Combinado de mercado
Leapmotor B10 PHEV tem bom conteúdo, mas a autonomia elétrica é curta
com Marco Angel Robles Rodriguez
Autocosmos.com/México
Exclusivo no Brasil para Auto Press
A Stellantis parece que ainda está em busca de um modelo que justifique o investimento na marca Leapmotor no Brasil. As variantes elétrica e híbrida do C10 e a elétrica do B10, até agora, não foram efetivas no mercado. Somados, os três modelos não alcançaram 6 mil unidades nos oito primeiros meses deste ano, sendo que desse total, 3.600, ou 60% correspondem aos emplacamentos do modelo C10 PHEV. Por este desempenho, o próximo passo lógico era mesmo apresentar a versão híbrida do SUV médio B10, para tentar roubar um pouco do público de modelos como BYD Song Pro e GWM Haval H6, que chegaram a 27 mil e 17 mil unidades no mesmo período. E o preço é pensado exatamente para isso. O B10 PHEV chega em versão única por R$ 179.990 – na faixa de entrada dos rivais.

O B10 é o modelo escolhido pela marca para iniciar a produção local na Leapmotor no Brasil – que ocorrerá em Goiana, Pernambuco, a partir do ano que vem. Por fora, o crossover não apresenta maiores diferenças em relação ao modelo 100% elétrico, apresentado em abril e que, até agora vendeu cerca de 250 unidades por mês. O B10 apresenta uma estética limpa, sem muitos detalhes, com design um tanto genérico, com pouca personalidade. A frente traz uma pequena faixa na borda do capô conectando um conjunto ótico que contém faixas em LED com luzes de direção, de posição e DRL. Logo abaixo, os faróis principais ficam encrustados em cluster. Na base do para-choque, há uma entrada de ar com faróis de neblina nas extremidades.

A partir daí começa um capô reto, com vincos logo abaixo das janelas e curvatura musculosa na base das portas. A coluna dianteira é bem inclinada e o teto segue em uma curva suave até um discreto spoiler no ponto de encontro com a coluna traseira. As linhas são arredondadas e o perfil é típico de crossover. A parte de trás mantém a limpeza, com lanternas que vão um lado ao outro da tampa do porta-malas, com uma linha fina de LEDs, que também apresenta um padrão tracejado.

As rodas de liga leve são diamantadas, combinando pintura preta com alumínio escovado e são calçadas por pneus 225/50 R18 no eixo dianteiro e 235/50 R18 no traseiro. No total, o B10 mede 4,53 m de comprimento, 1,89 m de largura, 1,67 m de altura e tem 2,74 m entre as rodas, com um peso vazio de 1.850 quilos. No sistema VDA, o porta-malas oferece 334 litros de espaço, que pode ser ampliado para 1.005 litros até a linha da janela com o encosto da fileira traseira rebatido.

O motor combina um bloco de gasolina de quatro cilindros e 1.5 litro, que funciona apenas como gerador, com um motor elétrico de 218 cv de potência e 24,5 kgfm de torque, único responsável por movimentar o veículo. O sistema elétrico é alimentado por um pacote de baterias de lítio-ferro-fosfato com capacidade de 18,8 kWh, o que permite que ele funcione em modo 100% elétrico por 68 km. A média de consumo segundo o InMetro é de 13,5 km/l em ambiente urbano e 12,3 km/l em rodovia. Como tem um tanque de 50 litros, consegue rodar até 675 km na cidade e 615 km na estrada.

A tração e o motor elétrico são traseiros, o que explica os pneus mais largos atrás. A marca anuncia 3h30 de recarga de 0 a 100% da bateria em corrente alternada até 6,6 kW e 32 minutos para ir de 30% a 80% em um carregador de corrente contínua de até 46 kW. O B10 PHEV acelera de zero a 100 km/h em 7,8 segundos e atinge velocidade máxima de 170 km/h.
Primeiras impressões
Modelo chinês
Na lógica imediata, um veículo com tecnologia PHEV parece a combinação perfeita de um trem motriz. Todos os benefícios da aceleração de um carro elétrico com a tranquilidade de poder abastecer de gasolina e viajar para onde quiser, além de poder usar um carregador e praticamente ter um veículo elétrico no uso diário, com a economia de combustível que isso representa. Obviamente que é a combinação de três sistemas – dois motores e o módulo híbrido –, que torna tudo mais complexo.

O computador do B10 é programado para prever uma autonomia de 900 km, por isso foi entregue para a avaliação marcando um alcance de 877 km, com tanque cheio e 75% de bateria. Após uma semana de uso normal na cidade estava abaixo de 700 km, embora não se tenha rodado tanto. O interior é espaçoso, confortável e com acabamentos bons. Praticamente todos os controles são diretamente na tela multimídia, o que dificulta o uso de várias funções com o veículo em movimento.

De qualquer forma, não chega a ser complicado acessar programas para ajustar os retrovisores laterais, dobrá-los, ligar ou desligar alguns dos assistentes ADAS, que são bem calibrados e não invasivos. O Leapmotor B10 chega em uma única versão e integra 17 assistências de direção ADAS e um sistema de entretenimento com tela multimídia de 14,6 polegadas, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além de um sistema de som com 12 alto-falantes.

Talvez os dois elementos que possam ser melhorados sejam a abertura com as maçanetas escondidas, porque você precisa empurrá-las com o dedo para poder pegar e abrir as portas e o destravamento pelo cartão NFC – que pode ser feito também pelo celular, o que é mais trabalhoso do que apertar um botão numa chave ou a abertura por aproximação. De maneira geral, a experiência de direção, o conforto, a tecnologia, a entrega de potência e a eficiência tornam o B10 um produto interessante, até pela sua relação custo/benefício.

Ficha técnica
Leapmotor B10 PHEV
Motor a combustão (gerador): Gasolina, ciclo Atkinson, aspirado, transversal, dianteiro, com 1.499 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Injeção multiponto.
Potência: 88 cv a 5 mil rpm.
Torque: 12,7 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro X curso: 73,5 x 88,3 mm.
Taxa de compressão: 15,3:1.
Capacidade do reservatório de combustível: 50 litros.
Motor elétrico: Traseiro, elétrico síncrono com ímã permanente com arrefecimento líquido. Alimentado por um conjunto de baterias de íons de Fosfato-Ferro-Lítio com 18,8 kWh. Controle eletrônico de aceleração.
Transmissão: Por engrenagem de relação única ligada diretamente ao diferencial. Tração traseira.
Potência: 160 kW, ou 218 cv.
Torque máximo: 24,5 kgfm.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, independente com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira independente multilink com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 225/50 R18 na frente e 235/50 R18 atrás.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás com sistema regenerativo de energia integrado.
Aceleração 0-100 km/h: 7,8 segundos.
Velocidade máxima: 170 km/h
Carroceria: SUV em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,53 metros com 1,89 m de largura, 1,67 m de altura e 2,74 m de entre-eixos. Possui airbags frontais, laterais, de cabeça e de joelho para o motorista.
Peso: 1.850 kg.
Capacidade do porta-malas: 334 litros.
Autonomia: 675 km na cidade e 615 km na estrada.
Lançamento no Brasil: setembro de 2026.
Produção: Zhejiang, China.






