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Honda City hatch é hi-tech

Um nível acima

O refinado Honda City hatch traz recursos para ser o compacto mais tecnológico do mercado

              A própria dinâmica do mercado fez com que os compactos crescessem nos últimos anos, tanto em tamanho quanto em conteúdo. No caso dos hatch, criou-se uma subcategoria acima dos modelos tradicionais, que avançaram sobre o mercado dos hatches médios. Um bom exemplo dessa nova espécie é o novo Honda City hatch, que traz um espaço interno generoso, garantido por um entre-eixos de 2,60 metros, e recursos de tecnologia atualizados, como sistemas de assistência à condução e sistema multimídia com espelhamento sem fio. O posicionamento do modelo deixa bem explícita a intenção de posicionar o modelo de forma destacada na parte superior do segmento de hatches compactos. Ele chega em apenas duas versões, EXL e Touring com preços bem “puxados”: R$ 114.200 e 122.600. Essas configurações correspondem às variantes intermediária e de topo do City sedã, com diferença de valor de apenas R$ 500 para o hatch.

                A Honda acredita que consegue justificar uma tabela tão seletiva. Pelos R$ 8.400 adicionais cobrados pela versão Touring avaliada, o modelo passa a contar com faróis full led, inclusive de neblina, acionamento remoto do motor, sensor de estacionamento dianteiro e câmera para monitor a faixa à direita quando se aciona o pisca. Isso além de pequenos luxos como oito alto-falantes, em vez dos quatro do EXL, saídas de ventilação e tomada de energia para o banco traseiro.

                Estes recursos não são incomuns em outros hatches compactos superiores. O que destaca a versão Touring da multidão é, de fato, o pacote Honda Sensing. Ele traz recursos de assistência à condução, ADAS na sigla em inglês, que atuam a partir dos dados obtidos pelas imagens de uma câmera instalada no para-brisa. Ela monitora o controle de cruzeiro adaptativo, o alerta de colisão com sistema de frenagem autônomo com detecção de pedestres, o sistema de assistência de permanência em faixa com ação indutiva na direção e farol alto automático.

               Ambas as versões trazem seis airbags, sensor de estacionamento traseiro com câmera de ré, acendimento automático dos faróis, ar-condicionado digital automático, chave presencial para travas e ignição, acabamento em couro, painel com tela em TFT de 7 polegadas, central multimídia com tela de 8 polegadas e espelhamento sem fio de Android Auto e Apple CarPlay, carregador de celular por indução e espelho eletrocrômico.

                Por fora, a versão hatch mantém as mesmas linhas do sedã até a coluna central. A frente traz a grossa barra cromada característica da Honda, com conjuntos óticos afilados. Na versão testada, Touring, o visual é incrementado pelos faróis em matriz de led com nove gomos internos – na EXL é de dupla parábola. Já a traseira curta dá um ar mais jovial e esportivo, em relação ao sedã. As lanternas são horizontais, em led com efeito 3D, e parecem embutidas na tampa. O modelo tem exatos 21 cm a menos que o sedã, com 4,31 metros de comprimento, com entre-eixos de 2,60 metros, 1,75 m de largura e 1,50 m de altura. Assim como o sedã, o hatch ganhou revestimento acústico no piso do habitáculo, sob o motor e nas emendas do monobloco.

                O motor do novo City foi renovado, com a intenção de esticar a longevidade pelo menos até a entrada em vigor do Proconve L8, em 2025, com terá níveis de emissões que deve obrigar as marcas a adotar sistemas híbridos. A engenharia da Honda introduziu no motor 1.5 de quatro cilindros um sistema de injeção direta e um novo cabeçote com duplo comando. Como gera mais calor, o bloco do motor teve as galerias de líquido de arrefecimento redesenhadas. A potência subiu cerca de 10%, de 115/116 cv para 126 cv, enquanto o torque se manteve praticamente o mesmo – foi de 15,3/15,5 para 15,5/15,8 kgfm. O câmbio é o mesmo CVT que já equipava o modelo, com modo manual de sete marchas simuladas e paddle shifts no volante (Texto e fotos por Eduardo Rocha, Auto Press).

