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Ford busca novos caminhos com o Bronco Sport

 Ford Bronco Sport Wildtrack chega para consolidar a imagem mais sofisticada para a fabricante no Brasil

Ao se tornou importadora no Brasil, a Ford alinhou uma estratégia de trabalhar apenas nos segmentos intermediários e superiores do mercado por aqui. A ideia é evitar os modelos de entrada e refinar a imagem da marca, até que possa ficar mais à vontade entre as marcas de luxo. Para dar uma ideia, o modelo mais barato da marca atualmente é a picape Ranger XL cabine simples, que custa R$ 170.990, seguido pelo SUV médio Territory, importado da China, que sai por R$ 179.990. A chegada de um outro SUV médio como o Bronco Sport, importado do México, reforça esta nova posição que a Ford pretende estabelecer no país. O modelo chega na versão Wildtrack por R$ 259.900 e não tem opcionais. Na apresentação do modelo, a proposta é rivalizar com os SUVs de entrada de marcas como Audi, Mercedes-Benz, BMW, Jaguar e Land Rover Sport – sendo apenas este último tem um conceito de off-road semelhante. Quem também pode ser afetado com a chegada do Bronco Sport é o Jeep Compass, que na versão Trailhawk completa fica com um preço próximo ao do novo SUV da Ford.

O Bronco Sport busca seu pedigree no Bronco original, lançado em 1966 para disputar mercado com modelos com grande capacidade off-road como Jeep CJ-5 e Toyota Land Cruiser. Na época, ele contava com um chassi em longarina exclusivo para ele e todas as versões eram 4X4. A primeira geração ficou 12 anos no mercado e vendeu mais de 200 mil unidades nos Estados Unidos. A partir da segunda geração, o modelo passou a ser baseado nas picapes grandes da fabricante, primeiro a F-100, depois a F-150 até que se tornou uma espécie de Explorer mais curta. A produção foi interrompida na 5ª geração, em 1996 – aquele modelo que protagonizou a perseguição a O. J. Simpson. A nova geração do Bronco tem agora duas vertentes. O modelo chamado Bronco é pensado para encarar trilhas radicais e extremas, montado em longarinas, e tem configurações de duas e quatro portas. Já o Bronco Sport é construído na mesma plataforma em monobloco C2 usada nos SUVs com pegada de crossover Escape e Kuga, mas com muitos recursos para off-road, apesar de ser pensado para o uso também no asfalto.

A versão trazida para o Brasil, Wildtrack, é das mais capazes para essa dupla proposta na gama do modelo. Ela vem com um motor 2.0 EcoBoost de 240 cv de potência e 38 kgfm de torque, câmbio automático de oito velocidades, sistema de tração 4X4 com bloqueio do diferencial traseiro e controle de tração com vetorização de torque, controle de cruzeiro adaptativo com modo off-road e gerenciamento de terreno com sete configurações para a tração: Normal, Eco, Esportivo, Escorregadia, Areia, Lama/Terra e Rocha. O modelo conta ainda com câmera frontal de 180º, à frente do eixo dianteiro, para monitorar obstáculos no fora de estrada ou em manobras. As rodas de liga leve são de 17 polegadas e calçam pneus AT com medida 225/65 R17. A suspensão também é configurada para enfrentar o fora-de-estrada. Ela é de longo curso, montado em um chassi auxiliar e traz um sistema McPherson na frente e multilink na traseira, com braços longos e curtos e barra estabilizadora.

Além da pegada off-road, o Bronco traz um verdadeiro arsenal tecnológico de segurança e assistência avançada à condução. São nove airbags – frontais, laterais dianteiros e traseiros, de cortina e de joelho para o motorista – e ainda tem controle de cruzeiro adaptativo com sistema Spot & Go – acompanha o trânsito lento e retoma o movimento em paradas de poucos segundos –, alerta de colisão, de faixa de rodagem com esterçamento corretivo no volante, inclusive para manobras evasivas, frenagem autônoma de emergência, sensor de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, leitor de placas com alerta de velocidade, câmera de ré e sensor de obstáculos.

