Na marcha do mercado
CVT ajuda o modelo da Fiat subir no ranking esedã compacto já ocupa o segundo lugar no segmento
Por muitos anos, o câmbio foi o Calcanhar de Aquiles dos carros da Fiat. Ou a marca era forçada a usar motores maiores, como o EtorQ 1.8, para conseguir conversar com um câmbio automático, ou apelava para o câmbio robotizado, incialmente batizado de Dualogic e depois de GSR, para equipar motores de menor cilindrada. A solução só apareceu mais recentemente, a bordo do crossover Pulse, que estreou um câmbio CVT para trabalhar com o motor 1.0 turbo ou com o 1.3 aspirado.
Essa composição permitiu que o Cronos voltasse a brigar com os sedãs compactos mais equipados. Com a chegada do CVT, surgiram duas versões: a top Precision 1.3 CVT, e a Drive 1.3 CVT, na qual a Fiat sempre depositou suas maiores esperanças de vendas. De fato, após um ano de mercado, o sedã compacto da Fiat mudar de patamar de vendas. Passou da média de 2 mil para aos atuais 3.500 emplacamentos, bem de acordo com a projeção da Fiat ao introduzir o equipamento.

O Cronos Drive 1.3 CVT custa a partir de R$ 97.990, preço que faz alguma pressão nos rivais do segmento de sedãs compactos. A briga fica mais equilibrada com o Toyota Yaris, que também tem motor aspirado com câmbio CVT e potência semelhante. O conteúdo do modelo japonês é um pouco superior, assim como o preço. O motor 1.3 do Cronos rende 98/107 cv e 13,2/13,7 kgfm e o câmbio CVT tem sete velocidades pré-programadas. Especificamente nas versões com CVT, o Cronos conta com controle de cruzeiro modo de condução Sport.

O sedã da Fiat traz ar-condicionado analógico, direção elétrica, travas, espelhos e vidros elétricos, alarme, chave com telecomando, computador de bordo, volante com comandos de rádio e telefone, display TFT de 3,5 polegadas no painel de instrumentos, sensor de obstáculos traseiro, sistema de monitoramento da pressão dos pneus e ajuste de altura do banco do motorista. A central multimídia traz tela sensível ao toque de 7 polegadas. Além de reconhecimento de voz, ela tem Bluetooth, Android Auto e Apple CarPlay, mas o espelhamento é via cabo.

Na parte de segurança, o modelo não é dos mais bem equipados. Traz basicamente os itens obrigatórios, como airbag duplo, encosto de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes, ABS e controle de tração e estabilidade. A adoção do câmbio CVT não representou uma segunda fase para esta primeira geração do Cronos. Foi apenas uma forma de animar as vendas do modelo, uma vez que a Fiat já tinha o novo câmbio disponível. Uma mudança maior, incluindo um face-lift mais contundente, deve ocorrer apenas para a linha 2025 (Texto e Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).
Ponto a ponto
Desempenho – O câmbio CVT do Fiat Cronos é bem moderno e tem uma programação refinada, que dá agilidade e conforto à dinâmica do modelo. Com uma relação de saído do diferencial bem curta, de 5,698:1, um escalonamento amplo, que vai de 2,48:1 a 0,40:1, a transmissão consegue extrair arrancadas fortes e ganhos de velocidade consistentes do motor 1.3 de 98/107 cv de potência e 13,2/13,7 kgfm de torque. Obviamente não se trata de um modelo de alto desempenho, mas não há sinal do famigerado efeito scooter, quando há a impressão de o carro precisa embalar. As sete marchas pré-programadas servem mais para transmitir a ideia de esportividade do que de efetivamente ganhar agilidade. Este bom desempenho vale tanto para a cidade quanto para a estrada. Nota 8.

Estabilidade – Apesar de compacto, o Cronos busca oferecer as qualidades clássicas de um sedã, como espaço e conforto. Ainda mais porque a suspensão não privilegia a esportividade. Os pneus 185/60 R 15, que têm lateral de 11 cm de altura, funcionam para absorver parte das irregularidades do piso. Por outro lado, aumenta um pouco a rolagem lateral nas curvas mais forçadas. De qualquer forma, o Cronos encara bem os trechos sinuosos e transmite a sensação de segurança. A direção é bem leve, precisa e comunicativa. Nota 8.
Interatividade – O Cronos Drive tem recursos bem dosados para um sedã da categoria. Entre os instrumentos, há uma tela de TFT de 3,5 polegadas com informações do computador de bordo e no console central há central multimídia, com tela “touch” de 7 polegadas, com espelhamento via cabo. De maneira geral, os carros da Fiat são bastante funcionais. De forma geral, todos os comandos são bem localizados e é bem fácil entender como tudo funciona na cabine. Nota 8.

Consumo – O InMetro o Fiat Cronos Drive 1.3 CVT e indica que ele é capaz de rodar 9,3/13,4 km/l na cidade e 10,8/14,6 km/l na estrada, com etanol/gasolina. Ganhou nota A na categoria e B no geral. Nota 9.
Conforto – O conjunto rodas de aro 15 e pneus 185/60, com 11 cm de flanco, ajudam a suavizar a rodagem do Cronos. A suspensão também é macia, o que incrementa ainda mais o conforto a bordo. Já os bancos são um pouco duros. Não são tão acolhedores, mas sustentam bem o corpo em trajetos demorados. O isolamento acústico é bom, coerente com o segmento de sedãs compactos, mas dificilmente se ouve o trabalho do motor por conta do câmbio CVT, que busca manter as rotações bem baixas. Nota 8.

