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Chevrolet Volt EV é um elétrico com jeito americano

 Chevrolet Bolt EV soma as vantagens de um carro elétrico com autonomia, espaço e conforto

             No pós-guerra, Europa e Estados Unidos viviam momentos absolutamente diversos. Enquanto os países do continente europeu racionalizavam seus gastos em busca da reconstrução, os norte-americanos entravam em uma era de abundância. E os carros de cada região expressavam isso claramente. Na Europa, a indústria investia em modelos simples e práticos, para oferecer mobilidade urbana e regional a baixo custo. Ao mesmo tempo, do outro lado do Atlântico eram criados carros exuberantes e luxuosos, capazes de atravessar percorrer o caminho entre os subúrbios e os centros urbanos e também atravessar o país continental com extremo conforto. Essa mesma lógica se aplica aos modelos elétricos concebidos meio século depois. Enquanto os modelos elétricos destinados à Europa são pequenos e privilegiam o uso urbano, com mais foco no custo que na autonomia, os carros pensados para o mercado norte-americano oferecem modelos mais espaçosos, com mais autonomia e potência. O pequeno Chevrolet Bolt EV é um bom exemplo disso.

                Por conta das dimensões, o BEV (Battery Electric Vehicle) da marca estadunidense tem uma configuração de carroceria de hatch médio com uma altura de um SUV/crossover – principalmente por conta da boa altura do habitáculo, elevado em função da bateria instalada sob o piso. Ele tem 4,17 metros de comprimentos, com 1,60 m de altura, 1,77 m de largura e 2,60 m de distância entre os eixos. São medidas que criam um generoso espaço interno para cinco passageiros, mas com real conforto para quatro ocupantes adultos, e também um excelente espaço para bagagem, com um porta-malas de 478 litros de capacidade, que pode chegar a 1.603 litros com os bancos traseiros rebatidos.

                Sob o pequeno capô dianteiro, o Bolt traz um motor elétrico que rende 203 cv com um generoso torque de 36,7 kgfm. Como o modelo pesa 1.641 kg, não é surpreendente que consiga acelerar de zero a 100 km/h em apenas 7,3 segundos. Apesar de ter sido lançado há quase cinco anos, o Bolt traz um padrão de autonomia bem alto, de 416 km no ciclo EPA, a agência ambiental americana responsável por medições de consumo e emissões. A bateria, composta por um conjunto de 288 células, fornece 66 kWh e representa quase 26% do peso do Bolt, com 430 kg. A recarga pode ser feita tanto com uma tomada elétrica doméstica de 110 v, que consome 78 horas para a carga completa (recupera 5 km de autonomia por hora), quanto um wallbox de 7,4 kW, que leva 9 horas (com ganho de 40 km de alcance por hora). O modelo aceita também carregador ultrarrápido de corrente contínua, de 25 kW, que pode devolver toda a carga da bateria em menos de três horas.

                O Bolt está chegando ao Brasil somente na versão de topo, Premier, que tem um conteúdo bastante completo – até para justificar o preço de R$ 270.170 ‑, com itens tecnológicos bem atraentes. Ele traz chave presencial para travas e ignição, espelho retrovisor central por câmera, assistente de estacionamento com visão 360º, painel digital configurável com tela de 8 polegadas, central multimídia com tela de 10,2 polegadas compatível com Apple CarPlay e Android Auto, sistema de som Bose, iluminação full led, sensor de luz e de chuva, pneus autovedantes, rodas de liga leve aro 17, carregador de smartphone por indução, freio de estacionamento elétrico, bancos de couro, volante multifuncional com aquecimento e sistema de partida remota. Na parte de segurança, o modelo traz 10 airbags, assistente de permanência na faixa, alerta de ponto cego com sensor de aproximação repentina, alerta de tráfego traseiro cruzado, alerta de colisão frontal com detecção de pedestres e frenagem autônoma.

