Aposta certeira
Citroën se recupera no Brasil, com o C4 Cactus Shine como carro de imagem
Desde que apresentou o C4 Cactus, em agosto de 2018, a Citroën não se movimentava no Brasil. Mas mesmo com quatro anos de mercado, o crossover compacto da marca francesa foi fundamental para que Stellantis, que controla a marca fundada em janeiro de 2021, preparasse o terreno para o lançamento no Brasil do hatch de entrada C3. No caso brasileiro, o setor comercial da Fiat assumiu as ações e já no primeiro semestre de 2021 ampliou o emplacamento do C4 Cactus em 60%, saindo de 500 unidades mensais para quase 1.600. No primeiro semestre de 2022, foram mais 12%, atingindo cerca de 1.800 unidades por mês. As qualidades do C4 Cactus descobertas pelo consumidor estão em seu ponto máximo na versão avaliada, a top Shine Pack.

A configuração funciona como vitrine da linha e por isso acaba não tendo um preço muito convidativo. Ela custa R$ 139.990 e tem como únicos opcionais a pintura metálica ou perolizada e teto de cor diferente da carroceria – o que acrescenta no máximo R$ 2.800. A Shine Pack é a única da gama C4 Cactus animada pelo motor THP, 1.6 turbo de 166/173 cv e 24,5 kgfm, sempre gerenciado por um câmbio automático de seis marchas. As demais versões do crossover usam o antigo motor EC5, 1.6 16V aspirado, com 113/120 cv e 15,4/15,7 kgfm.

Para ser lançado no Brasil com câmbio automático, a Citroën foi obrigada a fazer uma reengenharia na plataforma PF1, oriunda do antigo C3 hatch, e redesenhar o berço do trem de força para acomodar a transmissão automática de seis marchas junto com o motor THP. Além do trem de força poderoso – só é menos potente que o usado no Jeep Renegade ‑, o modelo leva até uma certa vantagem diante de modelos pouco afeitos ao off-road, como Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, por conta com o sistema Grip Control, que funciona como um diferencial com escorregamento limitado.

Por dentro, o modelo traz um conteúdo que o credencia a brigar com outros crossovers compactos de topo. O habitáculo traz uma central multimídia touchscreen de 7 polegadas com conexão por cabo com Android Auto e Apple CarPlay, que era bem moderna há quatro anos, mas agora já parece bem antiga. Tem ainda sensor de pressão de pneus, assinatura luminosa em led, painel digital, rodas de liga leve diamantadas de 17 polegadas, barras de teto, câmera de ré, faróis de neblina, alarme perimétrico, regulador e limitador de velocidade, sensor de chuva e bancos em couro. O Cactus traz ainda alguns recursos de auxílio à condução, como alerta de colisão com sistema de frenagem automática, monitoramento de faixa e alerta de fadiga. A segurança é reforçada ainda pela presença de seis airbags e controle eletrônico de tração com quatro modos de atuação e controle eletrônico de estabilidade. (Texto e fotos: Eduardo Rocha/Auto Press).
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.6 turbo de 173 cv utilizado pelo C4 Cactus é o mesmo que desembarcou no Brasil a bordo do antigo DS3, há exatos 10 anos. Apesar de não ser tão recente, é extremamente eficiente e dá muita agilidade ao modelo, tanto em trânsito urbano, em giros mais baixos, quanto no ambiente rodoviário, com ganhos de velocidade consistente. A transmissão automática de seis marchas responde rapidamente às solicitações e o conjunto leva o crossover de zero e a 100 km/h em apenas 7,3 segundos. Ou seja, trata-se de um SUV confortável que oferece um desempenho esportivo. Nota 9.
Estabilidade – Seria de se esperar que um carro com uma distância para o solo de 22,5 apresentasse um rolamento lateral mais acentuados no contorno de curvas. Mas o Cactus, além de não ser alto como outros SUVs compactos – tem apenas 1,56 metro de altura –, tem um centro de gravidade baixo e conta com uma suspensão robusta, com um ajuste firme – pseudo McPherson na frente e eixo de torção atrás com barra estabilizadora. O conjunto oferece um bom controle da carroceria sem comprometer o conforto. Nota 8.

