Estética de impacto
Em busca de consolidar a liderança, Hyundai moderniza o visual do HB20 e adiciona recursos de segurança e tecnologia
Se os brasileiros tinham alguma ressalva em relação ao Hyundai HB20, era por conta do visual. Para um consumidor treinado a admirar modelos com frente alta que destacam a robustez, caso dos SUVs, o capô em cunha e apontado para baixo do compacto da marca sul-coreana causava uma certa estranheza. Agora, a linha HB20 adotou a segunda fase do conceito de design Sensous Sportness, que já influenciava a primeira fase do compacto. Enquanto na primeira fase o destaque era para as curvas, aqui os traços geométricos valorizam as linhas retas. Além disso, ganhou uma série de recursos capazes de melhorar a imagem do modelo também pela tecnologia. O novo HB20 chega na configuração hatch em seis versão de conteúdo, com preços iniciais entre R$ 76.690 e R$ 114.390. A configuração sedã, HB20S, vai passar pelas mesmas alterações, mas só chega ao mercado no final de setembro.

O estranhamento é certamente a melhor justificativa para que o modelo, lançado há menos de três anos, já ter enfrentado um face-lift. Mas isso não impediu o compacto de se sagrar o automóvel de passeio mais vendido do país em 2021 e no primeiro semestre de 2022. A liderança, no entanto, não é reflexo de uma mudança no patamar de vendas do modelo, mas de uma circunstância de mercado, que é a falta de condutores. Enquanto a Hyundai tem uma linha com a linha HB20 e com o Creta, o principal competidor do modelo, o Chevrolet Onix, disputa os semicondutores disponíveis com uma gama mais ampla de modelos. E como os compactos são os carros mais baratos – em menos lucrativos ‑, são eles que sofrem a maior perda de produção. O HB20 não tem nada com isso e manteve a média de 7 mil unidades por mês, desde que chegou nesta chamada segunda geração, em setembro de 2019.
Seja como for, com o novo visual, o HB20 parece preparado para brigar pela liderança mesmo se por mágica, os semicondutores voltassem a abundar no mundo. O novo visual realmente valorizou o modelo e passa a ser um ponto de atração inquestionável do modelo. O novo design chama a atenção principalmente pela frente, com a grade dianteira trazendo um mosaico de fractais poligonais com molduras em linhas retas. Nas versões aspiradas ela é fosca e nas turbo, brilhante. Farol e setas formam um triângulo apontado para dentro. O capô foi elevado, o que acentuou os vincos em curva que nascem na coluna e vão até a interseção de grade e farol. Na traseira, as lanternas têm a parte externa triangular e ficaram bem projetadas. Uma barra reflexiva corta toda a tampa do porta-malas e cria a impressão de que o modelo ganha em largura. Tudo muito refinado.

Com as mudanças, o modelo ganhou 8 cm no comprimento, chegando a 4,02 metros, mas manteve 1,47 m de altura, 1,72 de largura e 2,53 m de entre-eixos. Sob o capô, nenhuma novidade. As versões aspiradas usam o motor 1.0 de três cilindros que rende entre 75 e 80 cv de potência com torque entre 9,4 e 10,2 kgfm, gerenciado sempre por um câmbio manual de cinco marchas. Ele equipa as versões Sense, Comfort e Limited. Já o motor 1.0 de três cilindros com turbo e injeção direta rende sempre 120 cv e 17,5 kgfm, seja com gasolina ou etanol. Ele pode receber um câmbio manual de seis marchas, na versão Comfort, e automático de seis marchas na própria Comfort e também na Platinum e na Platinum Plus.
Em relação a conteúdos, o modelo também evoluiu bastante. De série, todas as versões trazem seis airbags, luz de condução diurna, controle de estabilidade, travas elétricas, piloto automático com limitador de velocidade, visor em TFT de 3,5 polegadas no centro do painel de instrumentos e computador de bordo. No caso da versão Sense, que custa R$ 76.690, apenas os vidros dianteiros são elétricos, as rodas são de 14 polegadas em aço, os repetidores de seta são no para-lama e ele recebe um rádio com conexão Bluetooth e comandos no volante.

