Share on facebook
Share on twitter
Share on email

O indomável Destrier

A beleza da velocidade

Bugatti Destrier mantém a esportividade em alta, mas com foco na estética

por Eduardo Rocha

Auto Press

O Bugatti Destrier transcende a lógica. Embora cada unidade do hipercarro seja uma peça única, criada sob encomenda, ele atua em um segmento exclusivo, mas extremamente simbólico – a natureza selvagem do modelo já aparece no nome, que significa Corcel em francês . A intenção da Bugatti é manter viva a tradição de carrocerias exclusivas e de consolidar a imagem de fabricante de obras de arte sobre rodas. No Brasil, onde o mercado de hipercarros é mais que restrito, o Destrier não terá comercialização oficial. Considerando o preço de modelos anteriores da marca e de rivais diretos, é possível estimar que o valor do Destrier ultrapasse 25 milhões de euros na Europa, o que, convertido e somado a impostos, resultaria em mais de R$ 270 milhões no Brasil. Os concorrentes são Koenigsegg Jesko Absolut, Pagani Utopia e Aston Martin Valkyrie. Ou seja: modelos que disputam – e muitas vezes dividem – as garagens de bilionários.

Do ponto de vista mecânico, o Destrier mantém o motor W16 quadriturbo de 8.0 litros, capaz de entregar 1.600 cv. Visualmente, porém, um dos elementos que chamam a atenção em um modelo tão potente é a ausência de asas e apêndices aerodinâmicos, para valorizar a proposta estética. O monocoque de fibra de carbono garante rigidez e leveza, enquanto o acabamento martelado em componentes metálicos remete à inspiração medieval. No interior, a inovação aparece no uso de tecido tricotado em 3D com fios de cobre, técnica derivada da alta costura, que alia estética e resistência, além de criar superfícies tridimensionais sem costura.

O design do Destrier busca a simplificação das linhas e a valorização das proporções dramáticas. A inspiração vem dos modelos Type 57SC Atlantic e Type 57G Tank, criados por Jean Bugatti, filho do fundador Ettore Bugatti, no final da década de 1930. O Destrier traz uma carroceria com apenas um metro de altura, a mais baixa já feita pela marca. A pintura exclusiva Sapphire Celeste, com partículas que brilham como diamantes, reforça a ideia de peça artística. A grade em ferradura mais larga e a linha C interrompida antes do para-lama dianteiro são detalhes que reinterpretam elementos clássicos da Bugatti em uma linguagem contemporânea.

Em relação ao desempenho, o Destrier sustenta números impressionantes. Como é derivado do modelo Bolide, ele usa o mesmo motor W16 de 1.600 cv e torque de 163 kgfm, associado à transmissão DSG de sete marchas e tração integral. Os números de desempenho também são iguais: permite zero a 100 km/h em cerca de 2,2 s e máxima limitada a 380 km/h. O tanque de combustível tem capacidade para 100 litros, o que numa condução esportiva pode durar menos de 200 km. Já os pneus Michelin Cup 2 R acabam mais rápido ainda. Com pé no fundo, duram menos de 80 km, sendo que um novo jogo custa em torno de R$ 25 mil no Brasil.

As dimensões reforçam a singularidade do Destrier – que significa Corcel em francês. Com apenas um metro de altura e rodas de 20 polegadas na dianteira e 21 na traseira, o carro transmite um visual extremamente agressivo. O peso, próximo ao do Bolide, gira em torno de 1.450 kg, o que, aliado ao motor, garante desempenho de hipercarro, mas com foco menos na velocidade máxima e na estética. Nenhum concorrente tem foco tão claro em design escultórico entre os modelos 1/1 (que têm relação peso/potência abaixo de 1 kg/cv.

O interior é um capítulo à parte. Diferente do cockpit despojado do Bolide, o Destrier aposta em um ambiente acolhedor, inspirado em um ateliê de alfaiate. Couro e nobuck em tom marrom quente contrastam com o azul da carroceria. O tecido tricotado em 3D com fios de cobre envolve a cabine em um halo contínuo, enquanto acabamentos martelados aparecem em pontos de contato como volante e saídas de ar. A bandeira francesa no console central reforça a identidade da marca. O resultado é um espaço feito sob medida para o proprietário, onde cada detalhe foi pensado individualmente.

Em síntese, o Bugatti Destrier é menos um carro de pista e mais uma escultura automotiva. Sua função é consolidar a Bugatti como marca capaz de transformar engenharia em arte, mantendo viva a tradição de carrocerias exclusivas. No Brasil, ele reforça a ideia de que o mercado de hipercarros é feito de símbolos e tendências, mais do que de vendas em escala. Ao lado de rivais igualmente exclusivos, o Destrier abre um novo capítulo na história da Bugatti, onde performance e design se encontram em uma peça única.