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FORD TERRITORY: Um negócio da China

Ford traz o SUV médio Territory para brigar na faixa superior do mercado apostando na tecnologia e no requinte

Texto e Fotos: Eduardo Rocha/Auto Press


Por um lado, a Ford não queria ficar de fora do lucrativo segmento de SUVs médios no Brasil. Por outro, não tinha como produzir por aqui um modelo de alta tecnologia e baixo volume. A solução foi trazer o Ford Territory, produzido na China, país em que os custos cambiais são mais favoráveis, se comparado ao dólar. Mesmo trazendo seu SUV do outro lado do mundo, não tinha como ter preço para rivalizar com os modelos mais baratos do segmento. Por isso mesmo que a Ford decidiu atuar apenas nos subsegmentos superiores dos SUVs médios. Segundo a montadora, mais da metade das vendas dos principais rivais são processadas nessa faixa. Mesmo limitando o raio de ação, o Territory chega às concessionárias em setembro com preços bem pouco convidativos. São duas versões: SEL por R$ 165.900 e Titanium por R$ 187.900.
Para justificar estes valores, o Territory chega com um verdadeiro arsenal tecnológico. Mesmo na versão mais barata, SEL, o SUV médio traz teto solar panorâmico, iluminação full led, ar-condicionado automático, seis airbags, sensores e câmera de ré, chave presencial para travas e ignição, controle de cruzeiro, multimídia com tela de 10,1 polegadas e acesso ao aplicativo Fordpass Connect, que permite, entre outras coisas, localizar, acionar o motor e ar-condicionado e travar/destravar o veículo através do celular. Os R$ 12 mil de diferença para a versão Titanium adicionam bancos parcialmente em couro, sendo os dianteiros com aquecimento e resfriamento e o do motorista com ajuste elétrico, ajuste do volante, alerta de colisão com frenagem autônoma, sensor de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de mudança de faixa, câmera 360º, painel digital configurável, rebatimento elétrico dos retrovisores, carregador de celular por indução, sensor de luz e chuva, sistema de estacionamento automático e pequenos detalhes de requinte como maçanetas cromadas, teto na cor preta, luzes de aproximação nos retrovisores e luz ambiente configurável em sete cores.
Sob o capô, o Territory traz um pequeno motor 1.5 litro de quatro cilindros turbo que bebe apenas gasolina. Ele rende 150 cv, potência apenas suficiente para movimentar os 1.632 kg da versão. Em contrapartida, o torque é de bons 22,9 kgfm, que se mantém constante entre 1.500 e 4 mil giros e para isso o propulsor tem alguns truques, como injeção direta de combustível duplo comando de válvulas com abertura variável na admissão e no escape. O câmbio é do tipo continuamente variável com conversor de torque. No modo manual, ela simula oito marchas, que podem ser mudadas diretamente na alavanca de câmbio. Os números de desempenho dão conta que o Territory não tem pretensões esportivas. O zero a 100 km/h é cumprido em 11,8 segundos e a máxima fica em 180 km/h. Com rivais como Chevrolet Equinox, Volkswagen Tiguan e, principalmente, Jeep Compass com versões com conteúdo e preços equivalentes e maior potência, não é difícil prever que o Territory vai ter de brigar bastante para garantir um quinhão entre os SUVs médios.

Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.5 EcoBoost, turbo com injeção direta, movimenta o Territory sem grande agilidade. O que pode ser constatado pelos 11,8 segundos que o SUV consome para alcançar os 100 km/h partindo da imobilidade. Os 150 cv têm de se esforçar para movimentar 1.632 kg do carro. O câmbio CVT, por outro lado, é surpreendentemente rápido para encontrar a melhor relação, o que torna o Territory bem agradável de conduzir, seja na cidade, em velocidades mais baixas, seja no ambiente rodoviário – embora aí exija uma boa margem de segurança nas ultrapassagens. Nota 7.
Estabilidade – O esquema de suspensão do Territory é o McPherson/Multilink na frente e atrás e o conjunto é muito bem afinado. Consegue controlar bem a carroceria e só apresenta um pouco de rolagem lateral nas curvas mais forçadas. Em retas, a estabilidade é muito boa, sem qualquer exigência de correções de trajetória. Nota 8.
Interatividade – O novo SUV médio da Ford tem um arsenal eletrônico que deixa o motorista absolutamente informado de tudo que acontece com o carro e no entorno. O sistema de câmeras 360º, que simula vista aérea, facilita bastante as manobras. O modelo ainda conta com estacionamento semiautomático. O sistema multimídia tem conexão wireless com o aplicativo Apple CarPlay – smartphone Android exige  e conta com uma generosa tela de 10,1 polegadas de alta definição, que pode ser dividida em quatro partes e pode monitorar ao mesmo tempo ar-condicionado, som, aplicativos do celular e funções do computador de bordo. O painel é digital configurável em três formatos e tem dois grupos de informações, referentes aos comandos do volante multifuncional. Uma pequena haste no lado esquerdo configura o controle de cruzeiro adaptativo. O modelo ainda tem sensor de ponto cego e monitor de faixa de rolagem, que emite um ruído irritante cada vez que a roda se aproxima demais da divisória da pista. Pelo menos, o sistema só fica habilitado se o motorista o acionar após ligar o carro – o modo padrão é ficar desabilitado. Nota 9.
Consumo –O Ford Territory ainda não consta no Programa Brasileiro de Etiquetagem, do InMetro. Segundo a marca, o consumo urbano de gasolina fica em 9,2 km/l, enquanto na estrada vai a 10 km/l, números que renderia ao modelo as notas C na categoria e no geral. Durante os mais de 500 quilômetros da avaliação, o Territory manteve uma média de 8,4 km/h nos trechos urbanos e 11,2 km/l em estrada. Nota 6.
Conforto – O habitáculo do Territory é bem espaçoso, com amplo espaço para cabeças e pernas de todos os ocupantes. Mas o melhor mesmo é o espaço na largura. A suspensão filtra bem as irregularidades do piso e o isolamento acústico é bom. O motor só é ouvido em situações de arrancadas ou retomadas mais vigorosas. Os bancos dianteiros têm uma ergonomia das melhores, contam com sistema de aquecimento e resfriamento e não provocam cansaço mesmo após horas de viagem. Nota 8.
Tecnologia –O Territory não tem nenhum recurso inédito, mas é muito bem recheado de equipamentos eletrônicos. O motor EcoBoost 1.5 de origem chinesa tem duplo comando, injeção direta e variador do tempo de abertura das válvulas. O pacote de segurança inclui câmeras 360º, sensores dianteiros e traseiros, sensor de ponto cego, monitor de faixa, alerta de colisão com frenagem autônoma e controle de cruzeiro adaptativo. O sistema multimídia conversa sem cabo, mas nem sempre de forma eficiente, com smartphones da Apple. No caso de celulares Android, é preciso uma conexão física. Nota 9.
Habitabilidade – Esse costuma ser o ponto mais importante nos SUVs modernos e o Territory atende bem neste quesito. O porta-luvas tem boa dimensão e há bolsas nas costas dos bancos dianteiros. Há nichos para celular, porta-copos e um bom porta-objetos sob o apoio de braços. O porta-malas acomoda um bom volume de bagagem. O Territory tem uma altura mediana, que facilita a entrada e saída na cabine. Nota 8.
Acabamento – A tela integrada ao aplique no console frontal dá um aspecto tecnológico ao interior do Territory. E combina bem com o detalhe em madeira escura fosca logo acima. O interior é forrado em couro natural e couro sintético de cor clara, o que dá um certo requinte ao carro – no banco, o revestimento é perfurado, até para tornar o sistema de aquecimento e resfriamento mais eficiente. Há pouco plástico aparente. Nota 8.
Design – O visual do Territory é bem original. A frente e traseira arredondadas e as molduras das rodas bem proeminentes dão um ar parrudo ao modelo. O caimento do teto com uma curvatura acentuada em direção à tampa traseira dá uma certa esportividade ao SUV. Os conjuntos óticos dianteiros e traseiros são bem elevados, o que reforça a robustez do conjunto. As rodas de 15 raios emprestam uma certa sofisticação. Nota 9.
Custo/benefício – A Ford está focando as versões superiores dos SUVs médios, principalmente Jeep Compass e Volkswagen Tiguan, com um modelo com bom recheio tecnológico, mas com preço alto. Ainda tem uma desvantagem em relação ao desempenho – perde até para o Tiguan Comfortline, que tem melhor relação peso/potência. Em preço, é mais caro que o Compass, mesmo com equipamentos semelhantes. Nota 6.
Total – O Ford Territory Titanium somou 79 pontos de 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Além dos números