Tecnologia – O Cronos traz para a gama do sedã um moderno câmbio CVT, bem moderno e eficaz. Além disso, é construído sobre uma plataforma que utiliza aços especiais e tecnologia bem atualizada. Mas falta ao sedã recursos eletrônicos de auxílio ao condutor, como alerta de colisão com frenagem autônoma ou sensor de ponto cego, já presentes em rivais diretos. O motor é o ainda recente Firefly, que é bem eficiente. Nota 7.
Habitabilidade – O habitáculo oferece espaço para as pernas no banco traseiro sem que isso dependa da boa vontade dos ocupantes da frente. Atrás, só mesmo as pessoas mais altas podem sentir algum aperto e, de forma geral, quatro passageiros viajam bem. O porta-malas carrega bons 525 litros. Há pouco nichos no interior para acomodar objetos e, em vez de um console central ou apoio de braços, há um vazio entre os bancos, ocupado apenas pela alavanca do freio de mão. Nota 8.
Acabamento – Este é um ponto em que Fiat se destaca. Os materiais usados não são nobres ou caros, mas recebem um tratamento visual e tátil que valoriza cada peça. Os plásticos rígidos estão ali, mas a textura dos revestimentos é agradável. Nota 8.
Design – Depois de quatro anos e meio, o visual do Cronos continua atual. O desenho mistura traços que exprimem certa robustez, mas aposta também em linhas elegantes e modernas. Para a linha 2023, as únicas modificações foram nas plaquetas de identificação e na grade, que ganhou dois filetes cromados e fundo em colmeia. Nota 8.

Custo/benefício – O Fiat Cronos Drive 1.3 CVT beira os R$ 100 mil. Esse valor é menor que o das versões intermediárias de Chevrolet Onix e Hyundai HB20 com câmbio automático, mas ambos têm motor turbo e são mais equipados. O mais próximo em característica é o Toyota Yaris XL automático, que também traz mais equipamentos. Já Honda City e Volkswagen Virtus ficam em um patamar de preço bem mais alto. Nota 6.
Total – O Fiat Cronos Drive 1.3 CVT somou 78 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Acerto dinâmico
O Cronos ainda é um carro atraente, apesar da idade – quatro anos e meio é muito tempo no universo automobilístico. E, definitivamente, estética não era o problema do modelo. O que faltava era o sedã compacto se adequar aos tempos atuais, quando os motoristas não querem ter a obrigação de controlar o câmbio nos engarrafamentos. Até porque atrapalha na hora de mexer no celular – o que é proibido no Brasil por uma dessas leis que não pegaram e poucos respeitam.

A Fiat foi uma das últimas a adotar um câmbio automático em seus compactos, mas isso acabou gerando uma vantagem competitiva para a marca italiana: o CVT desenvolvido com a Aisin conta com uma programação de software bem moderna, com relação de amplo espectro. Curtas o suficiente para gerar boas arrancadas, eliminando o efeito scooter, e longa para oferecer economia de combustível. Entre os dois extremos, a transmissão oferece ganhos de velocidade bem consistentes.

No caso do CVT do Cronos, as marchas pré-programadas devem acabar se tornando perfumaria. Isso porque além de ter uma dinâmica interessante em Drive, o modelo conta com o modo de condução Sport, acionado por um botão no volante, que deixa o sedã mais aceso e bem disposto. Tanto no trânsito urbano, com giros mais baixos, quanto na estrada, o entrosamento do câmbio com o motor Firefly 1.3 é realmente muito bom. Mesmo com a ligeira perda causada pela adequação às emissões do Proconve L7, que tirou de 2 a 3 cv de potência e 0,5 kgfm de torque.

No mais, é o mesmo Cronos de sempre, que oferece um bom espaço interno para quatro adultos, um porta-malas gigante e uma central multimídia eficiente, mas que já poderia ter sido modernizada. Ela tem apenas sete polegadas – a menor no Pulse tem 8,4 polegadas, ou 20% a mais ‑, espelha celulares através do Android Auto e do Apple CarPlay, mas exige conexão via cabo. Em relação a conteúdo, o Cronos Drive não é muito generoso. Tem apenas sensores traseiros, monitor de pressão de pneus, trio elétrico, ar-condicionado analógico e o mínimo obrigatório de itens de segurança.
Ficha técnica
Fiat Cronos Drive 1.3 CVT
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.332 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Coletor de admissão variável, injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Continuamente variável com sete velocidades pré-programadas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência: 98 cv com gasolina a 6 mil rpm e 107 cv com etanol a 6.250 rpm.
Torque máximo: 13,2 kgfm com gasolina e 13,7 kgfm com etanol a 3.500 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 11,6 segundos com gasolina e 10,6 s com etanol.
Velocidade máxima: 170 km/h com gasolina ou etanol.
Diâmetro e curso: 70 mm x 86,5 mm. Taxa de compressão: 13,2:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais. Traseira por eixo de torção com fixação central com molas helicoidais e amortecedores de duplo efeito. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos sólidos na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,36 metros com 1,73 m de largura, 1,51 m de altura e 2,52 m de entre-eixos. Possui airbags frontais de série.
Peso: 1.155 kg.
Capacidade do porta-malas: 525 litros.
Tanque de combustível: 47 litros.
Lançamento no Brasil: 2022.
Produção: Betim, Minas Gerais.
Preço: R$ 97.990.