A versão seguinte é a Comfort, que é a única que pode receber todas as configurações de trem-de-força. A mais que a Sense, ela recebe a central multimídia com tela de 8 polegadas e espelhamento sem fio, alarme, vidros e espelhos elétricos e chave desmodrômica. Com motor aspirado, as rodas são de aço com 15 polegadas e a grade dianteira é em preto fosco. Já com motor turbo, seja com câmbio manual ou automático, as rodas são em liga leve com 16 polegadas e a grade dianteira é em preto brilhante. A Comfort com motor 1.0 aspirado e câmbio manual sai a R$ 79.990, com motor 1.0 turbo com câmbio manual fica em R$ 93.790 e com câmbio automático vai a R$ 99.390.
A configuração mais completa com motor 1.0 aspirado é a Limited, que custa R$ 85.490 e adiciona de relevante rodas de liga leve aro 15, sensor de luminosidade, câmera de ré, sensor traseiro. Com motor turbo, a versão acima da Comfort é a Platinum, que custa R$ 105.390. Em relação à Limited ela ganha retrovisor externo eletricamente rebatível, painel digital com tela de TFT de 4,2 polegadas, lanternas em led, volante em couro, faróis de neblina e alerta de desembarque.

A versão de topo é a Platinum Plus, que é a que concentra todo o lote de tecnologia disponível para o HB20. De recursos ADAS, ela adiciona com alerta de colisão com frenagem autônoma, alerta de ponto cego, centralizador de faixa de rolagem, alerta de tráfego traseiro cruzado com frenagem autônoma, farol alto adaptativo e monitoramento de pressão dos pneus (faltou controle de cruzeiro adaptativo). Além disso, conta com faróis com projetor, carregador por indução, ar-condicionado digital automático, paddle shift, sistema start/stop e bancos parcialmente em couro sintético. O preço fica em R$ 114.390, na cor preto sólido (Texto e fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.0 TGDI, de 120 cv, que empurra as versões mais caras do HB20, oferece uma boa relação peso/potência, abaixo de 10 kg/cv. Na prática, o hatch oferece acelerações e retomadas fortes e um torque sempre presente de 17,5 kgfm a 1.500 giros. O câmbio automático tem reações rápidas, aceita bem a manipulação – seja pela alavanca, seja pelo paddle shift no volante – e se entende bem o motor quanto se busca explorar a esportividade do modelo. Nota 8.
Estabilidade – O HB20 tem um acerto de suspensão bem balanceada entre conforto e controle da carroceria. Filtra as pequenas irregularidades, evita a rolagem lateral e também os mergulhos em frenagens mais fortes. Na pista, onde foi apresentado, mostrou ótima capacidade de recuperar rapidamente o equilíbrio após as curvas mais forçadas. O modelo agora tem controles de estabilidade e tração em todas as configurações, que tem atuação pouco invasiva. Nota 8.

Interatividade – O HB20 traz uma grande quantidade de recursos interativos, como controle de cruzeiro em toda a linha e sistema multimídia BlueMedia a partir da versão Comfort 1.0 com espelhamento sem fio. Nas versões de topo de cada motorização – Limited na 1.0 aspirado e Platinum na 1.0 Turbo –, o modelo conta com o aplicativo Bluelink, que oferece funções remotas via celular como localização, acionamento do motor, destravamento das portas e acesso a informações do computador de bordo. Na Platinum Plus, a chave presencial também tem o recurso de acionar o motor à distância, além de destravar as portas e o porta-malas por proximidade. A tela “touch” de 8 polegadas manteve a mesma posição elevada, no centro do console frontal, na altura dos olhos do motorista. Um dos destaques do hatch, na versão além do topo Platinum Plus, são os sistemas ADAS, com controle de ponto cego, alerta de colisão com frenagem autônoma, centralização na faixa de rolagem, farol adaptativo, alerta de tráfego cruzado e alerta de saída segura – que avisa a aproximação de um carro na abertura das portas. No pacote, faltou apenas o controle de cruzeiro adaptativo. Nota 9.
Consumo – Como o modelo não sofreu qualquer alteração mecânica nem ganhou peso de forma significativa, a avaliação feita pelo InMetro aferiu os mesmos números da linha 2022. O HB20 1.0 aspirado, sempre com câmbio mecânico, fez médias 9,1/12,8 km/l na cidade e 10,1/14,6 km/h na estrada, com etanol/gasolina. O motor 1.0 Turbo TGDI, acoplado a um câmbio mecânico, é o mais econômico de todos. Os números ficaram em 9,2/13,2 km/l na cidade e 10,9/15,1 na estrada, com etanol/gasolina. Com câmbio automático de seis marchas, a ficou com 8,2/11,8 km/l na cidade e 10,2/14,2 km/l na estrada, com etanol/gasolina. Os modelos com câmbio manual ficaram com notas A na categoria e B no geral, enquanto a versão automática ficou com B na categoria e no geral. Nota 9.

