta na referência histórica do Mustang Mach 1

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Ford quer reacender o interesse no Mustang no Brasil com a releitura do clássico Mach 1

Todo ano, a Ford monta um arsenal de versões e edições especiais para seu esportivo mais famoso, o Mustang. No portfólio da marca nos Estados Unidos, há atualmente nada menos que 10 configurações para o modelo, desde do EcoBoost Fastback, que custa míseros US$ 27.155 – cerca de R$ 152 mil –, até o poderoso Shelby GT 500, que tem preço de partida de US$ 72.900 – equivalente a R$ 410 mil. A marca aproveita o amplo espectro da linha para trazer a cada ano uma versão diferente do modelo. A primeira foi a GT Premium, vendida em 2018 e 2019. No ano passado, foi a Black Shadow. Para 2021, a escolha recaiu para a nova – e emblemática – Mach 1.

No line-up do modelo, o Mach 1 Premium fica abaixo apenas do Shelby GT 500 e, na configuração que está sendo importada, custa por lá aproximadamente US$ 60 mil – correspondente a R$ 337 mil. O modelo passa a ser oferecido pela marca no Brasil, com previsão de entrega a partir de junho, com preço de R$ 499 mil, exatos R$ 103 mil a mais que a versão Black Shadow, que ainda está sendo oferecida.

A Mach 1 é classificada pela Ford como uma edição limitada – a princípio, será produzida apenas neste ano ‑, apesar de ostentar um nome bastante reconhecido. Por fora, o modelo troca as duas faixas decorativas do capô por uma central, bem larga, e duas mais discretas nas saias laterais. As faixas são sempre em preto com um friso que, dependendo da cor do modelo, pode ser laranja ou branca, para fazer um contraste maior.

A grade perde os dois frisos diagonais e ganha duas molduras redondas, que fazem referência aos tradicionais faróis de milha embutidos do modelo original. As entradas de ar nas extremidades do para-choque ficaram maiores e o spoiler inferior ficou bem mais destacado. Na traseira, sai o chamativo aerofólio e entra um discreto spoiler. O painel traseiro continua com acabamento em preto, mas deixa de ser fosco e passa a ser brilhante.

Sob o capô, o Mach 1 traz o mesmo motor V8 aspirado com 5.0 litros que equipa a versão Black Shadow, mas foi retrabalhado para melhorar o rendimento. Ele ganhou 17 cv e tem agora 483 cv de potência, mas manteve o mesmo torque de 56,7 kgfm. O câmbio automático de 10 marchas ganhou um novo conversor de torque, o que também ajudou nesse resultado. A evolução do trem de força não chegou afetar o desempenho – o zero a 100 km/h se manteve em 4,3 segundos. A suspensão adaptativa Magneride foi recalibrada e o Mach 1 ganhou barra estabilizadoras mais grossas tanto na frente quanto atrás, que também ficou mais rígida.

Segundo Ford, todas as mudanças tiveram como meta reduzir a turbulência e melhorar a dirigibilidade, principalmente em pista. Apenas o spoiler dianteiro, por exemplo, aumentou o downforce em 25%. Outras alterações técnicas buscaram o mesmo objetivo, como indutor de ar e corpo de borboleta, trazido da versão Bullit, o defletor traseiro original do Shelby GT 500, escapamento com saídas maiores para melhorar o fluxo, radiadores para a transmissão e diferencial traseiro e coletor de admissão do Shelby GT 350.

Na parte da segurança, o Mach 1 recebeu um pacote bem completo, com sensor de ponto cego, farol alto automático, alerta de permanência em faixa, alerta de colisão com detecção de pedestre e frenagem automática, câmera de ré e oito airbags, entre outros.

Por dentro, o revestimento dos bancos traz outra referência ao modelo original da década de 1960, com gomos horizontais com uma faixa na cor laranja ou vermelha. No mais, os recursos são bem semelhantes ao que já eram oferecidos na versão Black Shadow. O cluster principal de instrumentos traz uma tela de 12 polegadas, que pode ser configurada e também assume um determinado grafismo de acordo como o modo de condução escolhida. E são nada menos que seis: Normal, Esportivo, Esportivo+, Pista, Drag e Neve/Molhado, e também um chamado My Mode, em que o motorista/piloto pode configurar individualmente câmbio, direção, atuação do ABS e do controle de estabilidade, resposta do acelerador, suspensão e até o ruído do escapamento. O modelo conta ainda com um sistema de som da dinamarquesa Bang & Olufsen com 12 alto-falantes, subwoofer e 1000 W de potência.

O amplo espectro de versões do Mustang tem sido fundamental para que o esportivo seja bem vendido em diversos mercados. Em 2020, foram mais de 80 mil unidades, sendo 60 mil delas apenas nos Estados Unidos. No Brasil, o modelo vem perdendo embalo: emplacou 988 unidades em 2018, 384 exemplares em 2019 e 350 no ano passado ‑ aproximadamente metade do líder do segmento de esportivos, o Porsche 911. Desnecessário dizer que o Mustang é um dos carros mais icônicos da Ford e o Mach 1 pode reacender o interesse pelo modelo. Mesmo por um preço 25% maior.

 

Texto de Eduardo Rocha/Auto Press, Fotos de Divulgação/Ford