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Captur dá um salto qualitativo com motor turbo

       Renault Captur aproveita chegada do motor TCe 1.3 Turbo e deixa a versão Iconic mais requintada

Dependendo do mercado, uma novidade tecnológica pode ser um risco ou uma vantagem. No caso dos turbos em automóveis, houve inicialmente uma certa resistência do consumidor brasileiro, principalmente quando combinados com motores de baixa cilindrada. Tanto que as marcas, que nos motores aspirados ostentavam orgulhosamente a litragem de seus modelos, hoje preferem exibir outros emblemas, seja com referência ao torque, seja com a simples inscrição “Turbo” ou ainda com siglas que pouco significam para o público em geral.

                A Renault optou pela última alternativa e identificou o SUV compacto Captur, seu primeiro modelo brasileiro com motor turbo, com o acrograma TCe, de Turbo Control Efficiency, ou controle de turbo eficiente. Trata-se de um propulsor de quatro cilindros em linha com 1.33 litro que rende bons 170 cv de potência e robustos 27,5 kgfm de torque. Com pequenas diferenças de acerto, é o mesmo usado em modelos de entrada da Mercedes-Benz, com quem a Renault desenvolveu o projeto. No SUV da Renault, ele é sempre acompanhado por um câmbio automático CVT. Este trem de força está presente em todas as versões e passa a ser o único disponível para o modelo. Já o preço da versão testada, a topo Iconic, ficou pouco convidativo: começa em R$ 138.490 e chega a R$ 141.690 com pintura metálica em duas cores.

                Nessa renovação, a Renault reposicionou o modelo, que se distanciou em preço do Duster, que custa cerca de 20% menos. O modelo foi apresentado no início de julho e, por conta das dificuldades de produção por conta da falta de componentes, ainda não houve uma alteração perceptível no ritmo de vendas. Desde o início deste ano, quando iniciou o processo de renovação na linha de produção, o Captur tem se mantido numa faixa de 500 unidades por mês, metade da média histórica.

                A versão de topo tem alguns recursos para justificar a tabela pouco amigável. Ela traz ainda ar digital automático, chave-cartão presencial para travas e ignição, multimídia com tela touch de 8 polegadas, conexão com Apple CarPlay e Android Auto com espelhamento via cabo, airbags frontais e laterais, controle de cruzeiro, sensor de luz, de chuva, de ponto cego e de estacionamento traseiro, sistema multicâmera, faróis full led, faróis de neblina com função de iluminação em curvas, entre outros. Os recursos e o preço colocam o Captur na parte mais alta do segmento, ao lado de modelos como Volkswagen T-Cross e Honda HR-V.

                O SUV da marca francesa passou por uma leve reestilização para marcar a chegada do novo trem de força. Foram modificados a grade e o para-choque dianteiro, que tem vincos mais marcados e ficou menos orgânico. A assinatura em led, que também funciona como luz diurna, manteve o desenho em “C”, mas o led agora é contínuo e não mais tracejado. O farol de neblina está centralizado no cluster e o protetor inferior do para-choque foi redesenhado. Na traseira, o protetor da luz de placa passa a ser da cor da carroceria, mas manteve o nome Captur em cromado. A assinatura por extenso Renault desaparece e a identificação da motorização TCe aparece do lado direito da tampa traseira.

                No espaçoso habitáculo do modelo, apenas três elementos foram redesenhados em busca de ampliar a impressão de requinte. O volante ganhou detalhes em alumínio, os botões de ajuste dos espelhos, que eram bem simples, ficaram mais refinados e o console central também foi reestilizado. A mudança substancial foi mesmo em relação aos matérias e texturas, que transmitem uma ideia de luxo, como detalhes o revestimento em couro sintético e o cromado em torno do console frontal e guarnições em preto brilhante. O revestimento dos bancos, também em couro sintético, é em marrom com pespontos em brancos, fazendo contrate com os revestimentos em preto de painéis das portas e painel (Textos e fotos de Eduardo Rocha/Auto Press)

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor TCe 1.33, mudou completamente, para melhor, a personalidade do Captur. O torque de 27,5 kgfm fica em regime máximo entre 1.600 e 3.750 rpm, o que significa dizer que está do topo em praticamente toda a faixa de uso na cidade, a partir da arrancada. Em estrada, a potência de 170 cv entre 5.500 e 6 mil giros, dá conta dos 1.366 kg do modelo com facilidade e promove ganhos de velocidades rápidos. O câmbio CVT mostrou reações rápidas e boa leitura das intenções de quem pressiona o acelerador. Com isso, o Captur é suave ou brusco, de acordo com o freguês. Nota 9.

Estabilidade – A altura elevada naturalmente gera uma leve tendência de inclinação nas curvas mais fortes. Ainda mais porque a suspensão do Captur é voltada para o conforto. Esse movimento lateral, no entanto, não implica em desconforto ou dificuldade de manter a trajetória. Mesmo em trechos sinuosos, o modelo se mostrou sempre controlável. O controle eletrônico de estabilidade e tração tem uma atuação discreta. Nota 8.

Interatividade – A Renault mexeu na decoração interior do Captur, mas deixou passar a oportunidade de atualizar a central multimídia – vários modelos nacionais já contam com espelhamento sem fio para celulares. O modelo conta com recursos como sensor de ponto cego, monitor de pressão de pneus e airbags laterais, mas faltam airbags de cabeça e sensor de colisão com frenagem autônoma, que já estão bem popularizados em modelos nesse preço e até em faixas inferiores. Já o sistema de monitoramento com quatro câmeras é um recurso quase desperdiçado. Ele monitora o entorno do carro, mas não conjuga as imagens das câmeras. Com isso, não oferece visão aérea virtual e acaba só funcionando em situações muito específicas, como em terrenos acidentados e estacionamento, mas sempre a partir de uma ação do motorista. Muito pouco prático. Nota 7.

