Honda Accord Híbrido está ligado no futuro

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     Accord e:HEV será o primeiro híbrido da Honda no Brasil e promete potência com eficiência

Até agora, a Honda não demonstrou pressa para trazer para o Brasil a tecnologia de eletrificação de seus carros, que já está presente em modelos mundo afora há mais vários desde a virada do século. E mantém a mesma postura agora, quando anuncia a chegada do Accord híbrido ao país. Apesar de ter sido apresentado agora em abril, só deve chegar ao mercado a partir de julho. O sedã, que é importado do Japão, usa a tecnologia e:HEV, que consiste no uso de dois motores elétricos e um motor térmico, que se combinam na propulsão para reduzir o consumo e melhorar o desempenho.

A oferta do sistema no sedã é uma forma de a marca apresentar sua tecnologia ao mercado brasileiro – a mesma usada no novo Jazz, o Fit vendido na Europa. A Honda não tem maiores pretensões em relação ao volume até porque a função do Accord no Brasil tem sido nos últimos anos a de carro de imagem – as vendas do modelo são bem modestas e ficaram nos últimos anos entre 5 e 15 unidades por mês. Na sequência do Accord, a Honda pretende lançar mais dois modelos híbridos até 2023. Um deles será certamente a nova geração do crossover CR-V, que será apresentado nas próximas semanas lá fora. O outro pode ser o próprio Fit, que nesse caso se tornaria o primeiro híbrido da marca produzido no Brasil.

Além da nova tecnologia, o modelo passou por um discreto face-lift. A mudança foi basicamente na grade dianteira, que ficou um pouco mais ampla, e na parte inferior dos para-choques dianteiro e traseiro. Na frente, o nicho onde fica a luz de neblina em led foi redesenhado, enquanto na traseira as saídas de escape, que ficavam nas extremidades do para-choque, agora estão ocultas.

De perfil, a mudança foi no desenho das rodas de liga leve de 17 polegadas, que passou de cinco para 10 raios e ganhou acabamento escurecido. No painel traseiro, o modelo ganha a plaqueta de identificação “e:HEV”, enquanto as logomarcas na grade e na traseira trazem um discreto friso azul, para identificar a condição de híbrido do modelo.

Em relação a conteúdo, o Accord traz um sistema Sensing aprimorado, com a adoção de frenagem automático em baixa velocidade, útil em manobras de estacionamento. Ele conta ainda com controle de cruzeiro adaptativo, alerta de faixa, alerta de colisão com frenagem automática. Traz ainda oito airbags e outros sistemas como alerta de objeto no banco traseiro. Na conectividade, o sedã da Honda também apresentou uma evolução, com o sistema de espelhamento de celular através de Apple CarPlay e Android Auto sem uso de cabo.

Mas é sob o capô que está a maior novidade do Accord. Ali ainda há um propulsor 2.0 litros, mas agora trata-se de um motor de ciclo Atckinson aspirado e não mais um turbo de ciclo Otto. O ciclo Atkinson tem o fechamento da válvula de admissão retardado para reduzir o volume da mistura na hora da compressão. Este esquema gera uma economia maior, mas reduz a geração de potência. No caso, a potência caiu dos 256 cv e 37,7 kgfm do modelo atual para 145 cv e 17,8 kgfm.

Já os dois motores elétricos geram 184 cv e 32,1 kgfm. A Honda não divulga os valores de potência combinada e alega que não existe ainda um padrão para este cálculo. Algumas marcas simplesmente somam as potências enquanto outras medem a potência gerada pelo conjunto em determinado momento. Seja como for, o novo Accord e:HEV ainda tem um desempenho convincente, com uma aceleração de zero a 100 km/h em 7,1 segundos ‑ o 2.0 Turbo cumpre a tarefa em 5,8 segundos.

O mais interessante dessa tecnologia e:HEV é a sincronia entre os motores na hora de entrar em ação. São três modos de atuação: EV Drive, que é somente elétrico, Hybrid Drive, que combina os motores elétricos e a explosão, e Engine Drive, que usa somente o motor endotérmico. O sistema alterna automaticamente entre eles em busca da maior eficiência, seja para acelerar, seja para economizar. No modo EV Drive, apenas o motor elétrico de tração atua, enquanto no Hybrid Drive, a tração também ocorre por meio do motor elétrico enquanto o motor a combustão age como gerador. No modo Engine Drive, o motor a explosão faz uma conexão direta do com as rodas, por meio de uma embreagem. Basicamente, o Accord funciona nos dois primeiros modos, enquanto o modo Engine Drive acaba se limitando ao uso em velocidades mais altas, quando o motor térmico é mais eficiente.

Os controles sobre o sistema e:HEV são parecidos com os de carros elétricos. O Accord tem um seletor em quatro níveis para intensificar ou suavizar a atuação do freio regenerativo, que funciona como um freio-motor. Com isso, o Accord híbrido oferece um consumo médio de 17,6 km/l na cidade e 17,1 km/l na estrada, de acordo com o InMetro. No modo puramente elétrico, a autonomia máxima do Accord, com tudo a favor é de 75 km. Dependendo da distância que se percorre em um trajeto rotineiro, a visita ao posto de gasolina pode passar a ser bastante esporádica. (por Eduardo Rocha, Auto Press)