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Nissan Versa: básico com charme

Básico de nicho

Nissan Versa Sense MT tem conteúdo racional e dinâmica interessante, mas pouco apelo de vendas

               A falta de componentes está forçando as fabricantes a reverem seus conceitos. Para a Nissan, em um cenário normal, o Versa sedã importado do México atuaria apenas nas faixas superiores do segmento de compactos, enquanto o V Drive, o Versa antecessor feito no Brasil, se posicionaria como modelo de entrada. Na escassez de semicondutores, a escolha foi privilegiar a produção nacional do Kicks e deixar que a versão Sense do Versa mexicano cobrisse a lacuna do V Drive, que teve sua produção encerrada em agosto passado. Em relação ao custo de aquisição, o Versa Sense MT, a R$ 93.890, não consegue cumprir a função do V Drive, mas serve para chamar a atenção na publicidade, com o célebre “a partir de”. Em relação aos rivais diretos, como Volkswagen Virtus, Chevrolet Onix Plus, Hyundai HB20S e Fiat Cronos, a versão de entrada do sedã compacto na Nissan consegue se manter razoavelmente competitivo.

                De fato, a partir do momento que o Versa ficou sozinho nos salões das concessionárias, as vendas do modelo ganharam um bom impulso. Até agosto, a média de vendas mensal ficava em torno de 790 unidades. De setembro em diante, ela subiu em pouco mais de 50%, para 1.200 emplacamentos/mês. Obviamente, este desempenho também tem a ver com a disponibilidade de produto e com a reconfiguração das ofertas no mercado. Em 2021, Ano 2 da pandemia, as marcas passaram a privilegiar versões e modelos mais caros para valorizar cada chip que recebem nas linhas de montagem. Apenas no segmento de sedãs compactos de entrada, saíram de linha o Fiat Gran Siena, o Ford Ka sedã e o Chevrolet Joy sedã (o antigo Prisma). E os remanescentes passaram a ter uma gama mais limitada.

                Nesse ganho de vendas do Versa, a versão de entrada Sense passou de 21% para 27% nos emplacamentos da linha, mas este crescimento foi quase todo direcionado para a configuração com CVT. A participação do modelo com câmbio manual se manteve em apenas 5% do total. Sinal dos tempos. Embora a diferença de preço entre a Sense MT e CVT seja significativa, de R$ 7.100, a maior parte dos consumidores não querem abrir mão do câmbio automático. A transmissão manual fica reservada a quem quer economizar e pelos que tiram prazer em interagir diretamente com o motor, sem intermediários ou filtros.

               Em relação ao conteúdo, a versão Sense traz de relevante seis airbags, chave presencial para ignição e travas, sensor traseiro e rádio com conexão via USB, além de equipamentos “obrigatórios”, como controle de estabilidade, ABS, ar-condicionado, direção e trio elétricos. Por fora, a não ser pelas rodas de aço de 15 polegadas com pneus 195/65 e pela ausência dos faróis de neblina, nada denuncia que se trata de uma versão de entrada. Para-choques, maçanetas e capa dos espelhos e são pintados na cor do veículo. O modelo, inclusive, é imponente, com dimensões até superiores às de médios de uma década atrás. Ele tem 4,50 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 m de altura e 2,62 m entre os eixos. O porta-malas tem bons 466 litros de capacidade.

Sob o capô, o Versa não tem um motor tão moderno quanto sua aparência. É o conhecido 1.6 16V flex de quatro cilindros, que rende 114 cv a 5.600 rpm e 15,5 kgfm 4 mil giros, tanto com gasolina quanto com etanol – os mesmos números que apresenta no Kicks, com quem o Versa divide também a plataforma. A transmissão manual envia tração para o eixo dianteiro e o esquema de suspensão é o tradicional para o segmento: McPherson no eixo dianteiro e a barra de torção no traseiro. Nesse ponto, nada de novo (por Eduardo Rocha, Auto Press).

