Nivelado pelo topo
Hyundai HB20S Platinum Plus foca no conforto e nos itens de segurança
por Eduardo Rocha
Auto Press
Desde sempre, sedãs se identificam com a ideia de luxo. Mesmo nestes tempos sem imaginação, em que os SUVs parecem hipnotizar o público, os modelos de três volumes ainda guardam uma imagem de requinte. No segmento de compactos, oito modelos se engalfinham por um mercado que em 2024 emplacou cerca de 15 mil unidades por mês – em 2022 foram 20 mil e em 2023, 18 mil mensais. Este ambiente pouco amigável tem deixado a vida do Hyundai HB20S bastante dura. Em 2024, ele manteve a média de 1.800 emplacamentos mensais, o que o coloca em 4º lugar no segmento. Em relação ao ano passado, ele perdeu participação – de 13,3% para 12%. Quem cresceu foi o Volkswagen Virtus, que assumiu o 2º lugar ao crescer sua fatia de 12% para 17%. Na liderança está o Chevrolet Onix Plus, com 30% e em 3º está o Fiat Cronos, com 16% do mercado de sedãs compactos.

A estratégia da marca sul-coreana é semelhante à da Chevrolet e difere da Volkswagen e Fiat. Enquanto o Virtus tem preços entre R$ 112 mil e R$ 154 mil, nas faixas intermediárias e superiores do segmento, a tabela do Cronos vai de R$ 94 mil e R$ 113 mil, com versões de entrada e intermediárias. Já o HB20S e o Onix Plus brigam de um extremo a outro, com versões de entrada abaixo de R$ 100 mil e completas próximas a R$ 130 mil. No caso do HB20S, a versão Comfort Plus começa em R$ 95.590, enquanto a de topo Platinum Plus, como a unidade avaliada, inicia em R$ 128.490 (com o opcional, de pintura metálica, a unidade tem preço de R$ 130.090).

No final de 2022, o HB20S fez uma correção de rumos em relação ao design que aumentou o poder de atração do sedã, pois o design da primeira fase sofreu rejeição no mercado brasileiro. Ao aplicar a segunda fase do conceito Sensous Sportness, a aceitação do consumidor foi retomada. O novo estilo se mostrou bem mais atraente, com frente alta, grade em trama de fractais e lanternas que rasgam a traseira de um lado ao outro. Na versão, a estética é incrementada por detalhes de acabamento como a grade em preto brilhante, faróis de neblina, lanternas traseiras e luzes diurnas em led, faróis com projetores e rodas diamantadas, entre outros.

Mas um elemento importante para destacar o modelo da Hyundai é o arsenal de recursos tecnológicos, principalmente de sistemas avançados de assistência à condução, ADAS na sigla em inglês. Esse tem sido um ponto de disputa entre os sedãs compactos de topo – entre os oito concorrentes, apenas Cronos e Renault Logan não oferecem recursos mais modernos. O HB20S Platinum Plus traz alertas de ponto cego, de colisão frontal e de tráfego traseiro cruzado com frenagem autônoma. Tem ainda farol alto adaptativo e centralizador de faixa de rolagem com esterçamento corretivo. Outros recursos de segurança são monitoramento para desembarque seguro (que detecta a aproximação de veículos quando uma porta está sendo aberta), monitoramento de pressão dos pneus, detector de fadiga e alerta de presença no banco traseiro.

Esta versão Platinum Plus traz também os equipamentos que já são quase obrigatórios no nicho. Caso da central multimídia com espelhamento de smartphone sem fio na tela de 8 polegadas, carregador por indução, vidros e espelhos elétricos, espelhos externos eletricamente rebatíveis, chave presencial para travas e ignição, rodas em liga leve de 16 polegadas, painel digital com tela de TFT de 4,2 polegadas, ar-condicionado digital automático, paddle shift, sistema start/stop e bancos revestidos parcialmente em couro sintético. O motor é o mais forte da gama: 1.0 turbo de três cilindros com injeção direta, que rende sempre 120 cv e 17,5 kgfm, seja com gasolina ou etanol. Ele recebe um câmbio automático de seis marchas (Texto e fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).
Ponto a ponto
Desempenho – O HB20S mostra bastante agilidade ao ser empurrado pelo motor 1.0 TGDI, de 120 cv de potência e 17,5 kgfm de torque. O porta-malas acrescenta apenas 27 kg em relação à carroceria hatch e com isso o sedã mantém uma relação peso/potência, de 9,5 kg/cv. Isso se traduz em acelerações e retomadas vigorosas em qualquer giro – o torque está a pleno entre 1.500 e 3.500 giros. O câmbio automático tem reações rápidas e se entende bem com o propulsor. Nota 9.

Estabilidade – Os tais 27 kg a mais na traseira modifica muito pouco o comportamento do HB20S. A carro é bem equilibrado e apenas em situações mais forçada há uma leve tendência de jogar a traseira. No mais, a suspensão mantém um bom controle da carroceria e filtra bem as pequenas irregularidades, o que gera uma rodagem bem confortável. Nota 7.
Interatividade – A grande quantidade de itens tecnológicos é um dos destaques da versão Platinum Plus do HB20S e facilita a vida do condutor. Falta, porém, controle de cruzeiro adaptativo. O sistema multimídia BlueMedia ganhou espelhamento sem fio, bastante amigável. A Hyundai oferece o aplicativo Bluelink, com funções remotas via celular como acionamento do motor, das travas, localização e acesso ao computador de bordo. Nota 9.
Consumo – Na aferição do InMetro do consumo do HB20S 1.0 Turbo TGDI, acoplado a um câmbio automático de seis marchas, a ficou com médias de 8,8/12,5 km/l na cidade e 10,5/14,2 km/h na estrada, com etanol/gasolina – são bons números que renderam nota B na categoria e C no geral. Nota 7.