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Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.5 litro aspirado do novo City hatch, de 126 cv, não harmoniza com a modernidade do modelo. Ele oferece uma boa dinâmica, com mais agilidade nas acelerações do que nas retomadas, por conta de uma certa demora na reação do câmbio CVT, que exigir uma tomada de fôlego antes de responder. Os 10,8 segundos para o zero a 100 km/h é um tempo razoável para o segmento, mas o deixa abaixo de todos os rivais diretos com motor turbo. Numa utilização mais cotidiana, seja ambiente urbano, seja em estrada, não há a sensação de falta de potência. Até porque mais de 80% do torque de 15,5/15,8 kgfm está disponível a 2 mil giros. Nota 8.

Estabilidade – Além de trazer uma nova plataforma mais rígida, por ser 21 cm mais curta que o City sedã, a versão hatch tem uma maior centralização das massas entre os eixos – até porque, o peso das duas versões não muda. Essa distribuição de peso dá um maior controle para a suspensão sobre os movimentos da carroceria, que tem um acerto no estilo europeu, mais rígido. O City não rola nas curvas e tem uma direção extremamente precisa. Nota 9.

Interatividade – A Honda que dar ao City hatch um brilho de modelo premium, principalmente na versão de topo, Touring. Daí ter disponibilizado diversos recursos ADAS, de assistência à condução, no pacote chamado de Honda Sensing, que inclui monitoramento de faixa com esterçamento indutivo do volante, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão com frenagem autônoma e farol alto automático. Tem ainda painel de instrumentos digital configurável, da central multimídia com espelhamento sem fio, câmera para a conversão à direita e câmera de ré e dos sistemas de assistência à condução. Os comandos são bem localizados e operação intuitiva. Nota 9.

Consumo – Segundo o Inmetro, o consumo de etanol é de 9,1 a 13,3 km/h na cidade e de 10,5 a 14,8 km/l na estrada, dependendo da proporção de etanol e gasolina. Esses números renderam nota “A” na categoria e “B” no geral. Nota 8.

Conforto – O City hatch tem uma cabine ainda mais ampla que a versão sedã. Como o caimento do teto é menos acentuado que no sedã, foi possível recuo do assento traseiro e aumentar o espaço para as pernas, que já era bom. Os bancos dianteiros trazem uma estrutura que apoia as costas em diversos pontos, para distribuir melhor o peso e reduzir o cansaço. A rigidez da plataforma e da suspensão tornam a rodagem menos suave, mas a insonorização da cabine é de boa qualidade e os ruídos não chegam a incomodar. Nota 8.

Tecnologia – A nova plataforma, que é a mesma do novo Jazz/Fit vendido na Europa, ganhou em rigidez torcional, mas a Honda preferiu promover uma reengenharia no antigo motor 1.5, com um novo cabeçote multiválvulas com comando variável, em vez de adota um motor turbo. Por outro lado, a versão Touring conta com o Honda Sensing, central multimídia com espelhamento sem fio, painel digital, faróis full led e vários equipamentos que o coloca entre os compactos melhor equipados. Nota 8.

Habitabilidade – O habitáculo tem um espaço generoso para todos os ocupantes, mas houve um pequeno sacrifício na capacidade do porta-malas, que oferece apenas 268 litros. Em compensação, o banco traseiro traz o versátil sistema de rebatimento do encosto ou elevação do assento, que fazia sucesso no Fit e facilita o transporte de objetos compridos ou alto, além de triplicar o volume útil do porta-malas. Nota 9.

Acabamento – A Honda consegue dar um ar de requinte ao mesmo tempo que mantém o conceito japonês de usar materiais que não acusam o envelhecimento. O design, porém, é simples e sem qualquer ousadia. Há couro sintético nos bancos, no câmbio e na lateral das portas. Nota 8.