                Em fevereiro deste ano, o Bolt recebeu nos Estados Unidos um face-lift, que trouxe algumas alterações no visual do modelo, mas manteve as características técnicas e mecânicas da versão vendida atualmente no Brasil. Esta segunda fase dessa primeira geração do modelo será apresentada por aqui em setembro – e com ela, um novo preço, provavelmente mais salgado, acompanhando os soluços da cotação do dólar. Na mesma época, foi apresentado por lá uma versão um pouco mais encorpada do modelo, o Bolt EUV, de Electric Utility Vehicle, uma espécie de versão alongada, 16 cm maior no comprimento e com a distância entre os eixos ampliada em 7,5 cm, exatamente para responder às exigências de espaço do consumidor estadunidense. Esta nova versão não tem previsão de ser importada para o Brasil. (Texto e fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias)

 

Ponto a ponto

Desempenho – Os 203 cv de potência apontados na ficha técnica, mostram que a proposta do Bolt não é mesmo das mais pacatas. As acelerações e retomadas são fortes e o torque instantâneo de 36,7 kgfm – digno de uma picape diesel – empurram o modelo de zero a 100 km/h em apenas 7,3 segundos e oferecem retomadas com ganhos de velocidades realmente impressionantes. Não é esportivo, mas consegue se comportar como um. Nota 9.

Estabilidade – Os 430 kg de bateria (26% do peso total) encaixado no piso do Bolt, rebaixam bastante o centro de gravidade do Bolt. Por isso, a altura de 1,60 metro do modelo praticamente não tem grande efeito na estabilidade do modelo. Ainda mais porque a suspensão tem um acerto rígido, que controla bem qualquer movimento de carroceria. O Bolt é neutro nas curvas, sem rolagem lateral, e tem uma direção bem direta. Nota 9.

Interatividade – O Bolt tem diversos recursos de configuração, conta com diversos recursos ADAS – sistemas avançados de assistência ao condutor ‑, como sensor de ponto cego, alerta de colisão com frenagem autônoma, alerta de tráfego cruzado, monitor de faixa de rolagem, sistema de câmeras 360º etc. Tem também modos de condução, com o sistema One Pedal, que reduz a velocidade do carro quanto o pedal do acelerador é aliviado – acendendo, inclusive, a luz de freio ‑, e aumenta a capacidade de recuperação de energia do sistema elétrico. O modelo conta ainda com o serviço de assistência OnStar. A única ausência sentida é do controle de cruzeiro adaptativo, que será oferecido no novo Bolt, que será apresentado em setembro. Nota 9.

Consumo – Pelo computador de bordo, durante o test drive, o Bolt cumpriu uma média de consumo de 0,57 Mj/Km, apesar de enfrentar uma condução abusiva em diversos momentos. Isso corresponde a 40% do consumo apresentado pelo Chevrolet Onix LT 1.0, que é o modelo mais econômico do país com motor endotérmico, com custo operacional em torno de 15%. A autonomia nominal de 417 km foi aferida no ciclo EPA, que inclui uma alta proporção de condições rodoviárias. Durante o teste, o consumo em trechos urbanos apontava para uma autonomia bem superior aos 500 km. Nota 10.

Conforto – O Bolt EV tem uma boa altura, bom espaço entre os eixos e ótimos recursos de conforto, como som da Bose, interior em couro, bancos macios e um silêncio extremo no habitáculo. A suspensão é rígida, até para lidar com o peso do veículo, e as rodas de 17 polegadas com pneus 215/50 não amenizam muito esta condição em trechos irregulares, mas em pisos lisos, desliza confortavelmente. Nota 8.

Tecnologia – Como todo carro elétrico moderno, o Bolt tem um verdadeiro arsenal tecnológico embarcado, tanto para gerenciar os sistemas de uso e recuperação de energia quanto para reforçar a imagem de modernidade com que os BEVs buscam seduzir os consumidores. O modelo estadunidense ainda teve seu sistema de baterias atualizado em 2019, quando a capacidade da bateria passou de 60 kWh para 66 kWh, e oferece diversos recursos de condução e de assistência à condução. Tem também monitoramento constante do entorno do carro, tanto para manobrar quanto para a movimentação. Nota 9.