NISSAN VERSA: Salto evolutivo

Ponto a ponto

 

Desempenho – Por ter um conjunto mecânico mais leve e menos equipamentos, os 1.074 kg do Versa Sense MT o deixa 53 kg mais leve que a versão Exclusive. Isso reduz a relação peso/potência de 9,8 para 9,4 kg/cv. Esta diferença, em torno de 5%, não chega a afetar o desempenho do sedã compacto. O muda mesmo é a possibilidade de interferir com maior ação sobre o comportamento do carro com o câmbio manual, que ainda por cima tem engates precisos, suaves e é muito agradável de usar. O motor 1.6 16V responder bem à pressão no acelerador e é fácil extrair um comportamento esportivo do modelo. Acelerações e retomadas são feitas de acordo com a solicitação do condutor: podem ser agressivas ou suaves. Nota 8.

Estabilidade – O Versa tem um entre-eixos de modelo médio, com 2,62 metros. Isso o torna muito hábil para contorna as curvas de raio longo, como as encontradas em rodovias, mas menos afeito a trechos muito sinuosos, como em subidas de serra. Mesmo nesse caso, porém, a suspensão, que é rígida, mantém a carroceria sob controle e não há rolagem lateral. A direção é bem comunicativa e progressiva. Os controles de estabilidade e tração só entram em ação em caso de abuso explícito. Nota 9.

Interatividade – Neste ponto, o Versa Sense é bem despojado. Tem chave presencial, sensor de ré, computador de bordo e ajuste de altura e profundidade para volante e banco do motorista. Há uma pequena tela no centro do cluster de instrumentos com dados de consumo, autonomia e velocidade, mas para navegar pelas informações é preciso tirar a mão do volante e pressionar uma tecla em um pequeno painel à esquerda. Nada prático. Nota 7.

Consumo – Na avaliação do Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro, De acordo com o Inmetro, o consumo urbano é de 8,1 e 11,8 km/l. Ligeiramente melhor que a versão com CVT, enquanto o rodoviário fica um pouco maior, com 9,6 e 13,8 km/l usando etanol e gasolina. As notas foram C na categoria e B na classificação geral. Nota 7.

Conforto –O espaço interno do Versa é bastante generoso, com muito espaço para as pernas de quem vai atrás. Na frente, os ocupantes são melhor tratados, enquanto atrás os assentos são baixos e ficam sobre o eixo traseiro. Como a suspensão é rígida, as irregularidades acabam incomodando mais quem viaja ali. O isolamento acústico é eficiente e o barulho do motor só invade o habitáculo quando se recorre a giros mais altos. Nota 7.

Tecnologia – A versão Sense é despojada em relação aos itens mais tecnológicos que a linha dispõe. Traz chave presencial, airbags laterais e de cortina, sensor de ré e só. A ausência é sentida não só nos recursos ADAS, de assistência à condução, que é farta nas versões de topo, como também na conectividade, por não ter central multimídia – conta apenas com um rádio com entradas P1 e USB. O trem de força, composto pelo motor 1.6 não é moderno, mas fica muito interessante com o gerenciamento de um câmbio manual. Nota 7.

Habitabilidade – O Versa tem um bom espaço interno e um porta-malas de grande apetite – 466 litros ‑, mas há poucos nichos para acomodar objetos de uso imediato. Há apenas um pequeno compartimento à frente do câmbio, porta-copos no console central e porta-objetos nas portas, que são um tanto estreitos. Nota 8.

Acabamento – O projeto do interior dá uma vantagem competitiva ao Versa. O design, os encaixes e os arremates são todos de boa qualidade. A versão Sense perde em equipamentos, mas não nos materiais usados em relação às versões superiores. Trata-se de uma versão de entrada e não traz revestimentos refinados, mas até o acabamento em dois tons explicita o cuidado da marca. Nota 8.

Design – O Versa inaugurou no Brasil o V Motion 2.0 e deu um salto em qualidade estética se comparado ao finado V Drive. As linhas fazem com que o sedã pareça de uma categoria superior, pois alongam o modelo, tanto no comprimento quanto na largura. Só que isso é feito de forma harmoniosa, sem parecer que foi esticado – como acontece, por exemplo, com o Volkswagen Virtus. O desenho é extremamente contemporâneo, com linhas bem-marcadas em todas as versões. Nota 9.