Na parte de conforto e conveniência, o Bronco Sport também tem recursos acima da média. Ele traz um sofisticado sistema de som B&O com 1 mil Watts de potência de pico, com 10 alto-falantes e subwoofer no porta-malas. Ele é comandado através da central multimídia Sync 3 pela tela de toque com 8 polegadas, que fica em posição elevada no console frontal. Ela oferece espelhamento de celular via cabo através de aplicativos Apple CarPlay e Android Auto, tem carregamento por indução, duas entradas USB tipo 3 e duas tipo C, Bluetooth e GPS interno. O Bronco traz ainda revestimento em couro para os bancos, ar-condicionado de duas zonas, sensor de luminosidade e de chuva e farol alto automático. O modelo conta ainda com o aplicativo Ford Pass, que permite localizar e monitorar o veículo por celular, com aviso de acionamento de alarme, acesso às informações do computador de bordo e até acionamento do motor e das travas. (Texto e fotos: Eduardo Rocha/Auto Press)

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 2.0 turbo do Bronco Sport Wildtrack é moderno e elástico e lida com muita facilidade com os 1.718 kg do SUV. Ele rende 240 cv 5.500 rpm e 38 kgfm de torque máximo a 3 mil giros, mas já com 2 mil rotações apresenta um torque acima de 36 kgfm. Ele é orquestrado um câmbio automático de oito marchas rápido, suave e preciso na hora de encontrar a melhor relação. Por Isso, o motor EcoBoost está sempre cheio e pronto para responder vigorosamente ao acelerador, seja nas arrancadas, seja nas retomadas. Isso torna o modelo agradável tanto em ambiente urbano quanto em rodovias, onde consegue desenvolver ótimas velocidades de cruzeiro sem qualquer esforço aparente.

No off-road e em terrenos escorregadios, o comportamento muda significativamente de acordo com o modo de condução escolhido – o sistema Goat tem sete configurações diferentes –, sendo que o sistema de vetorização de torque permite até a patinação de uma ou mais rodas em situações de aderência em que normalmente seria preciso desligar o controle de tração. O modelo traz ainda o recurso interessante da câmera frontal instalada à frente do eixo dianteiro, que mostra o terreno sob a frente do carro e ajuda na hora de transpor obstáculos como pedras, valas ou troncos. O alto torque em baixos giros aproxima até o comportamento do Bronco a um SUV com motor diesel. Nota 10.

Estabilidade – O Bronco tem um ajuste de suspensão que consegue manter o conforto e o controle e carroceria em altos níveis. Os conjuntos – McPherson na frente e multibraços atrás – são montados em chassis auxiliares, isolados da carroceria, e são de longo curso com molas de rigidez progressiva, que oferece uma boa reação a buracos e lombadas. Ao mesmo tempo em que evita rolagens acentuadas nas curvas e flutuações em velocidades mais altas, filtra boa parte das irregularidades e vibrações – ajudado pelos pneus 225/65 R 17 AT, com flanco de 14,6 cm. Já a arquitetura em monobloco gera um comportamento bastante neutro, principalmente em condições rodoviárias. No off-road, o pequeno grau de torção da carroceria acaba reduzindo o contato da roda com o solo em situações mais extrema, principalmente em desnivelamentos mais acentuados – como em situações como a chamada “caixa de ovos”. Nestes casos, o sistema de tração GOAT entra em ação para impedir que o veículo empaque. pouca torção nas curvas. A direção é bem direta e comunicativa. Nota 10.

Interatividade – O Bronco Sport é um projeto recente e detalhado. Por isso mesmo, tem bastante conectividade e conta com o aplicativo Ford Pass, que permite monitorar e até acionar algumas funções do carro via celular. A central multimídia faz a conexão com o celular com extrema rapidez e facilidade, mas o espelhamento através de aplicativos como Android Auto e Apple CarPlay é via cabo, e não wireless, como em equipamentos mais recentes. O Sync 3, apesar de atualizado, foi lançado no final de 2015 – uma eternidade em informática. A Ford já lançou o Sync 4, mas por enquanto só aparece a bordo do Mustang Mach-E. No mais, o Bronco Sport é um carro completo, com uma interface simples e intuitiva e uma tela central elevada com botões físicos para volume e sintonia, o que facilita muito o uso dos comandos. O modelo conta ainda com câmera traseira e câmera frontal de 180º, sensor de ponto cego, alerta de colisão, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestre, alerta de tráfego traseiro cruzado, entre outros. Nota 9.

Consumo – O InMetro ainda não publicou a avaliação de consumo do Bronco. Segundo a agência ambiental estadunidense EPA, o Bronco Sport 2.0 consegue uma média de 9,8 km/h, sendo que na cidade é de 9 km/l e na estrada de 11 km/h, sempre com gasolina. No Brasil, onde o combustível é uma mistura de gasolina e etanol, o consumo tende a ser maior. De fato, durante os 400 km da avaliação, o Bronco Sport alcançou a média de 8,8 km/l, enfrentando estrada, cidade e até trajetos off-road. Pelo peso, tamanho e desempenho do modelo, são valores coerentes. Nota 7.

