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O exagero do Golf

Seleção artificial

Golf GTI mostra excelência, mas Volkswagen supervaloriza o preço

com Jorge Beher

Autocosmos.com/Chile

Exclusivo no Brasil para Auto Press

O Volkswagen Golf GTI tem uma grande legião de fãs. Ao mesmo tempo, há muita gente que não vê nada de muito impressionante no esportivo da marca alemã. Mas é unânime que é um carro elegante, sóbrio, com excelentes capacidades dinâmicas e que pode ser usado tanto como carro de uso diário quanto esportivo para uma condução mais ousada. Outra característica é que o Golf GTI tem uma aura icônica mesmo que não chame atenção desnecessariamente. Dá até para passar como uma compra racional.

No Brasil, o Golf teve chance de criar um fã-clube nos dois períodos em que atuou fortemente no mercado. Nas duas vezes, começou sendo importado do México e da Alemanha para, na sequência, ser produzido no Paraná, primeiro entre 1994 e 2013, com o Golf 4, e depois entre 2015 e 2019, com o Golf 7 Por conta desse histórico, a Volkswagen decidiu explorar ao máximo a imagem positiva do modelo. E recorre a um das mais antigas estratégias de comércio: provocar escassez para gerar valor.

Agora, com o chamado Golf GTI 8.5, a marca o posicionou como carro de nicho. Em vez de disponibilizar o modelo em grande escala nas concessionárias para pronta entrega, adotou vendas sob encomenda, por lotes extremamente reduzidos e com regras de triagem restritas – critérios mais aplicáveis a carros extremamente luxuosos, como Rolls Royce ou Ferrari, e nunca em um modelo que tem produção próxima de 250 mil unidades anuais.

Nessa tática ousada da marca, a marca trouxe apenas 350 unidades iniciais logo complementadas por outras 150 unidades, que rapidamente se esgotaram. O que não deixa de impressionar, já que o preço era pouquíssimo convidativo, na casa dos R$ 430 mil. Além disso, limitou a entrada na fila a alguns critérios inéditos na marca: venda a um exemplar por CPF e a posse prévia comprovada de algum modelo esportivo da marca – pode ser até mesmo um Polo GTS.

Apesar de toda essa pompa, o Golf não se comporta como um esportivo de primeira linha. A personalidade GTI aparece quando há uma condução mais esportiva, quando exige que o piloto encontre a marcha mais apropriada em baixas e em médias rotações e também em estradas sinuosas. No entanto, em todas as outras ocasiões, o GTI parece sem graça, longe do que um hot hatch que deveria ser. Em vez de ser divertido, parece bem comportado. Aparentemente, o GTI foi vítima do seu próprio charme e com o tempo foi domesticado.

Este Golf GTI, que é o facelift da oitava geração, é 100% alemão. Ele oferece 265 cv de potência, 37,8 kgfm de torque e uma nova transmissão automática de dupla embreagem de sete marchas. Ele faz de zero a 100 em menos de 6 segundos e, como um bom carro esportivo, tem suspensão rebaixada, rodas de 18 ou de 19 polegadas, alguns modos de direção e, claro, alguns truques extras, como um escapamento duplo com som mais alto, amplificado digitalmente, e um modo de ignição chamado Emotion Start, que eleva um pouco as rotações e adiciona alguns estalos e estrondos para causar impressão.

Impressões ao dirigir

Tradição aprimorada

A avaliação do Golf GTI foi feita no Brasil, onde o modelo é tratado como exclusivo e custa o dobro do que é pedido no Chile, onde custa perto de US$ 40 mil – coisa de R$ 210 mil. As rodovias no trajeto de avaliação eram sinuosas, cheias de relevos e também de radares fotográficos. O asfalto também não é dos melhores, mas tudo isso ajudou a revelar parte da personalidade do carro.

Tudo de novo no GTI proporciona uma experiência refrescante e muito mais desperta. Não é mais necessário procurar o desempenho com o câmbio, pois hoje a entrega de torque e potência é mais elástica e energética. O modelo anterior era menos refinado na suspensão e isso ajuda na leitura do asfalto, mas está tão bem resolvido que até faz o carro parecer mais premium, talvez próximo de um BMW 128 Ti. Ao ter uma sétima marcha, as relações ficam mais curtas e permitem aproveitar mais do torque do motor, o que fica mais evidente em retomadas ou em situações que a estrada permite uma direção mais arriscada.

Obviamente, os carros de hoje são mais fáceis de dirigir e vão ficar cada vez mais dóceis. Mas uma coisa é o quão acordado o carro está, outra é o quão fácil é dirigir. Equipado com áudio Harman Kardon, bancos elétricos e de couro aquecidos, ADAS e luzes em matriz de LED, o GTI é um carro bem construído e bem equipado. Este novo GTI é ainda mais refinado, mas também é mais divertido de dirigir, mesmo em circunstâncias menos esportivas.