Corte de mercado
Volvo C40 Recharge, versão cupê do XC40, entra em pré-venda no Brasil
A Volvo decidiu se fidelizar ao conceito de carro elétrico e acaba de apresentar no Brasil o C40 Recharge 100% elétrica, única versão que será trazida para o País. O modelo, que é uma versão cupê do menor SUV da marca, o XC40, entrou em pré-vendas agora, mas só chega às concessionárias no final de março.

O primeiro lote, de 200 unidades, será oferecido pelo valor de R$ 419.950. Ou seja: R$ 10 mil a mais que a versão SUV. E deve ficar ainda mais caro, pois a importadora já prometeu aumentar o preço no próximo lote.
As características técnicas são idênticas às do XC40. Ele traz a chamada motorização P8, que consiste em um motor elétrico em cada eixo, que somam 408 cv de potência e 67,2 kgfm de torque. Segundo a filial brasileira, o C40 é capaz de rodar até 444 km.

Curiosamente, a Volvo dos Estados Unidos – país que promessas ao consumidor são levadas a sério ‑, a autonomia do C40, com as mesmas características, é apontada como sendo 320 km. Discrepância menos grade acontece em relação à aceleração. O modelo que vem para o Brasil acelera de zero a 100 km/h em 4,7 segundos, enquanto o modelo vendido nos Estados Unidos chega apenas a 96 km/h nesse mesmo tempo.

As dimensões do C40 são muito próximas às do XC40, principalmente no comprimento, de 4,43 metros, e na largura, de 2,04 m. Já na altura, o cupê é 7 cm mais baixo, com 1,58 m, o que permitiu um design mais fino, com o teto se conectando à traseira através de um corte mais esportivo. A frente também é diferente, por conta do para-choque redesenhado, da grade sem molduras, mas, acima de tudo, dos clusters de luz triangulares com tecnologia led.

Por dentro, o C40 Recharge tem um estilo minimalista e tenta valorizar a ideia de sustentabilidade ambiental, com revestimentos sem couro no painel, bancos ou painéis de porta. Quanto à tecnologia a bordo, a marca Volvo equipou o novo C40 Recharge com um equipamento multimídia baseado no sistema operacional Android Automotive. Ele é capaz de gerenciar os parâmetros do carro através dos serviços da big tech estadunidense, como Google Maps, Google Play e Google Assistente, entre outros.

O aparelho também pode receber um chip de dados para ter acesso à internet, inclusive para as atualizações OTA (over-the-air), que poderá no futuro oferecer mais funcionalidades ao conjunto (por Eduardo Rocha, Auto Press).
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Sustentabilidade insustentável
A lógica defendida pela Volvo, de tentar associar mobilidade elétrica e sustentabilidade é, no mínimo, um sofisma. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, em 2019, ano anterior à pandemia, 84% de toda a energia gerada no planeta se baseava em petróleo (33%), carvão (27%) e gás (24%), enquanto apenas 12% se baseou nas chamadas fontes limpas, hidrelétrica, solar, eólica e biocombustível, e os restantes 4% de energia foi gerada por usinas nucleares – que não é limpa pois deixa resíduos, exatamente como vai acontecer com as baterias dos carros elétricos. Já qualquer biocombustível é carbono zero. Todo CO2 emitido pela queima de etanol, por exemplo, é uma devolução do carbono absorvido no crescimento da planta – milho, cana-de-açúcar ou qualquer outra.

Apesar do enorme alvoroço e do modismo em torno da mobilidade elétrica, ela tem apenas dois efeitos práticos relevantes em relação à sustentabilidade: O primeiro é efetivamente promover uma pequena redução das emissões, já que 16% da energia vem de fontes que não aumentam o volume de carbono na atmosfera. Esse índice é menor que a redução exigida por normas de emissões como Euro V ou Proconve L7. O outro é fazer a poluição, que antes era emitida nas cidades, ser mantida nas regiões onde a energia é gerada. Ou seja: há uma migração dos gazes para regiões que as pessoas não veem.

Para a indústria, o carro elétrico é uma garantia de sobrevivência do negócio. Afinal, Europa, Japão e Coreia do Sul não tem área agricultável suficiente e ficariam dependentes de importação se a opção para o futuro da indústria fosse o biocombustível. Certa vez, acreditou-se que o carro seria tão indefensável no Século XXI quanto o cigarro já era no Século XX. O que a indústria está fazendo é criando uma espécie cigarro eletrônico, mas com uma embalagem muito mais atraente. O tema da sustentabilidade foi questionado diretamente à Volvo, que não se manifestou.






