Share on facebook
Share on twitter
Share on email

Ford Maverick: Contato imediato

Maverick Lariat FX4, que chega ao Brasil em 2022, mostra versatilidade, boa dinâmica e muito charme

A fábrica mexicana da Ford em Hermosillo, no estado de Sonora, está completando 35 anos. Ela nasceu como uma colaboração entre Ford e Mazda, mas ao longo do tempo se consolidou como um ponto estratégico de produção para a marca estadunidense, graças a excelente competitividade, qualidade e eficiência. E além de servir ao mercado norte-americano, os acordos alfandegários com os países da América do Sul facilitam muito e entrada dos produtos que saem de suas linhas para o Brasil. A marca investiu nada menos que US$ 1,8 bilhão – cerca de R$ 5 bilhões – para passar a fabricar modelos estratégicos para estes mercados como é o caso do SUV Bronco Sport e da picape Maverick. A capacidade inicial, de 252 mil unidades anuais, já está em processo de expansão, dado o sucesso dos dois modelos.

É verdade que, quando a Ford anunciou que batizaria sua nova picape de entrada como Maverick, o fã-clube do clássico “muscle car”, que tem muita história no Brasil, não aceitou a profanação do nome de bom grado. No entanto, o mercado tem recebido os modelos maravilhosamente. A ponto de a capacidade inicial da fábrica no México, de 252 mil unidades anuais – entre Bronco Sport e Maverick – já está com o processo de expansão em estudos.

Ao contrário das picapes tradicionais, o Maverick usa o chassi C2, com arquitetura em monobloco, que é compartilhado com o Bronco Sport e com a quarta geração do Escape e do Focus. Ou seja, ele não recorre ao corpo tradicional na arquitetura de quadros. Isso se traduz em menor peso, melhor dinâmica de condução em estradas pavimentadas e maior eficiência de combustível. Embora, é claro, também haja sacrifícios, e o principal é que as capacidades de carga e de reboque não são muito grandes. Estas também são as características do único modelo desse novo segmento de picapes, que é a Fiat Toro – com quem a Maverick Lariat FX4, versão designada para o mercado brasileira, nas configurações de topo.

A Ford Maverick 2022 oferece uma capacidade de carga de 705 kg e capacidade de reboque de 907 kg ­ os números da Toro Vulcano flex são, respectivamente, 750 kg e 400 kg. Ou seja: a proposta não é pegar no batente, mas transportar equipamentos esportivos ou bagagem para uma viagem ou instalar um pequeno reboque.  Existem dois motores disponíveis na gama. Um híbrido, que é o mesmo conjunto que era usado pelo Fusion Hybrid, que consiste em um motor 2.5 litros de ciclo Atkinson adicionado de um elétrico, com câmbio CVT e tração dianteira, que não vai ser importado para o Brasil no primeiro momento – até porque esta versão está fazendo um grande sucesso nos Estados Unidos, que está absorvendo toda a capacidade de produção dessa versão.

A segunda motorização é a está vindo para o Brasil, com um propulsor EcoBoost de 2.0 litros. Ele rende 250 cv de potência e 38 kgfm de torque e é associado a uma transmissão automática de oito velocidades que envia potência para todas as quatro rodas através de um sistema AWD. É o mesmo conjunto que anima o Bronco Sport trazido para cá, mas na adaptação para o Brasil, a potência foi reduzida para 240 cv, enquanto o torque se manteve igual. A Maverick conta ainda com cinco modos de condução: Normal, Reboque, Escorregadio, Areia e Lama. Estes dois últimos são adicionados pelo pacote FX4, que inclui ainda controle de descida.

Além disso, o pacote traz ainda detalhes como gancho dianteiros expostos, encaixe para reboque com pré-instalação elétrica, placa de escorregamento (skid plate ou peito de aço) e sistema de arrefecimento reforçado. Ela mede 5,07 metros, ou 28,2 cm a menos que um Ranger, mas 12 cm a mais que a Fiat Toro – que não é vendida no México. A caçamba é maior do que parece à primeira vista. Ali se encontram ganchos para amarrar a carga, tomadas de corrente de 12 volts e protetor de caçamba como padrão. O modelo Maverick consegue transmitir com sucesso aquela imagem rústica que as picapes Ford sempre mostram – na verdade, parece mais áspera até que a Ranger. Embora compartilhe uma plataforma com o Bronco Sport, não há nenhuma peça na carroceria que seja compartilhada entre os modelos.