Consumo – O novo motor do Renault Captur teve uma performance melhor que o antigo no Programa de Etiquetagem Veicular do InMetro. O consumo aferido foi de 7,5/8,3 km/l na cidade/estrada com etanol e 11,1/12,0 km/l com gasolina, nas mesmas condições. São valores aceitáveis no segmento. Nota 7.

Tecnologia – A plataforma do Captur é basicamente a mesma do Duster, que se origina na plataforma B0 da romena Dacia. Já o motor foi desenvolvido pela própria Renault francesa, em conjunto com a Mercedes-Benz e a transmissão CVT, de origem Nissan, bem conhecida, aparece em diversos modelos da chamada Aliança Renault-Nissan no Brasil. Em relação à segurança, o Captur conta com sensor de ponto cego, sensor de luminosidade e de chuva, mas faltam recursos mais avançados de assistência, como controle de cruzeiro adaptativo e alerta de colisão com frenagem autônoma, por exemplo. Na parte de conectividade, a versão Iconic passa a contar com um roteador no sistema multimídia, mas perdeu o GPS nativo. Nota 7.

Conforto – A própria concepção de um SUV favorece o bom espaço interno. E o Captur é especialmente generoso nesse item em comparação aos rivais, inclusive pelo porte mais avantajado. A suspensão, o isolamento acústico e os recursos no interior deixam o convívio com o SUV da Renault aprazível. Nota 8.

Habitabilidade – O porta-malas tem uma capacidade de 437 litros, coerente com a proposta do modelo. Internamente, o Captur ganhou toques de requinte e materiais de melhor qualidade, com redução das áreas cobertas com plástico rígido. Como tem uma altura intermediária entre um utilitário, como uma picape, e um carro de passeio, o acesso ao interior acaba sendo facilitado. Nota 8.

Acabamento – O interior do Captur ficou mais requintado, com toques de modernidade, com detalhes em alumínio fundido no volante, couro sintético de cor marrom nos bancos. Os encaixes são bons e os materiais têm boa aparência. Houve uma nítida melhora neste aspecto. Nota 8. 

Design – O Captur ficou um pouco mais moderno, ao acompanhar as mudanças implementadas na versão original francesa. As linhas são cheias de personalidade, marcadas pela cintura em curva ascendente que se une com o teto abaulado. Consegue combinar uma imagem de robustez e elegância. Nota 9. 

Custo/Benefício – O Renault Captur Iconic TCe 1.3 Turbo tem preço inicial de R$ 138.490, o que deixa o modelo em uma relação custo/benefício pouco favorável. É um valor semelhante ao do Volkswagen T-Cross Highline 250T e um pouco acima do Honda HR-V EXL, mas sem conteúdo que justifique este posicionamento. Nota 6.

Total – O Renault Captur Iconic TCe 1.3 Turbo CVT somou 77 pontos de 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Injeção de ânimo

                A melhora de desempenho do Renault Captur está claramente registrada na ficha técnica do modelo. Antes, o modelo levava 13,1 segundos para ir de zero a 100 km/h, enquanto agora cumpre a mesma tarefa em 9,2 segundos. Em marcha, o ganha de 30% na aceleração parece até maior. O motor 1.3 turbo parece sempre disposto a empurrar o SUV compacto, a partir de qualquer velocidade.

 O melhor é que o câmbio CVT com oito marchas pré-programadas mostrou que consegue interpretar e reagir sem maiores delongas – o sistema ajusta as engrenagens em apenas 0,1 segundo. Isso quer dizer que o modelo tem enorme agilidade na cidade e é extremamente agradável de lidar.

                Os 170 cv geram a relação peso/potência de 7,86 kg/cv e fazem o Captur ficar muito à vontade também no ambiente rodoviário. Com o ganho de potência, a máxima também subiu da anterior 169 km/h para 190 km/h – números obtidos com etanol no tanque. O Captur, que já era um carro agradável de conduzir, agora é capaz de oferecer mais esportividade. Além de ser confortável, espaçoso, silencioso e suave, com muito apelo familiar.

Ficha técnica

Renault Captur Iconic TCe 1.3 Turbo

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.332 cm³, com turbocompressor, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e variador de fase com comando eletrônico. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.

Transmissão: Continuamente variável (CVT) com conversor de torque opção de trocas sequenciais de oito marchas pré-programadas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 162/170 cv com gasolina/etanol entre 5.500 e 6 mil rpm.

Diâmetro e curso: 72,2 mm X 81,4 mm.

Taxa de compressão: 10,5:1

Aceleração 0-100 km/h: 9,2 segundos com etanol.

Velocidade máxima: 190 km/h com etanol.

Torque máximo: 27,5 kgfm com etanol e gasolina entre 1.600 e 3.750 rpm.

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos, triângulos inferiores e molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira com eixo de torção com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 215/60 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com controle de saída em rampa.

Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,38 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,62 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais e laterais de série.

Peso: 1.366 kg.

Capacidade do porta-malas: 437 litros.

Capacidade tanque de combustível: 50 litros.

Preço: R$ 138.490.

Opcionais: Pintura metálica (R$ 1.500) e pintura em dois tons (R$ 1.700).

Preço completo: R$ 141.690.