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O poderoso Cayenne

Mais e melhor desempenho

Maior SUV da Porsche renova o visual, ganha potência e suspensão melhorada

Marcelo Palomino

O Porsche Cayenne de terceira geração passou por uma atualização pouco visível a olho nu, mas bastante efetiva. Este face-lift de meia-vida do Cayenne traz melhorias no desempenho em estrada, luxo interior e conforto para o uso diário, mas também incorpora uma discreta atualização estética exterior e um novo interior, muito mais tecnológico. E em questões mecânicas, esta renovação chega para as SUV e Coupé e nas versões Cayenne, com motor V6, Cayenne S com motor V8, Cayenne e-Hybrid e o poderoso Cayenne Turbo GT Coupé, com motor V8 biturbo, que mantém sua atual configuração portentosa. No Brasil, a Porsche está trazendo apenas as versões Cayenne S, Cayenne S Coupé e Cayenne Turbo GT Coupé, respectivamente por R$ 810 mil, R$ 840 mil e R$ 1.350 mil. Sem opcionais.

Chama a atenção no novo Cayenne a renovação do habitáculo. Este novo interior é derivado do Taycan e segue o conceito batizado pela marca de Porsche Driver Experience, com uma proposta extremamente digital, que inclui até quatro telas frontais atuando simultaneamente. O painel de instrumentos é novo, uma tela curva de alta resolução com 12,6 polegadas, o que elimina para sempre os cinco relógios analógicos tradicionais da marca. Estes são os novos tempos. Para os nostálgicos, uma das configurações de tela é, justamente, reproduzindo os marcadores circulares. O estranho sobre o design é que a Porsche diz que a tela é de tão boa qualidade e resolução que não há reflexos que perturbam o olho e, portanto, elimina a viseira nele. É verdade que, em pleno sol do meio-dia, a tela oferecia excelente legibilidade, mas a ausência da viseira sobre o cluster é, no mínimo, estranhável.

A segunda tela é a da central multimídia, PCM, com 12,3 polegadas. O sistema, além da conectividade sem fio aos celulares, oferece controle de diversas seções, como sistema de som, navegação e controles do carro. Em geral, a experiência do usuário é muito boa, com uma operação fluida e simples. Não é o sistema mais intuitivo à primeira vista, mas com um pouco de familiarização, fica fácil se relacionar com o equipamento. Só é preciso aprender a navegar entre os menus e tudo se simplifica.

A terceira e quarta telas são opcionais. A primeira é a do Head-Up Display e a segunda é específica para o carona, com 10,9 polegadas. Nessa, o ocupante pode gerenciar funções como controle de temperatura e navegação, mas acima de tudo pode se divertir assistindo a uma série ou vídeos, inclusive do YouTube. Por segurança, esta tela tem uma película que direciona as imagens diretamente para a frente – para impedir que o motorista enxergue o que se passa ali – até para não contrariar as regras de trânsito.

Em geral, interiores com controle tão digitalizados provoca uma certa rejeição por serem menos funcionais para o motorista, se comparado a comandos físicos bem colocados. Como acontece em relação aos controles para ar-condicionado, localizado no console central, com um toque agradável e muito simples de usar. Duas outras novidades são o botão de ignição, que substitui a clássica chave à esquerda do volante, e a alavanca de câmbio, que foi substituída por uma pequena haste que se projeta do lado direito da coluna de direção, semelhante à que equipa o atual 911. Perde-se alguma tradição com essas mudanças, mas funcionam bem.

No mais, a cabine mantém uma altíssima qualidade percebida, com bons materiais como couro, alumínio, fibra de carbono e polímeros macios ao toque. Os bancos oferecem ergonomia ideal para todos os tipos de corpo e para todos os tipos de manuseio. E a sensação de isolamento da cabine é superlativa (Fotos de Divulgação. Texto com Marcelo Palomino, Autocosmos México. Exclusivo no Brasil para Auto Press).

