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Ford Mustang junta tradição com tecnologia

       Reedição do emblemático Ford Mustang Mach 1 é vigorosa, tecnológica e carismática

                A Ford recorreu à a designação emblemática Mach 1 para registrar uma versão do Mustang criada diretamente pela engenharia da marca, posicionada logo abaixo da poderosa versão Shelby. Apesar de ser um nome marcante, é apenas a terceira vez que o nome Mach 1 é adotado. A primeira vez foi em 1969, como homenagem pela quebra da barreira do som ‑1.234,8 km/h ‑ pelo piloto Chuck Yeager, em 1947, a bordo do caça experimental Bell X-1. O esportivo vinha numa configuração fastback 2+2 e era animado por um motor Windsor V8 de 5.752 cm³, de 250 cv. Elementos estéticos marcantes, como o capô pintado de preto fosco com uma grande tomada de ar no centro. Este primeiro Mach 1 se manteve em linha até 1978, já enfraquecido pelas leis de emissões criadas em 1974 em função da primeira grande crise do petróleo.

O nome ficou engavetado até que em 2003, a Ford ressignificou o modelo, com uma releitura retrofuturista, para marcar o centenário da marca e os 40 anos do Mustang. A versão foi criada pelo SVT – Special Vehicle Team – acabou provocando o ressurgimento de Pony Cars no mercado – casos do Chevrolet Camaro e do Dodge Challenger. Ele trazia sob o capô um V8 de 4.6 litros de 309 cv e ficou em linha apenas até o ano seguinte. Somente agora, na linha 2021, a Ford resolveu recriar a Mach 1, que deve ficar em linha apenas este ano. Ele traz de volta os elementos estéticos clássicos da versão, como os detalhes em preto fosco na carroceria e as entradas de ar no capô, só que desta vez bem mais discretas. Na grade, no lugar onde ficariam os faróis auxiliares – dispensáveis em um carro com iluminação full led –, Ford instalou duas molduras redondas como referência estética, ladeando o emblema do Pônei em cinza. Para finalizar, as rodas são pintadas de preto brilhante.

As dimensões são basicamente as mesmas dos modelos “normais”, com 4,79 metros de comprimento, 1,92 m de largura, 1,38 m de altura com 2,72 m entre os eixos. O porta-malas acomoda 382 litros e o modelo pesa 1.746 kg. Essa massa é movimentada pelo consagrado motor 5.0 litros V8, mais conhecido como Coyote. Ele passou por uma atualização de software na divisão Ford Performance, que conseguiram espremer mais 17 cv para chegar a 483 cv de potência no total, com um torque de 56,7 kgfm. Esta mesma melhoria estava disponível como opcional na versão Bullitt, que foi substituída na gama pelo Mach 1. No Brasil, ele é sempre gerenciado pelo mesmo câmbio de 10 marchas presentes nas versões anteriores, mas a versão testada trazia o câmbio manual de seis marchas, com direito a alavanca de marchas com pomo esférico, como no original.

A suspensão é um dos destaques desse Mach 1. Ela é independente em ambos os eixos, com o esquema McPherson confiável, e por trás encontramos uma suspensão multilink. Os amortecedores são equipados com o sistema Magneride, que através de impulsos elétricos pode modificar o grau de viscosidade do fluido interno do cartucho, tornando-o mais macio ou mais rígido, dependendo das necessidades no momento. Além disso, ganhou barras estabilizadoras mais grossas tanto na frente quanto atrás, sendo que o eixo traseiro é equipado com um diferencial Torsen com uma proporção de 3,76 para melhorar a capacidade de tracionar.

Nos interiores dois elementos chamam a atenção: os bancos assinados pela Recaro e o botão da alavanca de engrenagem que emula uma bola de bilhar. A cor predominante é o preto, com revestimento em couro nos bancos, painéis de porta, consoles central e frontal. E aqui mora o amálgama entre o passado reminiscente e o presente completamente virtual. O primeiro ponto que observamos está no painel de instrumentos em TFT de 12 polegadas, que tem operação completamente virtual, mas que graficamente remete aos instrumentos dos anos 1970.

No console fica o centro nervoso de Mach 1, uma tela sensível ao toque de 8 polegadas, onde se pode configurar praticamente tudo, inclusive os seis modos de condução: Normal, Esportivo, Esportivo+, Pista, Drag e Neve/Molhado, e também um chamado My Mode, em que o motorista/piloto pode configurar individualmente direção, atuação do ABS e do controle de estabilidade, resposta do acelerador, suspensão e até o ruído do escapamento. O modelo é equipado com o sistema Sync 3, que não é a mais moderna da marca – alguns modelos já contam com a Sync 4, mas é compatível com Android Auto e Apple CarPlay. O pacote de segurança traz oito airbags, monitor de faixa, câmera de ré e alerta de ponto cego, entre outros. (por Alexander Konstantonis, Autocosmos.com/México – Exclusivo no Brasil para Auto Press)

 

Impressões ao dirigir

À flor da pele

Seja fã ou não, dirigir um Mustang é um evento. E ter a chance de experimentar o modelo na pista é uma experiência memorável. O acionamento da alavanca é muito, muito mecânico, enquanto o pedal de embreagem é firme, sem ser duro, mas o condutor tem de ser suave na operação, caso contrário o Mach 1 vai pegar um fôlego reagir de forma violenta.

O Mustang Mach 1 tem seis modos de condução: Normal, Neve/Chuva, Esportivo, Esportivo+, Pista e Drag. O som que emana do escapamento é realmente viciante, soa como poder e força. Nos últimos anos, os típicos muscle cars tiveram o manuseio refinado e não são mais tão traiçoeiros como antes. Ou seja: não é preciso se arriscar a cada tomada de curva feita em alta velocidade. A dinâmica deles está se aproximando da típica de um GT europeu.

Os recursos eletrônicos, por um lado, permitem que os limites do modelo sejam perseguidos. Mas por outro, não há como desconectar completamente os controles de estabilidade. Consegue-se, no máximo, retardar a ação ao limite da perda de aderência.  Quando o esportivo está prestes a jogar a traseira, as babás eletrônicas vêm para o resgate.

Durante a condução esportiva, não é preciso lutar com o volante, que é macio e tem uma ótima pegada. Já a direção é firme, mas não dura. Graças ao design dos bancos, o corpo fica bem firme, sem ser jogado lateralmente nas curvas. O Mustang, no final das contas, é um bom esportivo, com boa resposta e belo design. Muito americano.