Interatividade – Os comandos básicos seguem a lógica de posicionamento mais consagrada e o motorista rapidamente se acha no comando do C4 Cactus. Recursos como ar-condicionado, sistemas de auxílio à direção, modos de condução, computador de bordo, som e telefonia são gerenciados diretamente na tela tátil de 7 polegadas da central multimídia, que está defasada, mas ainda é funcional. No volante multifuncional, há ajustes de controle de cruzeiro e de som e telefonia. O painel digital oferece leitura clara e o modelo conta ainda com câmera de ré, mas não traz com sensores de obstáculos – o que é injustificável pelo preço da versão. Nota 7.
Consumo – O Citroën C4 Cactus foi avaliado pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro e conseguiu médias de 8,2 e 11,7 km/l no consumo urbano e 9,5 e 13,4 km/l na estrada, com etanol e gasolina no tanque, respectivamente. Rendeu nota B tanto na categoria quanto no geral. É um consumo entre 5 e 10% menor que o que o modelo apresentava na época do lançamento. Nota 8.

Conforto – A Citroën caprichou no ajuste de suspensão. O conjunto consegue tanto evitar as rolagens laterais quanto filtrar as irregularidades do solo. O espaço interno é generoso, tanto longitudinalmente, pelo entre-eixos de 2,60 metros, quanto transversalmente, por conta das laterais côncavas, que ampliam a área para braços e ombros. A acústica também é eficiente. Nota 8.
Tecnologia – O crossover da Citroën já vem de série com painel digital e sistema multimídia de bom nível, mas sem conexão sem fio. Os rivais na mesma faixa de preços já oferecem centrais mais moderna e com tela maior. O C4 Cactus foi o último suspiro da plataforma PF1 – os novos compactos da marca já usam plataforma modular CMP. Além disso, há uma boa oferta de tecnologias, como chave presencial com ignição por botão, Grip Control, seis airbags, acendimento automático de faróis, alerta de colisão, frenagem de emergência e controle de faixa. Sensor de obstáculos, porém, só como acessório de concessionária. Nota 8.

Habitabilidade – A altura elevada da carroceria facilita o acesso ao interior, que conta com um espaço interno generoso, tanto pela boa altura do teto quanto pelas portas cavadas e o entre-eixos de 2,60 metros. O encosto traseiro rebatível e a ampla porta traseira tornam o Cactus bastante versátil. O espaço do porta-malas, de razoáveis 320 litros, pode subir para 1.170 litros. No interior, vários nichos facilitam o convívio com o modelo e, como tem uma boa largura interna, foi possível até instalar um porta-objetos sob o apoio de braços central. Nota 9.
Acabamento ‑ A intenção é rejuvenescer a marca e reforçar uma imagem mais moderna, a Citroën projetou um habitáculo de desenho limpo. Há detalhes pontuais em cromo ou alumínio, mas boa parte dos revestimentos é opaca, o que aumenta a sensação de despojamento, que não harmoniza bem com a condição de topo de linha. Os painéis são soft touch e de boa qualidade. Nota 7.

