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Spin Activ7: Questão de espaço

Minivan da Chevrolet busca lugar em meio à profusão de SUVs compactos com visual aventureiro e a versatilidade de sete lugares

por Eduardo Rocha

Auto Press

                Quando chegou ao mercado, em 2012, a minivan Chevrolet Spin tinha a tarefa de substituir de uma só vez os monovolumes Meriva e Zafira. E foi muito bem. Por alguns anos, o modelo sustentou um volume maior que a soma dos dois modelos antecessores. Além disso, compartilhava com o sedã Cobalt diversos componentes estruturais, que reduziam os custos e facilitavam a produção. Nestes oito anos, porém, o mercado deu uma guinada na direção dos SUVs e as minivans praticamente desapareceram do mercado. A vantagem da Spin era ser compacto, mas capaz de oferecer até sete lugares. Nesse ponto, a General Motors reinventou a Spin, com a versão aventureira Activ, que agregou aos consumidores de família grandes e quem está interessado em um modelo de visual aventureiro. Neste ano, o sedã Cobalt deixou de ser produzido, mas a marca sinalizou claramente que a Spin vai continuar em produção, ao promover pequenas atualizações para a linha 2021, como a adoção do controle de estabilidade. Neste ano pandêmico, a Chevrolet viu as vendas da Spin encolherem de cerca de 2.500 para perto de 1.500 mensais, o que a mantém em um respeitável 30º lugar no ranking dos automóveis de passeio.

                A minivan com aventureiro também trouxe sutis alterações no visual externo, como a logomarca da Chevrolet em preto. Detalhes no para-choque, grade e saias laterais, que eram em prata, também ficaram em preto. Os faróis ganharam máscara negra, assim como a parte interna da lanterna traseira, que deram um aspecto mais “malvado” ao modelo. Na linha Spin, a versão mais completa é a Activ7, que tem preço inicial de R$ 103.790 (R$ 1054.390 com pintura metálica). Esse valor o deixa muito próximo ao de SUVs compactos com conteúdo semelhante, mas sem o mesmo espaço interno ou número de assentos.

              A versão Activ7 traz os itens usuais nas versões de topo de modelos compactos, como ar, direção, travas com controle remoto, faróis e lanterna de neblina, vidros e espelhos elétricos. Tem ainda rodas de liga leve aro 16 e sensores de luz, de chuva e de obstáculos traseiro. O volante multifuncional, que tem ajuste apenas na altura, comanda som, telefone e controle de cruzeiro e a central multimídia MyLink traz tela “touch” de LCD com 7 polegadas, com conexão via cabo com aplicativos Android Auto e Apple CarPlay e Bluetooth ‑ nesta tela é projetada a imagem da câmera de ré – e o carro conta ainda com o sistema OnStar. O revestimento dos bancos é em couro sintético e tecido com padronagem mais esportivas, sempre em tons de preto, cinza e branco, com pespontos em branco. A segunda fileira de assentos corrediça permite balancear a distribuição de espaço com os bancos da terceira fileira.

               O motor é o conhecido 1.8 SPE/4 Eco, que rende 106/111 cv de potência máxima, com 16,8/17,7 kgfm de torque, com gasolina/etanol. Ele é gerenciado por um câmbio automático de seis marchas, que transfere a força do motor para as rodas dianteiras. Em relação aos sistemas de segurança, o Activ7 traz apenas o mínimo necessário, como airbags frontais, encosto de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes e ABS nos freios. Já em relação ao controle de estabilidade, a adoção no lançamento da linha 2021 foi para cumprir a resolução do Contran, que obrigava sua presença em 50% dos carros vendidos pelas marcas até janeiro de 2021 e em 100% até janeiro de 2022 – em novos projetos, é obrigatório em todos os carros desde janeiro deste ano. O caso é que, a pedido da Anfavea, a entrada em vigor dessa resolução foi adiada pelo Contran por dois anos ‑ para, respectivamente, janeiro de 2023 e janeiro de 2024. Menos mal que a GM se antecipou e instalou o recurso na Spin.

 

Ponto a ponto

 

Desempenho – Para um modelo com 1.275 kg, pensado para sete passageiros e com limite de carga de 450 kg, o motor 1.8 com 16,8/17,7 kgfm de torque consegue responder de forma adequada, embora não ofereça um desempenho para quem pretende extrair uma tocada mais esportiva. Com uma menor carga, os 106/111 cv de potência conseguem dar mais agilidade à Spin Activ7, ainda mais porque o câmbio é bastante responsivo. O zero a 100 km/h é cumprido em 11,3 segundos, com máxima de 168 km/h. O câmbio está mais suave e as trocas ficaram mais inteligentes e eficientes. Nota 7.

Estabilidade – Apesar do visual aventureiro, a Spin Activ7 é ligeiramente mais alta que as versões “civis” do modelo. No entanto, são apenas 15,2 cm de altura livre para solo, 1,6 cm a mais, o que não chega a capacitar o modelo para aventuras mais ousadas. Além disso, a suspensão macia, que privilegia o conforto, permite um certo grau de rolagem da carroceria nas curvas. Ainda assim, tem boa estabilidade, com dinâmica compatível com a proposta do modelo – tanto que não costuma recorrer ao novo controle de estabilidade. Nota 8.

Interatividade – Todos os comandos estão bem posicionados e o uso é bem intuitivo. O sistema multimídia é de fácil conexão e ainda tem o recurso do sistema OnStar. O controle do computador de bordo, no entanto, poderia ser no volante multifuncional, como é feito por muitas marcas. Atualmente o controle é através da haste do pisca, o que não é muito prático. A segunda fileira de banco corrediça permite adequar rapidamente o espaço interno às dimensões dos ocupantes. Nota 8.