Porsche Macan de cara nova

Porsche 911 Targa 4S

 

Primeiras impressões

Evolução de alto nível

Duas melhorias importantes do Cayenne foram na parte mecânica, englobando motor e suspensões. No caso do Cayenne S, de entrada no Brasil, houve a troca do V6 anterior por um V8 4.0 biturbo com 474 cv e 61,2 kgfm. Também está sendo vendida a versão esportiva Turbo GT na carroceria Coupé, com 659 cv e 86,7 kgfm e são esperadas para breve as versões híbridas plug-in E-Hybrid, com 470 cv e 66,3 kgfm. Todos eles são geridos com uma caixa automática de 8 velocidades e o sistema de tração integral da Porsche, que oferece modos de condução Normal, Sport, Sport+ e Off-Road.

Em relação à suspensão, a Porsche substituiu os amortecedores com uma válvula por outros com duas válvulas independentes para controle de compressão e distensão, que oferecem mais controle nos movimentos da carroceira, o que se reflete na melhora do equilíbrio e dinamismo em velocidades mais altas e também no conforto de condução e de rodagem. A suspensão pneumática permanece como opcional e também ela teve melhorias. Agora são duas câmaras e duas válvulas em cada roda para aumentar a rapidez de reação.

O novo motor do Cayenne S com carroceria SUV muda tudo: aceleração, recuperação e até o som vibrante emitido pelos escapamentos assim que é dada a ignição. O primeiro trecho, nos arredores de Mérida, a direção foi obrigatoriamente suave, em função do tráfego intenso na saída da cidade. Logo aí já notável o efeito dos novos amortecedores, pela alta capacidade de absorver irregularidades, tanto na compressão quanto na extensão, sem golpes ao descer ou quiques ao subir, nem mesmo no modo Sport+.

Apesar de sua alta potência, o carro é extremamente obediente e não passa a impressão de pedir o tempo todo para acelerar fundo, como acontece comumente em modelos mais esportivos. É suave e muito fácil de manusear no dia-a-dia, apesar dos quase 500 cavalos de potência.

Quando chega à estrada, as respostas do V8 ao toque do acelerador impressionam. Ele pressionar o corpo dos ocupantes contra o encosto dos bancos e se mostra sempre hiper-reativo em qualquer modo de condução e tem uma gestão de caixa superlativa. Apenas com uma pressão maior no acelerador, o equipamento espera o conta-giros subir antes de passar a marcha –os paddle shifts são quase dispensáveis. A aceleração é tão linear que parece não ter fim e tudo isso acontece sob uma sinfonia nos escapamentos – que também têm um botão que permite ouvi-los mais e melhor da posição de dirigir.

Ao deixar as rotações caírem e algumas marchas baixaram, o Cayenne volta imediatamente ao modelo civilizado de antes. Ou seja: o Cayenne é um SUV e também é um esportivo. A cabine parece melhor insonorizada, as sensações no assento são muito agradáveis e as irregularidade do pavimento são bem filtradas antes de chegar às mãos do condutor – embora mantenha uma boa comunicação com as rodas. E quando se vai rápido, o equilíbrio está lá, melhorado, e se torna mais neutro em função da renovada suspensão. O Cayenne é ágil, apenas de ter mais de duas toneladas: ele acelera de zero a 100 km/h em 2,5.

Em estradas de terra, o SUV também não decepciona. Com boa tração, mesmo em áreas lamacentas, e uma alta capacidade de filtrar o que acontece sob as rodas, o modelo mantém o conforto em alto nível. Há um modo off-road que modifica vários parâmetros de motor, câmbio, suspensão e direção e também ativa automaticamente uma câmera de perímetro quando há obstáculos muito próximos. Após um teste de um Porsche, por mais que se tenha sempre a impressão que não há muito onde melhorar, a marca alemã sempre aparece com melhorias palpáveis. O novo Cayenne é mais esportivo, mas também mais confortável, mais versátil e oferece uma experiência digital mais avançada.