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Renegade Longitude: Convergência de sucesso

Versão Latitude 4X4 conjuga a robustez do Jeep Renegade com conteúdo e preço

O Jeep Renegade é um fenômeno de vendas. O modelo foi lançado oficialmente no Brasil em março de 2015 e de lá para cá emplacou mais de 300 mil unidades no país. E o mais impressionante é que o recorde de vendas do modelo, de 7.875 unidades, ocorreu em dezembro de 2020, quase seis anos depois de ter chegado ao mercado. Nesse tempo, o modelo ganhou inúmeros rivais, mas se manteve sempre entre os três SUVs compactos mais vendidos. A simpatia e a robustez do Renegade, certamente ajudam a justificar esse desempenho. Outra explicação está no line up montado pela Jeep, composta por sete versões: quatro com motorização flex, que compõem a linha de entrada, e três diesel, que formam a gama mais cara e mais desejada no modelo e que respondem por cerca de 40% das vendas. Em ambas as gamas, a configuração intermediária é a Longitude, que tem a missão de conjugar conteúdo e preço.

Apesar do tempo e do sucesso no mercado, o Renegade ainda é o único SUV compacto que oferece um motor diesel. É um grande atrativo, apesar de não deixar o modelo exatamente acessível. A versão Latitude diesel começa em R$ 156.590, exatos R$ 39.800 mais caro que os R$ 116.790 iniciais da Longitude flex. A diferença corresponde não apenas ao excelente motor Multijet 2.0 turbodiesel de 170 cv de potência, com 35,7 kgfm de torque, mas também o sistema de tração integral com reduzida, bloqueio do diferencial traseiro e controle de descida. Para gerenciar a tração 4X4, há o sistema Selec Terrain, cuja interface é um botão giratório no console central com três opções de terreno ‑ neve, areia e lama ‑, além de um modo automático, que usa o sensor do ABS para distribuir a força do motor entre os eixos. O câmbio é sempre automático de nove marchas.

Toda a construção do modelo é realizada com muita qualidade – são mais de 5 mil pontos de solda na carroceira ‑, para garantir a eficiência e a robustez. Mas o conteúdo específico da versão Latitude é mais dedicado a itens estéticos, de luxo e de conforto do que propriamente de tecnologia e segurança. Ela traz ar-condicionado de duas zonas, bancos revestidos parcialmente em couro, sensor de obstáculos traseiro e câmera de ré, faróis full led, farol de neblina, sistema multimídia Uconnect com tela de 8,4 polegadas com comando por voz e conexão com aplicativos Apple CarPlay e Android Auto, controle de cruzeiro, rack no teto pintado de preto, rodas de liga leve aro 18. Em relação à segurança, o Longitude traz apenas os itens obrigatórios, como airbags frontais, controle de estabilidade, ABS. Opcionalmente, o modelo pode receber airbags laterais, de cabeça e para o joelho do motorista e ainda itens como revestimento dos bancos em couro marrom, protetor do tanque de gasolina, etc. Completo, o preço chega a R$ 162.650 – ainda R$ 6 mil abaixo do preço do modelo topo de linha, Trailhawk.

Texto e Fotos: Eduardo Rocha/Auto Press

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 2.0 litros diesel que equipa o Jeep Renegade Longitude 4X4 garante força em toda a faixa útil de rotações, com arrancadas e retomadas vigorosas e ultrapassagens seguras. O SUV compacto se move com facilidade não só por conta dos 170 cv de potência e dos robustos 35,7 kgfm de torque, mas também por conta do câmbio automático de nove velocidades, que tem trocas suaves, no tempo certo. Nota 9.

Estabilidade – Mesmo sendo potente, o Renegade não tem um comportamento que instigue andar em velocidades altas. Ainda assim, ele é bem firme e a suspensão, independente nas quatro rodas e de curso longo, equilibra os movimentos da carroceria tanto nos trechos esburacados do off-road como em uma rodovia. Nas curvas, ainda conta com o auxílio luxuoso da tração 4X4 com acionamento automático. Os aparatos eletrônicos, como controle eletrônico de estabilidade, sistema anticapotamento, dificilmente marcam presença. Nota 8.

