Fila na porta
Combinação de preço e dinâmica faz o sucesso do elétrico Geely EX2 Max
por Eduardo Rocha
Auto Press
Nem a Geely esperava um desempenho comercial tão bom do EX2. Claro que o compacto elétrico chegou com diversas características que permitiam supor que iria bem no mercado, como o desenho simpático, o bom nível de equipamento e principalmente a boa relação custo/benefício. A versão de topo Max, por exemplo, que custa R$ 136.800, é cerca de 10% mais barata que as versões de entrada de seus dois principais rivais diretos, BYD Dolphin e GWM Ora 03. E mesmo dividindo o salão da concessionária com a versão Pro, de R$ 123.800, responde por 62% das vendas.

Nos 10 meses entre sua chegada em novembro do ano passado até agosto, o EX2 emplacou quase 29 mil unidades. Apenas em agosto, o carrinho emplacou 5.800 unidades, o que o deixa em segundo lugar no segmento, atrás das 6.740 unidades do Dolphin e seis vezes mais que o GAC Aion UT, o terceiro colocado no segmento. Este volume, no entanto, tem sido insuficiente para sustentar a procura – a fila de espera é, em média, de 60 dias. Para contornar essa pressão, a marca, que é associada à Renault no Brasil, vai antecipar a montagem do modelo em CKD na fábrica conjunta em São José dos Pinhais, no Paraná. A previsão inicial era o final do ano, mas agora deve ser no início do quarto trimestre, logo após o lançamento do EX5 EM-i nacionalizado.

Além do preço atraente, o EX2 traz características mecânicas e conceituais que aumentam o interesse no mercado. O compacto traz o motor elétrico de maior densidade de potência do mercado e de menor consumo energético. Ele rende 116 cv, com torque de 15,3 kgfm. Ele é o posicionado sobre o eixo traseiro e traciona as rodas de trás. Por conta desse posicionamento, adotou suspensão traseira independente multilink – sistema mais eficiente e que só é encontrado em modelos maiores.

Essa configuração leva o modelo a até 140 km/h, com acelerações de zero a 50 km/h em 3,9 segundos e de zero a 100 km/h em 10,2 s. O propulsor é alimentado por uma bateria de 39,4 kWh, que oferece autonomia de 289 km no ciclo homologado pelo InMetro. A recarga pode ser feita em corrente alternada até 6,6 kW e contínua até 70 kW. No primeiro caso, em potência máxima, são necessárias 3 horas para ir de 30 a 80% da carga e no segundo, em menos de 20 minutos.

Outros recursos do EX2 Max também extrapolam o padrão do segmento. A central multimídia de 14,6 polegadas integra funções de espelhamento com comandos por voz. Ali também é projetada a imagem da câmera de 540º. Logo abaixo da tela, no console central, há um carregador por indução, o pequeno seletor de marcha e um conjunto de botões com funções de climatização. O minimalista painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas traz informações sobre autonomia, carga de bateria, velocímetro digital e uma representação gráfica dos veículos e pedestres em torno do modelo.

Em relação ao acabamento, o EX2 segue o padrão seguido pelos rivais, com revestimento em material sintético que imita couro e há algumas superfícies em plástico rígido. O console frontal e as portas trazem um aplique com a imagem retroiluminada de um skyline urbano, para reforçar a vocação do modelo. Na parte de segurança, o modelo traz seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de saída de faixa e farol alto automático como itens de série.

O design do EX2 segue um estilo mais orgânico, com linhas e volumes arredondados. As proporções dos dois volumes são equilibradas, com capô curto e habitáculo robusto. O hatch chinês tem 4,14 metros de comprimento, 1,81 m de largura e 1,58 m de altura. A versão Max traz pneus 205/60 R16. O entre-eixos de 2,65 metros garante bom espaço interno e o porta-malas comporta 375 litros. Um outro efeito colateral da motorização traseira é a presença do porta-malas dianteiro com capacidade para 70 litros, que comporta, com folga, uma mala de bordo (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto
Desempenho –O pequeno EX2 tem uma performance definida de forma bem racional, direcionada para o ambiente urbano, embora não fique desconfortável na estrada. São 116 cv, 15,3 kgfm para um modelo compacto de 1.300 kg. A relação peso potência de 11,2 kg/cv e a aceleração de zero a 100 km/h é feita em 10,2 segundos. Até aí, tudo parece típico para o segmento, mesmo entre os modelos a combustão. Só que não. A aceleração até 50 km/h em 3,9 s o deixa de 0,6 a 1,0 s mais rápido que um compacto 1.0 turbo. O torque instantâneo ainda dá enorme agilidade no tráfego urbano. A tração traseira, mesmo em arrancadas fortes, não faz a frente levantar e ajuda a manter a aderência. Nota 9.
Estabilidade – O pacote de bateria com cerca de 300 kg instalado entre os eixos deixa o modelo bastante neutro, mesmo quando forçado nas curvas – o que os pneus 205/60 R16 da versão Max ajudam bastante. O modelo ainda conta com uma boa distância livre para o solo, de 16 cm, o que permite um curso um pouco maior da suspensão e o deixa o EX2 mais à vontade para enfrentar as irregularidades tão regulares nos pavimentos brasileiros. A direção elétrica é leve, mas não anestesiada. Nota 9.