A picape da Ford tem uma frente muito reta, capô muito plano, com apenas dois vincos bem marcados. Os grupos óticos dianteiros e traseiros, por outro lado, são muito grandes e chamativos. Chama a atenção o fato de os pneus serem de uso misto, Pirelli ATR, para um uso na cidade e estrada apesar de ser uma versão FX4, orientada visualmente para off-road. De qualquer maneira, um pneu com mais pegada off-road, como um MTR, poderia deixar a Maverick com um rodar ainda mais rascante.

Por dentro, há uma certa familiaridade com o Bronco Sport, embora apenas o painel de instrumentos, o volante e a tela da central multimídia tenham o mesmo desenho. Mas há um mesmo clima, graças aos detalhes em marrom metálico, mas a Maverick tem própria personalidade e bem definida. A qualidade de montagem é impecável, embora os materiais usados no Bronco Sport sejam de melhor qualidade. Mesmo assim, a experiência ainda é superior à da Ranger, pelo design e soluções. Aliás, nenhuma picape média se nivela à Maverick nesse ponto.

Quanto aos equipamentos, a Maverick traz o que se exige em modelos de topo de gama, como tela de toque central de 8 polegadas com um central multimídia Sync 3, compatível com Apple CarPlay e Android Auto, mas com espelhamento via cabo ‑ as mais modernas, como a Sync 4, fazem o espelhamento sem cabo. O sistema inclui a conexão com o aplicativo de celular Ford Pass, que tem diversas funções, como acionar o motor remotamente, localizar o carro etc. O modelo vem com painel digital de 6,5 polegadas configurável, com modo off-road que inclui inclinômetro, ar-condicionado digital duplo, acabamento em couro, bancos dianteiros com ajuste elétrico, rodas de 17 polegadas pintadas de preto. Ou seja: é bem completo e tem u um visual atraente.

 

Primeiras impressões

Dinâmica refinada

Ao volante, o Maverick oferece um manuseio típico de sedã: é ágil, estável e transmite confiança para manter uma boa velocidade de cruzeiro em viagens. Este é um dos grandes ganhos de usar um chassi monobloco. Não há nada que lembre aquele comportamento tradicional das picapes com quadro em longarina, que exigem correções constantemente e têm uma rodagem áspera. A Maverick não requer nenhum sacrifício em termos de conforto, também tem uma marcha é bastante tranquila e refinada. Para encontrar um paralelo entre picapes, é preciso pesquisar em modelos com escala de preços bem superior, como seria o caso da Ram 1500 com suspensão a ar.

Ao carregar o EcoBoost 2.0 sob o capô duas coisas são garantidas: boa capacidade de resposta e alto consumo, caso não haja prudência na hora de espremer o acelerador. Não houve ocasião, nesse primeiro contato, de ver como a Maverick se comporta com carga, mas a percepção é que os 38 kgfm de torque dão conta facilmente dos quase 1.700 kg da picape, mesmo acrescidos dos 705 kg de carga admissível. A Ford Maverick pode atender às necessidades do dia a dia sem provocar cansaço, sem consumir muito e ainda oferecer espaço e versatilidade. Ou seja: a Maverick tem todos os ingredientes para brigar de igual para igual com a Fiat Toro. Isso, claro, dependendo da faixa de preço que a Ford estabelecer para o modelo (por Ruben Hoyo, do Autocosmos.com, México, exclusivo no Brasil para Auto Press).

Ficha técnica

Ford Maverick Lariat FX4

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.999 cm³, quatro cilindros em linha, comando variável na admissão e quatro válvulas por cilindro. Turbo compressor com intercooler, acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré com paddle shift no volante para mudanças sequenciais. Tração 4X4 e controle eletrônico de tração, vetorização de torque, bloqueio do diferencial traseiro e gerenciador de tração com sete modos de atuação.

Potência: 240 cv a 5.500 rpm.

Torque: 38 kgfm a 3 mil e rpm.

Taxa de compressão: 10,0:1.

Suspensão: Dianteira montada em chassi auxiliar, do tipo McPherson independente, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira montada em chassi auxiliar, multilink, com braços longos e curtos, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Controle de estabilidade de série.

Pneus: 225/65 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás, com ABS com EBD e assistência de frenagem e de partida em rampa. Freio de estacionamento com acionamento eletromecânico por lona na traseira.

Carroceria: Picape em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 5,07 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,75 m de altura e 3,07 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais dianteiros e traseiros, de cortina e para o joelho do motorista.

Peso: 1.666 kg.

Capacidade da caçamba: 705 kg e 943 litros.

Tanque de combustível: 64 litros.

Produção: Hermosillo, México.

Lançamento no Brasil: 2022.

Preço estimado: R$ 240 mil.