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ID.3 e ID.4: Elétricos de exibição

Ligação com o futuro

Volkswagen faz turnê com os elétricos ID.3 e ID.4, que não devem chegar tão cedo ao mercado brasileiro

                Embora já sejam acessíveis nos mercados na Europa e Estados Unidos, na América Latina os elétricos ID.3 e ID.4, da Volkswagen, são tratados como carros de exibição. Ou seja: vão demorar um bocado para chegar de fato nos países periféricos. Ambos os modelos são baseados na nova plataforma modular MEB, que coloca as baterias no chão, entre os eixos e o motor no eixo traseiro, nas versões mais simples – que são as mostradas abaixo do Equador – ou com dois motores, um em cada eixo. No primeiro caso, o modelo oferece 204 cv e 31,6 kgfm, enquanto nos modelos com tração integral chegam a 299 cv, com 46,9 kgfm.

                A plataforma permite ainda baterias de diferentes tamanhos, o que altera a capacidade de carga, que pode ser de 52, 58 ou 77 kWh. A bateria de 58 kWh aparece no modelo ID.3 e promete, no generoso ciclo europeu WLTP, 410 km de autonomia. Ele é sempre movimentado pelo motor traseiro e é capaz de fazer de zero a 100 kkm/h em 7,3 segundos, com máxima de 160 km/h.

                Já o modelo ID.4 pode receber tanto a bateria de 52 quanto a de 77 kWh. No primeiro caso, a autonomia é de 340 km, enquanto na de 77 kWh chega aos 500 km no ciclo WLTP e 450 no ciclo EPA, a agência ambiental estadunidense.

                O ID.4 com 77 kWh é o único vendido no mercado norte-americano, seja com tração traseira, seja com tração integral. O modelo com dois motores e 299 cv faz de zero a 100 em 6.9 segundos. Já o modelo com tração traseira com 204 cv faz o zero a 100 km/h em 8,5 segundos. O ID.4 tem na Europa outras versões menos potentes, para cair em alíquotas menores do fisco, com 148, 170 e 174 cv, com zero a 100km/h em 10,9, 9 e 8,9 segundos, respectivamente. A máxima, limitado eletronicamente, é sempre de 160 km/h.

                A bateria pode ser recarregada de diferentes maneiras. Com um sistema rápido, daqueles que estariam em espaços públicos em um mundo ideal, com 150 kWh, seriam necessários 30 minutos para recuperar 80% da carga da bateria. Usando um wallbox doméstico, de 7,4 kWh, levaria cerca de 8 horas.( por Hernando Calaza, do Autocosmos/Argentina. Exclusivo no Brasil para Auto Press. Fotos de divulgação).

O elétrico Volkswagen ID.4 vai a favor da corrente

Primeiras impressões

Sem as mãos

                A não ser pelo porte e tamanho, os modelos ID.3 e ID.4 apresentados pela Volkswagen são bem parecidos. Ambos trazem o motor único no eixo traseiro. Pela posição do propulsor, o assoalho do porta-malas fica um pouco alto, mesmo sem a presença de estepe. Já o capô dianteiro esconde diferentes componentes, como fluidos e radiador, mas seria um bom lugar para colocar a roda sobressalente, como no antigo Fiat 147 ou nos primeiros Volkswagen Gol com motor refrigerado a ar.

                A primeira coisa que chama a atenção é o seletor de marcha: um cone rotativo que sai do painel de instrumentos, onde se pode escolher para a frente, para a frente com frenagem regenerativa, reverso e parking em um botão central. A resposta dos elétricos da marca alemã nas arrancadas não é a de um carro esportivo, mas como um bom elétrico há muito torque inicial. O modelo disponibiliza 204 cv de potência, mas acima de tudo 31,6 kgfm. Apesar de não ser muito para um modelo que pesa mais de 1.800 kg, é quase instantâneo e tem entrega constante.

                O painel de instrumentos é uma tela relativamente pequena, anexada à coluna de direção e se move junto com o volante. Há muita informação disponível, mas tudo em formato digital, sem mostradores ou ponteiros. A tela principal é grande, dá-lhe todo o tipo de informação, mas especialmente no que diz respeito à autonomia e à recarga regenerativa. Algo que chama a atenção é o Head-up display, que tem uma projeção que é quase realidade aumentada.

                Algo curioso é que tudo no ID.3 e ID.4 é tátil, desde a superfície para abrir e fechar a cortina do teto panorâmico, luzes e botões do volante até a iluminação interna. A direção é precisa, o freio atua de forma correta e o som interior era gritantemente ausente. No caso do ID.4, a função de regeneração era mais agressiva. Em baixa velocidade pode perfeitamente substituir o freio. O ID.3 traz o sistema Travel Assist, que reúne os recursos típicos ADAS, como manutenção e centralidade de faixa e controle de cruzeiro adaptativo, entre outros.

                O mais interessante, no entanto, é um assistente de condução que monitora o motorista. Caso ele solte o volante, o carro inicia um protocolo de segurança. Primeiro avisa na tela para o condutor pegar o volante. Depois dá um alerta sonoro. Na sequência, começa a dar puxões no cinto de segurança. Se nada acontece, o carro buzina três vezes, liga os faróis e reduz a velocidade até parar. Por fim, ligar para 190 para pedir socorro. A marca diz que, se isso aconteceu em uma rodovia movimentada, o modelo usa todos os sensores para não frear completamente e evitar uma colisão traseira. Chega até a mudar de faixa para se colocar em um lugar mais seguro para frear.