Interatividade – O EX2 traz comandos clássicos através de botões, sem tentar imprimir uma ideia vazia de modernidade. Na porta ficam o controle dos vidros e da trava e o ajuste dos retrovisores externos. No console, há botões para controlar a climatização e um pequeno joy stick para transmissão (que poderia facilmente migrar para uma haste no volante para liberar espaço entre os bancos). O volante traz comandos para o som e do ADAS. O painel digital, com 8,8 polegadas, oferece uma boa representação gráfica de veículos e pedestres no entorno. Já a central multimídia de 14,6 polegadas requer uma certa familiaridade e tem conexão meio complicada com smartphones, via cabo. Nota 8.
Consumo – Segundo o InMetro, o Geely EX2 é o modelo com o menor consumo energético entre todos vendidos no Brasil, com 0,39 Mj/km. São 289 km de autonomia no ciclo misto, com notas A no geral e no segmento. A equivalência de consumo com gasolina é de 60,1 km/l na cidade e 45,2 km/l na estrada, com custo por km calculado em R$ 0,10, com carregamento doméstico. Em um carregador de corrente alternada de 7,4 kW, leva em média 6 horas de zero a 100% de carga e em carregador de corrente contínua leva 25 minutos para recuperar de 10% para 80% da carga. Nota 10.

Conforto – O EX2 é tipicamente um carro urbano e tem um conjunto suspensivo bem adequado para as ruas e estradas brasileiras, por conta de uma suspensão independente nas quatro rodas e um bom curso de suspensão. Embora não seja extremamente macio, se comporta como um compacto a combustão – em geral, os elétricos são bem mais rígidos. Em asfalto liso, o conforto de rodagem é irretocável e o comportamento em acelerações e curvas são suavizados pela arquitetura e pela tração traseira do modelo. O isolamento acústico não é perfeito, mas é bem aceitável para o segmento. Nota 8.
Tecnologia – O compacto da Geely usa a plataforma modular GEA (Global Intelligent Electric Architecture), a mesma usada no EX5. Ela usa a bateria como estrutura, o que aumenta a rigidez torcional (tem 23 kNm/grau, a maior entre os compactos elétricos vendidos no Brasil, que usam o mesmo sistema Cell-to-body). A versão MAX traz um pacote básico, com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma, monitor de faixa e farol alto automático. O motor elétrico do compacto tem a maior densidade de potência do segmento. Além disso, é bem completo em relação a periféricos como freio de estacionamento elétrico, ar-condicionado automático, iluminação interna configurável, etc. Nota 9.

Habitabilidade – As dimensões posicionam o EX2 como um compacto com espaço interno generoso, O entre-eixos de 2,65 m e a altura de 1,58 m se convertem em conforto interno. A soma dos porta-malas dianteiro e traseiro chega a 445 litros, o maior do segmento. Nota 8.
Acabamento – O EX2 tem um bom acabamento, adequado ao segmento. São materiais de boa qualidade, mas sem luxo. Bancos, parte do painel e áreas de toque têm revestimento sintético, que é resistente, mas não refinado. Os encaixes são bons e as guarnições, com um grafismo de skyline urbano, são simpáticos e tentam imprimir uma imagem jovial. Nota 7.