Conforto – O entre-eixos de 2,53 metros não está entre os maiores do segmento, mas há um bom aproveitamento do espaço interno, até pela boa altura da cabine do HB20S. Há um bom espaço livre para os joelhos e cabeça, mas como qualquer compacto, é bom para quatro e sofrível para cinco passageiros. A suspensão é firme, mas não transfere as pequenas irregularidades para os ocupantes. O isolamento acústico é bom, mas as vibrações do motor incomodam um pouco a partir de 3 mil giros. Nota 8.
Tecnologia – O HB20S Platinum Plus traz quase todos os recursos ADAS oferecidos pelos rivais, mas a falta do controle de cruzeiro adaptativo não é justificável. Os itens de conforto e o nível de conectividade é compatível com o segmento superior de sedãs compactos. Os motores são eficientes e a plataforma, embora não seja nova, passou por uma reengenharia para ganhar em rigidez e entre-eixos. Nota 9.

Habitabilidade –O porta-malas do HB20S leva bons 475 litros de bagagens e o habitáculo oferece um ótimo espaço longitudinal. Os bancos oferecem menos sustentação que o desejável, especialmente em relação a apoios laterais. Os comandos estão nos lugares corretos, mas há poucos porta-objetos – apenas nas portas e à frente da alavanca de câmbio. Nota 7.
Acabamento – O revestimento dos bancos em couro sintético da versão de topo dá um bom aspecto ao habitáculo do HB20S. E ainda é mais valorizado por conta da cor em cinza claro, em contraste com os demais acabamentos em preto. A montagem é de boa qualidade, mas os materiais adotados parecem resistentes, mas não são muito requintados. O design interno é simples, com uma mistura agradável de materiais – plásticos foscos, brilhantes e apliques cromados. Nota 8.

Design – As linhas frontais do HB20S ficaram menos ousadas, mas são objetivamente mais atraentes. A traseira foi muito bem trabalhada. As lanternas com contornos elegantes e a barra em led cortando toda a traseira valorizam a largura do veículo e amplia visualmente o modelo. O interior não teve alterações significativas, mas o acabamento em duas cores (depende da cor externa) dá um toque de classe ao modelo. Nota 10.
Custo/benefício – O HB20S tem versões que começam em R$ 95 mil e vão até R$ 130 mil. A configuração de topo, Platinum Plus, oferece todo o conteúdo disponível na linha – e são inúmeros itens. Na briga do segmento, perde em preço e tecnologia para o Onix Plus – como, aliás, ocorre com todos os rivais, o que explica em parte o sucesso do carro da Chevrolet. Mas leva grande vantagem em relação aos demais rivais que atuam na parte superior do segmento, como Virtus e Honda City. Nota 7.
Total – A linha Hyundai HB20S somou 81 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Demanda satisfeita
O conceito do HB20S busca equilibrar uma dinâmica convincente, tanto em relação ao conforto quanto ao desempenho. O motor apimentado pela turbina com intercooler e pela injeção direta torna os 120 cv de potência e os 17,5 kgfm de torque entre 1.500 e 3500 giros bastante efetivos. O sedã compacto é ágil nas retomadas e rápido nas arrancadas – características que facilitam a vida na cidade, principalmente.

A Hyundai não aplica um mapeamento agressivo, ainda assim o zero a 100 km/h é cumprido em 10,7 segundos, com máxima em 191 km/h. Já o conforto foi incrementado tanto pelo conjunto suspensivo, com boa capacidade de filtragem de irregularidades, quanto pelos pneus, mais encorpados na versão Platinum Plus, com medidas 195/55 R16. Essas duas características permitem que o HB20S responda bem às demandas típicas de quem adquire um sedã topo de linha.
É nessa condição que a versão incorpora uma série de auxílios ao condutor. Caso do farol alto automático, alerta de saída de faixa e sistema de centralização na faixa e alerta para o desembarque de passageiros – novidades que chegaram na segunda fase dessa segunda geração. Eles vieram a se somar aos recursos já existentes no modelo, como alerta de ponto cego, alerta de colisão frontal e de tráfego cruzado traseiro, estes dois últimos integrados à frenagem autônoma.

Uma vantagem dos sistemas adotados pela Hyundai é que eles não são escandalosos e são pouco invasivos. A versão Platinum Plus incrementa a ideia de lixo com revestimento em couro nos bancos em cinza claro, que adiciona uma boa dose de requinte ao habitáculo. A versão traz ainda ar-condicionado automático, painel digital e central multimídia com espelhamento sem fio e tela touch de 8 polegadas. Esse nível de conectividade é outra demanda típica de quem tem uma tradicional expectativa de luxo em um sedã.
Ficha técnica
Hyundai HB20S Platinum Plus 1.0 TGDI
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, em alumínio, 998 cm³, com três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e comando variável na admissão e escape. Turbocompressor com intercooler, acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré com paddle shifts no volante. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 120 cv a 6 mil rpm com etanol/gasolina.
Aceleração zero a 100 km/h: 10,7 segundos.
Velocidade máxima: 191 km/h.
Torque máximo: 17,5 kgfm entre 1.500 e 3.500 rpm.
Diâmetro e curso: 71 mm X 84 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade na versão.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor na traseira com ABS, com EBD e assistência de partida em rampa.
Pneus: 195/55 R16.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares, com 4,25 metros de comprimento, 1,72 m de largura, 1,47 m de altura e 2,53 m de entre-eixos. Altura livre para o solo de 16 cm. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.137 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 475 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Piracicaba, São Paulo.
Preço: R$ 128.490.
Preço do modelo avaliado: R$ 130.090.