Conforto – O novo HB20 tem um bom entre-eixos de 2,53 metros, que é bem aproveitado – até pela boa altura da carroceria, de 1,47 metro. Seja como for, é um hatch compacto, propício para levar quatro viajantes ou cinco ocupantes em trajetos curtos. A suspensão é firme, mas agradável e o isolamento acústico é dos melhores no segmento. A versão de topo testado traz diversos itens de praticidade e conforto como ar-condicionado automático, carregador de celular por indução, chave presencial com destravamento por aproximação, multimídia com espelhamento sem fio, etc. Nota 9.
Tecnologia – A Hyundai tem uma boa oferta de tecnologia no novo HB20, mas apenas nas versões superiores. Na linha em geral, os motores são bem eficientes. A plataforma é a mesma da primeira geração, mas foi retrabalhada para ganhar em rigidez e aumentar o entre-eixos. O modelo oferece uma ampla gama de recursos ADAS, sistema de conectividade e monitoramento Bluelink e seis airbags e luz de condução diurna desde o modelo de entrada. Entre os compactos, é um dos mais tecnológicos. Nota 9.

Habitabilidade – A cabine é amigável e tem porta-objetos e porta-copos no console central, sob o apoio de braço – na versão Platinum – e espaço para garrafas de água nas portas. O porta-malas do HB20 leva 300 litros, bem na média do segmento. Capacidade que sobe para 900 litros com o encosto traseiro rebatido. O espaço longitudinal é bom para a categoria, mas bancos são muito finos. Embora sejam confortáveis, dão uma sustentação menor que a desejável. Os comandos são ergonômicos, mas o botão da trava das portas está no lugar errado, no console, quando deveria estar na própria porta. Nota 8.
Acabamento – O revestimento dos bancos em tecido e couro da versão de topo melhora o aspecto da cabine do HB20. Mas embora tenha uma boa montagem, os materiais adotados não transmitem uma ideia de requinte. O design interno é simples e melhorou com a saída do aplique em plástico azul no console frontal. Está dentro da proposta do segmento. Nota 8.
Design –O desenho do HB20 dividia opiniões, mas agora tem boas chances de se tornar unanimidade, como ocorreu com a primeira geração. Ele usa elementos estéticos que seriam mais esperados em modelos de categorias superiores: grade em fractais (com acabamento em preto brilhante nas versões turbo), capô elevado e mais robusto, faróis afilados com assinatura luminosa em led e as novas lanternas integradas por uma barra reflexiva criam um visual moderno e refinado. Por dentro, não houve alterações significativas – apenas foi introduzido um painel totalmente digital na versão Platinum Plus De perfil, a linha do teto em arco dá um aspecto fofinho e simpático ao modelo. Em toda sua trajetória, o HB20 sempre teve muita personalidade e agora ainda conta com um visual arrojado, moderno e atraente. Nota 10.