Design – O compacto elétrico da Geely tem linhas sinuosas, com muita personalidade. A frente traz faróis em formato de gota e capô arredondado, com uma inclinação suave. A lateral é marcada por uma linha de cintura alta e reta, que separa de forma intensa as colunas e o teto, que na versão Max recebe a cor preta. A traseira traz lanternas também em gota, só mais alongadas. As rodas, com um desenho geométrico, também chamam a atenção. O conjunto é simpático e bastante original. Nota 9.
Custo/benefício – O EX2 Max é muito bem recheado e se posiciona abaixo dos rivais diretos. Em potência, fica entre o BYD Dolphin GS e o GWM Ora 03, que custam a partir de R$ 150 mil – quase 10% mais caros que a versão de topo do compacto da Geely. Ele sai por R$ 13 mil a mais que a versão Pro e justifica essa diferença com recursos de segurança, estéticos e de conforto. Ainda assim, a versão MAX responde por cerca de 60% das vendas. Nota 8.
Total – O Geely EX2 Max obteve 85 pontos de 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Tração atraente
A máxima de colocar o carro na frente dos bois até funciona como analogia de uma atitude precipitada, mas no mundo automotivo, significa maior controle dinâmico para quem conduz. Daí a tração e motor traseiros do EX2 gerarem um comportamento peculiar, pouquíssimo comum em um universo que, cada dia mais, adota a tração dianteira – de menor custo nos carros com motor a combustão.

A configuração de motor e tração no eixo traseiro deixa a direção mais precisa, já que não sofre com o torque nas rodas, e favorece um controle maior nas manobras. Nas acelerações e retomadas, os movimentos longitudinais são amenizados para os ocupantes, pois o carro é puxado e não empurrado. A estabilidade do hatch ainda é acentuada pelo rebaixamento do centro de gravidade, pela presença de quase 300 kg de bateria entre os eixos.

Mesmo sendo extremamente eficiente, os 116 cv e 15,3 kgfm do EX2 animam o compacto de forma interessante. O zero a 100 km/h é feito em 10,2 segundos, mas como é um veículo pensado para a cidade, o zero a 50 km/h em 3,9 segundos é mais impressionante. O modelo ainda tem um ângulo de esterçamento das rodas em até 41º (outra vantagem da tração traseira). O raio de giro fica abaixo dos 5 metros.

O acabamento traz revestimentos em couro sintético, que são ao mesmo tempo resistentes e desprovidos de requinte. Os padrões estéticos de painéis internos e guarnições são agradáveis, mas é óbvio que a prioridade não é o luxo (o que é bem adequado ao segmento). O interior busca a praticidade, com uma boa oferta de nichos. O porta-luvas, por exemplo, é uma gaveta com tampa basculante.
Ficha técnica
Geely EX2 Max
Motor: Elétrico, transversal, traseiro, síncrono de ímãs permanentes.
Transmissão: Uma marcha à frente e uma a ré. Tração traseira. Traz controle eletrônico de tração e estabilidade de série. Modos de condução Eco, Comfort e Sport.
Potência: 116 cv.
Torque: 15,3 kgfm.
Aceleração de zero a 100 km/h: 10,2 segundos.
Velocidade máxima: 140 km/h.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira multilink com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais.
Pneus: 205/60 R16 com kit de reparo.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Freios ABS com EBD, assistência de partida em rampa e freios regenerativos.
Segurança: controle de tração e estabilidade, ABS com distribuição eletrônica de frenagem, controle de descida, assistente de partida em rampa, sistema anticapotamento, monitoramento da pressão dos pneus, airbags frontais, de cortina dianteiros e de cortina traseiros, alerta de cinto de segurança com detecção de ocupação para todos os assentos, sensores de estacionamento traseiros, alarme antifurto, alerta sonoro externo em baixa velocidade, sistema Isofix para cadeira infantil.
Recursos ADAS: controle de cruzeiro adaptativo, alerta de mudança de faixa, frenagem autônoma de emergência, farol alto automático e câmera panorâmica 360º + 180°.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,14 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,58 m de altura e 2,65 m de distância entre-eixos. Distância livre para o solo de 16 cm.
Peso: 1.300 kg.
Porta-malas: 375/1.320 litros atrás e 70 litros sob o capô.
Bateria: Com 39,4 kWh de capacidade. Portas de carregamento CA com 6,6 kW de capacidade e CC com 70 kW de capacidade.
Autonomia na norma InMetro PBEV: 289 km.
Produção: Hunan, China.
Lançamento no Brasil: novembro de 2025.
Preço: R$ 136.800.





