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A versatilidade do Sonic RS

Amplo espectro

Chevrolet Sonic RS se equilibra entre a esportividade e a aventura

por Eduardo Rocha

Auto Press

A missão do Chevrolet Sonic é funcionar como o SUV de entrada da família Onix. Afinal, ele compartilha com o hatch a base mecânica, a cabine e boa parte da carroceria. Ao mesmo tempo, traz algumas diferenças que o tornam mais atraente, como as linhas atualizadas e a altura elevada da carroceria. O Sonic nasce também com alterações que aumentam a confiabilidade mecânica, com a mudança nos materiais da problemática correia dentada banhada a óleo. E para reafirmar essa confiança, ampliou a garantia da peça para 15 anos ou 240 mil km.

Desde que chegou ao mercado, em maio, os emplacamentos do Sonic têm ficado entre 2.500 e 3 mil unidades. Esse volume coloca o modelo atrás de SUVs como Volkswagen Tera e Fiat Pulse, mas à frente de Renault Kardian. Vale destacar, no entanto, que a estratégia da GM é mais seletiva. A Chevrolet lançou apenas as versões mais completas do modelo: a Premier por R$ 134.990 e a avaliada RS, que tem preço inicial de R$ 140.990.

Ambas com bom nível de equipamento, enquanto os rivais oferecem ainda versões mais despojadas. A boa notícia para a GM é que as vendas do Onix ou do Tracker não foram afetadas, como costuma acontecer com a chegada de um novo modelo com preço próximo ao da gama já existente. Os R$ 6 mil a mais que a fabricante pede pela versão RS incluem diversos detalhes estéticos.

Por fora, ele tem grade dianteira escurecida em colmeia, logotipo Black Bow Tie, rodas escurecidas com desenho diferenciado, faróis e lanternas com máscara negra, spoilers e saias laterais, aerofólio traseiro, retrovisores, molduras e frisos em preto brilhante. Por dentro, tem teto e colunas em preto, revestimento com tecido e couro sintético com pespontos em vermelho, detalhes vermelhos nas saídas de ar e no painel. A oferta de cores na RS é mais limitada: apenas preto, vermelho, cinza e branco, mas com o adicional de teto preto.

Em relação a equipamentos, a RS adiciona ainda farol alto automático, sensores de estacionamento dianteiros e assistente de estacionamento semiautomático. Além disso, traz um assistente de permanência em faixa mais reativo em emergências. Ambas as versões trazem seis airbags, alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, ar-condicionado digital, chave presencial para travas e ignição, carregador por indução, câmera de ré, Wi-Fi embarcado, painel digital de 8 polegadas e multimídia com tela de 11 polegadas e espelhamento sem fio.

Embora o Sonic compartilhe com o Onix a plataforma estampada (GEM), a estrutura recebeu reforços para aumentar a rigidez torcional e compensar a elevação do centro de gravidade – a distância para o solo subiu de 15,7 para 20,1 cm. Com os reforços estruturais e a carroceria mais encorpada, com capô, para-lamas dianteiros e tampa traseira mais volumosos, ele ficou 32 quilos mais pesado que o hatch.

Com tudo isso, também muda a suspensão. Embora tenha mantido McPherson na dianteira e barra de torção na traseira, o conjunto ficou mais rígido. As molas aumentaram a carga, os amortecedores ganharam rigidez e curso e a barra estabilizadora traseira ficou mais grossa. Além disso, a bitola traseira foi levemente alargada para acomodar as rodas mais largas e os pneus de maior diâmetro – com medida 205/50 R17.

Sob o capô, o Sonic traz a mesma versão do motor turbo 1.0 de três cilindros com injeção direta usada no Tracker, com 115 cv de potência e 18,3/18,9 kgfm de torque – o Onix tem injeção multiponto e 16,3/16,8 kgfm com gasolina/etanol. Com isso, o SUV de entrada tem números melhores que o hatch e que o SUV compacto, com aceleração de zero a 100 km/h em 10,0 s e máxima de 190 km/h (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

        

Ponto a ponto

Desempenho – O Sonic RS traz o motor 1.0 turbo de três cilindros com injeção direta, que rende os mesmos 115 cv de potência e 18,3/18,9 kgfm de torque da Tracker LTZ, que é 101 kg mais pesada. Com isso, o SUV de entrada tem um comportamento mais agressivo. Com uma relação peso/torque quase 10% menor, a aceleração de zero a 100 km/h cai para 10,0 s – 0,9 s menor – e a máxima vai a 190 km/h. Chama a agilidade do conjunto, com um motor que enche rapidamente, sem turbo lag pronunciado, e um câmbio bastante responsivo no modo automático – no modo sequencial, demora um pouco mais para entender os comandos. Nota 9.

