Fase de crescimento
Yamaha aposta no custo/benefício e na tecnologia da Fluo 125 para avançar no mercado de scooters
A estratégia da Yamaha no Brasil tem sido cirúrgica. Já há algum tempo, a fabricante japonesa direciona suas apostas para segmentos específicos e modelos capazes de oferecer retorno em volume, lucratividade e imagem. Foi com essa política que a marca fez sua participação crescer de forma progressiva dos 11,7% de 2015 até os 17,6% do ano passado. Já no primeiro bimestre de 2022, esta fatia de mercado subiu para 19,1%. Nesse contexto, o lançamento da pequena Fluo tem toda a lógica, pois o mercado de scooter vem crescendo de forma avassaladora. A participação simplesmente triplicou entre 2015 e 2021, passando de 3 para 9% das vendas totais de motocicleta, com as scooter de baixa cilindrada respondendo por 92,6% das vendas – sendo uma em cada três é da Yamaha.

A nova scooter pequena chega ocupar uma posição intermediária na linha de scooter pequenas da Yamaha: traz a motorização semelhante à da Neo 125 (tem 0,3 cv a menos) com diversos recursos de tecnologia e conforto da NMax 160. O preço também fica numa média ponderada: R$ 13.390 ‑ R$ 2.100 a mais que a Neo e R$ 3.200 a menos que a NMax – valores sem frete incluído.

O modelo de 98 kg a seco (102 kg em ordem de marcha) tem motor monocilíndrico, somente a gasolina, refrigerado a ar e óleo, que rende 9,5 cv a 8 mil giros e 1,0 kgfm a 5.500 rpm. Este propulsor recebe um sistema start/stop que consegue diferenciar uma parada de semáforo de outra que ocorra durante manobras no trânsito. No primeiro caso, ele desliga o motor em 1,5 segundo, enquanto na segunda situação o motor se mantém em marcha por até 5 segundos. A scooter conta ainda com chave presencial para travas e ignição, tomada de 12 V, ABS na roda dianteira, farol em led e painel digital em tela de LCD.

Apesar de trazer elementos das duas scooters pequenas da marca, a Fluo é um projeto diferente. Trata-se de uma versão dos modelos FreeGo da Indonésia e Mia Gravis das Filipinas. O chassi do tipo underbone é construído em aço tubular, que recebe menos pontos de solda que um estampado e tem maior rigidez torcional. Com uma base tubular dupla, a engenharia pôde encaixar sob o piso o pequeno tanque de combustível – no total, são apenas 4,2 de capacidade. O modelo conta também com cavaletes central e lateral.

O bocal de abastecimento fica localizado no lado esquerda da parte interna do escudo frontal, onde em outros modelos costuma ficar um porta-objetos ou um porta-garrafas. Essa arrumação oferece maior praticidade na hora de abastecer, pois não é preciso bascular o assento. O modelo traz um pequeno gancho na face interna do escudo. Sob o banco, há um espaço de armazenagem de 25 litros, capaz de acomodar um capacete fechado simples, que não seja muito cheio de parangolés, dobras e vincos.

As dimensões da Fluo são típicas do segmento. Ela tem 1,92 metro de comprimento, 69 cm de largura e 1,11 metro de altura, medida no guidão, com 1,28 metro de entre-eixos. O assento tem dois níveis e a altura é de 78 cm na área do piloto, com de 85 cm. As pedaleiras do garupa podem ser ajustadas em 2,5 cm na altura. A suspensão dianteira é telescópica com curso de 90 mm e traseira com amortecedor único do lado esquerdo com 88 mm de curso. A altura livre para o solo é de 13,5 cm.

Uma especificação que caracteriza a Fluo é a dimensão das rodas. Eles têm 12 polegadas na frente e atrás, mas traz pneus especialmente encorpados, que ajudam até a filtrar as irregularidades do solo e dão maior capacidade de inclinação ao modelo. A medida na frente é de 100 mm na banda com 90 no flanco e na traseira é 110/90. As rodas são de liga leve de série.

A Yamaha não informou sobre projeções de vendas da Fluo, mas posiciona o modelo para confrontar tanto a Honda Biz 125 quando a Honda PCX de entrada. Se o embate se confirmar, a Fluo entra em uma briga que envolve vendas em torno de 12 mil unidades mensais. O modelo chega às concessionárias no início de abril em três cores clássicas: azul metálico (Racing Blue) preto sólido (Midinight Black) e branco sólido (Branco Cristal). A garantia é de quatro anos (por Eduardo Rocha, Auto Press. Fotos: Divulgação).

Primeiras impressões
Dinâmica de equilíbrio
A Fluo expõe bons argumento para conseguir um bom desempenho de mercado. A começar pelo fato de oferecer uma série de tecnologias que só estão disponíveis nos modelos da parte mais alta do segmento de scooters pequenas – como a própria NMax da Yamaha. Detalhes como chave presencial, bom espaço sob o banco e freio dianteiro com ABS podem fazer a diferença na decisão de compra. Ainda mais pelo preço do modelo.

A configuração com piso plano à frente do piloto não é a que mais atrai o consumidor brasileiro, mas é um risco calculado. Afinal, não valeria a pena investir numa modificação de um projeto já pronto. Exatamente por ser um modelo já existente, as linhas arredondadas da Fluo não parecem tão modernas quanto as da Neo e da NMax, bem mais agudas, com ângulos afiados. Mas a não ser pelo modismo estético, nada no visual da Fluo incomoda. Os materiais, acabamentos e composições são refinados e aparentam boa qualidade.

Em marcha, a Fluo agrada ainda mais. O motor gira com uma suavidade impressionante e o sistema start/stop atua de forma absolutamente discreta. O baixo peso do modelo ajuda nas arrancadas e retomadas e a scooter ganha velocidade com facilidade, mas sem traços de agressividade. O piso plano tem espaço suficiente para encaixar o pé sem problemas. A ergonomia gerada pela altura do guidão e banco permite uma posição de condução relaxada e agradável.

O centro de gravidade baixo dá uma especial agilidade ao modelo nas mudanças de direção. Sem muito esforço, a Fluo inclina, oferecendo sempre um bom controle ao piloto. As rodas pequenas, com 12 polegadas, não são as mais indicadas para pisos irregulares e mesmo com pneus largos e de perfil alto, boa parte das irregularidades são transmitidas para o piloto. Por outro lado, o banco é bem macio e ameniza esta convivência.