Habitabilidade – O espaço interno é amplo, graças ao entre-eixos de 2,60 metros e à boa altura do habitáculo, que permite uma postura mais ereta dos ocupantes. Há diversos nichos no habitáculo para acomodar objetos de uso imediato e o porta-malas acomoda 478 litros de carga, que sobem para 1.603 litros. Nota 8.

Acabamento – O Bolt tem um design interno que exalta os aspectos tecnológicos, com linhas limpas e telas no painel e no console amplas, mas que já sente um pouco o peso da idade. A nova fase do modelo, que estreia no Brasil em setembro, já traz um habitáculo bem mais moderno. O revestimento em couro dá um toque de sofisticação. Nota 8.

Design – As linhas do Bolt não se destacam pela personalidade, mas são agradáveis e dão um aspecto moderno ao modelo, reforçados pelas guarnições em preto brilhante em diversos pontos. As proporções passam a impressão de ser menor do que é na verdade. Nota 8.

Custo/benefício – O valor de R$ 270 mil do Bolt é alto em termos absolutos, mas relativamente atraente frente aos outros poucos modelos elétricos disponíveis no mercado brasileiro. Seria preciso rodar intensamente por alguns anos para justificar financeiramente o custo dobrado, se comparado a um modelo endotérmico com recursos semelhantes. O objetivo do modelo, porém, é criar uma imagem favorável e iniciar a marca em um novo mercado. Nota 7.

Total – O Chevrolet Bolt EV somou 85 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Tempos modernos

                A primeira coisa que chama a atenção no Bolt são as dimensões. Visto de longe, as proporções do modelo são semelhantes às de um hatch compacto, na relação de altura e comprimento, mas conforme o observador se aproxima, percebe que é um carro com um bom porte. E isso se reflete no ótimo espaço interno que ele oferece, com uma posição de dirigir alta e agradável. Nas ruas, essa condição dá um bom controle sobre o trânsito e o entorno do modelo.

                Como todo carro elétrico, o Bolt é silencioso e é preciso conferir no painel para confirmar que está ligado. Os modos de operação são os típicos de carros elétricos: normal, com reações aos comandos de freio e acelerador semelhantes ao de modelos com motor a explosão, e o modo Sport, que deixa o modelo com respostas mais aguçadas. No modo One Pedal, o sistema de recuperação de energia diminui a velocidade do carro a cada vez que a pressão no acelerador é reduzida – e aciona, inclusive, a luz de freio, para alertar os carros que vêm atrás.

                O hatch da Chevrolet tem um comportamento dinâmico agradável. É capaz de ser extremamente suave, mas também pode acelerar com força e enfrentar curvas com bastante destreza. Talvez por efeito da novidade, a tendência é que arranque muitos sorrisos de satisfação do rosto de quem está ao volante. Com a autonomia acima de 400 km, em geral o motorista não será vítima da ansiedade típica em relação a carros elétricos, pela possibilidade de ficar empacado no meio do caminho por falta de energia. É possível até encarar viagens para lugares próximos com tranquilidade. Outro ponto positivo é que o Bolt aceita ser recarregado em tomadas domésticas. Pode ser um processo longo, mas dá uma certa tranquilidade.

Ficha técnica

Chevrolet Bolt EV

Motor: Elétrico, dianteiro, alimentado por um conjunto de 288 células de íon de lítio com 66 kWh no total. Controle eletrônico de aceleração.

Transmissão: Por engrenagem com relação única com inversor de fase para a ré. Tração dianteira e controle eletrônico de tração de série.

Potência: 149 kW, ou 203 cv.

Torque máximo: 36,7 kgfm.

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, independente com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 215/50 R17.

Freios: Eletro-hidráulico parcialmente regenerativo, com discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e frenagem automática de emergência.

Carroceria: Hatch em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,17 metros com 1,77 m de largura, 1,60 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Possui de série airbags frontais, laterais dianteiros e traseiros, de cabeça e de joelhos para os passageiros da frente.

Peso: de 1.341 kg.

Capacidade do porta-malas: 478 litros.

Autonomia: 416 km na norma norte-americana EPA.

Lançamento no Brasil: 2019.

Produção: Lake Orion, Michigan.