Consumo – A Spin Activ7 foi avaliada pelo InMetro e obteve índices razoáveis de consumo. Na cidade, ficou com 7,1/10,2 km/l, com etanol/gasolina, e 8,3/11,8 km/l em ambiente rodoviário. Com isso, recebeu notas B na categoria em e C no geral. Nota 7.

Conforto – A suspensão é macia e absorve bem as irregularidades, mas em estradas sinuosas, a rolagem da carroceria incomoda um pouco os ocupantes. Pelo menos, os bancos dianteiros têm bom apoio lateral e são bem ergonômicos. O modelo tem uma boa largura, o que permite que três pessoas viajem na fileira central ainda com algum conforto. O teto alto e a boa área envidraçada colaboram com o ambiente. A terceira fileira de bancos, com dois lugares, é destinado a crianças. O isolamento acústico não é dos mais rigorosos, mas é possível manter uma conversa em tom civilizado com o carro em movimento. Nota 8.

Tecnologia – A única novidade da Spin na linha 2021 foi o controle de estabilidade. A plataforma da Spin foi projetada há 10 anos e já não é tão moderna. Por outro lado, a transmissão automática de seis velocidades é rápida nas reações e bem escalonada. Em termos de conectividade, o modelo conta com uma central multimídia eficiente e também com o sistema OnStar. Nota 7.

Habitabilidade – O espaço interno generoso, a capacidade para sete passageiros e a versatilidade oferecida pelos bancos ajustáveis na segunda fileira tornam a Spin um bom carro para famílias numerosas. O porta-malas leva só 162 litros com sete passageiros, o que mostra que esta formatação é para o uso nas cidades. Em viagem, com a última fileira de bancos rebatida, a capacidade sobe para 553 litros. Nota 9.

Acabamento – Os materiais usados na Spin parecem robustos. Apesar do uso de uma guarnição em black piano em torno do câmbio e detalhes cromados nos botões tentam emprestar algum requinte, mas não há luxo. O revestimento do banco é simpático, mas não luxuoso. A textura dos plásticos poderia ser mais refinada. Nota 7.

Design – O formato orgânico da Spin já sente o peso dos anos. O face-lift promovido três anos atrás já não dá conta de manter uma imagem moderna para o monovolume (o próprio conceito de monovolume parece datado). A retirada de cromados e frisos prateados na versão Activ7 deu um ar mais despojado ao modelo, mas não mexe na essência. Nota 6.

Custo/benefício – A Chevrolet pede R$ 103.790 pela Spin Activ7 com sete lugares – R$ 105.390 com pintura metálica. Pelo nível de equipamentos, não é pouco. Mas o fato é que a Spin só tem um concorrente no país com preço em torno de R$ 100 mil, que é o Fiat Doblò Essence 1.8, um furgão para sete passageiros que é bem menos equipado que a Spin. Acima desses, aparece o Tiggo 8, que custa em torno de R$ 180 mil. Nota 8.

Total – A Chevrolet Spin Activ7 somou 75 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Sem pressa

A roupagem mais aventureira não consegue dissimular a vocação natural da Spin Activ7. O monovolume da Chevrolet até ficou com uma cara mais malvada com a retirada dos frisos prateados, mas nada disso se reflete no comportamento e na funcionalidade do modelo. Desde o momento que se entra no habitáculo, fica claro que se trata de um veículo prático para famílias numerosas. O espaço é amplo na altura e na largura. Longitudinalmente, é extremamente confortável para cinco passageiros – quando o banco central pode correr totalmente para trás, mas só consegue comportar bem os sete passageiros com crianças na última fileira – não só pela área limitada, mas também pelo acesso difícil, que exige uma certa elasticidade.

Todo o projeto da Spin obedece à lógica familiar. O visual esportivo da Activ7 serve, no entanto, torna o modelo um pouco mais atraente. A Spin Activ7 é um veículo bem comportado, com um motor 1.8 litro de até 111 cv associado a um câmbio automático que não inspiram uma abordagem mais esportiva. Ou seja: se dá bem no ambiente urbano e pode enfrentar bem a estrada – até pelo porta-malas de 553 litros na configuração para cinco passageiros – desde que não se exija um desempenho mais agressivo. Acelerações e retomadas são bem aceitáveis.

O conforto a bordo é alto. Até pela suspensão, que é macia a ponto de permitir um movimento pendular do modelo ‑ por isso mesmo, o controle de estabilidade foi muito bem-vindo na linha 2021. No caso da versão de topo Activ7, o revestimento dos bancos, em couro sintético e tecido, clima um ambiente agradável. Os recursos oferecidos estão na lógica do segmento. O motorista conta com auxílios como sensor de luz e chuva, câmera de ré com sensor de obstáculos e controle de cruzeiro com comando no volante multifuncional. A bordo tem ainda ar-condicionado, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay e sistema OnStar. Bons motivos para não ter muita pressa.

 

Ficha técnica

Chevrolet Spin Activ7

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.796 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção multiponto.

Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.

Potência máxima: 111/106 cv a 5.200 rpm com etanol/gasolina.

Torque máximo: 17,7 a 2.600 rpm com etanol e 16,8 kgfm a 2.800 rpm com gasolina.

Diâmetro e curso: 80,5 mm X 88,2 mm. Taxa de compressão: 12,3:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Controle de estabilidade de série.

Pneus: 205/60 R16.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS de série.

Carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,42 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,69 m de altura e 2,62 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série.

Peso: 1.275 kg

Capacidade do porta-malas: 162 litros/553 litros.

Tanque de combustível: 53 litros.

Produção: São Caetano do Sul, São Paulo.

Preço: R$ 103.790.

Opcionais: Pintura metálica (R$ 1.600).