Custo/benefício – O Nissan Versa Sense MT atua apenas na parte intermediária do segmento de sedã compactos, com preços entre R$ 90 mil e R$ 110 mil, mas não tem um conteúdo que justifique o preço de R$ 93.890. Nessa faixa, Chevrolet Onix Plus, Fiat Cronos e HB20S têm conteúdo mais completo. Nota 6.

Total – O Nissan Versa Sense MT somou 76 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Dinâmica racional

                Em geral, as marcas registram no visual dos carros a condição de modelo de entrada. Normalmente com para-choque sem pintura ou grade de desenho mais simples. A não ser pelas rodas de aço e pela ausência de farol de neblina, a versão de entrada Sense do Nissan Versa manteve a mesma aparência geral. O que é uma grande vantagem, pois mesmo após mais de um ano de lançado, o design do novo Nissan Versa ainda é um chamariz. E o principal motivo são os detalhes requintados. Caso da grade contornada por uma faixa em preto brilhante e por um grosso friso cromado e também do detalhe em preto na coluna traseira, que dá a sensação de teto flutuante. As linhas do carro são elegantes, cheias de personalidade e fazem o sedã compacto parecer maior do é. Tudo mudaria com um para-choque nu, por exemplo. No interior, o modelo tem mais que apenas equipamentos básicos – como ar, direção e trio. Traz ainda quatro airbags adicionais – seis no total –, chave presencial para travas e ignição e sensor de ré. Não é muito, mas se alinha com os rivais diretos.

                Por dentro, o painel combina um velocímetro e conta-giros analógicos com uma pequena tela de 3,5 polegadas, que exibe dados do computador de bordo. O rádio tem conexão com o celular via USB ou plugue P1, aquele de fone de ouvido, e é possível ouvir músicas ou usar o telefone, interagindo inclusive através do volante multifuncional. O espaço interno é generoso, levando-se em conta que se trata de um compacto, e os bancos Zero Gravity são firmes, mas confortáveis. A tecnologia, inspirada em estudos da Nasa, traz diversos apoios ao longo da coluna vertebral para fazer uma distribuição do peso e não forçar nenhum ponto. É possível dirigir por horas sem ser penalizado.

Para acionar o motor, basta apertar o botão no console central, logo à frente da alavanca câmbio. O propulsor não impressiona. Nem pelo ronco, nem pela ficha técnica. Os 114 cv e 15,5 kgfm são apenas razoáveis para um modelo que pesa 1.074 kg. A relação de 9,4 kg/cv é suficiente para combinar agilidade e economia. A versão avaliada, Sense MT, é a única da gama com câmbio manual e permite uma interação mais íntima entre condutor e carro. Ele responde de acordo com as solicitações do motorista, desde que as faixas de torque e potência do motor sejam observadas. O câmbio tem maciez e precisão nos engates e tornam as trocas prazerosas e nada trabalhosas. O Versa Sense MT é o oposto dos modelos da moda: não é um SUV nem tem câmbio automático. Mas apesar de trazer poucos equipamentos, não há nada nenhuma ausência realmente sentida. E a não ser para quem é vítima de engarrafamentos nas grandes cidades, o câmbio manual pode ser uma economia bastante vantajosa no preço final.

Ficha técnica

Nissan Versa Sense MT

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando com variação contínua de abertura das válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Manual, com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração de série.

Potência máxima: 114 cv a 5.600 rpm com etanol e gasolina.

Aceleração 0-100 km/h: 10,8 segundos.

Velocidade máxima: 185 km/h.

Torque máximo: 15,5 kgfm a 4 mil rpm com etanol e gasolina.

Diâmetro e curso: 78 mm X 83,6 mm. Taxa de compressão: 10,7:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 195/65 R15.

Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. ABS com EBD. Oferece assistência de partida em rampa.

Carroceria: Sedã compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,50 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 m de altura e 2,62 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Peso: 1.074 kg.

Capacidade do porta-malas: 466 litros.

Tanque de combustível: 41 litros.

Produção: Aguascalientes, México.

Lançamento mundial: 2019.

Lançamento no Brasil: 2020.

Preço da versão: R$ 93.890. Pintura metálica ou perolizada opcional (R$ 1.600).