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Harley-Davidson Low Rider S está em outro patamar

Outro patamar

Harley-Davidson aposta na Low Rider S como modelo de entrada na linha 2021, apesar do preço acima de R$ 90 mil

 A Low Rider S voltou ao catálogo brasileiro da Harley-Davidson no Brasil para linha 2020 com um certo glamour. Mas com a saída da linha Iron do catálogo da marca para 2021, o modelo assumiu de forma surpreendente o posto de modelo de entrada da marca no Brasil. Ainda mais porque o preço do modelo é de salgados R$ 90.500. O caso é que a marca estadunidense reduziu a oferta de motocicletas no Brasil de 19 para 12. A Low Rider agora reaparece como integrante da linha Softail – originalmente, o modelo era da família Dyna, que saiu de linha no fim de 2017.

A moto respeitou, no entanto, os principais elementos que sempre a caracterizaram, como o visual inspirado nos modelos criados na Califórnia nos anos 1980, com guidão alto e ausência de cromados, e o banco individual baixo, que dá nome ao modelo. A outra intenção com o modelo é atrair o público feminino para a marca.

 

A Low Rider é animada pelo motor mais poderoso da marca no país: o Milwaukee-Eight 114, ou 1.868 cm³, com torque de 16,1 kgfm, com um câmbio de seis marchas com transmissão por correia. Mais que suficiente para acelerar com vigor os 308 kg, em ordem de marcha. Os freios dianteiros com disco duplos e traseiro de disco simples, com ABS. As linhas são elegantes, com um farol redondo clássico com uma pequena carenagem em volta. Apesar do visual clássico e da pegada bem analógica, a Low Rider S conta com algumas modernidades, como a chave presencial para a ignição e iluminação led para farol, lanterna e piscas.

O guidão é elevado por duas hastes que se projetam a partir da mesa. Sobre o tanque de combustível ficam instalados dois relógios analógicos. O superior traz o velocímetro, um pequeno visor de cristal com as informações do computador de bordo e diversas luzes-espia, enquanto o inferior traz apenas o conta-giros.

Como o modelo é montado sobre o chassi da linha Softail, a suspensão traseira abandonou a configuração clássica bichoque para assumir uma suspensão com cartucho monochoque horizontal, que fica oculto sob o banco para simular os antigos modelos “rabo duro”, que tinham como suspensão traseira apenas a mola sob o banco. Na frente, o conjunto de telescópicos é invertido.

Para valorizar ainda mais o visual do modelo, a roda dianteira, em liga leve de nove raio com aro 19 e pneu 110/90, enquanto na traseira a roda é de 16 polegadas, com pneu 180/70. O grande porte do modelo – tem 2,36 metros de comprimento com 1,62 m de entre-eixos – é ainda mais valorizado pela baixa altura do assento, de 69 cm.

O acabamento todo em preto fosco e preto acetinado, criam uma composição bem harmônica com a pintura em preto brilhante do tanque e dos para-lamas do modelo testado. O tanque, com capacidade para 18,9 litros, tem até uma tampa falsa, apenas para criar uma simetria. Em 2020, a Low Rider S conseguiu emplacar 132 unidades, ou 11 por mês em média.

(Texto de Eduardo Rocha/Auto Press e Fotos de Jorge Rodrigues Jorge/CZN)

Impressões ao pilotar

O preço do estilo         

A Harley-Davidson Low Rider S tem um visual extremamente charmoso. Mas o preço disso é uma posição de pilotagem bastante peculiar. O guidão alto e o banco baixo criam uma ergonomia que inicialmente é bastante confortável, inclusive pelo assento bem macio, e torna a condução agradável. Mas depois de um tempo, a postura das mãos alinhadas com o ombro provoca cansaço nos braços.

Outro ponto é que a pedaleira recuada força um ângulo de 90º entre a perna e a coxa e dá um bom controla nas mudanças de direção. Mas com o relaxamento natural que ocorre, principalmente em um trajeto rodoviário, as pernas acabam se abrindo pela pressão do vento, como se fossem asas laterais. Ou seja: para trajetos curtos e em ambiente urbano, a Low Rider S funciona bem, mas para encarar uma estrada, ajuda estar com o alongamento em dia.

De qualquer forma, a grande força do motor Milwaukee-Eight 114, com 16,1 kgfm, promove acelerações muito vigorosas, mas com liberação de potência bem progressiva, seja em arrancadas, seja em retomadas. Ele gera um ruído imponente e agradável, mas vibra mais que o recomendável. O baixo centro de gravidade do modelo melhora bastante a maneabilidade do modelo, no que é ajudado pelos telescópicos invertidos na frente. E é nesse ponto que reside a maior parte do espírito esportivo do modelo. Já a roda de 19 polegadas na frente tira um pouco da agilidade do modelo nas mudanças de direção. No fim das contas, a Low Rider S é uma moto que consegue ser divertida, mas apenas em porções muito bem medidas.