Conforto – O Bronco Sport tem as vantagens de um SUV de médio porte – espaço para cabeças, ombros e pernas – com diversos itens de conveniência, como apoio de braços, diversos porta-objetos espelhados pelo habitáculo, bolsas com zíper no dorso do encosto e diversos outros detalhes que mostra a grande atenção da Ford no projeto do modelo. Os bancos dianteiros são ergonômicos, com abas bem projetadas para segurar o corpo em curvas ou em terrenos irregulares. O modelo traz recursos como ar digital duplo, teto solar elétrico, sistema de som Bang & Olufsen de alta potência com subwoofer no porta-malas, chave presencial, controle de funções remoto através do celular, além de uma suspensão eficiente, que filtra as irregularidades e roda com maciez, e um isolamento acústico impecável. Nota 9.

Tecnologia – O Bronco Sport Wildtrack está entre os modelos mais equipados do mercado em relação a sistemas de assistência avançado ao condutor, ADAS na sigla em inglês. Ele traz controle de velocidade adaptativo com Stop & Go, controle de faixa com esterçamento corretivo do volante, assistente de manobras evasivas, leitor de placas com alerta de velocidade, sensor de luz e chuva, farol alto automático, painel digital configurável e volante multifuncional. O modelo conta ainda com nove airbags – os seis de praxe e ainda laterais traseiros e de joelho para o motorista. O motor EcoBoost é moderno e o câmbio automático de oito marchas é extremamente eficiente. A recente plataforma C2 é usada na terceira geração do Kuga e na quarta geração do Escape e do Focus, modelo que estreou a arquitetura em 2018. O sistema Sync 3 não é o mais moderno do moderno, mas traz todas as funcionalidades exigidas em uma central multimídia e é bastante amigável. Nota 9.

Habitabilidade – Como em qualquer SUV que se preze, o Bronco Sport conta com amplo espaço para passageiros e bagagens. O teto é alto e ainda tem uma elevação na altura da fileira traseira, que com isso pode ter um assento mais elevado, com visão desimpedida da estrada. Há diversos pontos de apoio para objetos. A altura do veículo pode dificultar o acesso de pessoas com menor mobilidade, mas é uma condição inerente a um SUV com uma real capacidade off-road – a altura livre para o solo é de 22,3 cm. A tampa da mala pode ser aberta integralmente, como em qualquer SUV, ou apenas o vidro pode ser basculado, o que torna a colocação de pequenos objetos rápida e prática. Há diversos recursos como abridor de tampa de garrafa na lateral do porta-malas, cobertura elevada rígida e dobrável no porta-malas, que pode ser projetada para fora para virar uma mesa de apoio, com iluminação na tampa da mala, entre outros. O porta-malas tem 580 litros de capacidade, volume que sobe para 1.472 litros com a segunda fileira totalmente rebatida. Nota 10.

Acabamento – Desde os materiais, todos de boa qualidade, até a decoração, simples e de bom gosto, o Bronco Sport mostra um capricho e um detalhamento que torna o habitáculo atraente e interessante. Os revestimentos são fáceis de limpar e bem apropriados para um carro que a princípio vai enfrentar poeira e lama. Não seria em qualquer carro que a forração dos bancos em couro castanho e preto cairia bem, mas no Bronco faz sentido. Nota 8.

Design – Este é um dos pontos mais atraentes do Bronco Sport. Apesar da enxurrada de SUVs nas ruas, o modelo se destaca de forma gritante, girando as cabeças por onde passa e inspirando abordagens simpáticas e curiosas em relação ao modelo. O charme bruto, bem de acordo com o nome do SUV, vem das linhas quadradas, das laterais com linha de cintura elevada e principalmente da frente alta e robusta, que ganha ainda mais consistência com as duas faixas protuberantes no capô. Os faróis amalgamados à grade fazem uma referência direta ao Bronco original, dos anos 1960, e tornam o modelo original e reconhecível. Nota 10.

Custo/benefício – Por R$ 256.900, o Bronco Sport não chega ao mercado com um preço acessível, mas tem competitividade na faixa de mercado, levando em conta a personalidade mais off-road do modelo. Ele é cerca de R$ 20 mil mais caro que a versão completa do Jeep Compass Trailhawk, que é a diesel, que tem equivalência em recursos, mas tem menor potência e torque. A Ford aponta como alvo o Land Rover Discovery Sport S, que usa o motor da Ford com uma configuração específica, custa mais e tem menos recursos, mas atua de um segmento de marcas de luxo – ou seja, dá mais status. Pelo que oferece e pelo nível de exclusividade, o Bronco Sport tem tudo para desempenhar bem no mercado. Nota 7.

