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Honda Twister cresce e aparece

Evolução natural

Honda Twister ganha motor maior e jeito de moto de ciiindrada mais alta

                Há alguns motivos para as fabricantes atualizarem seus modelos. Pode ser por pressão da concorrência, redução de custo com novas tecnologias e, como tem sido bem recorrente no Brasil, novos parâmetros de emissões. Este foi o caso da street de média cilindrada Honda Twister, que passa a ser agora CB 300F. Por conta da entrada em vigor do Promot 5, que apertou os limites de poluentes, a fabricante se viu obrigada a aumentar a cilindrada do modelo, de exatos 249,5 para 293,5 cm³, para evitar uma perda de potência. Afinal, apesar de a Twister ter uma certa folga na liderança do segmento desde que foi lançada, no final de 2016, a rival Yamaha Fazer 250 não fica tão atrás assim. A Honda definiu um preço bem competitivo para a nova Twister: R$ 18.900 na versão com freios CBS e R$ 19.900 com ABS – preço dificilmente praticados no mercado, que sempre adiciona um ágio, além do frete.

Incremento de força

                Como teria mesmo de crescer o motor, a opção da fabricante foi manter o mesmo curso de 63 mm, e aumentou o diâmetro do pistão de 71 para 77 mm. A medida privilegiou o ganho de força e evitou o aumento da altura do motor – que poderia acarretar em uma mudança no desenho da travessa superior do quadro ‑ que foi mantido, assim como o câmbio de seis marchas. Resultado: a potência passou de 22,4/22,6 cv para 24,5/24,7 cv, com gasolina e etanol ‑ 2,1 cv ou 9,3% a mais. O torque passou de 2,24/2,28 kgfm para 2,61/2,60 kgfm, ou 16,5% a mais com gasolina e 14% com etanol – a Honda não explica porque a gasolina supera o etanol em torque. O consumo, segundo os testes do Instituto Mauá, contratado pela Honda, também melhorou, com média de 39 km/h.

Outras mudanças

                Aí, é aquela história: já que vai mexer no motor, o melhor é atualizar outros aspectos da moto. Até para marcar bem a mudança. As alterações começam pelo visual, que ficou mais esportivo, com diversas detalhes em preto, seja qual for a cor do modelo – com ABS, dourada ou vermelha e com CBS vermelha ou cinza metálico. O tanque agora é coberto por três peças. Na parte de cima, onde está o bocal do tanque, é em preto com uma textura acetinada. As laterais dão a cor à moto e se estendem sob o banco. Elas têm ponta bem pronunciadas e, em conjunto com as aletas laterais em preto brilhante, criam um bem robusto fazem parecer que é um modelo de cilindrada superior – o que é reforçado pelo banco em duas alturas.

Cara nova

                Na frente, o farol segue o estilo Máscara de Jaspion, com luzes e lanterna dispostas em três seções. Todo o conjunto é em led, incluindo os piscas, que se projetam na frente a partir da lateral do painel de instrumentos e do suporte da luz de placa atrás. Nas laterais, aparecem em metal apenas os suportes da balança, do pedal da garupa, a ponteira do escape, as bengalas dos telescópicos e as aletas do motor. As laterais e a carenagem sob o motor também são em preto. No conjunto, a CB 300F ganhou um aspecto mais esportivo e mais identificado com a CB 500F.

                O painel de instrumentos está nesse caso. A tela de LCD tem iluminação blackout e formato retangular, parecido com um pequeno celular deitado. No canto esquerdo, ele traz conta-giros analógico com indicador de marchas ao centro e o medidor de combustível abaixo. Ao lado, com mais destaque, está o velocímetro digital, cercado por dados do computador de bordo, hodômetro e relógio. Uma fileira de luzes-espia fica na parte superior. Na lateral, o modelo passa a contar com uma tomada de energia USB.

Dinâmica incrementada

                Uma mudança relevante que a nova CB 300F apresenta é nas suspensões. Na frente, as bengalas passaram de 37 para 41 mm e o curso passou de 120 para 130 mm. Na traseira, o sistema monochoque traz um  amortecedor com duas molas alinhadas: uma superior menor e mais rígida, para evitar o fim de curso, e outra maior e mais macia, para absorver as irregularidades. O curso também cresceu, de 1008 para 120 mm. O pneu traseiro ficou mais largo, com medida 150/60 R17, enquanto na frente foi mantido 110/60 R17. Os freios são a disco nas duas rodas, seja com sistema ABS ou CBS (Texto e fotos: Eduardo Rocha/Auto Press. Fotos do painel e em movimento: Equipe Caio Mattos/Honda).

 

Honda CB 300R NSC

Honda renova a linha CB 500

Impressões ao pilotar

Ganho global

São José dos Campos/São Paulo – Com a mudança compulsória no motor da Twister, a Honda decidiu apostar em um conceito visual um pouco mais malvado e sóbrio, com muitas partes em preto, como rodas, laterais e partes centrais da carenagem do farol e do tanque. Sobraram para identificar a cor do modelo as laterais do tanque, as laterais da carenagem frontal e a parte anterior do para-lama dianteiro – até a parte posterior é em preto. Ganhou ainda um painel mais minimalista, iluminação full led, banco de duas alturas e placa projetada para além da rabeta. Todos estes elementos criam uma certa conexão com o modelo imediatamente superior, a CB 500F.

Conforto

                Além do visual, a nova Twister está mais confortável e tem uma interface bem amigável. As suspensões de maior curso absorvem bem as irregularidades, mas o novo banco poderia ser um pouco mais macio e trazer o degrau mais próximo do piloto, para formar um pequeno apoio lombar. Já o painel é completo e muito funcional. A leitura do conta-giros requer uma certa familiaridade e os botões SEL e SET bem poderiam ser transferidos para o punho esquerdo, mas as demais informações são claras e facilmente acessáveis, mesmo sob o sol forte ou em dia de céu branco.

Vibrante

                O maior ganho da CB 300F foi mesmo em dinâmica. Tanto pela nova suspensão quanto pelo motor renovado, que teve um aumento de torque expressivo, principalmente com gasolina. As acelerações e as retomadas estão mais vigorosas e o modelo trafega em velocidades de autoestrada, em torno de 120 km/h – situação que dominou o test-ride –, sem parecer que está sendo ultrajado. Nesse ponto, porém, aparece um desagradável efeito colateral nessa renovação: o novo motor vibra bem mais. Não chega a ser uma Ducati com motor em L, mas incomoda em trajetos mais longos.