No olho do furacão
SUV da Volks melhora acabamento, mas preço derruba a competitividade
por Eduardo Rocha
Auto Press
A Volkswagen aproveitou a atualização de meia vida de Taos para mudar algumas coisas. Entre elas, o remetente. O SUV médio vinha da Argentina desde que foi lançado, em 2021, mas os modelos vendidos no Brasil desde o início deste ano têm origem no México. E essa mudança fez bem ao modelo. Principalmente em relação ao acabamento interno, uma das principais deficiências da primeira fase do Taos, foi melhorado de forma sensível. O grande problema é que atualmente, o segmento de SUVs/crossovers médios-compactos é um dos mais disputados do mercado.

A troca de General Pacheco por Puebla pode ter melhorado a rentabilidade para a Volkswagen – que ganhou escala e fugiu da crise argentina –, mas os preços ainda tornam a vida do modelo difícil. Os preços continuam bem altos em relação aos rivais diretos a combustão que mais vendem: Jeep Compass, Chery Tiggo 7, que são oferecidos abaixo de R$ 150 mil. Já o Taos tem preço inicial de R$ 199.990, na versão avaliada Comfortline, e R$ 214.490 na Highline. Esses valores são nivelados com as versões a combustão do Toyota Corolla Cross.

Não por acaso, o ranking dos modelos a combustão é liderado por Compass, com média de 4.500 unidades/mês, seguido de Tiggo 7, com 2.700, Corolla Cross, com 1.650, e fecha com o Taos e suas 1.250 unidades médias mensais. Uma dificuldade adicional no segmento é ser o preferido dos modelos eletrificados. Nesse caso, o SUV médio de entrada da Volkswagen é ultrapassado ainda por BYD Song Pro e Omoda 5, que têm média de 2.950 e 1.530 unidades mensais e são mais baratos.
Mas não se pode reputar o desempenho do Taos apenas à chegada dos híbridos. Desde seu lançamento, as vendas oscilaram entre 1 mil e 1.500 unidades. Para tentar mudar esse patamar, a marca promoveu, além da mudança no visual, melhorias no nível de acabamento e de equipamentos, principalmente na configuração Comfortline.

No caso, a versão ganhou faróis em matriz de LED IQ.Light como nova assinatura luminosa e tornou de série alguns recursos ADAS que eram opcionais, como controle de cruzeiro adaptativo com Spot and Go, alerta de colisão com frenagem autônoma e farol alto automático. Ainda ficaram de fora monitor de faixa, sensor de ponto cego e de tráfego cruzado traseiro, presentes na Highline.
No visual frontal, o Taos adotou o novo face-family da marca. A parte inferior do novo para-choque traz uma grade em formato de trapézio invertido que ganha uma grossa moldura em prata. Na traseira, a mudança é o logo iluminado em vermelho, encaixado numa barra acrílica com uma linha de led, também em vermelho, que conecta as lanternas.

Por dentro, o painel digital configurável foi redesenhado e tem agora 10,25 polegadas. A tela com 10,1 polegadas da central multimídia passou a ser flutuante e o sistema VW Play ganhou aplicativos novos e espelhamento sem fio de Apple CarPlay e Android Auto. Embora não traga botões físicos, boa parte dos comandos pode ser efetivada através do volante multifuncional. No console central há comandos para o ar-condicionado de duas zonas e o carregador por indução.

Sob o capô, foi mantido o motor 1.4 TSI, que era usado no Taos argentino, que rende 150 cv e 25,5 kgfm. A novidade é que agora ele é gerenciado por um câmbio automático de oito marchas. Mas não foi dessa vez que o moderno 1.5 TSI, que já é fabricado em São Carlos, vai animar o modelo – isso só vai acontecer na segunda geração do Taos, que será feita no Brasil em 2028, quando vai receber versões eletrificadas (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto
Desempenho – O novo Taos Comfortline com câmbio de oito marchas teve um ganho expressivo no comportamento dinâmico. O motor 1.4 TSI, que sempre foi bastante elástico, ganhou mais agilidade, principalmente em arrancadas e em velocidades baixas e médias, por conta das três primeiras marchas mais curtas na linha 2026. Embora o motivo da adoção do câmbio de oito marchas tenha sido reduzir o consumo para cumprir normas de emissões, a engenharia mexicana mudou o escalonamento e deixou o crossover médio mais ágil, com progressão de aceleração mais suave e desempenho ligeiramente esportivo. Nota 8.

