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O fôlego da Captiva

Reforço híbrido

Captiva PHEV já é montada no Ceará e terá autonomia acima de mil km

por Marco Antonio Sarmiento Sánchez

Autocosmos.com/México

Exclusivo no Brasil para Auto Press

A eletrificação do mercado vai bem além dos veículos totalmente elétricos. Os híbridos plug-in representam uma alternativa particularmente interessante para quem deseja aproveitar as vantagens da mobilidade elétrica sem abrir mão da tranquilidade de ter um motor a combustão para viagens longas. E o Chevrolet Captiva PHEV vai chegar este ano para brigar exatamente no segmento mais aquecido entre os híbridos, que é o de SUVs médios. O modelo será montado em regime de SKD na Planta Automotiva do Ceará – construída pela finada Troller e fechada pela Ford. O modelo vai encarar modelos como BYD Song Plus, GMW Haval 6 e Jaecoo 7 e espera ter melhor sorte que a versão 100% elétrica, que vem com uma média pouco acima de 200 emplacamentos mensais este ano.

 A Captiva tem origem em um produto desenvolvido por Wuling, membro do grupo SAIC e parceiro da General Motors na China. No regime SKD, os conjuntos chegam praticamente prontos e aqui são juntados. Por exemplo: a carroceria já chega pintada, enquanto portas, suspensões e painel já vêm montados. É preciso apenas encaixá-los e fixá-los. E foi este sistema que tornou curto o tempo entre a decisão de montá-lo e a chegada ao mercado – as primeiras unidades já estão sendo montadas.

O Captiva PHEV mantém as proporções gerais idênticas às da versão elétrica já vendida no Brasil. As linhas são limpas, com traços simples e sem muita ousadia. O capô em curva explicita a preocupação com a aerodinâmica do modelo. A linha de cintura alta com uma elevação nas colunas traseiras e a linha de vidros estreita reforçam bastante o aspecto robusto do modelo. As rodas de alumínio de 18 polegadas oferecem uma boa proporção ao tamanho da carroceria, enquanto os trilhos do teto permitem transportar até 30 quilos de carga.

O design não busca ser particularmente agressivo, sem transmitir uma imagem tecnológica que corresponda à natureza híbrida plug-in do veículo. Um dos elementos mais marcantes é o teto panorâmico elétrico composto por dois painéis. Na traseira encontramos um spoiler com uma terceira luz de freio de LED e um porta-malas de abertura elétrica. Sua capacidade chega a 532 litros, valor adequado para uso familiar. São 4,74 m de comprimento, o que o coloca no segmento de SUVs médios superiores.

Por dentro, há uma percepção imediata da lógica chinesa de construção, com os dois postos da frente separados por um largo console central. O painel tem uma arquitetura simples e o foco está no conjunto de telas. Na frente do motorista encontramos um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas, enquanto no centro aparece uma enorme tela sensível ao toque de 15,6 polegadas. A tela central é um dos elementos mais chamativos, não apenas por seu tamanho, mas também porque concentra grande parte das funções do veículo. Também suporta Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

O volante de dois raios é revestido em couro vinílico e incorpora controles de áudio e controle de cruzeiro. A posição de direção é confortável e a visibilidade adequada para um SUV desse tamanho. Os bancos também são estofados em couro vinílico e oferecem uma postura projetada para cobrir muitos quilômetros com conforto. Na segunda fila há espaço suficiente para passageiros adultos e a aproximação familiar se torna muito evidente.

A atmosfera geral é moderna e limpa. A Chevrolet claramente está comprometida com a tela como principal elemento tecnológico, embora sem transformar a cabine em um exercício excessivamente complicado. Outro ponto positivo é o número de conexões disponíveis: encontramos cinco portas USB entre o Tipo A e o Tipo C, algo especialmente valorizado quando o SUV é usado em família.

A princípio, o Captiva PHEV deve chegar apenas na versão Premier, com preços em torno dos R$ 230 mil. Entre seus principais recursos estão um sistema de som com seis alto-falantes, cinco portas USB e conectividade sem fio para celulares compatíveis, ar-condicionado automático de duas zonas, carregador sem fio, câmera de visão de 360º e tampa do porta-malas com movimentação elétrica, além do teto panorâmico. Em termos de segurança, o Captiva PHEV traz um pacote bastante completo. De série, são seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência, alerta de pedestres dianteiros, assistência e alerta de saída de faixa, monitoramento ativo do tráfego no entorno e sensores dianteiros e traseiros.

Sob o capô, aparece a verdadeira novidade dessa Captiva. O motor a gasolina de quatro cilindros e 1.5 litro gera 105 cv, enquanto o motor elétrico entrega 201 cv e 31,7 kgfm de torque. A energia do sistema elétrico vem de uma bateria de 20,5 kWh, que aceita carregamento rápido de até 23 kW. Mais do que uma simples soma de potências, interessa mais a forma como o sistema gerencia ambos os motores. O Captiva PHEV conta com gerenciamento inteligente de energia que seleciona automaticamente o modo de operação de acordo com as condições de condução e o nível de carga. Existem os modos ECO, ECO+, Normal e Sport, além do EV, que permite priorizar a direção totalmente elétrica.

Com a bateria carregada, o alcance elétrico chega a até 75 quilômetros. Quando a bateria não tem mais energia suficiente para manter o modo puramente elétrico, o Captiva passa a se comporta como um híbrido convencional. Para viagens longas, a combinação de gasolina e eletricidade permite até 1.075 quilômetros de autonomia combinada, segundo o ciclo EPA.

Impressões ao dirigir

Suave na nave

O que mais caracteriza o comportamento do Captiva PHEV é a suavidade. A resposta do acelerador é imediata e progressiva, enquanto o isolamento acústico ajuda a manter um ambiente relativamente silencioso dentro da cabine. A cidade é onde essa configuração faz mais sentido. Quando dirigido com eletricidade, o Captiva se move de forma muito delicada e sem o ruído característico de um motor de combustão em constante funcionamento. Quando é necessária uma aceleração adicional, o sistema fornece a resposta necessária para ganhar velocidade rapidamente.

Não é um SUV esportivo, mas também não tem desempenho limitado. Na estrada, a Captiva muda de personalidade. O sistema gerencia automaticamente a energia e usa o motor a gasolina quando é mais conveniente. A transição entre as diferentes fontes de energia acontece discretamente e o motorista praticamente só precisa se preocupar em acelerar e frear. A suspensão é voltada para o conforto. O conjunto absorve bem irregularidades e transmite uma sensação agradável tanto na cidade quanto nas estradas. Em curvas fechadas, você percebe uma certa inclinação do corpo e uma resposta que privilegia o conforto em detrimento da precisão esportiva. No entanto, o SUV permanece bem posicionado e transmite confiança.

A sensação do pedal de freio mantém aquela sensação levemente esponjosa presente em alguns veículos híbridos plug-in. Não é um problema de segurança, mas é preciso ter atenção. No geral, o Captiva PHEV parece exatamente o que pretende ser: um SUV familiar, confortável, silencioso e fácil de dirigir. O compromisso do Captiva PHEV é oferecer espaço, conforto, tecnologia e a possibilidade de dirigir diariamente com energia elétrica sem sacrificar a praticidade de um veículo de longa autonomia. Para quem pode carregá-lo em casa e usá-lo principalmente na cidade, a proposta é lógica.