NISSAN VERSA: Salto evolutivo

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Nova geração do sedã japonês preserva qualidades dinâmicas e ganha em estética e tecnologia

Texto e Fotos de Eduardo Rocha/Auto Press

A Nissan decidiu buscar um “lugar de fala” de maior destaque entre os sedãs compactos. A marca começou a vender no Brasil a segunda geração do Versa, fabricado na planta de Aguascalientes, do México, para brigar com as versões intermediárias e superiores do segmento. Enquanto isso, a primeira geração do Versa continua sendo produzida em Resende, no Sul Fluminense, com o sobrenome V-Drive, para ocupar as faixas de entrada dos sedãs compactos. Em relação ao antecessor, o novo Versa representa um verdadeiro salto tecnológico, mas também estético. Além de alguns equipamentos avançados de assistência à condução, as linhas do novo sedã ficaram modernas, bem equilibradas e agradáveis. Elas seguem as premissas pregadas pelo estilo V Motion 2.0 Concept, inaugurado no SUV compacto Kicks. São três versões com preços entre R$ 72.990 e R$ 92.990 e que se diferenciam apenas pelos equipamentos e acabamentos, já que a motorização é sempre a já conhecida 1.6 16V – a mesma que equipava os modelos superiores da primeira geração.
Desde a versão de entrada, Sense, o novo Versa vem recheada de equipamentos como ar-condicionado, chave presencial para travas e ignição, espelhos e vidros elétricos, volante multifuncional com comandos de áudio e telefone, painel com visor digital de 3,5 polegadas, sistema de áudio com rádio e conexão auxiliar, seis airbags e sensor de estacionamento traseiro. Esta versão é a única oferecida com câmbio manual de cinco marchas e rodas de aço de 15 polegadas. Por R$ 77.990, ou R$ 5 mil a mais, a versão Sense recebe o câmbio CVT, apoio de braço para o motorista e controle de velocidade cruzeiro com comando no volante.
A versão intermediária do novo Versa é a Advance que sai a R$ 83.490 e adiciona de mais relevante painel central com tela configurável de sete polegadas, central multimídia com tela “touch” de 7 polegadas e conexões via cabo com os aplicativos Apple CarPlay e Android Auto, rodas de liga leve aro 16, câmera de ré, alerta de objetos no banco traseiro e faróis de neblina. No topo da gama está a versão Exclusive, que sai a R$ 92.990. É ela que traz os principais itens de diferenciação da gama trazida para o Brasil. Em relação ao conforto, ele conta com ar-condicionado automático digital, apoio de braço central traseiro, GPS integrado ao sistema multimídia, volante em couro sintético e revestimento dos bancos em couro sintético. Em relação à tecnologia, a versão Exclusive adiciona faróis e assinatura luminosa em led, alerta de colisão frontal detector de objetos em movimento com frenagem automática de emergência, visão 360º imagem integrada à tela central, alerta de tráfego traseiro cruzado e monitoramento de ponto cego. Em relação ao estilo, ele recebe rodas de 17 polegadas e antena tipo barbatana de tubarão.
Preços e equipamentos são fatores bem importantes na decisão de compra de um automóvel, mas o que provoca a atração inicial é mesmo a estética. E nesse ponto, o novo Versa evoluiu tremendamente. Faróis mais afilados, máscara em preto brilhante em torno da barra V-Motion cromada da grade, faróis de neblina retangulares (a partir da versão Advance) e um design de para-choques que tenta imitar as dobras de uma saia esportiva. O modelo ganhou uma linha de perfil veloz fluida, com o terceiro volume perfeitamente integrado, sem parecer um simples prolongamento. A interrupção da coluna traseira por uma guarnição em preto cria a ilusão do teto flutuante – recurso estilístico inaugurado no Kicks e repetido nos sedãs da marca, como o novo Sentra, que deve desembarcar no Brasil em 2021. A linha de cintura tem uma elevação no vidro fixo da porta traseira, numa linha que se estende até as luzes traseiras. A traseira é alta e volumosa, com lanternas que se prolongam para lateral e têm um gráfico em formato de bumerangue. Um difusor de ar aparece na parte inferior do para-choque, um detalhe que não é comum no segmento.
O sedã compacto ficou mais longo, mais largo e mais baixo que o modelo anterior, o que imprime uma relação mais esportiva. Ele tem 4,50 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 mm de altura e 2,62 m entre os eixos  o porta-malas ficou 482 litros de capacidade. Sob o capô, no entanto, o modelo carrega o mesmo motor de quatro cilindros de 1.6 litro já presente na geração anterior. Ele é montado no México com os kits do sistema flex enviados do Brasil e rende 114 cv a 5.600 rpm e 15,5 kgfm 4 mil giros, tanto com gasolina quanto com etanol – os mesmos números do Kicks, com quem o novo Versa divide também a plataforma. A transmissão e a XTronic CVT de variação contínua, que envia tração para o eixo dianteiro. O esquema de suspensão é o tradicional para o segmento: McPherson no eixo dianteiro e a barra de torção no traseiro. O modelo oferece três anos de garantia sem limite de quilometragem, com assistência 24 horas nos dois primeiros, e os intervalos de revisão é de um ano ou 10 mil km.
No final das contas, mesmo sendo importado do México, o novo Versa consegue chegar ao mercado por valores bem competitivos. Os preços ficam alinhados em relação a conteúdo com o Chevrolet Onix Plus Premier, mas consegue ter melhor custo/benefício que Toyota Yaris sedã, Honda City e até Fiat Cronos, que trazem menos equipamentos. Já o Volkswagen Virtus é mais caro e menos equipado, enquanto o Hyundai HB20S tem um custo/benefício ligeiramente mais favorável, mas não traz todos os itens tecnológicos do Versa. Nessa arrumação de mercado e com a normalização das vendas, não será nada surpreendente se o novo Versa retomar os níveis de emplacamento que tinha antes da pandemia, entre 1.500 e 2 mil unidades mensais.