Interatividade – Por dentro, os comandos são bem localizados, funcionais, autoexplicativos e fáceis de usar, como o seletor de tração, os comandos de climatização e o sistema de som usam botões. Pelo volante multifuncional, é possível acionar o telefone, navegar pelo computador de bordo, controlar o som e acionar o controle de cruzeiro. Como é um carro de pequenas dimensões, ter apenas sensores traseiros conjugados com a câmera ré é suficiente nas manobras. A transmissão automática traz aletas no volante para trocas manuais e tem reações tão suaves que só se percebe as mudanças de marcha quando se presta atenção ou em acelerações bruscas. Nota 8.

Consumo – O InMetro avaliou o consumo do Renegade Latitude turbodiesel 4X4 em 10,2 km/l na cidade e 12,9 na estrada, o que representou uma evolução em relação ao mesmo modelo em 2019, quando estes valores ficaram em 9,4 e 11,5 km/l – cerca de 10% a mais. Tanto que a nota na categoria melhorou, de C para B, embora no geral tenha se mantido com D no geral. Nota 7.

Conforto – O motor diesel do Renegade, pensado para uso em carros de passeio, tem um ronronar agradável, que é abafado pelo bom isolamento acústico. A estrutura reforçada do modelo deixa a cabine um pouco estreita e por isso apenas quatro ocupantes viajam realmente com conforto. A suspensão filtra tanto as irregularidades quanto os buracos maiores, poupando os ocupantes dos trancos mais fortes. Como tem pneus aro 18, a carroceria balança menos que na versão com pegada mais off-road, Trailhawk. Os revestimentos interiores são agradáveis e transmitem a ideia de qualidade. Nota 9.

Tecnologia – A Jeep oferece na versão Latitude apenas os recursos mais óbvios neste aspecto, como sensor traseiro, câmera de ré e multimídia com bom nível de conectividade. O sistema 4X4 e o câmbio automático, ambos com gerenciamento eletrônico acabam sendo o maior destaque tecnológico do modelo. Nota 7.

Habitabilidade – Uma das vantagens dos SUVs é a boa altura, que facilita o acesso, otimiza o espaço interno e ainda dá uma visão privilegiada do trânsito. No caso do Renegade, diversos detalhes provam o cuidado do projeto. Como o porta-objetos sob o assento do carona, o porta-malas com luz de cortesia, saídas USB para a fileira de trás, porta-copos no console central, porta-objetos sob o apoio de braços central, etc. O porta-malas comporta 320 litros, um valor razoável para o segmento e que oferece um bom aproveitamento. Nota 9.

Acabamento – O interior do Renegade usa materiais resistentes, de bom aspecto e agradável ao toque. Há molduras com referência visual à marca e as peças seguem um mesmo estilo, bem harmonizado. A qualidade percebida faz o modelo parecer de uma categoria acima em relação aos demais SUVs compactos do mercado. De forma geral, o Renegade traz materiais refinados, mas que combinam com a ideia de robustez. Nota 8.

Design – O Renegade valoriza a tradição da Jeep nas linhas de aspecto robusto. Como a grade com fendas verticais, os faróis redondos e a frente reta. Não seria preciso nem o emblema para identificar a marca. O visual na versão foi valorizado pela iluminação full led e pelo redesenho interno da lanterna traseira, que manteve o “X” que faz referência ao bujão de gasolina que ficava pendurado na traseira do Jeep original. O conjunto passa a ideia de robustez, simpatia e modernidade e não sente o peso dos quase seis de mercado. Nota 9.