A ficha técnica de um automóvel nem sempre pode ser vista como se fosse um exame de saúde. Isso porque as sensações provocadas por um veículo não vêm apenas do acelerador. No caso do Ford Territory, a potência de 150 cv, torque de 22,9 kgfm e o câmbio CVT poderiam indicar que o peso de 1.632 kg é uma prova de obesidade. E a própria aceleração de zero a 100 km/h em 11,8 segundos seria uma comprovação dinâmica disso. O caso, porém, é que esses 11,8 segundos correm de forma extremamente confortável. O tempo, como se diz, é relativo.
A suspensão refinada, a acústica eficiente e até a progressividade na transferência de potência torna a relação com o SUV médio bem agradável. Ajudam também a estética original do interior, que não segue a lógica cartesiana e banal da maioria dos carros modernos. Ali estão misturados madeira, cromados, superfícies espelhadas, revestimentos emborrachados e couro. Tudo em doses bem medidas.
O ambiente ainda fica melhor com o teto solar, que é realmente panorâmico – vai do para-brisa até a divisória entre o banco traseiro e o porta-malas. De negativo neste caso é a ausência de um controle de um toque para abrir ou fechar a persiana: são cerca de 10 segundos torcendo o botão no teto para o movimento completo de abrir ou fechar – neste caso, é tempo demais. A central multimídia de 10,1 polegadas é grande e amigável. Ela pode ser dividida em quatro seções com diferentes proporções – que são mudadas através do sistema touch. Cada área do monitor pode controlar uma função diferente, entre computador de bordo, ar-condicionado, som, celular ou navegador.
O painel digital tem três configurações diferentes: Esporte, Clássico e Fashion. Entre os três, o Fashion é que melhor aproveita a oferta de dados, pois concentra velocímetro, conta-giros e marcha engatada na área central e abre as laterais para informações que monitoram as funções do carro, do som, do telefone e do controle de cruzeiro adaptativo. A navegação entre os dados é feita pelo volante multifuncional.
Além da dinâmica agradável e dos inúmeros gadgets eletrônicos disponíveis, o Territory tem uma área habitáculo muito generosa. Os bancos são confortáveis e os seus inúmeros ajustes facilitam encontrar a melhor posição de conduzir. O volante na versão Titanium é ajustável – o que, inexplicavelmente, não acontece na SEL. Há bastante espaço para todos os passageiros e a largura do habitáculo é das melhores do segmento. A questão é saber se tudo isso é capaz de compensar o ponto mais desfavorável na ficha do novo SUV médio da Ford, que é o preço.

Ficha técnica
Ford Territory Titanium 1.5 TGDI

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, longitudinal, 1.490 cm³, quatro cilindros em linha, turbo, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e sistema de abertura variável de válvulas de admissão e de escape. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio continuamente variável CVT com modo manual sequencial simulado de oito marchas à frente, com uma a ré. Tração dianteira com controle eletrônico de tração. Oferece controle de tração e bloqueio eletrônico do diferencial traseiro.
Potência máxima: 150 cv a 5.300 rpm.
Torque máximo: 22,9 kgfm entre 1.500 e 4 mil rpm.
Diâmetro e Curso: 79 mm X 76 mm. Taxa de compressão de 11,4:1.
Direção: Elétrica com alerta de mudança de faixa.
Suspensão: Dianteira independente tipo McPherson com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira multilink com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Barras estabilizadoras na frente e atrás. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 235/50 R18.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Com ABS, EBD, assistência de partida em rampa, auto hold, freio de estacionamento elétrico e sistema de alerta de colisão e frenagem autônoma de emergência.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,58 metros de comprimento, 1,94 m de largura, 1,67 m de altura e 2,72 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina. Sensor de ponto cego.
Aceleração de zero a 100 km/h: 11,8 segundos.
Velocidade máxima: 180 km/h
Peso: 1.632 kg, com 388 kg de capacidade de carga.
Capacidade do porta-malas: 348 litros.
Tanque de combustível: 52 litros.
Produção: Nanchang, China.
Preço: R$ 187.900.