Primeiras impressões

Racionalidade com glamour

Os produtos de fabricantes japoneses em geral de caracterizam por um pragmatismo absoluto. São, por exemplo, os últimos a adotar novas tecnologias: preferem esperar para ver se não é apenas um modismo passageiro. Nesse ponto, a Nissan no Brasil está se valendo da proximidade da Nissan do México com o enorme mercado norte-americano. No maior mercado do Ocidente, as novidades tecnológicas são moeda de troca nas vendas de automóveis e por isso elas chegam e se estabelecem mais cedo por lá. Foi isso que facilitou a chegada dos sistemas de assistência à condução a bordo do novo Versa. Individualmente, recursos como alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência ou monitoramento de ponto cego já aparecem individualmente em sedãs compactos – já o alerta de tráfego traseiro cruzado é inédito no segmento. Só que o Versa junta todos na versão de topo, Exclusive.
O primeiro contato com o novo Versa causa uma ótima impressão. As soluções estéticas são criativas e atraentes, ao mesmo tempo em que deixam claro que se trata de um carro construído pela Nissan, com a identidade de marca bem delineada na frente, no perfil e na traseira. Por dentro, manteve a lógica da primeira geração, com um espaço generoso para quatro ocupantes e um porta-malas robusto, com 482 litros de capacidade. Para entrar, a chave presencial para travas e ignição facilita a vida. Por dentro, os bancos Zero Gravity caíram muito bem no modelo. Não são macios e nem especialmente bonitos, mas se mostram muito eficientes. São bancos inspirados em estudos da Nasa que buscam apoiar o corpo do passageiro no maior número de pontos possível. Desse jeito, o peso do corpo é distribuído e alivia os pontos críticos, como lombar, cervical e ombros. Para acionar o motor, basta apertar o botão no console central, logo à frente do câmbio.
O ronco do motor não impressiona, mas também não se trata de um modelo de performance. O motor 1.6 16V aspirado rende razoáveis 114 cv e 15,5 kgfm, para um modelo que pesa 1.137 kg. A relação peso/potência de 10 kg/cv marca um ponto de equilíbrio entre desempenho e consumo. A performance fica um pouco mais moderada por conta do câmbio CVT, que anestesia o modelo menos que o habitual para este tipo de câmbio, mas ainda assim filtra as reações do motor. O curioso é que esta sensação não parece um retrato da realidade. Pelos números da Nissan, o Versa com CVT acelera de zero a 100 em 10,7 segundos, enquanto o modelo com câmbio mecânico de cinco marchas cumpre o mesmo tiro em 10,8 segundos, apesar de ser 57 quilos mais leve. Já em relação à máxima, o manual é mais rápido, com 183 km/h contra 180 km/h.
Na tortuosa e travada pista do Haras Tuiuti, a suspensão do Versa se mostrou sempre equilibrada e com rápida recuperação. Nas entradas de curva, para ganhar um pouco de emoção, dá para engatar a marcha em L, de low, para forçar um giro mais alto, usar o freio motor e melhorar a tração na retomada. A marca recalibrou a direção, dando maior peso, o que também melhorou a sensação de esportividade. Mas a vocação do modelo não é exatamente por aí. É um sedã elegante, com rolagem suave e frenagens, acelerações e curvas equilibradas. As suspensões mantiveram o mesmo conceito do antecessor, mas passaram por pequenas alterações na geometria, mas ganharam novos suportes e batentes e foi recalibrada, para reduzir as inclinações em até 15%  mas não a ponto de forçar o escorregamento lateral dos pneus.
Outro ponto positivo é que tudo isso ocorre em total silêncio. O Versa evoluiu bastante no isolamento acústico – chegou a afasta o retrovisor da carroceria para evitar ruídos aerodinâmicos. Esse cuidado com os detalhes também fica evidente nos padrões de acabamento. Na versão Exclusive, o console frontal é revestido em couro sintético, assim como os bancos, o volante e os apoios de braço nas portas. Há detalhes em preto brilhante e guarnições em pintura prateada, que emprestam um certo requinte. Já os revestimentos em duas cores contrastantes – na unidade testada, em preto e cinza claro – corre o risco de desagradar. Pelo menos a central multimídia manteve os botões de comando que facilitam o manuseio.

Ficha técnica

Nissan Versa Exclusive
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando com variação contínua de abertura das válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Continuamente variável com modo Sport. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração de série.
Potência máxima: 114 cv a 5.600 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração 0-100 km/h: 10,7 segundos.
Velocidade máxima: 180 km/h.
Torque máximo: 15,5 kgfm a 4 mil rpm com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso: 78 mm X 83,6 mm. Taxa de compressão: 10,7:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 205/50 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. ABS com EBD. Oferece assistência de partida em rampa.
Carroceria: Sedã compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,50 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 m de altura e 2,62 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.137 kg.
Capacidade do porta-malas: 482 litros.
Tanque de combustível: 41 litros.
Produção: Aguascalientes, México.
Lançamento mundial: 2019.
Lançamento no Brasil: 2020.
Preço da versão: R$ 92.990.

 

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