Na linha do estranhamento
Em um segmento à beira da extinção, o sedã médio Hyundai Elantra chega com um design radical
O novo Hyundai Elantra chegou em 2021 como um carro de design inovador para se diferenciar em um segmento corroído pela dinastia de SUVs. Existem poucos, mas conhecidos sedãs no segmento de médios, o C, onde estão o Toyota Corolla, o Nissan Sentra, que pode retornar ao Brasil este ano, o Chevrolet Cruze, Volkswagen Jetta e o Honda Civic 11, que retorna como importado em 2022. A estratégia da Hyundai com esta sétima geração do Elantra é aproveitar para usar seu visual inusitado para atrair a atenção para sua tecnologia e qualidade. Hoje o Elantra quer incomodar o andar de cima, de médios-grandes.

O tamanho, no entanto, é típico de sedã médio. São 4,68 metros de comprimento com 1,83 de largura, 1,42 de altura e 2,72 m de entre-eixos. O porta-malas acomoda até 474 litros de bagagem. Ou seja: ele cresceu em relação ao seu antecessor, principalmente no entre-eixos, que supera todos os rivais. Por outro lado, o Elantra é curto o bastante para alcançar o bom coeficiente de arrasto de 0,28 Cx. A impressão, no entanto, é que o Elantra parece menor do que é, muito por conta do design intrincado, cheio de composições geométricas.

A avaliação de um conceito de design é sempre subjetiva, mas no caso do sedã da Hyundai houve uma aposta arriscada, original e tremendamente moderna. O resultado imediato da chegada do Elantra envelheceu imediatamente os rivais, que ficaram parecendo carros da década passada. E ele traz vários elementos marcantes, como a grade muito baixa e larga em amalgamados com os conjuntos óticos, o “Z” que é formado pelos vincos nas laterais, que revela quase cinco planos diferentes no mesmo painel. A finalização é com um teto em ângulo com a tampa do porta-malas, como em um fastback. mas que avança além da linha das lanternas traseiras triangulares, conectadas entre si por uma barra de luz de led.

Por dentro, o novo Elantra não tem nada a ver com os demais modelos da Hyundai. Especialmente pela forma como o console o protege completamente o motorista. Pode-se dizer que há até inspiração aeronáutica, com os comandos digitais, alavanca de marcha em T e os detalhes cromados do volante que se assemelha a um manche. Em relação aos materiais. são originais e predominantemente de boa qualidade, com algumas superfícies macias e ásperas ao mesmo tempo. Há um certo excesso de uso de guarnições em preto brilhante, mas pelo menos nessa versão de topo, tudo é muito adequado.

Em relação a conteúdo, o modelo oferece carregador sem fio, painel digital de 10,25 polegadas configurável, bancos dianteiros com ajustes elétricos, ar-condicionado automático duplo, sensor de luz e chave presencial para travas e ignição. O sistema multimídia tem uma tela de 8 polegadas e incorpora portas USB, Bluetooth, espelhamento via Apple CarPlay, Android Auto e nesta versão mais equipada, um sistema de áudio Bose com oito alto-falantes. Equipamentos mais sofisticados, como acabamento em couro, iluminação full led e teto solar elétrico ficam reservados para versões superiores.

Os itens de segurança seguem esta mesma lógica de mercado. Nos modelos de entrada, aparecem apenas seis airbags, ABS, ESP, câmera de ré e sensor de obstáculos. Na versão Premium, o pacote é mais completo, com sensor dianteiro e o chamado pacote Stmart Sense, que inclui detector de ponto cego com assistência de prevenção de colisão lateral e alerta de tráfego cruzado, assistente de manutenção de faixa, frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, monitor de atenção ao motorista e farol alto automático( por George Beher, do Autocosmos.com, Chile. Exclusivo no Brasil para Auto Press).

Impressões ao dirigir
Dinâmica anacrônica
Além do design, outra característica do Elantra chama a atenção: a oferta de motores. Assim como acontecia com o modelo no Brasil, sob o capô só aparecem propulsores aspirados. O 1.6 litro de 128 cv e 16,5 kgfm e o 2.0 litros, da versão avaliada, com 157 cv e 19,5 kgfm, associados a uma transmissão automática de seis velocidades. O motor 2.0 é muito adequado para o carro e nada fora do comum, com boa saída da cidade e permite um manuseio realmente agradável. No entanto, isso se torna um problema para o Elantra. Afinal, o design é radical e o interior é de outro planeta, mas experiência de condução é trivial.

Não se trata de apenas colocar um motor turbo só porque o carro parece futurista. A questão é que o Elantra tem uma configuração muito boa de chassi, um acerto de suspensão bem mais equilibrado do que em outros carros da marca. E mesmo que falte um pouco de peso na frente – em alta velocidade, há uma leve sensação de flutuação –, poderia facilmente ser melhor explorado pela marca.

A direção é exageradamente assistida, mas não tira a agilidade do modelo e tem boa comunicação. O câmbio, embora não seja ruim, está configurado para ir ao ritmo do motor, por isso não vai ajuda muito. E no modo Sport é um tanto brusco e é preciso modular muito bem a pressão no acelerador. O Elantra é um ótimo carro, que supera seu antecessor em qualquer comparação. Mas não oferece a ousadia que seu design interno e externo promete.






