Street Glide Special: uma bagger charmosa e discreta

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Harley-Davidson Street Glide Special une conforto e tecnologia com visual elegante e sóbrio

Em tempos de crise, a tendência é se concentrar no que é essencial. A Harley-Davidson, que já chegou a vender mais de 8 mil motocicletas por ano no Brasil, tem sido maltratada pela política econômica ciclotímica do Ministro Paulo Guedes, que elevou o dólar a quase R$ 6 – 50% a mais que em 2019. Resultado: ano passado emplacou menos de 3.500 veículos, 40% do volume de oito anos atrás. Por isso, tratou de ajustar seu line-up, reduziu a oferta de modelos e se concentrou nas duas famílias de maior sucesso: Softail, mais ágil e despojada, e Touring, que privilegia o conforto e os recursos tecnológicos. Na gama Touring, a Street Glide Special se descata por reunir o máximo de equipamentos com um visual mais “malvado”, que dá um toque de esportividade.

A Street Glide Special é uma bagger com alforges laterais rígidos e carenagem dianteira montada nos telescópicos – que se movimenta junto com o guidão. Ela traz recursos bem desejáveis no segmento Touring, como central multimídia com GPS interno com tela de TFt de 6,5 polegadas, computador de bordo, controle de cruzeiro, sistema de som Bom! Box GTS, com 50 Watts de potência com dois alto-falantes instalados no console frontal, sistema Reflex, com recursos de assistência à condução, e faróis e lanternas em full led. O preço, obviamente, reflete o conteúdo e começa em R$ 127.440 e pode chegar a R$ 130.150, dependendo a pintura escolhida. É salgado, mas ainda é a Touring mais barata da marca com estes recursos de conforto. A Ultra e as Road Glide são ligeiramente mais caras.

Instalado no quadro da Street Glide está o motor Milwaukee-Eight 114, de 1.868 cm³, com torque de 16,1 kgfm, câmbio de seis marchas e transmissão final por correia dentada. É suficiente para movimentar o modelo, que pesa 380 kg em ordem de marcha. Os freios com discos de 300 mm, duplos na frente e simples na traseira, contam algumas bossas incluídas pelo Sistema Reflex de Direção Defensiva – RDRS na sigla em inglês. Eles trazem ABS para curvas e são eletronicamente vinculados, com ação individual em cada roda exercida, de acordo com a inclinação e a aderência em cada situação, têm assistente de partida em aclives. O sistema Reflex traz ainda tem monitoramento da pressão dos pneus e controle de tração que incrementa a aderência nas curvas e a evita a derrapagem da roda traseira durante uma desaceleração. O RDRS passou a ser de série em toda a linha Touring desde o ano passado.

O visual da Street Glide Special estilo “bad boy”, com acabamentos escuros e ausência quase total de cromados. Escapamento, cobertura dos gafos e motor são pintados de preto. A posição de pilotagem, como em uma boa Touring, é bem vertical e os há plataformas para o apoio dos pés. O farol dianteiro redondo fica avançado, o que dá à carenagem um aspecto bem aerodinâmico. Tanto na visão frontal, por conta do escudo, quanto na traseira, por causa dos alforges, a Stree Glide passa a ideia de robustez e estabilidade. Já de perfil, o contraste entre a frente alta e a traseira baixa cria uma sensação de movimento.

Apesar de ser a porta de entrada para os modelos carenados e com central multimídia da linha Touring, a Street Glide Special tem vendas bem modestas. É uma moto confortável e com bom conteúdo, mas também discreta e elegante – qualidades nem sempre desejadas pelos fãs da marca. Em 2020, segundo a Abraciclo, o modelo respondeu por 96 emplacamentos, enquanto o modelo Ultra Limited, que custa R$ 10 mil a mais, vendeu o triplo disso. (por Eduardo Rocha, Auto Press)

Impressões ao pilotar

Viajante vocacional

Basta colocar a Street Glide em movimento para que seus 380 kg praticamente se evaporem. O motor Milwaukee 114 anima o modelo com facilidade e, se exigido, consegue acelerações e retomadas bastante convincentes, desde que bem coordenadas com o câmbio. Se for o caso de enrolar o acelerador sem reduzir a marcha, o giro sobe de forma mais lenta, mas bastante progressiva, emitindo um ruído bastante agradável.

Um dos pontos altos da Street Glide é a ergonomia. A plataforma alinha verticalmente com o banco e o guidão ligeiramente mais baixo do que os ombros promovem uma posição de condução confortável, que facilita muito que o modelo cumpra seu destino, de encarar longas viagens. Nessa mesma lógica estão os bancos gordos e macios. A proteção aerodinâmica oferecida pela carenagem dianteira e o sistema de som também ajudam o convívio com o modelo ainda mais agradável. O console frontal, com instrumentos analógicos, sistema multimídia com GPS e conexão Bluetooth e via aplicativos Android Auto e Apple CarPlay, com todos os comandos no punho, são um auxílio luxuoso nas viagens.

Dinamicamente, a Street Glide é uma moto bem estável, mas é pouco ágil, principalmente em baixas velocidades. No trânsito urbano, por exemplo, ela tem uma certa dificuldade para andar entre os carros, tanto pela lentidão na mudança de direção quanto pela largura. Já em vias expressas e estradas, ela transmite uma grande sensação de segurança. O modelo é estável, permite bons ângulos de inclinação nas curvas e tem sistemas de assistência à condução pouco invasivos – como devem ser. O único ponto negativo é o câmbio, com engates duros e pouco precisos. Às vezes, encontra o ponto morto pode ser motivo de comemoração.