Estabilidade – A suspensão do Sonic é rígida para responder à elevação do centro de gravidade. Por outro lado, tem maior curso, para enfrentar melhor os desníveis. Nessa combinação, o resultado é um modelo neutro em curvas e retas, com bom controle da carroceria e boa capacidade de filtrar as irregularidades. A direção é comunicativa e o volante, ligeiramente superdimensionado no Onix RS, aqui tem o tamanho correto para a proposta levemente aventureira. Nota 8.

Interatividade – A versão RS é a mais completa da linha Sonic e traz bons recursos, como farol alto automático, estacionamento semiautomático, monitoramento de faixa mais reativo, entre outros. O nível de conectividade da central multimídia é muito bom, mas as opções de configurações do painel são um tanto limitadas. O volante multifuncional controla recursos como o controle de cruzeiro, telefone e áudio. Nota 8.

Consumo – O mapeamento do motor mais agressivo cobra um preço no consumo. Os dados do Programa de Etiquetagem Veicular relativos ao Sonic RS aferidos pelo InMetro apontam para um consumo de 8,4 km/l na cidade e 10,4 km/h em estrada usando etanol e 12,1 km/l no ciclo urbano e 14,8 km/l no rodoviário com gasolina. Isso corresponde a índices de A na categoria e C no geral. Nota 8.

Conforto – A suspensão do Sonic privilegia o controle de carroceria à maciez, ainda que filtre com competência as irregularidades e desníveis. O isolamento acústico abafa bem o motor, mas deixa passar o ruídos aerodinâmicos e de rodagem – até pelos pneus de perfil 50. Os bancos são ergonômicos e seguram bem o corpo, mas poderiam ser mais macios. Nota 7.

Tecnologia – O motor turbo com injeção direta, a plataforma reforçada e o câmbio automático com controle eletrônico do Sonic são modernos e eficientes. A plataforma eletrônica também é bem atual e consegue pendurar muitos recursos, muitos presentes na versão RS. A central multimídia é rápida, tem bom tamanho e é fácil de conectar. Nota 8.

Habitabilidade – O Sonic tem o mesmo interior e o mesmo entre-eixos de 2,55 m do Onix. Ou seja: tem uma área bem razoável para pernas e cabeça para quatro. Se o terceiro passageiro traseiro for uma criança, pode-se viajar sem aperto, pois apesar de ser compacto, tem boa largura na cabine. Há diversos porta-objetos no interior, como sob o apoio de braço, e o porta-malas tem uma ótima capacidade, de 392 litros – praticamente a mesma do Tracker. Nota 8.

Acabamento – A versão RS não é luxuosa, mas tem capricho nos detalhes. Ela traz detalhes em vermelho nas saídas de ar e uma combinação de tecido com couro sintético nos bancos. O teto e as colunas recebem um revestimento na cor preta. O design tem um toque de esportividade, mas com bastante elegância. Nota 8.

Design – O Sonic tem linhas agressivas e bem modernas, com assinatura luminosa bem afilada onde normalmente ficam os faróis, deslocados para clusters nas extremidades do para-choque. Na traseira, as lanternas, que rasgam a tampa de fora a fora, seguem a moda automotiva. O capô elevado e a tampa traseira inclinada dão um aspecto de SUV cupê ao modelo. A linha RS se caracteriza por um visual esportivo, mas sem grandes exageros. E essa versão do Sonic segue à risca este conceito. Ele traz a gravatinha em preto, a Bow Tie Black, além de rodas, grade e espelhos em preto brilhante. Conta também com um kit aerodinâmico com aerofólio traseiro na cor do veículo e spoiler dianteiro e saias laterais em preto. Esses elementos dão uma personalidade jovial ao carro. Nota 9.

