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XRE: Trail por excelência

Aposta na essência

Com 13 anos de mercado, Honda XRE 300 mantém as qualidades básicas e desejáveis do segmento de trails

                Pode ser considerada uma façanha a trajetória desenhada no Brasil pela Honda XRE 300. O modelo entrou em 2022 no 13º ano de mercado sem nenhuma alteração substancial – as mais marcantes foram as promovidas para atender a legislação, como redução de emissões e adoção de ABS. Nesse tempo, é claro, o modelo foi sendo atualizado esteticamente e a linha se dividiu em três modelos: Adventure, Rally e ABS, que se diferenciam apenas pelo grafismo, cores e preço – as duas primeiras custam R$ 22.980 e a ABS sai a R$ 22.450. A versão avaliada Adventure recebe uma combinação de cinza fosco com beje com letras em amarelo, enquanto a Rally usa vermelho com detalhes em preto e branco e a ABS é mais despojada, com carenagem em cinza metálico com tanque em preto.

                Em parte, essa falta de novidades do modelo se deve a uma certa acomodação da fabricante, pois o modelo é líder do segmento desde sempre, com uma média de vendas de 2.500 unidades mensais em 2021, 50% mais que sua única rival direta, a Yamaha XTZ 250 Lander. Mas a falta de vontade de mexer no modelo vem de uma simples constatação de que, além de perfumarias, há pouco o que fazer para melhorar o modelo sem pressionar o preço final. Recursos como acelerador eletrônico, controle de estabilidade ou modos de pilotagem ainda estão sendo introduzidos em modelos que custam, pelo menos, o dobro do preço da XRE300.

                  O motor é basicamente o mesmo que anima a XRE desde seu nascimento, em meados de 2009. Trata-se de um monocilíndrico de 291 cm³, arrefecido a ar, com duplo comando de válvulas no cabeçote. Ele capaz de render 25,4/25,6 cv de potência e 2,76/2,80 kgfm de torque com gasolina/etanol e é gerenciado por um câmbio de cinco marchas. O conjunto é montado sobre um robusto chassi de berço semiduplo.

                A suspensão dianteira tipo telescópico tem tubos de 41 mm de diâmetro e 245 mm de curso. A roda aro 21 polegadas em alumínio e usa pneu medida 90/90. A suspensão traseira tem balança de alumínio ligada a um amortecedor único com link com regulagem na carga da mola. O curso é de 225 mm e a roda, aro 18 polegadas usa pneu medida 120/80. Os freios contam com ABS, que modula as duas pinças do disco dianteiro e a pinça única do disco traseiro (Texto e fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

 

 

Impressões ao pilotar

Proposta múltipla

                Quando criou a XRE 300, a Honda seguiu uma diretriz da marca, de tentar criar uma imagem mais civilizada e palatável para as motocicletas e apagar a imagem selvagem que sempre acompanhou o veículo. Por isso, evita o típico comportamento nervoso das trails e impõe reações mais previsíveis. É menos emocionante, mas também provoca menor rejeição em potenciais consumidores. Na dinâmica, a XRE reflete isso por ser leve e ágil no trânsito urbano e, ao mesmo tempo, tem fôlego para enfrentar rodovias em viagens de curtas e médias distâncias, sem sacrificar tanto piloto e garupa. Além disso, tem uma suspensão capaz de enfrentar trechos mais irregulares.

                Apesar de não ser nervosa, as respostas da XRE ao acelerador são convincentes. Principalmente se o motor é mantido acima de 3 mil giros, quando boa parte do torque de 2,72/2,80 kgfm já está disponível – o ponto máximo é aos 6 mil rpm. Essa característica torna o modelo agradável de conviver em ambiente urbano. Ela mostra muita agilidade para mudanças de direção, o que facilita a manobra entre os carros no trânsito. Apenas a elevada altura do banco, de 86 cm, dificulta quem não tem mais de 1,75 metros de altura a apoiar os pés no chão. Por outro lado, os 25,9 cm de altura livre ajudam bastante a explorar o lado mais esportivo do modelo, na terra.

                Quando enfrenta um trecho rodoviário, por outro lado, surgem algumas limitações, por conta de a potência máxima aparecer apenas aos 7.500 giros. Isso obriga a forçar o motor para manter velocidades de cruzeiro em torno dos 110 km/h – próximo à máxima de 130 km/h. Mas como o modelo tem apenas 148 kg e baixa inércia, com um ou duas reduções, é possível retomar o ritmo rapidamente. De qualquer forma, o modelo tem qualidades desejáveis, como um assento extremamente confortável e o baixo nível de vibrações.

                Outro ponto positivo da XRE é o consumo. Em média, o modelo mantém médias em torno de 21 km/l com etanol e 30 km/l com gasolina, o que permite uma autonomia entre 280 e 400 km, respectivamente. Mas para explorar melhor o motor e otimizar a economia, um câmbio de seis marchas viria bem a calhar.

Ficha Técnica

Honda XRE 300 Adventure

Motor: A gasolina e etanol, quatro tempos, 291,6 cm³, monocilíndrico, quatro válvulas, comando duplo no cabeçote e refrigeração a ar. Injeção eletrônica multiponto sequencial.

Câmbio: Cinco marchas à frente com transmissão final por corrente.

Potência máxima: 25,4/25,6 cv a 7.500 rpm com gasolina/etanol.

Torque máximo: 2,76/2,80 kgfm a 6 mil rpm.

Diâmetro e curso: 79 mm X 59,5 mm. Taxa de compressão: 9,0:1.

Suspensão: Dianteira com garfo telescópico com 245 mm de curso. Traseira monochoque com link e 225 mm de curso.

Pneus: 90/90 R21 na frente e 120/80 R18 atrás.

Freios: Discos de 256 mm na dianteira e 220 mm na traseira controlados por ABS de dois canais.

Dimensões: 2,20 metros de comprimento total, 84 cm de largura, 1,42 m de distância entre-eixos, 86 cm de altura do assento e 25,9 cm de altura para o solo.

Peso: 148 kg.

Tanque do combustível: 13,8 litros.

Produção: Manaus, Amazonas.

Preço: R$ 22.490 na versão ABS e R$ 22.980 nas versões Rally e Adventure, sem frete.

Garantia: Três anos sem limite de quilometragem.