Custo/benefício – O preço do HB20 2023 começa em R$ 76.690 na versão Sense 1.0 e vai até os 114.390 na Platinum Plus. É um preço levemente superior ao do principal rival direto, o Chevrolet Onix. Mas esse posicionamento não mudou com o face-lift e a chance é que o HB20 melhore ainda mais suas vendas, pois agora o visual ajuda muito – as pesquisas das montadoras apontam que a estética é a segunda motivação de compra. Nota 7.
Total – A linha Hyundai HB20 somou 85 pontos em 100 possíveis.
Primeiras impressões
Tudo novo
A Hyundai quis mudar o HB20 de patamar. A começar pelo visual. As linhas retas e os detalhes em preto que passaram a dominar a frente fizeram uma composição moderna e atraente. Outro ponto em que a marca investiu foi na tecnologia de assistência ao condutor. Os recursos que já estão ficando mais comuns, como alerta de ponto cego, de colisão frontal e de tráfego cruzado traseiro, estes dois últimos integrados com frenagem autônoma, farol alto automático, alerta de saída de faixa e sistema de centralização na faixa e alerta de desembarque de passageiros, que detecta a aproximação de um veículo quando se vai abrir a porta. Faltou apenas o controle de cruzeiro adaptativo.

Uma vantagem dos sistemas adotados pela Hyundai é que eles não são escandalosos e são pouco impositivos. Um exemplo é o centralizador de faixa, que está desabilitado quando o carro é ligado e tem de ser intencionalmente acionado para funcionar. Este sistema movimenta o volante para corrigir a trajetória. Em condições de rodagem normais nas vias brasileiras, essa “boa intenção” pode muito bem atrapalhar na hora que o motorista tentar desviar de uma irregularidade na pista – para países com governantes incompetentes, seria interessante desenvolver um detector de buracos.
A nova plataforma até permitiria um comportamento mais agressivo. Ela tem boa rigidez torcional, posta à prova no Circuito Panamericano, onde o modelo foi experimentado. Ali, o pequeno hatch se mostrou neutra, com boa recuperação de equilíbrio após as curvas, mesmo que a suspensão são seja das mais rígidas. Impressionou também a agilidade do câmbio automático, tanto para entender a marcha certa em cada situação quanto para aceitar os comandos – dentro dos parâmetros de rotações, é claro.

A distribuição dos motores na linha manteve a antiga lógica. Nas versões de entrada, o propulsor é o 1.0 aspirado de três cilindros e 75/80 cv e 9,4/10,2 kgfm. Este mesmo bloco adicionado de turbo com intercooler e injeção direta, oferecer 120 cv de potência e 17,5 kgfm de torque. É ele que anima a versão de topo Platinum Plus, a única disponível no lançamento. Ele é capaz de tornar o hatch compacto ágil e rápido. As arrancadas e as retomadas não exigem maiores esforços do conjunto, que trabalha com um câmbio automático de seis marchas. O mapeamento do propulsor, no entanto, não busca um comportamento agressivo. Tanto que o zero a 100 km/h é feito em 10,7 segundos – há rivais com motores similares que fazem o trabalho em menos de 9 segundos.
Na versão de topo avaliada, há o revestimento parcial em couro nos bancos, que dá um adicional de requinte ao modelo. Na versão, a Hyundai finalmente aderiu ao ar-condicionado automático. O novo painel das duas versões de topo passa a ter tanto velocímetro quanto conta-giros digital – a solução antiga, com tacômetro analógico era de amis fácil leitura. A central multimídia evoluiu e agora passa a fazer espelhamento sem fio. A tela “touch” de 8 polegadas fica numa posição que privilegia o acesso do motorista.

Ficha técnica
HB20 Platinum Plus 1.0 Turbo GDI
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, em alumínio, 998 cm³, com três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e comando variável na admissão e escape. Turbocompressor com intercooler, acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré com paddle shifts no volante. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 120 cv a 6 mil rpm com etanol/gasolina.
Aceleração zero a 100 km/h: 10,7 segundos.
Velocidade máxima: 190 km/h (191 km/h).
Torque máximo: 17,5 kgfm entre 1.500 e 3.500 rpm.
Diâmetro e curso: 71 mm X 84 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade na versão.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor na traseira.
Pneus: 195/55 R16.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares, com 4,02 metros de comprimento, 1,72 m de largura, 1,47 m de altura e 2,53 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortinha de série.
Peso: 1.110 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 300 litros, com 930 litros com o banco rebatido.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Piracicaba, São Paulo.
Preço: R$ 114.390.
Preço do modelo avaliado: R$ 115.790.