Custo/benefício – O Chevrolet Sonic RS é vendido em um pacote fechado, sem opcionais, por R$ 140.990. O preço regula com o de Pulse Impetus, Renault Kardian Iconic e também de Volkswagen Tera Comfortline e posiciona o Sonic no topo dos SUVs de entrada, oferecendo algumas tecnologias não disponíveis nos rivais. Nota 7.

Total – O Chevrolet Sonic RS somou 80 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Além do visual

O Sonic RS é bem mais que um Onix de visual vitaminado. A Chevrolet, de fato, buscou combinar elementos esportivos e aventureiros no seu novo SUV de entrada. A engenharia reforçou a estrutura, mexeu na geometria da suspensão, redimensionou molas, amortecedores e buchas, e optou pela versão com mais torque do motor 1.0 turbo de três cilindros – é o mesmo do Tracker LTZ, que pesa 101 kg a mais. Por isso, mesmo que 80% da carroceria seja compartilhada com o Onix, trata-se de um carro bem diferente. Outro objeto de reaproveitamento foi o nome, herdado do antigo hatch feito no México vendido por aqui até 2014.

O torque máximo de 18,3/18,9 kgfm aparece já aos 1.800 giros, o que dá ao Sonic uma enorme disposição nas arrancadas e retomadas. Até a terceira marcha, o câmbio automático de seis velocidades tem um escalonamento bem fechado, o que se traduz em grande agilidade no trânsito urbano. Da quarta em diante, as relações se afastam, mas o modelo ainda mantém um bom ímpeto para completar a aceleração até os 100 km/h em 10 segundos cravados. Esta transmissão, no entanto, foi pensada para agir por conta própria. As tentativas de interação, através do incômodo comutador na lateral da alavanca, são desconfortáveis e não têm um resultado que valha o trabalho.

A suspensão também foi um elemento bem trabalhado pela GM. Com curso maior e maior resistência de molas e buchas, há um bom controle de carroceria e também boa capacidade de encarar desníveis acentuados, como os de estradas de terra. O efeito colateral é um nível de conforto menor em pisos irregulares. No asfalto, o Sonic roda de forma lisa e precisa. O conjunto de rodas aro 17 com pneus 205/50 R, com flanco de 10,25 cm, dobram menos e acentuam estas características.

Toda versão RS acaba criando um carro de imagem. E isso não muda no Sonic. Só que aqui, além dos enfeites, com detalhes em vermelho por dentro e em preto brilhante por fora, a versão aposta também em um conteúdo mais completo que o da outra versão do SUV, a Premier. Ele traz um bom pacote de equipamentos, como ar digital, estacionamento semiautomático, iluminação em LED e um bom número de recursos ADAS – faltou apenas o controle de cruzeiro adaptativo, presente em alguns rivais.

 

Ficha técnica

Chevrolet Sonic RS

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, sobrealimentado por turbo e comando duplo no cabeçote. Injeção direta de combustível.

Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré, com modo manual sequencial com mudanças por botão na alavanca de câmbio. Tração dianteira. Oferece controle de tração.

Potência: 115 cv com gasolina ou etanol a 5 mil rpm.

Torque máximo: 18,3 kgfm com gasolina e 18,9 kgfm com etanol a 1.800 rpm.

Aceleração 0-100 km/h: 10,0 segundos com etanol ou gasolina.

Velocidade máxima: 190 km/h com gasolina ou etanol.

Diâmetro e curso: 74 mm x 77,5 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora, amortecedores pressurizados e molas helicoidais. Traseira por eixo de torção com molas helicoidais e amortecedores pressurizados.

Pneus: 205/50 R17. Sobressalente 115/70 R15

Freios: Discos ventilados na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com EBD e assistente de partida em rampa.

Carroceria: SUV em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,23 metros, 1,77 m de largura, 1,53 m de altura e 2,55 m de entre-eixos. Altura mínima do solo de 20 cm.

Peso: 1.139 kg, com 410 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 392 litros.

Tanque de combustível: 44 litros.

Lançamento do modelo: maio de 2026.

Produção: Gravataí, Rio Grande do Sul.

Preço: R$ 140.990.

Preço da unidade testada: R$ 142.790.