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O Z da questão

Reforço externo

Honda ZR-V, que chega ao Brasil no fim de outubro, mostra conforto, estilo e dinâmica para brigar com Corolla Cross e Compass

por Hernando Calaza

Autocosmos.com/Argentina

Exclusivo no Brasil para Auto Press

                A Honda Autos enfrenta um paradoxo. Por um lado, vem refinando seus modelos para se aproximar das fabricantes premium, mas por outro precisa ceder a pressões de mercado para acessar segmentos mais populares. Para alcançar estes dois objetivos, criou o ZR-V. No Estados Unidos, ele substituiu o antigo SUV compacto HR-V na função de modelo de entrada, mesmo sendo maior e mais sofisticado – na América do Norte até adota o nome HR-V. No resto do mundo (América do Sul, Europa e Ásia) é chamado de ZR-V e aparece para brigar com os SUV médio-compactos, no segmento onde estão o Jeep Compass, o Corolla Cross e o Volkswagen Taos. A ideia foi compartilhar a plataforma média do Civic, já usada no CR-V, como base de um modelo menor e mais acessível.

                O ZR-V está sendo produzido há pouco mais de um ano na fábrica de Celaya, no México, de onde vai para o mercado argentino desde o final de setembro e desembarca no Brasil neste final de outubro. Esta avaliação, no entanto, foi feita na cidade do México, antes do lançamento oficial na Argentina, em Bariloche. Por ser construído sobre a mesma plataforma do Civic, ele oferece quase os mesmos componentes e elementos de design. Tecnicamente, o SUV tem uma base mais rígida e leve, incorpora suspensão multilink na traseira e traz freios a disco nas quatro rodas, como ocorre no sedã.

                Em relação às medidas, o ZR-V segue o padrão do subsegmento médio-compacto ou C-. Ele tem 4,56 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,62 m de altura e 2,65 metros de entre-eixos. A altura livre para o solo é de 17,0 cm e o porta-malas tem capacidade para 691 litros. Sob o capô, o SUV traz um motor 2.0 de quatro cilindros em linha, aspirado, com injeção multiponto. Ele rende 160 cv e 19,1 kgfm e é gerenciado por um câmbio CVT. Nos Estados Unidos, o modelo ainda conta com a opção de tração dianteira ou AWD – oferta que não deve chegar ao mercado brasileiro.

                A mecânica do ZR-V não foge muito ao que a Honda costuma oferecer por aqui, mas não se pode dizer o mesmo do visual, que foge completamente da linha estética que a marca segue por aqui. Para começar, as linhas são bastante arredondadas, com um estilo suave, aerodinâmico e urbano. O capô plano, os ombros marcados e a última coluna bem inclinada se destacam. A dianteira traz uma grade hexagonal pequena, molduras em C em material preto brilhante nos nichos dos faróis de neblina e faróis de contorno simples. Atrás das grandes luzes com um contorno de led que em algum momento lembra os do Renault Stepway.

                Por dentro o SUV tem uma estética extraída do Civic, a começar pela faixa em colmeia que atravessa o painel e esconde as saídas de ar. O design é horizontal, simples e prático, com comandos de climatização sob as tomadas centrais e uma tela flutuante de 9 polegadas, com botões físicos para sintonia e volume. O volante é muito parecido com o do Civic, de bom tamanho, com controles para diversas funções. Já o conjunto de instrumentos é híbrido e traz velocímetro analógico à direita de uma tela configurável – em um esquema semelhante ao usado pela Nissan. No centro, um console amplo, que permite esconder vários botões e porta-trecos, incluindo um tapete para carregamento sem fio.

                A localização dos comandos e a ergonomia para quem vai à frente é de bom nível e todos os materiais utilizados têm alta qualidade percebida, com revestimentos emborrachados macios. Os bancos traseiros são espaçosos, com boa área para cabeça e joelhos, lugar para encaixar os pés sob os assentos dianteiros e um ângulo de reclinação do encosto que permite viagens longas com boa dose de conforto. Atrás há saídas de ar independentes, portas de carregamento USB e boa visibilidade para todos os lados.

                Em relação ao conteúdo, o ZR-V é bem completo: central multimídia com espelhamento sem fio, chave presencial, ar-condicionado digital de duas zonas e revestimento em couro sintético bastante convincente. Na parte de segurança, o ZR-V vai contar com câmera traseira, oito airbags, incluindo joelhos para motorista e passageiro, e os recursos ADAS do Honda Sensing, que incluem alerta de colisão com frenagem autônoma, controle de cruzeiro adaptativo e monitoramento de faixa, entre outros (Texto de Hernando Calaza, Autocosmos Argentina, exclusivo no Brasil para Auto Press. Fotos de Divulgação).

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Impressões ao dirigir

Tudo no lugar

                A primeira coisa que chama a atenção no ZR-V é a excelente posição de condução. Os assentos em formato de colher acomodam e seguram o corpo confortavelmente. A visibilidade é muito boa graças à coluna dianteira relativamente fina e deslocada para a frente. Os espelhos e as janelas também têm dimensões generosas.

                Em marcha, o ZR-V não chega a impressionar. O torque não é tão alto ou plano como em um motor turbo. A primeira reação à aceleração mais exigente até parece vigorosa, mas vai se alongando e perdendo o entusiasmo conforme se mantém a pressão. Em um uso mais urbano, este 2.0 se mostra reações bastante lineares, principalmente na entrega em baixos giros. A caixa CVT pode até ser responsabilidade por essa perda de ímpeto do modelo, mas é suave e confortável. No tráfego, ela gerencia o motor com alta eficiência e sempre o carrega em ótima velocidade de funcionamento.

                Na estrada, a longa relação final da caixa mantém o motor calmo. O problema só aparece para quem deseja uma dirigibilidade esportiva, em que se alterna muito acelerador e freio. Nesse ponto, a caixa enlouquece e frustra o motorista. Mas pelo menos há o recurso de marchas simuladas, controladas por paddle shifts no volante. A afinação do chassi é um dos pontos altos do ZR-V. A suspensão tem um curso ideal para pavimentos irregulares e a calibração oferece boa capacidade de amortecimento, sem ressaltos ou golpes secos nos batentes.

                Em velocidades mais altas, este SUV tem uma direção que oferece boa comunicação e muita precisão. A dianteira é obediente e tem aderência suficiente para manter o nariz dentro dos limites definidos. O esquema multilink traseiro facilita muito manter o controle sobre o ZR-V.