Design – As linhas do C4 Cactus têm muita personalidade, com traços limpos e objetivos. O design era ousado quando foi lançado e ainda chama atenção. A parte frontal tem um visual bem robusto, com entradas de ar pequenas, luzes diurnas na linha do capô e faróis no meio do para-choque, como se fossem se fossem luzes de neblina. De perfil, destacam-se a linha de cintura alta, os vidros estreitos e a grossa coluna traseira. Na parte de trás, as lanternas de contornos simples e a grande área de carroceria também reforçam o visual de SUV. É um desenho original e atraente. Nota 8.
Custo/Benefício – A versão Shine Pack do Citroën C4 Cactus tem um preço mais baixo que rivais diretos de topo, mas tem um nível de equipamentos inferior. Por outro lado, é mais potente que praticamente todos os concorrentes. Aliás, essa é a tônica da gama C4 Cactus. E foi exatamente por isso que as vendas do modelo vêm crescendo, apesar do pouco prestígio que a marca goza atualmente no mercado nacional. Nota 8.
Total – O Citroën C4 Cactus Shine Pack totalizou 80 pontos de 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Dinâmica própria
O Citroën C4 Cactus é um carro peculiar. Desde o visual externo, passando pela organização do interior e chegando ao conteúdo, o modelo se destaca diante os outros crossover do mercado. O design tem linhas fluidas, com poucas reentrâncias e praticamente sem vincos. Como se trata de um hatch que foi elevado à categoria de SUV – inclusive com o aumento da altura livre para o solo em 4,6 cm em relação ao original francês –, ele não é tão corpulento. Ou seja: não tem o interior tão alto quanto outros SUVS, mas há uma boa sensação de espaço no habitáculo por conta do bom entre-eixos. Ajuda também as laterais côncavas, que permitem que os puxadores das portas fiquem praticamente embutidos.

A versão Shine Pack traz todos os equipamentos disponíveis na linha, como central multimídia com tela de 7 polegadas, painel digital, rodas de liga leve diamantadas de 17 polegadas câmera de ré, faróis de neblina, sensor de chuva, bancos em couro, alerta de colisão com frenagem autônoma, alerta de saída de faixa, alerta de atenção ao condutor. A configuração é animada pelo forte motor 1.6 THP, com 166/173 cv, que conversa bem com o câmbio automático e oferece uma ótima relação peso/potência de 7 kg/cv.

O resultado é um desempenho de esportivo, com zero a 100 km/h em 7,3 segundos. O Cactus anda bem no asfalto e também se sai bem em um off-road leve. Para isso, se vale da boa altura livre para o solo, de 22,5 cm, que gera ângulos de ataque e saída de 22º e 32º. Tem ainda o Grip Control com quatro nível de controle de tração, que atua como se fosse um limitador de escorregamento do diferencial dianteiro. Quando um dos pneus gira em falso, o sistema consegue transferir o torque para a roda que ainda tem aderência.

Além de se dar bem no asfalto e na terra, o Cactus oferece um bom convívio. Tem bom isolamento acústico e uma interface amigável para o condutor, tanto através do painel de instrumentos quanto pela tela do sistema multimídia, quanto pelo eficiente ar-condicionado e o revestimento em couro dos bancos.
Ficha técnica
Citroën C4 Cactus 1.6 THP Shine Pack
Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.592 cm³, quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote, alimentado com turbocompressor com intercooler, injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Controle eletrônico de tração com Grip Control.
Potência máxima: 166/173 cv a 6 mil rpm com gasolina/etanol.
Torque máximo: 24,5 kgfm a 1.400 rpm com gasolina/etanol.
Aceleração de zero a 100 km/h: 7,3 segundos.
Velocidade máxima: 212 km/h.
Suspensão: Dianteira independente pseudo McPherson, com barra estabilizadora. Traseira com eixo de torção, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 205/55 R17.
Freios: Disco nas quatro rodas. ABS com EBD.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,17 metros de comprimento, 1,71 m de largura, 1,56 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.214 kg.
Capacidade do porta-malas: 320/1.170 litros.
Tanque de combustível: 53 litros.
Produção: Porto Real, Rio de Janeiro.
Itens de série: Central multimídia touchscreen de 7 polegadas com conexão por cabo com Android Auto e Apple CarPlay, controle dinâmico de estabilidade, assistente de partida em rampa, sensor de pressão de pneus, assinatura luminosa em led, painel digital, rodas de liga leve diamantadas de 17 polegadas, barras de teto, câmera de ré, faróis de neblina, alarme perimétrico, regulador e limitador de velocidade, sensor de chuva, bancos em couro, alerta de colisão com frenagem autônoma, alerta de saída de faixa, alerta de atenção ao condutor.
Preço: R$ 139.990.
Opcionais: Pintura metálica (R$ 1.500), pintura perolizada (R$ 1.650) e pintura de teto (R$ 1.300).