Custo/benefício – O Renegade Longitude busca unir preço e conteúdo. Na versão com motor flex, até consegue ter um preço razoável, de R$ 116. 790, no mesmo patamar dos rivais. Mas com a motorização diesel, o preço fica bem mais dilatado e começa em começa em R$ 156.590. Este valor pode chegar a R$ 164.350 com os opcionais disponíveis. Não há rivais diretos no Brasil e os únicos SUVs compactos com tração 4X4 são modelos de marcas pouco representativas, como Suzuki Vitara e Subaru XV, com motor a gasolina e valor próximo a R$ 140 mil. O único SUV compacto diesel é o ainda mais obscuro Ssangyong Korando, que custa quase o mesmo que o Renegade. Nota 7.

Total – O Jeep Renegade Trailhawk 4X4 somou 80 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Respeito à tradição

Já são mais de 300 mil unidades do Jeep Renegade rodando pelo Brasil. Então, é claro, que já não causa qualquer assombro por onde passa. Ainda assim, o SUV compacto mantém intacto seu poder de atrair olhares e interesse. As linhas simpáticas e a imagem robusta – salientada pelo aspecto quadrado da carroceria – são ainda mais valorizadas pelo prestígio que a Jeep ganhou ao longo da história. E essa tradição gera um valor percebido pelo consumidor maior que o de marcas fabricantes generalistas. E o mais importante: esta impressão, reforçada pelo marketing, encontra correspondência na realidade. Ao entrar no Renegade, acionar o motor, mexer nos controles, acelerar ou frear, a sensação de qualidade está presente. A FCA – agora Stellantis – teve o cuidado de preservar no Renegade as qualidades que deram fama à Jeep.

Com a motorização diesel, dá a impressão que o Renegade é capaz de ser um carro próprio para ser usado no pós-apocalipse. E no caso da versão Longitude, o fato de ter alguns requintes, como bancos com revestimento parcialmente em couro ou central multimídia com uma tela de 8,4 polegadas, aparecem como um bônus em um carro bem construído. Há ainda outros pequenos confortos, como iluminação no porta-luvas e porta-malas, tomadas 12V e USB estrategicamente distribuídas, espelhos com luz nos para-sóis, etc. Mas o grande destaque do modelo é mesmo motorização turbodiesel, acoplada a um câmbio de nove marchas, com aletas para mudança no volante, que alimenta a tração 4X4 gerenciado pelo sistema eletrônico de distribuição Select Terrain.

Este conjunto habilita o carro a andar bem na terra, no asfalto ou na cidade. É um modelo capaz de enfrentar trechos fora de estrada sem sair machucado – desde que o condutor tenha consciência dos limites físicos – não tem a altura de um off-road radical. Mas a posição alta e a boa visibilidade permitem um bom controle sobre o entorno do veículo e a ergonomia entre banco, pedais e volante é bem natural e o peso da direção é bem dosado. A suspensão tem um longo curso e absorve com facilidade as irregularidades e promove um grande conforto a bordo.

 

Ficha técnica

Jeep Renegade Longitude 4X4

Motor: Diesel, dianteiro, transversal, 1.956 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e turbocompressor. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.

Transmissão: Câmbio automático com nove marchas à frente e uma a ré. Tração nas quatro rodas, controle eletrônico de tração e cinco modos de distribuição de tração.

Potência máxima: 170 cv a 3.750 rpm com diesel.

Aceleração de zero a 100 km/h: 9,9 segundos.

Velocidade máxima: 190 km/h.

Torque máximo: 35,7 kgfm a partir de 1.750 rpm.

Diâmetro e curso: 83 mm x 90,4 mm. Taxa de compressão: 16,5:1.

Suspensão: Dianteira McPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora. Traseira McPherson com rodas independentes, links transversais/laterais e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.

Freios: Discos nas quatro rodas.

Pneus: 225/55 R18.

Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,23 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,72 m de altura e 2,57 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais, de cortina e de joelhos para motorista de série na versão.

Peso: 1.641 kg em ordem de marcha.

Capacidade do porta-malas: 320 litros.

Tanque de combustível: 60 litros.

Produção: Goiana, em Pernambuco.

Preço base da versão: R$ 156.790.