Total – O Ford Bronco Sport Wildtrack somou 89 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Dinâmica própria

Ao contrário do que acontece com muitos carros modernos, que usam recursos eletrônicos para alimentar o entretenimento a bordo, a diversão no Bronco Sport é o próprio carro. Para começar, o SUV da Ford esbanja personalidade e tem uma dinâmica versátil e atraente, seja na cidade, na estrada ou no fora-de-estrada. Não se trata de um carro de passeio disfarçado de utilitário esportivo, mas sim um SUV de estirpe, com uma boa capacidade off-road, de aspecto imponente e motorização vigorosa. Ele é capaz de ir do ponto A ao ponto B, mas será melhor aproveitado se o trajeto não for em linha reta ou no asfalto.

Isso não quer dizer que o modelo importado do México não se dá bem nos centros urbanos. É verdade que ele fica mais à vontade em áreas abertas, mas seu tamanho – 4,39 metros de comprimento, 1,94 m de largura e 1,80 m de altura – permite que ele se encaixa bem no trânsito ou mesmo em estacionamentos de shopping. O entre-eixos de 2,67 metros, ao mesmo tempo que garante um bom espaço para os passageiros na cabine, ajuda nas manobras off-road por ser relativamente curto. Os ângulos para o off-road são bem razoáveis: 30,4º no ataque, 20,4º de transposição (ventral), 33,1º de saída e 20,4º de rampa e capacidade de imersão de 60 cm.

O trem de força consegue explorar essa capacidade muito bem. O motor 2.0 EcoBoost é acoplado a um câmbio de oito marchas que trabalha de forma discreta e eficiente em condições normais e de forma efetiva nas outras. O gerenciador de tração consegue estabelecer quase instantaneamente a melhor distribuição do torque – o que pode ser constatado por um gráfico de aplicação do torque em cada roda individualmente. O sistema, batizado de Goat (trocadilho meio forçado entre cabrito e a sigla para “Goes Over Any Type of Terrain”), tem sete modos pré-estabelecidos, dependendo da situação. Mesmo no modo automático, no entanto, o gerenciador dá conta do recado. Enfrenta os diferentes terrenos e níveis de dificuldade com destreza. A proposta não é exatamente ser um off-road de raiz para enfrentar situações extremas, mas um carro capaz de encarar bons desafios.

De volta à estrada, o Bronco Sport oferece um rodar suave, baixo nível de ruído na cabine, conforto tanto pelos equipamentos quanto pelo espaço. O câmbio de oito marchas faz o motor rodas em giros bastante baixos, mesmo em velocidades de estrada – a 120 km/h, ele está a 2 mil rpm. A própria configuração do modelo desestimula uma condução mais contundente, mas mesmo quanto se explorar a esportividade, ao contornar curvas de forma mais agressiva, o SUV da Ford responde bem. Nas retas, mesmo em velocidades mais abusadas, ele mantém o alinhamento e não exige correções de trajetória.

São poucos os carros oferecidos no mercado brasileiro que respondem de forma tão consistente à proposta de duplo propósito como o Bronco Sport. Além disso, o modelo é atraente, tem personalidade própria. O preço certamente vai limitar as vendas do modelo, mas não há dúvida que o novo SUV médio da Ford tem muito a oferecer.

Ficha técnica

Ford Bronco Sport Wildtrack

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.999 cm³, quatro cilindros em linha, comando variável na admissão e quatro válvulas por cilindro. Turbo compressor com intercooler, acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré com paddle shift no volante para mudanças sequenciais. Tração 4X4 e controle eletrônico de tração, vetorização de torque, bloqueio do diferencial traseiro e gerenciador de tração com sete modos de atuação.

Potência: 240 cv a 5.500 rpm.

Torque: 38 kgfm a 3 mil e rpm.

Taxa de compressão: 10,0:1.

Suspensão: Dianteira montada em chassi auxiliar, do tipo McPherson independente, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira montada em chassi auxiliar, multilink, com braços longos e curtos, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Controle de estabilidade de série.

Pneus: 225/65 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás, com ABS com EBD e assistência de frenagem e de partida em rampa. Freio de estacionamento com acionamento eletromecânico por lona na traseira.

Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,39 metros de comprimento, 1,94 m de largura, 1,80 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais dianteiros e traseiros, de cortina e para o joelho do motorista.

Peso: 1.718 kg.

Capacidade do porta-malas: 580/1.472 litros.

Tanque de combustível: 64 litros.

Produção: Hermosillo, México.

Lançamento no Brasil: maio de 2021.

Preço: R$ 256.900 (Não tem opcionais).