Design ‑ O visual externo do novo City hatch é bem equilibrado e passa a impressão que se trata de um modelo maior. Embora o design frontal mantenha os mesmos conceitos estéticos do City antecessor, com a barra cromada grossa entre os faróis afilados, o capô e o habitáculo alongados oferecem um aspecto mais esportivo e agressivo. Não tem a ousadia dos modelos da marca lançados na Europa e Ásia, mas também não dá motivos para rejeições. Nota 8.

Custo/benefício – O Honda City hatch Touring a R$ 122.600 está entre os hatches compactos mais caros do mercado – só perde para os R$ 140 mil do Volkswagen Polo GTS ‑, mas é de longe o mais completo. Isso ajuda a dar ao modelo um bom custo/benefício, mas não o torna capaz de gerar grandes volumes de venda. Nota 7.

Total ‑ O Honda City Touring somou 82 pontos em 100 possíveis.

 

Primeiras impressões

Tecnologia com empatia

               O novo visual do Honda City caiu melhor no hatch que no sedã. O porte do modelo seria capaz de ameaçar os hatches médios clássicos, se eles ainda existissem no mercado – o último da espécie é o Chevrolet Cruze. A traseira curta e as linhas que valorizam a largura da carroceria dão um aspecto dinâmico ao conjunto. E a ideia da marca é mesmo tratar o City como um modelo superior, bem de acordo com o preço e corroborado pela presença do Honda Sensing. A imagem de modernidade do modelo é reforçada pela central multimídia com tela de 8 polegadas com espelhamento de celular sem uso de cabo e o painel com visor em TFT de 7 polegadas.

                A carroceria encurtada em 21 centímetros oferece uma melhor condição para o novo City enfrentar as curvas. Não chega a ser um kart, mas as massas são bem centralizadas. Por isso mesmo, a sensação ao volante é de controle absoluto. Nas curvas, a suspensão de acerto firme impede as rolagens laterais e nas retas não há necessidade de correções. A direção é direta e o comportamento é extremamente neutro e previsível.

                Quando é explorado mais esportivamente, no entanto, o City hatch mostra seus limites. O primeiro, mais óbvio, é o motor. Apesar da boa potência, o fato de ser aspirado o torna pouco agressivo até ultrapassar os 3 mil giros. A outra deficiência que apareceu foi no isolamento acústico. Em um carro de suspensão e plataforma rígidas é normal que haja mais ruídos em que outro de acerto macio. E a Honda até investiu em materiais fonoabsorventes em pontos estratégicos, mas não foi o suficiente para bloquear a invasão, principalmente, de ruídos de rodagem.

                Já os sistemas de auxílio à condução são inesperadamente agradáveis de conviver. Não há escândalos quando o carro se aproxima de um obstáculo nem é preciso brigar com o volante quando o sistema entende que deve centralizar o modelo na faixa e o motorista prefere evitar um desnível ou buraco na via. Há um leve torque no volante, que desiste da operação à menor resistência do condutor.

 

Ficha técnica

Honda City Touring hatch

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.497 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e com tempo de abertura de válvulas variável na admissão. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.

Transmissão: Transmissão continuamente variável (CVT) com sete marchas pré-programadas e paddle shifts no volante. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração de série.

Potência máxima: 126 cv a 6.200 rpm com gasolina e etanol.

Torque máximo: De 15,5 a 15,8 kgfm a 4.600 rpm com gasolina e etanol.

Diâmetro e curso: 73,0 mm X 89,4 mm. Taxa de compressão: 11,4:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção. Controle eletrônico de estabilidade.

Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD, com sistema de frenagem autônoma na versão.

Pneus: 185/55 R16, com monitoramento de pressão.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,34 metros de comprimento, 1,75 metro de largura, 1,50 metro de altura e 2,60 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Peso: 1.170 kg.

Capacidade do porta-malas: 268 litros.

Tanque de combustível: 39,5 litros.

Produção: Sumaré, São Paulo.

Preço: R$ 122.600.