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R8 V10 RWD: dinâmica clássica

Esportividade raiz

Audi R8 V10 RWD mostra porque os esportivos de tração traseira nunca poderão morrer

            Desde que o R8 foi apresentado ao mundo como conceito durante o Salão de Genebra, em 2003, até hoje, a expectativa é que a Audi fosse criar versões radicais do superesportivo. Mas foram necessários 15 anos para que uma configuração clássica, motor dianteiro e tração traseira, finalmente chegasse. E a espera valeu a pena. O R8 é um modelo que ajudou a marca alemã a traçar um novo caminho para seus veículos de produção.

           Com o superesportivo desenvolvido pela Audi Sport, se baseou inicialmente no Lamborghini Gallardo, mas com o nome diversas soluções tiradas do R8 Le Mans Prototype. Mas para chegar ao topo na concepção de esportivo para os mais puristas, sempre faltou a tração traseira.

            Finalmente, nesta segunda geração, baseada novamente em um Lamborghini, o Huracán, a Audi Sport criou o Audi R8 V10 Performance RWD, um carro esportivo nato que faz das pistas seu habitat natural – no caso, no Autódromo Hermanos Rodriguez. A rigor, qualquer tentativa de explorar a esportividade do modelo em outro ambiente beira a insanidade.

            O comportamento e a capacidade dessa versão está muito além do que se pode deduzir da ficha técnica. Mesmo que ela já diga bastante: são 570 cv, 56,1 kgfm, 1.665 kg, zero a 100 km/h em 3,7 segundos e máxima de 329 km/h.

            Visualmente, o R8 projeta tudo o que representa a divisão de preparação Audi Sport: design requintado e acabamentos com a mais alta qualidade disponível, acompanhado de um pacote de customização que termina onde a carteira permite. Essa é outra de suas virtudes. Sem tanta alegoria esportiva no lado de fora ou supersaturação de componentes na cabine, o bólido continua sendo um belo carro esportivo alemão que prioriza o que mais importa, que é o desempenho.

            O R8 vive seus melhores anos, mas provavelmente será o último do gênero na marca com combustão interna (Texto de Jonathan Miranda, do Autocosmos México, exclusivo no Brasil para Auto Press. Fotos de divulgação).

Primeiras impressões

Além da imaginação

            No momento que se acomoda ao volante do Audi R8 RWD já se percebe que é diferente. A sensação é estar em um monoposto, pois o motorista fica cercado e parece vestir o carro. A posição de dirigir é mais privilegiada em todos os sentidos, desde a ergonomia e facilidade com que lida com cada componente até o senso de perspectiva proporcionado tanto pelo painel digital, o virtual cockpit, quanto pelo volante esportivo de base reta, tudo é projetado para manter a atenção bem focada na estrada.

            O que se segue é uma sensação intoxicante e viciante de impulso fornecida pelo motor central traseiro. O propulsor V10 de 5.2 litros emite uma sinfonia sonora entre 4 mil e 5.500 rpm, a transmissão entrega energia para o eixo traseiro de forma intensa e a aceleração pode ser tão progressiva ou agressiva quanto solicitada ou configurada através dos modos de condução do Audi Drive Select. O R8 é exaltado, mas equilibrado, agressivo, mas fácil de conter. A direção sempre comunica tudo. O torque é liberado sem filtro, solta a traseira com facilidade e antecipa que o R8 não tolera abusos.

            Uma má decisão com o acelerador ou volante é suficiente para o cupê levar o condutor às vicissitudes da tração traseira: ruído desenfreado, pneus gritando e sobre-esterço violento. Com um rápido contra-esterço para buscar o carro e uma boa dosagem do pé direito, o Audi R8 RWD devolve o controle e provoca um sorriso de excitação. Na reta, a fúria do motor é capaz de fazer a adrenalina ferver. O Audi R8 V10 RWD é, sem dúvida, uma joia da engenharia, capaz de agradar o mais rigoroso purista.