Estabilidade – O Taos traz a plataforma MQB Evo, que acomoda modelos que vão de pouco mais de mil kg até 2 mil kg (no caso do SUV Atlas, vendido nos Estados Unidos). O Taos está meio no meio desse espectro e tem a vantagem sobre os modelos mais leves de contar com suspensão multilink atrás. Por isso, exibe um comportamento equilibrado e neutro, característico da Volkswagen, com rigidez controlada, que consegue filtrar pequenas irregularidades e mostra robustez para desníveis mais acentuados. O Taos rola pouco mesmo em curvas mais forçadas e em velocidades mais altas não exige correções de trajetória. Nota 9.
Interatividade – A geografia do interior do Taos é também típica dos modelos da Volkswagen, o que torna tudo muito familiar. Os comandos estão nos lugares esperados e são bem acessíveis. O sistema multimídia VW Play ficou mais rápido e tem espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. Faltam botões físicos, mas pode-se controlar várias funções e o som pelo volante multifuncional. O modelo também ganhou acesso ao aplicativo Meu VW, com funções de localização, travas, criação de cerca virtual, modo manobrista, diagnóstico, acesso às informações do computador de bordo etc. Nota 8.
Consumo – A avaliação de consumo do InMetro, para o sistema de etiquetagem veicular, o Taos Comfortline faz a média de 7,7 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada com etanol e 11,1 e 13,3 km/l, respectivamente, com gasolina. Esses números são 10% melhores que os do Taos com câmbio de seis marchas e valeram notas A na categoria e C no geral. Nota 8.
Conforto – A suspensão tem o tradicional acerto que mantém a carroceria sob controle e só afeta o conforto quando enfrenta pisos mais desnivelados. Os bancos ganharam corpo e ficaram mais confortáveis para trajetos longos. O espaço interno é bem adequado para um SUV médio e suporta até um quinto ocupante se não for por muito tempo. O motor quase não é ouvido no interior. Nota 7.

Tecnologia – O Taos é construído em torno da plataforma com MQB Evo, com especificação A1, para modelos médios, que foi lançada em 2016 e apesar de não ser tão leve quanto plataforma mais recente, ainda é bem atual. Já o motor 1.4 turbo está defasado até mesmo dentro do Grupo Volkswagen, que já o substituiu por um motor 1.5 em mercados mais exigentes. Ele ganhou faróis em matriz de LED, com farol alto automático. A versão também passou a trazer recursos de assistência de série, como controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão e frenagem autônoma. Nota 8.
Habitabilidade – O Taos acomoda bem quatro adultos e uma criança. O espaço é bom para pernas e cabeça, como costuma acontecer com SUVs médios. Assim como o acesso ao habitáculo, auxiliado pela altura do modelo. Já o porta-malas tem uma capacidade razoável. Em posição normal, pode carregar 498 litros, o que é bom. Vários porta-objetos espalhados pelo interior ajudam no dia a dia. Nota 8.

Acabamento – A Volkswagen mudou um pouco a abordagem em relação ao acabamento do Taos. O modelo ganhou superfícies com espuma sob o revestimento em couro sintético nas portas e no console frontal, o que melhorou bastante o aspecto geral. O porta-malas também adotou um revestimento mais caprichado. O conceito de design é o típico dos Volkswagen dessa geração, com linhas horizontais para valorizar a largura do habitáculo. Nota 7.
Design – O Taos traz a evolução do face family da Volkswagen, que incorpora elementos dos modelos elétricos. O modelo adotou a tendência de lanternas traseiras interligadas e aqui ganhou ainda a logomarca da Volkswagen retroiluminada em vermelho. As superfícies seguem o conceito de vincos bem-marcados, estilo que vem sendo suavizado nos modelos com design mais recente. Ainda é um carro interessante, de porte imponente. Nota 8.
Custo/benefício – Esse é o calcanhar de Aquiles do Taos. O modelo começa de R$ 199.990 e tem poucos elementos para custar até R$ 50 mil a mais que rivais diretos, mesmo que todos tenham motorização mais potente. Isso se reflete diretamente no desempenho de vendas do modelo. Nota 6.
Total – O Volkswagen Taos Comfortline 2026 somou 77 pontos de 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Ganhos sensíveis
O motor 1.4 turbo, chamado de 250 TSI, se entende muito bem com o novo câmbio da Aisin de oito marchas. Os reflexos disso aparecem tanto no consumo (é, em média, 1 km/l mais econômico que o antecessor, em todas as situações) como na disposição. A aceleração de zero a 100 caiu de 9,3 para 9,0 segundos e a máxima aumentou de 194 para 197 km/h, sempre com etanol. Mas o mais relevante é a maior agilidade em velocidades baixas, como na cidade, e nas arrancadas.

O ganho não veio apenas pela adoção do câmbio de oito velocidades, pois ele já estava presente no modelo feito na Argentina. Acontece que a engenharia mexicana decidiu mexer no escalonamento das marchas, com relações mais curtas nas três primeiras, levando em conta o uso mais intenso em ambiente urbano, como ocorre no Brasil e também no México, mas não tanto nos pampas argentinos.

Mesmo com a melhora no desempenho, os 150 cv ainda têm ua trabalho pesado, de carregar os 1.421 kg do Taos, numa relação peso/potência de 9,47 kg/cv. É aceitável, mas não empolga. Essa, aliás, é uma boa definição para o comportamento dinâmico do Taos. As arrancadas e as retomadas são feitas sem um grande esforço e o convívio com o modelo é muito agradável.

A cabine tem bom isolamento e o som do motor só é percebido quando é muito exigido. A dinâmica do SUV se completa pelo bom controle de carroceria oferecido pela suspensão, que tem configuração multilink na traseira, em um acerto que, apesar de rígido, ainda oferece um bom nível de conforto. Apenas em pavimentos ruins, o conforto fica comprometido. Até porque o Taos está mais para crossover do que para SUV.

Mas o melhor da linha 2026 do Taos é a maior qualidade de acabamento. Os materiais dos revestimentos dos bancos e os painéis de porta e frontal com toque macio tornaram o interior mais agradável. A forração dos bancos em duas cores também mostra um cuidado maior da marca com o modelo.
Ficha Técnica
Volkswagen Taos Comfortline 2026
Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 1.395 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro. Com injeção direta de combustível, turbocompressor e comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração e bloqueio eletrônico do diferencial.
Potência máxima: 150 cv a 4.500 rpm.
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,0 s com etanol e 9,2 s com gasolina.
Velocidade máxima: 197 km/h com etanol ou gasolina.
Torque máximo: 25,5 kgfm a partir de 1.500 rpm.
Diâmetro e curso: 74,5 mm x 80 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferiores e barra estabilizadora. Traseira independente multilink com braços de controle longitudinais, molas helicoidais e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira. Oferece assistente para partida em subida.
Pneus: 215/55 R18.
Carroceria Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,47 metros de comprimento, 2,10 m de largura, 1,63 m de altura e 2,68 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cabeça de série.
Peso: 1.421 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 498 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Produção: Puebla, México.
Lançamento: maio de 2021.
Facelift: janeiro de 2026
Preço: R$ 199.990.(+ R$ 2.200 pela pintura na cor preta).





